Notas iniciais
Desculpe a demora galera T^T, minha vida está uma loucura, não deu tempo para escrever... Mas estou aqui firme e forte! ;) Não irei dizer mais nada para não dar spoiler, boa leitura!

Arrependeu-se depois de ter dispensado a companhia de Catarina e Carolina, subiu as escadas até o segundo andar, aonde o clube era localizado, na maior vagareza possível, agora estava parada em frente à porta de correr sem coragem para bater. Respirou fundo, três vezes, e contou até dez, quando estava para bater na porta ela se abriu repentinamente, revelando um rapaz de óculos, com espinhas, um livro em mãos e aparentemente apressado, recuou alguns passos, dando passagem para ele, e ele por sua vez, apenas acenou com a cabeça e saiu em disparada.

Ficou observando o menino ficar menor à medida que se distanciava, e lá se vai meu possível futuro amigo neste lugar, pensou ela enquanto recobrava a consciência, percebia que a porta continuava aberta e ela continuava parada no mesmo lugar igual uma idiota, automaticamente ficou tensa ao perceber o mico que passara, mas ao olhar para dentro do local ficou mais tranquila, aparentemente ninguém havia tido o trabalho de desviar a atenção de seus livros para poder olhar para ela, prendeu o fôlego e tomou coragem, adentrando o lugar em passos indecisos, como se a cada passo uma bomba poderia explodir embaixo de si.

Olhou ao seu redor a procura de alguém que lhe parecesse mais normal ou que iria lhe dar atenção. O lugar era repleto de prateleiras velhas, com livros igualmente velhos apenas alguns com aparências mais novas se destacando. A parede do fundo do local era uma prateleira inteira com uma escada embutida para acesso aos lugares mais altos, havia poltronas confortáveis e puffs espalhados por toda parte, a maioria já sendo ocupados, alguns dos integrantes estava em roda cochichando, pelo que me pareceu, sobre algum livro que não fazia idéia de qual seria. Resolvi tentar dialogar com aquele grupo, afinal eu não fazia idéia de quem seria o responsável por aquele clube. Aproximei-me cautelosamente.

_Ah! Com licença._ Disse baixo para não incomodar aos outros que estavam tão concentrados em suas leituras. Todos eles pararam de conversar e olharam para mim, fiquei nervosa na mesma hora, e comecei a remexer o meu cabelo._ Vocês poderiam me falar quem é o responsável pelo clube e aonde posso encontrá-lo?

_Claro! Você é a novata... é... Sophie né?_ Perguntou um menino pequeno, de olhos castanhos e cabelos de mesmo tom, com um grande sorriso amigável no rosto.

_S-sim!_Gaguejei e me repreendi internamente por conta disso._ E qual seria o seu nome?

_Ah! Que falta de educação a minha._ Disse ele continuando com o sorriso no rosto._ Sou Josh, muito prazer!_ Disse me estendendo a mão.

_Prazer._ Disse aceitando o cumprimento.

_Essas são, Emma, Luna e Florence._ Elas me cumprimentaram com aceno de cabeça, retribui de mesma forma, elas não pareciam ser do tipo de garota irritante, na verdade nenhum ali parecia ser do tipo que imaginei para um lugar deste._ Infelizmente o representante não está aqui no momento, mas sente-se conosco, quando ele chegar lhe apresento._ Disse amigavelmente e as garotas arrastaram seus puffs, abrindo um espaço para que eu entrasse na roda.

_Ah, okay, tudo bem._ Concordei meio voada ainda com a aproximação tão rápida, sem muita escolha peguei um puff preto que estava ali perto e me sentei ao lado de Josh e a garota denominada Luna.

_Por que quer ver o representante assim tão de repente? _ Perguntou Luna me olhando nos olhos.

_É que eu preciso pegar a confirmação que pertenço a este grupo._ Disse simplesmente._ Ou minha incrivelmente chata professora vai retirar todos os meus pontos._Fiz uma leve careta ao final da frase.

_Hm, bem que faz sentido, você entrar assim tão no meio do ano._ Disse Emma, com um sorriso brincalhão no rosto.

_Tão direta._ Comentou Florence cutucando Emma na barriga, a qual se contorceu toda de cócegas._ Mas seja bem vinda._Disse por fim.

_Ah..._ Me senti um pouco desconfortável, todos ali estavam sendo tão legais comigo, que me senti culpada de estar deixando o clube depois daquela semana._ Na verdade não era intenção minha entrar neste clube, nada contra, mas é que fui vitima de uma inimiga chata minha Glimmer._ Disse rapidamente.

_A representante do clube de líder de torcida?_ Perguntou Josh, que não parecia estar magoado, nem um deles parecia estar.

_Bem, apenas sabia que ela era deste clube, não sabia que era a responsável por ele._ Disse pensativa, tentando um jeito de usar essa nova informação contra ela, porém não consegui achar nada plausível.

–Argh!_ Esbravejou Luna._ Todos aqui._ Disse fazendo um movimento circular com o dedo, mostrando as pessoas na roda._ Não gostam dela, ela já tentou inúmeras vezes fechar nosso clube.

Senti certa raiva ao saber desta informação, tudo bem que eu não era muito fã de leitura, mas não era por isso que iria tentar fechar o clube de tal sem nenhum motivo plausível. Além de que as pessoas que o freqüentavam não faziam mal a ninguém.

Em meio à conversa contei a eles em qual ano estudava, no primeiro, em qual sala e qual seria a professora chata que me obrigara a entrar em um clube, aparentemente a Sra. Érica era conhecida não só nas turmas que ela dava aula, parece que ela tinha problemas com outros alunos, mas segundo eles, não como ela tinha comigo, parecia que ela me odiava. Contei a eles também um pouco de meus gostos e resumidamente sobre minha família, pois não gostava de falar sobre isso mais também não queria deixá-los sem resposta. Descobri que Luna era do segundo ano, assim como Florence e Emma, já Josh também era do primeiro ano como eu, o motivo de nunca nos conhecermos era porque ele era repetente e estudava em um andar diferente do meu, aparentemente todos ali eram mais velhos que eu.

Ficamos algum tempo jogando conversa fora, nos conhecendo, mas logo depois eles começaram a retomar o assunto que estavam tendo antes de eu chagar ali, tentei prestar o máximo de atenção que eu podia, fazendo perguntas algumas vezes sobre o enredo da história. Mas aparentemente, mesmo tentando me esforçar ao máximo para não devagar sobre outros assuntos, foi inevitável, me peguei olhando um ponto qualquer em uma das prateleiras, quando sinto Josh me cutucar.

_Oi?_ Perguntei voltando a realidade.

_ O representante chegou._ O moreno me apontou o dedo para um rapaz alto de cabelos pretos parado perto da porta, de costas para mim, conversando com outro rapaz, um de cabelos loiros e olhos azuis, portador de um sorriso perfeito. Josh pareceu ficar tenso quando cruzou olhares com ele._ Vamos eu te levo lá._ Disse e me arrastou até os desconhecidos.

Josh cutucou o ombro do moreno que permanecia de costas até aquele momento e assim que ele se virou quase desmaiei naquele mesmo lugar, não conseguia sentir minhas pernas, mas consegui me firmar no chão e não fazer papel de idiota.

O moreno era nada mais nada menos que Jason, o menino mais bonito, em minha opinião e na de Carolina e Catarina, da escola inteira, ele tinha cabelos repicados pretos jogados para cima, olhos de um verde hipnotizante, dentes tão perfeitos quanto o de seu amigo, me peguei olhando para ele embasbacada por alguns segundos até que Josh começou a falar.

_ Essa é Sophie, Jason._ Fui apresentada dessa forma ao representante._ Ela queria um comprovante de presença no clube._ Disse ele e eu apenas concordei com a cabeça, não conseguindo achar minha voz.

_Claro, vou pegar um em minha mesa, só um instante._ A voz dele era grossa, levemente rouca, mas não exageradamente, uma voz bem sexy. Observei ele colocar um livro em uma prateleira, um de capa toda desbotada, onde apenas dava para ver o titulo, o qual não consegui ler todo antes de colocá-lo no lugar. Ele foi caminhando até o fundo do lugar e voltou com um papel em mãos._ Você poderia preenchê-lo com seu nome e série, por favor? Estou meio atrasado._ Disse me entregando o papel, e notei que ele já estava assinado, faltando apenas minhas informações pessoais.

_Claro._ Consegui pronunciar, baixo, mas consegui.

_Ótimo._ Direcionou o sorriso para mim e eu quase caí para traz._ Vamos então Tom?_ Disse o moreno para o rapaz loiro, o qual concordou com a cabeça e nos lançou um sorriso, depois disto eles se direcionaram até a saída, me deixando sozinha com um Josh totalmente vermelho.

_Por que está corando?_Perguntei.

_N-nada._ Josh respondeu sem jeito, foi ai que minha ficha caiu.

_ Foi por causa do Tom?_Perguntei sem rodeios. Ele olhou para mim assustado.

_Está tão na cara assim?_ Ele fitava o chão quando fez a pergunta.

_ Mais ou menos._ Disse sem querer desmotivar o garoto.

_Você também não é discreta sabia!_ Rebateu, e eu o encarei confusa._ Vai me dizer que não estava babando agora a pouco olhando para o Jason?_ O olhei embasbacada.

_Tava tão na cara assim?_ Rebati a pergunta.

_Na verdade não, eu que sou atento a essas coisas._ Disse ele piscando pra mim._ Se você quer se aproximar dele, aconselharia a você a ler aquele livro._ Disse apontando para a prateleira ao qual Jason havia deixado um livro alguns segundos atrás._ É o favorito dele, se você tiver assunto com ele sobre esse livro, com certeza você terá pontos com ele._ Disse simplesmente e saiu.

Fiquei alguns segundos olhando a prateleira, e por fim peguei o livro indicado, a capa era muito velha, tão velha que estava toda colada com fita, não dando parar ver nome de autor nenhum, peguei com certo cuidado e levei até a bibliotecária, onde pela primeira vez na minha historia estudantil, usei minha carteirinha, a mulher ficou até impressionada quando viu que eu queria pegar um livro. Feito o cadastro, fui me sentar em um puff mais afastado, o nome do livro era Battle Cry, virei-o para poder ler o que tinha atrás, e lá estava escrito:

Sinopse:

Um mundo apocalíptico, modificado pelo próprio homem, vítima de sua cobiça, de sua ganância, de seu ódio, de sua inveja, de suas guerras. Um lugar onde tudo era radioativo, onde a vida evoluiu para destruir o destruidor do antigo mundo.

Apenas um número insignificante de humanos conseguiu sobreviver e construir o que eles chamam de comunidade, o único lugar onde se podia viver, esse era o lar de Meghan, uma garota de 22 anos que cresceu escutando historias de um mundo passado, ao qual ela queria de volta.

O grande e verdadeiro motivo de eu nunca ter pegado um livro antes por livre e espontânea vontade, não era que não gostava de ler, e sim porque eu não conseguia ler, não sem os meus óculos, os quais aumentavam meus olhos, os odiava, pois quando pequena já sofri muito bullying por causa deles. Respirei fundo e abri o livro, tendo certa dificuldade para ler, mas forcei mesmo assim, demorando certo tempo para passar de uma página a outra.

Battle Cry

Capitulo 1- Radioactive

A luz invadia o quarto, banhando meu rosto com seu intenso calor, mesmo com o vidro impedindo uma parcela significativa dos raios ultravioletas. Por fim abro meus olhos heterocromados, um vermelho e o outro amarelado, por ali esses tipos de olhos não eram tão raros, devido à quantidade de gases poluentes presentes no ar, mesmo com que as barreiras transparentes da comunidade filtrassem a poluição, não era 100% efetivo, por esse motivo todas as casas refiltravam o ar, e também era obrigatório andar pelas ruas com mascara e óculos. Provavelmente quando mais velha ficaria cega por tal motivo, assim como muitos outros.

Levantei preguiçosamente da cama, esfregando os olhos em busca de foco, coloquei os pés no chão e bocejei, me dirigindo para o banheiro para fazer minhas necedades matinais, quando terminadas, voltei para meu quarto, me avaliando na frente do espelho, o machucado ganhado no ultimo ataque não havia acabado de se curar, mas pelo menos não doía mais, provavelmente iria ganhar mais uma cicatriz, mas não me importava, essa era uma das consequências de ser do exercito e me aventurar fora das barreiras.

Amarrei meu cabelo preto como tradicionalmente fazia: um rabo de cavalo bem alto. Meu cabelo não era essencialmente grande, batia um dedo abaixo das axilas, mas não aguentava o calor que ele me proporcionava, mas também não gostava de cortá-lo. Sim, sou bipolar.

Vesti meu uniforme da tropa e sai de meu quarto para poder fazer meu café da manhã e o de meu irmão Patrich, não tinha mãe nem pai para poder fazer isso para nós, eles haviam morrido em um ataque quando meu irmão ainda era um bebê, assim acabei me tornando uma irmã/mãe.

Preparei com cuidado nossas refeições, ovos mexidos com bacon, assim que pronto, subi as escadas para o segundo andar, logo em seguida, indo em direção do quarto de Patrich, batendo em sua porta com certa violência, caso contrario ele não acordaria.

_ Patrich, acorde menino! Vai se atrasar de novo!_ Gritei com a porta.

_Ah... já vou._Disse ele sonolento.

_Você disse isso da ultima vez e acabou dormindo de novo, abra essa porta ou eu a arrebento._ Disse um pouco impaciente.

Ouve um longo silêncio, até que por fim foi quebrado com o som da fechadura sendo aberta, revelando do outro lado um garoto de 13 anos, olhos castanhos, cabelos igualmente preto, levemente amassado de lado, por causa do travesseiro, ele sorriu para mim sarcasticamente.

_ Pronto! Feliz?_ Perguntou ele com a voz rouca por causa da ausência de uso.

_Hm._ Resmunguei._ Anda logo, ou o café vai esfriar._ Disse passando a mão por entre seus cabelos, aliando-os.

_Tá._ concordou ele fechando os olhos, apreciando o carinho, abrindo-os novamente logo em seguida, e foi se dirigindo ao banheiro.

Voltei a descer as escadas, para poder em fim comer e sair para o trabalho, olhei para o relógio e vi que estava atrasada, praguejei mentalmente e comi rapidamente, me levantando logo em seguida, procurando minha mascara de gás, mas não a encontrava em lugar nenhum.

_Patrich!_Gritei._ Você viu minha mascara?

Esperei um pouco e logo em seguida ouvi seu grito vindo das escadas.

_Aqui!_ Falou e eu me aproximei em passos largos._ Estava no banheiro, você tem que parar de deixar ela em qualquer lugar ou vai acabar perdendo.

Era estranho eu, uma garota de 22 anos, estar sendo repreendida por um garoto de 13 anos, mas concordei com a cabeça, nosso cotidiano era assim, um xingava o outro e protegia o outro.

_Estou indo, tome cuidado._ Disse dando um beijinho em sua testa molhada, por causa do banho recém-tomado.

_Ah!_ Reclamou ele totalmente vermelho de vergonha._ Você tem que parar de fazer isso! Eu não tenho mais 8 anos!_Gritou ele.

Mas eu não podia responde-lo, estava muito atrasada, por isso enquanto colocava a mascara, apenas dei um aceno de mão e abri a primeira porta da casa e apertei o botão para poder trocar o ar, o recinto foi coberto de jatos de ar e logo depois a porta automática se abriu, dando para a rua. Sai correndo, vi o bondinho saindo do ponto assim que virava a esquina, acelerei a corrida e consegui me agarrar ao corrimão da porta e dei um pulo para entrar no transporte. O guarda da porta me olhou e revirou os olhos.

_ De novo Meghan?_ Perguntou ele simplesmente.

_Não pude evitar, tive que mimar meu irmão um pouco._ Brinquei com ele, e ele por sua vez voltou a revirar os olhos, me ignorando totalmente.

Dei de ombros e me direcionei ao acento que sempre pegava, me sentei e virei meu rosto para ver o horizonte, não era uma vista bela, muito pelo contrario, era um cenário cinza, sem vida e triste, me lembrei das histórias que ouvia quando criança de meus avôs, antigamente aquele cenário já fora muito diferente, com vida, as arvores eram verdes, os lagos e rios eram cristalinos e cheios de criaturas amistosas, muito diferente do mundo apocalíptico que eu vivia, consequência das ações do próprio homem, segundo as história contadas, a humanidade havia iniciado uma terceira guerra mundial, onde todos os países se viram ameaçados, em meio a ganância dos superiores corruptos, os cidadoas pagaram caro, primeiramente tendo que ver suas famílias e conhecidos morrerem na guerra e em seguida verem o planeta ser destruído, uma serie de bombas nucleares foram acionadas, não se sabe ao certo onde, pois com o tempo essa informação se perdeu, todo o planeta foi consumido em questão de horas, exceto pelas pessoas mais ricas da época na qual conseguiram pagar um preço altíssimo para poder entrar na única fortificação existente.

Ao me lembrar que em algum tempo, no passado, um dos meus ancestrais foram uma dessas pessoas que se salvaram e viram o resto do mundo morrer enquanto comia e bebia livremente, fechei meus olhos sentindo que meu sangue já esquentava, fora por esse motivo que decidi entrar para o exercito, para que, por mais que pareça impossível, tentar achar uma maneira de fazer o mundo voltar a suas origens, onde ninguém mais teria que usar marcaras filtradoras, beber água com gosto de soro, ter o medo constante de que no dia seguinte não teriam mais essa água, mesmo com seu gosto horrível, ou que o estoque de alimento acabasse.

Abri meus olhos determinada, não iria deixar que isso acontecesse, esse também era outro motivo de entrar para o exercito, ela caçava fora das barreiras comida para a população, por enquanto aquilo era a única coisa em que realmente poderia ajudar.

Saiu de seus devaneios assim que notou que havia chegado em seu destino e o bonde se movia, se afastando da entrada do quartel, aparentemente o condutor havia cansado de esperar que Meghan saísse, ela se levantou do assento em um pulo e correu para a porta, recebendo um olhar reprovador do guarda que abriu passagem para ela, nos primeiros dias ele lhe havia parado dizendo que fazer esse tipo de coisa era perigoso, porém ela lhe mostrou que não era um cliente qualquer, pulou do bonde em movimento aterrissando no chão, dando uma cambalhota e se levantando logo em seguida sem nem respirar e disparou em direção da entrada que já se fechava, conseguiu entrar por um triz, a porta já estava para se trancar, quando o porteiro lhe viu chegando e conseguiu retardar o fechamento por alguns instante, o bastante para ela poder se espremer e entrar.

Parou por alguns instantes para recuperar o fôlego, colocando as mãos nos joelhos, foi quando ouviu uma voz familiar falar com sigo.

_Veio fazendo maratona de novo?_ Perguntou a voz, ela se virou e deu de cara com Nick, um homem de 23 anos, cabelos negros, de olhos verdes, corpo definido, pele clara, seu “irritante” namorado, já estava com ele fazia alguns anos.

_Ha há!_Riu ela irônica._ Sabia que eu poderia ter sido morta esmagada na porta eletrônica, ou ter quebrado uma perna quando pulei do bonde em movimento?_ Perguntei fingindo irritação.

_Aham._ concordou ele achando graça._ E se eu ficasse preocupado iria adiantar? Você faz isso todo dia!_ Falou ele casualmente._ Talvez eu devesse começar a lhe chamar a atenção toda vez que fizer algo do tipo.

_Provavelmente terminaria com você se fizesse algo do tipo._ Disse entre risos.

_Como você é bipolar menina._ Disse ele me abraçando, retribui automaticamente, aproveitando o máximo possível do contato.

_ E você me adora assim não é?_Mais afirmei do que perguntei, me afastando dele.

_Com certeza._ Disse ele abrindo um sorrido, que mal podia ser visto por causa da mascara.

Dirigimos-nos em direção ao quartel general, não nos damos às mãos, pois demonstrações de afeto eram proibidas ali dentro, já havíamos nos ariscado muito com o abraço há minutos atrás, fomos o trajeto todo jogando conversa fora, nos atualizando dos acontecimentos, mesmo que nos tenhamos visto no dia anterior.

Adentramos o local e assim que chegamos ouvi o grito de alguém nos chamando, corri os olhos pelo estabelecimento e consegui localizar meus amigos de trabalho e também amigos pessoais.

_Finalmente achou sua namorada atrasada em Nick!_ Disse Leo, um rapaz de 21 anos, que sempre mantinha com sigo um sorriso travesso, daquele tipo que os professores olhavam dizendo para não fazer isso, mesmo que ele não estivesse fazendo nada, tinha cabelos cor de ferrugem, pele morena, e grandes olhos atentos cor de avelã. Conheci ele a poucos anos atrás, ele era amigo de infância de Nick, e desde que nos conhecemos ele não larga do meu pé, mas é um bom amigo.

_Fazer o que, é a marca registrada dela._ Disse Alice, dando de ombros, ela era uma garota de pele clara, tinha um piercing no nariz, cabelos castanhos repicados em um degrade artificial tornando-se vermelhos nas pontas, usava lentes de contato igualmente vermelhas o tempo todo, no inicio cheguei a acreditar que seus olhos eram daquela cor, porém tive a oportunidade uma vez de vê-la sem elas, seus olhos eram naturalmente amarelados, bem claros, por isso seus olhos com as lentes pareciam tão reais. Conhecemos-nos desde a escola, me lembro muito bem da primeira vez que nos vimos, ela quase arrancou meu olho direito achando ser uma lente também, e assim que descobriu ser daquela cor naturalmente, vermelho sangue, começamos a conversar.

Estralei os dedos fazendo um movimento com a mão em circulo, pendendo a cabeça de lado, todos riram quando fiz aquele movimento e resolvi ignorá-los. Me direcionei até o meu armário, peguei meu equipamento para exploração, luvas de um coro especial esverdiado, roupas de mesmo material e uma mascara filtradora especial, muito mais potente, para que mesmo fora das barreiras pudéssemos respirar, me direcionei até os vestiários femininos e coloquei a roupa, e prendendo a respiração, troquei a mascara, voltei até o armário e guardei o uniforme militar lá dentro, voltei até meus amigos que me esperavam no mesmo lugar.

_Demorou princesa!_ Disse Leo brincalhão.

_Não enche diva do pop!_ Rebati, desde que descobri que Leo gostava de musica pop, o chamava assim quando começava uma discussão.

_Obrigado, eu sei que sou de mais._ Disse balançando os cabelos levemente grandes.

_Gente, vamos logo que o pessoal só está esperando a gente._ Alertou-nos Nick. Todos concordaram e marcharam para o centro de atividades especiais.

Ao chegarmos lá, todos olharam para nós, parece que realmente estavam nos esperando, logo Legan apareceu no palco, um homem de 35 anos, cabelos loiros, olhos castanhos, não dava para ver por causa da mascara, mas Meghan tinha certeza que estava com a barba por fazer, ele sempre a deixava por fazer.

_Bem, parece que todos os grupos de reconhecimento chegaram._ Disse ele olhando diretamente para nos._ Hoje iremos para leste, avistamos um grupo de chikenes próximos as redondezas, nosso objetivo é abater o máximo, e se possível recolher seus ovos, como sempre lhes devo avisar para terem cuidado com a água e com os predadores mais fortes, assim como a própria chikenes ela pode ser bastante agressiva também, dispensados.

Ri internamente, agressiva? Ele estava de brincadeira, tudo que existia lá fora, nos odiava e evoluíram para nós matar, até a água não podemos mais beber sem os devidos procedimentos de deixá-la com gosto de soro pois ela era altamente corrosiva e o contato com ela poderia fazer com que você perdesse o membro exposto ao contato.

Suspirei e me direcionei para a sala de armas, recolhendo minda arma favorita, um tipo mediano de tamanho, porém altamente poderosa, até mais forte que outras maiores, carreguei ela entre minhas mãos e me direcionei com meus colegas de time e amigos até a saída leste.

Assim como a porta de minha casa, a saída tinha duas passagens, todos se reuniram em um enorme espaço, onde jatos de ar foram lançados, trocando o ar, e depois de alguns minutos a segunda porta se abriu e todos correram para fora, eu e meu grupo corremos para uma direção até nos distanciarmos de todos, mas não o bastante para nos perdemos.

Logo avistamos um grupo de chikenes, que não passavam de aves de dois metros e meio, com garras retráteis, penas enormes de cor avermelhadas, com duas garras na junta da asa, lhe dando uma espécie de mão, bicos curváveis com alguns dentes afiados expostos, olhos de répteis e língua de serpente, aquele era um ninho, pois o chikenes, que aparentemente era uma fêmea por causa da cor de penas mais claras, virava alguns ovos envoltos de pedras.

_Parece que demos sorte!_ Disse Alice._ Alem de acharmos um, conseguimos achar um com ovos._ Falou animada.

_É concordei._ Mas algo me incomodava, como se estivesse algo errado, como se não me lembrasse de uma informação importante.

_Vamos lá então._ Disse Nick, carregando sua arma com o raio laser, letal, como eram nossas armas.

_Espera Nick._ Coloquei a mão em seu braço e olhei em seus olhos, preocupada.

_O que foi?_ Perguntou ele devolvendo o olhar igualmente preocupado.

_Não sei, é como se algo estivesse errado._Disse um pouco frustrada.

_Ahn... Gente._ Se manifestou Leo._ Eu sei que eu não sou a pessoa mais brilhante do mundo, mas... se aquela é a fêmea... cadê o macho?

Como havia me esquecido disso, era esse o problema, esse tipo de animal tinha a fama de aprontar emboscadas, principalmente quando estavam com filhotes, o macho provavelmente estava escondido, nos observando e esperando uma oportunidade de atacar. Como se lê-se minha mente, uma sombra enorme nos cobriu, não consegui absorver os acontecimentos tão rapidamente, apenas registrei o grito de Alice bem ao meu lado.

Retirei os olhos das páginas quando ouvi meu nome sendo chamado, era Josh, aparentemente estava na hora de fechar o clube, me peguei olhando para o relógio, nem havia notado que passara tanto tempo, nunca achei que iria ficar tão envolvida na historia.

Levantei-me, praguejando por não ter nenhum lugar para guardar o livro, por fim coloquei-o em uma sacola qualquer e sai do estabelecimento, me despedindo de meus novos amigos, fiquei alguns instantes parada na frente do prédio, até ouvir os gritos de Carolina e Catarina.

_ E ai? Como foi?_ Perguntou Catarina.

Voltei-me para elas, estavam com os cabelos molhados e tinham sacolas em mãos, onde pude ver que se tratava dos maiôs obrigatórios do clube de natação, Carolina por sua vez, estava com os ombros vermelhos, por ser albina, não podia ficar muito tempo exposta ao sol, um dos motivos por retrucar no principio a entrar neste clube.

_Ah..._ Falei dando de ombros._ Não foi ruim._ Disse um pouco sonhadora, até de mais para o meu gosto. Encarei Carolina e Catarina e elas se entreolharam surpresas, mas resolvi ignorar e comecei a andar, deixando-as para trás.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^, tentarei postar o próximo capitulo na data certa! Uma curiosidade, para escrever o livro que a Sophie está lendo, me inspirei em uma música do Imagine Dragons de mesmo nome, Batlle Cry. Estarei postando os capítulos desta historia em uma fic separada, onde estarei atualizando-a de acordo com o que Sophie lê, quem tiver curiosidade, dá uma passada lá depois galera! ;) Beijinhos de chocolate em vocês seus lindos!