Pandemonium

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Não sei se vocês se lembram. Mas sim, essa fic existe. Faz tempo que não posto um capítulo. E mesmo que esse seja pequeno, é importante. Prometo que o próximo vai ser um pouquinho maior.

Ao ver aquela faca ensanguentada, Tina só conseguia pensar que logo o sangue dela estaria ali também. A menina que segurava a faca era muito bonita. Tinha os olhos castanhos, os cabelos volumosos e ruivos. Seus olhos estavam cheios d’água. Ela respirava ofegantemente. Olhava fixamente para tina e parecia nem perceber que Joseph estava ali. Estava com muita raiva, pelo menos era o que parecia. Tina já sabia que iria morrer, então fechou os olhos. Respirou fundo, e pensou: “Estou pronta pra te ver, irmão”. Mas foi surpreendida ao se sentir abraçada por alguém. Quando abriu os olhos, pode ver a garota de cabelos ruivos a envolvendo com seus braços machucados. Ela não parava de chorar. Tina ficou sem reação. Então a abraçou também.

– Eu te achei. Eu finalmente te achei. – Disse a garota. – Eu sabia que você estaria viva. Seu irmão acreditava em você.

– Luke? Você o conhecia? – Perguntou Tina, que estava totalmente confusa com a situação. – E porque você estava me procurando? Porque não me matou?

– Tina! – A garota a interrompeu com um grito. – O seu irmão me disse para vir atrás de você, quando o pandemonium acontecesse. Ele me pediu isso faz alguns meses. Eu preciso te defender. Vamos sair daqui.

Tina se levantou, com a ajuda da garota. Joseph havia se apresentado á ela, que pareceu não ligar muito. O ignorou por completo. Nem se quer respondeu, quando Joseph a perguntou seu nome. Os três começaram á andar. Ninguém parecia saber a direção em que caminhavam. Mas a garota estava confiante. Ela andava á frente de todos, olhando fixamente em uma direção. Joseph e Tina estavam logo atrás, de mãos dadas. Eles não sabiam o que fazer. Havia três pessoas, caminhando juntas, em um lugar onde só poderia haver dois sobreviventes. Era loucura continuar recebendo ajuda da “Garota sem nome”. Á qualquer momento ela poderia mata-los. Ela poderia fazer isso, facilmente. Mas, se ela quisesse mata-los, poderia ter feito isso quando teve a oportunidade. Tina estava confusa á respeito disso. Eles caminhavam em silêncio. Um silêncio tão profundo, que fazia com que sua respiração fosse escutada por todos ali. Até que, ouviu-se um som, que parecia vir da floresta, mais á frente. Parecido com o som de um tiro. Tina pensou em correr na direção contrária. Mas a garota de cabelos ruivos já estava correndo na direção do som. Joseph a seguiu. Tina não queria ir, mas ainda estava de mãos dadas com ele. Ela não poderia soltá-lo. Não agora. Ela não iria deixar que ele fosse sozinho com aquela garota, que nem nome tinha.

Quando chegaram ao local de onde o barulho viera, encontraram um corpo esparramado pelo chão, junto á uma poça de sangue. Era um garoto. Devia ter, mais ou menos, 10 anos. Tinha a pele escura, e seus cabelos eram negros e cacheados. Estava com uma pistola em mãos. O sangue vinha de um buraco, que estava localizado em sua garganta. A garota de cabelos ruivos chutou o corpo para o lado, e pegou a pistola que estava na mão dele.

– Podemos pelo menos saber o seu nome? – Perguntou Joseph.

A garota o ignorou. Como sempre. Ela estava olhando em sua volta, procurando algum rastro. A pessoa que matou o garoto, já devia estar longe.

– Ei, porque você o ignora? – Perguntou Tina. – Não pode pelo menos nos dizer seu nome?

– Tudo bem! – Gritou a garota. – Meu nome é Annie. E eu não vou dar á vocês mais nenhuma informação sobre mim. Meu nome já basta... E Tina, nós precisamos conversar. ­– Ela olhou para Joseph. – Á sós. Pode ser?

Depois de alguns minutos, Tina e Annie se distanciaram, deixando Joseph sozinho com aquele corpo ensanguentado no chão. Ele estava com medo, não podia negar. Mas estava mais preocupado com o que poderia acontecer com Tina. Ela estava sozinha com uma garota, que até pouco tempo atrás, nem seu nome havia dito. Joseph não poderia fazer nada, além de esperar. Ele se sentou no chão, de costas para o corpo. Ele não queria olhar mais nenhum segundo para aquele corpo com a garganta perfurada. Olhando para sua arma começou a pensar. Será que ele teria que matar alguém pra sair de lá vivo? A única pessoa que poderia salvá-los seria Annie. Nem Tina, nem Luke sabiam como usar uma arma direito. Joseph começou a imaginar o que Annie estaria falando com Tina agora. Tantas coisas passavam na cabeça dele que ele nem conseguia se organizar. Já estava ficando confuso com seus próprios pensamentos quando Tina chegou. Ela aparentava estar nervosa, suas mãos estavam suadas e seus olhos cheios d’água. Annie vinha logo atrás, com um sorriso estampado no rosto.

– O que você disse á ela? – Perguntou Joseph. – Porque ela está chorando?

– Logo você verá. – Disse Annie. Então ela se virou para Tina, que já estava com uma arma na mão. – E então Tina?

– Estou pronta. – Disse Tina.


Joseph só conseguiu entender o que estava acontecendo quando viu Tina apontando a arma para ele. Ela iria mata-lo. O porquê ele já sabia. Só haveria dois sobreviventes, e Tina queria sair dali viva. A única pessoa que poderia ajuda-la seria Annie. Luke nem sequer sabia como segurar uma arma, não iria conseguir defender Tina por muito tempo.

Joseph estava na mira de uma arma. Iria morrer em alguns segundos. Não suportaria ver Tina o matando, então fechou os olhos. Fechou-os com toda a força que encontrou. Então ouviu um estrondo. Ele não estava morto. Quando abriu os olhos viu Tina assustada, olhando para o corpo de Annie que se encontrava no chão, ensanguentado. Joseph não conseguiu falar nada. Estava tão assustado quanto Tina. O silêncio durou por algum tempo até que Joseph perguntou:

– E agora? O que pretende fazer?

– Ainda nos restam mais dois sobreviventes. Vamos á caça. – Disse Tina. Com toda a coragem do mundo. Pela primeira vez, ela parecia determinada á sair dali viva.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.