Notas iniciais
O primeiro grande "plot twist" da fanfic. Espero que gostem ^^

Percy estava exausto. Contracorrente pesava em sua mão direita, gotejando o icor divino do último gigante que ajudou a derrotar. Olhou em volta: Atenas era pura destruição. A batalha entre os Sete e os deuses contra os gigantes havia contribuído para a devastação ao redor deles. Porém, além deles, os exércitos aliados dos Estados Unidos e da Rússia trocavam tiros, granadas e bombas no perímetro. Annabeth, Piper, Jason, Frank, Nico e Hazel estavam tão cansados quanto ele.

Gaia estava em pé, com seus vinte metros de altura, maior que todos ali presentes, ainda que não estivesse na forma imortal. Uma gigantesca clava de rochas ígneas com magma era sua arma. Disse para seus adversários:

– Podem ter derrotado meus filhos, deuses, mas ainda não lutaram contra mim!

Flechas solares, feitas de pura luz, foram atiradas por Apolo, mas pareceram fazer apenas cócegas na deusa. Zeus ergueu seu raio-mestre, uma fortíssima corrente elétrica passando por ela. Mas era a Terra, não tinha problemas com raios, recebia vários todos os dias. Um a um, os deuses tentaram seus golpes, sem efeito algum. O último foi Ares que, possesso, correu na direção dela, mas sendo jogado longe por um único golpe da clava. A situação não estava boa. A cada tentativa de um deles, a terra começava a apresentar fissuras, graças ao poderio utilizado. Nada parecia ser páreo para Gaia.

O deus das Profecias disse algo ao ouvido de Hermes, que foi informar Atena. Esta assentiu e ele sumiu. Annabeth e sua mão coordenaram um ataque conjunto de imortais e semideuses, este surtindo algum efeito, mas fortemente respondido. A batalha estava longe de terminar.

***

Todos estavam dormindo em Nova Iorque, no fim daquela madrugada. Sabiam que uma grande batalha estava ocorrendo naquele momento, na Grécia. Todos os noticiários falavam das milhares de tropas em combate aberto, com grande parte do poderio bélico de ambas as alianças. Mas não sabiam nada sobre o real conflito de dimensões inimagináveis para os humanos que acontecia ali. A Névoa estava supercondensada ao redor de Gaia, de modo que as câmeras não registravam o que havia ali. Os jornalistas supunham que era algum tipo de estratégia os exércitos não irem para aquela área, ou que o governo russo estava interferindo no sinal. De fato, ninguém sabia o que acontecia naquele ponto. Nem os campistas, que imaginavam que os deuses ali estavam lutando contra os gigantes.

Ninguém imaginava o risco que estava correndo. Hermes chegou no Acampamento e, apressadamente, foi à Casa Grande. Minutos depois, a trombeta de batalha começou a soar. Lentamente os semideuses saíram dos chalés, sonolentos e se perguntando o que acontecia. Quando viram o deus mensageiro, em vestes gregas, calaram-se. Ele, com todo o seu poder com a voz, começou a falar:

– Algo muito sério está para acontecer. Estamos lutando contra Gaia na Grécia. Sim, ela acordou. Estamos fazendo o possível. Porém Apolo pressentiu um acontecimento catastrófico, nem ele soube definir. Mas ele sabe que hoje é o último dia de existência de Long Island.

Um burburinho subiu. Os meio-sangues finalmente acordaram. Alyss Fairbrother, uma filha de Zeus alta, de cabelos castanhos ondulados com mechas roxas, praguejou. Seus olhos eram da mesma cor de seu cabelo e visivelmente estava com sono. Odiava mudanças. O deus viajante continuou, fazendo os murmúrios cessarem:

– Quíron notou também que os monstros estão ainda mais agressivos ultimamente. Por instinto, notam que vai acontecer alguma coisa. – Ele suspirou. – Arrumem suas coisas. Peguem o que quiserem e puderem. Uma nova era está para começar. Iremos para Porto Alegre, no Brasil. O Olimpo já está lá. Vão, temos apenas quatro horas.

O deus agitou as mãos e uma porta apareceu. Do outro lado, um Acampamento completamente diferente. Um vento frio veio de lá, pois era inverno. Ele se pôs a voar e sumiu. A algazarra começou, todos correram para seus chalés. A maioria disfarçava, especialmente os romanos, mas alguns choravam. O Acampamento Meio-Sangue de Long Island era sua casa, seu porto seguro. E agora tinham que abandoná-lo para uma terra desconhecida. O medo predominava frente as mudanças que aconteciam. Perguntavam-se o que o Deus-Sol havia previsto.

***

Gaia caiu, gritando. O último golpe combinado de Netuno e Marte havia conseguido desestabilizá-la. Todos estavam cansados, aquela batalha durara longas horas, que passaram se arrastando. Frank estava ensopado de suor, assim como todos os outros. Foram parte importante na batalha. Mercúrio chegou voando. Ia falar, porém a voz da deusa inimiga o cobriu:

– Vocês vão morrer, desistam!

Estava desesperada, era visível. Não queria adormecer novamente. Durante boa parte do conflito ela estivera ganhando, mas uma flecha feita por Hefesto e atirada por Ártemis conseguiu penetrar em sua mão, explodindo e fazendo-a não conseguir mais segurar sua clava. Ainda assim, demorou até ela ser vencida.

Os deuses tremularam entre suas formas grega e romana muito rapidamente. Todos levaram as mãos à cabeça, com dor. Isso acontecera várias vezes durante a batalha, com intervalos cada vez menores. Gaia, porém, pela primeira vez, também alternou entre sua forma grega e Terra, a romana. Algo errado acontecia. O incidente acabou, todos na forma grega. Apolo gritou, a voz visivelmente alterada:

– Está... chegando...

Hermes, alarmado, abriu uma porta idêntica a que abrira em Long Island.

– Vão, semideuses, agora!

Frank e Piper carregaram Jason, que estava desmaiado, para dentro da porta, junto com os outros. A passagem se fechou. No mesmo momento, um urro altíssimo e muito grave varreu o local. A guerra ao redor deles ficou confusa, todos atirando contra todos. A forma dos deuses começou a mudar novamente, muito mais rápido que todas as outras vezes. Ajoelharam-se, com fortíssimas enxaquecas.

Então tudo ficou escuro. Uma noite pesou em todo o mundo, especialmente ali na Grécia, onde não se enxergava um palmo de distância. Um som colossal que mais parecia com milhares de explosões, muito grave, pode ser ouvido em todos os recantos do planeta. Os imortais, ainda abaixados, alternaram para sua forma divina, percebendo o perigo iminente. Apolo/Febo brilhou com força, o máximo que conseguia. Viram quem estava ali, muito maior que eles.

Caos. O deus que criou todos os outros. Sua forma era completamente indefinida, um buraco negro disforme dentro do qual a luz se digladiava consigo mesma. Sua voz, absurdamente grave, reverberou:

– Deuses Olimpianos. Vocês se acham muito. Causaram muitas guerras, muitas mortes, muita disputa de poder. Em instantes, os humanos, graças a suas disputas, destruirão quase todo o planeta. As bombas já viajam. Posso sentir o caos iminente, as bilhões de vidas que estão prestes a ser explodidas.

O Deus-Sol partiu na direção do inimigo, ensandecido. O deus primordial riu e envolveu o deus das profecias com o que parecia ser uma mão de trevas.

– Tolo, Sol, Tolo! Por muitos dias você não será visto, e sabe disto. O inverno predominará, a atmosfera será negra. – Olhou para Hades/Plutão. – Você terá muito trabalho, pode apostar.

Desapareceu, Apolo caindo no chão como se estivesse tendo convulsões. Seu brilho sumiu. Ártemis/Diana correu até ele, seguida pelos outros deuses. Deram-se conta que o deus da cura estava desacordado, sem forças. Olharam-se. Sentiam seu poder enfraquecer. Mercúrio/Hermes, com dificuldade, os levou para o Novo Olimpo.

***

O caos reinava em Long Island. Tudo ficara escuro de repente, apenas a porta era visível. Sabiam que era a hora. Os restantes corriam, com as malas bagunçadas, e atravessavam a porta para seu novo lar. Rachel estava chorando, descabelada, na frente da Casa Grande. Recusava-se a ir. Quíron tentava convencê-la, mas ela só respondia:

– Não! Esse aqui virou meu único lar! Prefiro morrer a sair daqui!

O centauro ouvira isso várias vezes de outros campistas. Apenas a humana não se deixava convencer. Tenta, uma última vez, sabendo que tinha pouco tempo:

– Rachel, você tem que ir! Sobreviver, viver em um novo lugar, uma nova oráculo para você ajudar a lidar com o espírito de Delfos, como você soube! Por favor!

Ela nega veementemente. Mais nenhum semideus estava ali. As ninfas estavam chorando, sabendo que não tinham o que fazer. Morreriam. O treinador de heróis pegou a ruiva no colo, à força. Ela esperneou, batendo no peito dele, mas ele era forte. Colocou-a para o outro lado da porta, junto com suas malas. Todos lá olharam o centauro. Mas não havia mais tempo para ele passar e fechar a porta.

Ele apenas a fechou. Todos gritaram quando a porta desapareceu. Houve apenas para um último suspiro de Quíron que, para ele, demorou séculos. Lembrou-se de cada semideus que treinou. Hércules, Ajax, Teseu, Aquiles, Percy, Annabeth... todos, do primeiro ao mais recente. Uma lágrima ensaiou cair de seu olho, mas nem para isso houve tempo mais. Uma das bombas nucleares caiu diretamente sobre o Acampamento Meio-Sangue de Long Island. Junto com todos os chalés, ninfas, pégasos e tudo o mais dali, o centauro foi instantaneamente foi reduzido a milhões de partículas.

Notas finais
Comente aqui ou no post na página do CDRS o que achou do capítulo, quais suas reações... tudo me interessa! Obrigado por ler ^^