Pale (interativa)
1 Prólogo
Notas iniciais
No topo dos alpes do sul, um vento frígido ricocheteou nos galhos das árvores que rodeavam os muros altos da comuna e derrubou suas pétalas rosadas e vermelhas que cobriram o gramado em uma camada fina, anunciando de que o inverno se aproximava e em breve o cenário montanhesco outonal seria desfigurado em nuances cinzentas. A sociedade fechada de Pale era composta por um Imperador e cinco líderes. A economia local se baseava em vendas e trocas, ou seja, os administradores exportavam e importavam mercadorias, no entanto a maior parte da fortuna monetária da comuna era acumulada graças ao roubo de almas e os maiores compradores desse mercado negro faziam parte do governo ou eram influentes na sociedade em termos mundiais e burocráticos. Como os detalhes sobre o local deveriam mantido ocultos do mundo do lado de fora, quem entrava não podia mais sair e quem entrava tinha que deixar seu passado para trás e recomeçar aqui.
Apesar de existirem líderes, o Imperador Obel sempre tomava a frente das decisões importantes. Ele tinha quarenta e nove anos, sua única obsessão era sua esposa que foi morta em uma chacina em Tóquio e sua filha desaparecida, roubada e abandonada em algum lugar do planeta. Nessa noite, ele estava esperando ansiosamente em seu altar coberto de ouro e mantos escarlate quando as portas duplas do salão foram abertas e uma sacerdotisa entrou. Ela estava sempre coberta por um véu negro para que as sombras a acompanhassem.
– Assim como o combinado, os anúncios do recrutamento foram espalhados por vários continentes — ela declarou eficiente, as mãos entrelaçadas em frente ao corpo magrinho. — Agora é só esperar pela visita dos novos membros.
– Ótimo Hikaru, estarei os aguardando — ele respondeu autoritário, distraidamente esfregando a barba no queixo. Seus olhos dourados estavam distantes, talvez imersos em pensamentos.
Numa pausa de dois minutos houve um silêncio incômodo, como se ele precisasse tê-lo preenchido, mas não preencheu.
Hikaru pigarreou para chamá-lo a atenção. — Então... Quais são as suas exigências?
– Preciso de assassinos profissionais e que não hesitem para puxar o gatilho, independentemente de quem forem nossas vítimas — respondeu prontamente, tinha certeza do que queria.
– Podemos reprogramá-los para que se tornem mais obedientes. Da última vez que fizemos isso a experiência deu certo. Nós inserimos a alma de uma vítima passiva e nossa cobaia se tornou submissa a qualquer uma de nossas ordens.
Esboçando um sorriso cheio de más intenções, Obel estreitou os olhos. — Não é uma ideia ruim, mas por enquanto não faremos isso, quero ver quais deles sobreviverão à pressão e se tornarão à prova de tudo. Você sabe que no fim apenas três que tem mais capacidade do que os outros irão assumir os tronos, então sou extremamente seletivo quanto à quem ingressa em nossa sociedade.
– Sim, senhor. Eu entendo sua preocupação, é algo que acontece apenas de cinquenta em cinquenta anos, então é muito importante não errar na seleção.
– Confio em você para selecionar pessoas competentes para fazer nosso trabalho sujo.
Assentindo, a sacerdotisa desapareceu sem deixar rastros. Saltou por uma janela da torre e habilidosamente caminhou na ponta dos pés de telhado em telhado até chegar à portaria de Pale para aguardar os novos membros. Haviam dois guardas ao seu lado por questões de segurança. Ela avistou os jovens se aproximando à distância, era possível distinguir o fulgor de suas tochas em meio à penumbra enquanto atravessaram os campos de trigo. Fechando os olhos, ela inalou fundo a brisa noturna e sentiu um sopro no estômago por saber que dessa vez seria diferente.
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