Pandora
15 Don't Trust Anyone
Notas iniciais

James S. Potter:
Eu já estava namorando Dominique há sete meses! Sinceramente, ela era a garota mais doce e gentil que eu já havia conhecido. E por ser metade veela, sua beleza era incrível. Quando a conheci, eu era outra pessoa. Não ligava para estudos, tampouco responsabilidades. Já havia ficado com tantas garotas que estava começando a pensar que nenhuma prestava, até que Dominique chegou.
Ela se sentou ao meu lado e eu observei-a comer, notando o quanto eu queria tocar em seus cabelos loiros da cor do trigo. Foi fácil ela aceitar sair comigo, mas a loira nunca permitia que eu a beijasse. Até que um dia eu admiti que ela estava me deixando louco e a pedi em namoro.
Quando percebi, lá estava eu com ela. Estudando até tarde para a prova do dia seguinte.
E então ela apareceu. A garota de cabelo preto e olhos azuis. E quanto mais eu a conhecia, mais eu precisava dela. Ela nem devia pensar naquilo, mas me lembro de quando estávamos sentados numa árvore após meu treino de quadribol. Ela sempre vinha de boa vontade quando eu a chamava para fazer alguma coisa, o que me deixava louco porque eu não sabia o que ela estava pensando. Será que ela gostava de ficar comigo ou só aceitava por ser gentil?
Mas enfim, naquele dia ela estava lá comigo. Tinha cheiro de chocolate. Cantarolava uma música que eu nunca havia escutado e estava com os olhos fechados. Sua cabeça estava encostada em meu ombro e seus dedos roçavam na grama. Eu fiz menção de pegar uma flor que estava lá, mas acabei encontrando sua mão e passei um segundo a mais tocando a sua pele incrivelmente macia do que o necessário. Percebi que ela corou. Sorri.
E quando eu a vi andando pelo salão ao lado de Nick, não consegui falar. Ela estava incrivelmente linda e parecia um anjo. Meu anjo. Seus cabelos negros como o breu balançavam enquanto ela caminhava e seu batom vermelho quase me fez correr para beijá-la. Quase. E como se fosse em câmera lenta, notei que ela estava de mãos dadas com Nick. Justamente com ele! Ela me olhou com expectativas, como se quisesse que eu fizesse algo.
Ela esperava que eu fosse fazer o quê? Bater nele? Dar parabéns? Por que eu não conseguia lê-la? Carter sempre pareceu tão fácil de compreender, mas para descobrir seus verdadeiros sentimentos era algo quase impossível. Olhei em seus olhos e ela fez menção de falar comigo, mas pareceu lembrar de algo e desistiu.
E ela estava certa. Eu a magoei. Eu a machuquei. Eu a beijei e a dispensei, como fiz com outras milhões de garotas antes de Dominique. Por que daquela vez eu senti? Eu não sabia o que fazer, porque amava minha namorada. Não podia terminar com ela. Mas eu também não conseguia ficar longe de Carter.
***
Após comer, vaguei pelos corredores até olhar para ele. Nick estava lá, encostado na parede, conversando com um Sonserino chamado Ian. Quando me viu, o garoto saiu sem se despedir. Nick se voltou para mim e ficou sério.
— Estava me procurando?
Não respondi. Queria falar com ele, mas não sabia o que dizer. Minha consciência me avisava para não arrumar problemas e suspirei. Uma conversa civilizada.
— Sim. Eu queria dar os parabéns.
— Obrigado — ele olhou para algum canto do corredor, pensativo. — Ela me mudou, sabe? Não sou o mesmo de antes.
Com as palavras, ele sorriu sem dentes para o nada.
Eu tentava fazer com que a conversa fosse descontraída, mas acabou saindo como um interrogatório.
— Quando vocês...? — não consegui completar a frase. Nem precisei.
— Quando ela voltou do Natal.
— Você... você a ama? — engasguei com as palavras. Eu tentava soar como alguém normal, mas estava trincando os dentes para não falar algo imbecil.
— James, nós só começamos a namorar. Amor não é de um momento para o outro! Mas eu estou apaixonado, se é isso que você queria dizer. Ela me fez ver como minha vida era patética e me fez superar. Posso contar com a Carter para tudo, porque, afinal, ela também é minha melhor amiga. Ela é incrível. E mesmo eu não sendo tudo que ela desejava, ela ainda consegue ver as partes boas em mim. Olhe, James: sei que você não confia em mim. Mas nós éramos melhores amigos. Só porque eu disse aquelas coisas não significa que não mudei.
Aquelas coisas. A primeira vez que nós a vimos.
“Carter estava na minha frente, desmaiada. Meu coração batia a mil. Nick correu logo atrás de mim e ficou de pé na minha frente.
— Cara, aposto que ela deve ser uma garota do quarto ano. Esses imbecis adoram fazer essas coisas sem sentido.
E foi naquele momento que eu explodi de raiva.”
Nick realmente parecia ter mudado. Um nó se formou na minha garganta e eu não soube o que falar.
Não era totalmente por causa da garota de cabelos negros. Havia algo de errado com o Sullivan. Quando eu o olhava, me lembrava de quando nos encontramos pela primeira vez no barco que nos levava até Hogwarts no primeiro ano. Eu e ele aprontamos muitas juntos e vivíamos em detenção. Sempre fomos melhores amigos. Sempre contamos um com o outro. Dia após dia, nossa amizade crescia e nós nos tornávamos cada vez mais próximos de irmãos. Eu nunca contei com ninguém como eu pude contar com Nick. Mas algo aconteceu no dia em que Carter apareceu. Foi como se um véu caísse dos meus olhos e eu não conseguia parar de pensar que havia algo de errado com ele. Ele estava todo errado. Os movimentos bruscos, o brilho sombrio nos olhos castanhos, o modo que andava e falava. Quando nos falamos pela manhã, já estávamos longe de sermos sequer conhecidos. O modo que Nick falou comigo, com palavras arrastadas, cuidadosas, levemente sarcásticas e completamente aterrorizantes. Todos os meus sentidos me avisavam para correr do meu melhor amigo. Ainda sim, tivemos aulas juntos. Almoçamos, jantamos. Ele mudou. Mas não havia sido para melhor. Algo me mandava pesquisar sobre ele, descobrir sobre quaisquer que fossem seus segredos; mas eu tinha que ficar me lembrando de que sabia de tudo da vida dele.
Queria gritar para que ele ficasse longe dela, mas eu sabia que Carter desmoronaria sem ele. Queria batê-lo por tirá-la de mim, mas me lembrei que eu a afastei, não ele. Queria dizer que não confiava nele por nem um segundo, mas como eu poderia dizer aquilo se eu não era de confiança? Além disso, que provas teria? O que eu não sabia sobre Nicholas Sullivan?
— Espero que tudo dê certo entre vocês. — disse por fim.
E virei as costas. "Eu não a mereço", eu repetia para mim mesmo várias vezes seguidas. "Eu não a mereço".
Mas algo me dizia que, na verdade, Nick que não a merecia.
Fale com o autor