POV Mônica

Meu despertador toca, então bato o mais forte que posso e tento voltar a dormir. Mas o mundo parece não estar ao meu favor e minutos depois ouço a voz de Lauren.

— Hora de acordar querida, você estava demorando e seu pai pediu pra eu vir.

Solto um resmungo e me cubro até a cabeça com o cobertor.

— Nada de bancar a menina birrenta- Lauren disse enquanto puxa o cobertor.- levanta.

— Não- Eu neguei, e coloquei meu travesseiro em minha cabeça.

— Quer que eu traga o balde d'água?- Ela disse, sugestiva.

Depois de ouvir a quase ameaça me levanto da cama num pulo.

— Levantei!

— Bom saber- Ela disse, dando risadinhas.- por que não queria levantar.

— Aconteceu umas coisas e não estou a fim de ir pra escola- Eu respondi.

— Quer me contar o que aconteceu?

— Sem ofensas Lalá, mas esse negócio é coisa minha.

— Tudo bem, perdão por ser intrometida.

— Você nunca é intrometida.

— Se arrume, o café está esfriando.

— Tá bem.

Lauren sai de meu quarto, vou pro banheiro, tomo uma ducha rápida, vou direto pro armário e visto uma roupa.

Saio do meu quarto, desço as escadas e vou pra cozinha.

— Bom dia papai- Eu o cumprimentei, enquanto me sentava.

— Bom dia princesa.

— Bom dia Moniquita!!- Meu irmão me cumprimentou e me deu um beijo na bochecha. O que achei estranho...quer dizer, ele sempre foi fofo mas nunca me beijou na hora do café da manhã.

E reparando bem agora...ele está sentado bem perto de mim...ok, não vou reclamar, estou gostando até.

— Bom dia Matt- O cumprimentei com um sorriso.

— Bom dia Mônica- A cobra me cumprimentou na cara de pau.

Ignoro seu cumprimento e passo manteiga no meu pão.

— Por que demorou pra acordar?- Meu pai perguntou.

— Fiquei até tarde terminando um dever de casa- Eu disse. Foi uma meia verdade, mesmo com essa descoberta fiz um dever de casa, mas não é pra hoje.

— Certo.

Continuamos a comer em silêncio até meu pai o quebrá-lo.

— Filho.

— Sim pai.

— Não poderei te levar hoje pra escola- Meu pai avisou.- a Suzana vai te levar hoje.

— Não!!- Ele negou. O que foi uma surpresa pra todos.

— Por que não Matt?

— Por que não!!

— Mas você nunca reclamou de eu te levar pra escola- Suzana disse, confusa.

— Eu não ligo!- Ele continuou negando.- não quero você me leve, quero a Mônica!

Ok, isso foi mais uma surpresa pois o Matheus nunca foi de fazer pirraça e nem de reclamar que o levaria pra escola.

— Mas Matheus...

— Eu. Quero. A. Mônica!!- Ele sibilou, e bateu forte na mesa.

Ok, acho melhor eu intervir, se o Matheus for igual a mim quando está irritado ou com raiva não vai ser uma cena bonita de se ver....

— Tudo bem- Eu disse, enquanto limpava a boca- eu levo ele.

— Não vai ficar atrasada?

— Não, é como você sempre diz, a escola dele é perto da minha- Eu falei.

Mas acho que a essa altura já devo estar mesmo atrasada, entretanto é melhor pra mim...

— Vamos Matt- Eu o chamei.

— Oba!!- Ele comemorou, e se levantou da cadeira.

Pego minha bolsa e saio com meu irmão pela porta da cozinha.

Ficamos andando em silêncio mas eu o quebro.

— Me responde uma pergunta Matt.

— Claro.

— Por que você agiu daquele jeito?

— Que jeito?- Ele se fez de desentendido.

— Você sabe do que estou falando.

— Do que?

— Matheus...

— Tô ficando atrasado, é melhor irmos logo- Ele disse e saiu correndo.

— Espera Matt!!- Eu gritei e sai correndo.

Corro o mais rápido pra escola de meu irmão.

— Pode parar ai mocinho!- Eu gritei, e o pego pela mão.

— Eu tenho que entrar!- Ele falou.- o sinal já vai bater.

— Você pode entrar uns segundos depois dele bater.- Eu disse.- responda a minha pergunta.

— Ok- Ele se rendeu.- ontem quando eu subi esqueci de pegar meus tênis que eu tirei na sala. E quando eu ia descer ouvi o que a Suzana disse pra você...

Por essa não esperava...

— E...

— E mesmo eu gostando da Suzana não curti o jeito de como ela falou contigo e da nossa mãe- Ele confessou, um pouco triste.

— Matt...

— Tenho que entrar.

— Desculpe por te fazer ficar um pouco triste- Eu disse, e me abaixei.- mas obrigada por me contar.

— De nada.

Dou um beijo na bochecha de meu irmão.- uma retribuição pelo café da manhã.

Matheus me dá um sorriso.

— Até depois, Matt- Eu despedi, e bagunço seus cabelos.

— Até depois, Mônica- Ele se despediu e entrou.

Vou caminhando até minha escola, entro e vou até minha sala.

— Desculpe pelo atraso- Eu disse, enquanto abria a porta e entrava.

— Você estava indo bem senhorita Sousa- O professor Renato me repreendeu.- mas tudo bem, vou deixar passar, sente-se.

— Obrigada...- Eu disse, envergonhada.

Vou rapidamente para a carteira no fundo da sala.

E assim se passou o resto do meu dia....evitando me encontrar com Cebola.

Quando a aula acaba, saio da sala mas quando ia para o portão alguém me chama.

— Pode para ai senhorita Mônica Martins Sousa!!

Me viro e vejo Cascão vir até mim com uma cara irritada.

— Tá irritado por que?- Arrisquei perguntar.

— Por que você está evitando o Cebola?

— Eu!!- Eu fingi.- tá de paranoia!

— Mônica Sousa!

— Ok, eu tô evitando ele por causa da descoberta...

— Por que?- Ele perguntou.

— Cas, eu escrevi cada bobagem lá! Como você acha que vou encara-lo?

— Com os olhos

Não aguento e solto uma risadinha mas depois fico séria.

— Sem piadas!

— Certo, mas quando você vai falar com ele?

— No dia de são nunca- Eu disse, enquanto me virava pra ir embora.

— Você não pode ficar fugindo dos seus problemas pra sempre!!- O ouvi gritar.

— Posso sim!!- Eu gritei de volta.

Saio da escola e vou direto pra casa

POV Cascão

Depois da conversa Mônica vai embora. Sei que ela tá com medo de como vai ser a conversa com o careca mas ela uma hora ou outra vai ter que fazer isso.

Preciso de ajuda...

Fico procurando pelo pátio por Magali mas parece que a garota sumiu.

— Onde será que ela tá- Eu pensei.

— Biblioteca!

Entro de volta na escola em direção à biblioteca.

— Cascão!!-Ouvi alguém me chamar.

Me viro e vejo Magali vir até mim no corredor, então resolvo correr até a mesma.

— Preciso falar com você!- Nós dois falamos juntos.

Damos risada e tentamos de novo.

— Fala você primeiro- Falamos juntos outra vez.

Outra risada.

— Não, fala você!

Mais outra risada.

— Fala você, Cas- Ela interrompeu o ciclo.

— Não, primeiro as damas.

— Certo- Ela concordou.- você é o melhor amigo da Mô, né?

— Desde que me entendo por gente.

— E eu devo deduzir que assim como o Cebola ela conta tudo pra você, certo?

— Sim- Eu confirmei.

— Então você deve estar a par dos acontecimentos dessas últimas semanas.

— E eu devo deduzir que o Cebola assim que descobriu quem é a garota não quer falar e ficou o dia todo a evitando, certo.

— Certo- Ela confirmou- como soube?

— A Mônica fez a mesma coisa.

— Os dois estão com medo de como vai ser a conversa.

— É, e preferem ficar fugindo.

— Eles tem que conversar logo!

— E eu não sei!

Então ficamos pensando em um jeito de fazer os dois se falarem.

— Se eles não conversam por si mesmo nós iremos fazer isso.

— Como? Os dois são teimosos e não vão aceitar.

— Quem disse que eles têm que saber?

Conto o plano para Magali e depois vamos embora para nossas casas.

POV Magali

...Dia seguinte...

Acordo, faço minha higiene, visto uma roupa, desço as escadas e vou pra cozinha.

— Bom dia- Cumprimentei meus pais.

— Bom dia filha- Eles me cumprimentaram.

Depois de tomar meu café da manhã vou pra escola.

...Escola...

Entro no pátio e avisto Cebola

— Oi cê- O cumprimentei.

— Se você veio aqui pra dizer que estou sendo bobo por ficar evitando a Mônica pode tirar o cavalinho da chuva- Ele falou, emburrado.

— Nossa, eu não posso mais cumprimentar meu melhor amigo sem levar patada- Eu me fingi de ofendida.

— Foi mal, mas é que ontem você estava falando mil coisas de eu estar fugindo- Ele disse.

— Esquece isso- Eu disse.- vamos entrar..

— Não vai mais pegar no meu pé por causa disso?- Ele perguntou, incrédulo.

— Não, agora vamos entrar.

— Certo.

Entramos na sala e nos sentamos nas carteiras.

— Bom dia seus esquisitos!- O professor Pedro nos cumprimentou.

— Bom dia!!

A aula começa mas eu discretamente pego meu celular de meu bolso e digito uma mensagem para Cascão

— Quando vamos executar o plano- Magali

Bloqueio meu celular mas segundos depois a resposta chega.

— No intervalo- Cascão

— O que eu faço pra ele ir pro lugar combinado?- Magali

— Inventa uma desculpa- Cascão

— Que tipo de desculpa?!?- Magali

— Sei lá, só inventa- Cascão

Bloqueio meu celular e volto a prestar atenção na aula.

O sinal toca anunciando o intervalo.

— Biblioteca?- Cebola perguntou.

— Vai indo, ainda tenho que guardar o material e depois ir no banheiro.

— Ok- Ele concordou e depois saiu da sala.

Pra esticar um pouco o tempo fico no celular então o guardo e vou correndo pra biblioteca.

— Cebola!!- Eu gritei.

— Silêncio!- Margaret pediu.

— Desculpa- Eu murmurei enquanto entrava.

— Que houve pra gritar?- Ele perguntou enquanto se aproximava.

— O Cascão...

— Que tem ele?

— Ele precisa de ajuda- Me finjo de aflita.

— O que aconteceu- Ele perguntou, preocupado.

— Não sei, ele acabou de mandar mensagem e corri pra te chamar.

— Me leve aonde ele esta.

— Vem.

Saímos da biblioteca e caminhamos pelo corredor.

— Já estamos chegando?

— Quase.

— Avisto o armário de faxina e paro.

— Ele tá aqui.

— Certo.

Cebola abre o armário e fala.

— Não vejo ele.

— Foi mal Cê- Eu me desculpei, e o empurro pra dentro do armário.

O fecho e vejo Cascão sair de trás de uma lacuna.

— Bom trabalho- Ele me parabenizou, enquanto trancava o armário.

— Nos tirem daqui!- Ouvi Mônica gritar.

— Não tem a menor graça!- Cebola gritou, irritado.

— Os dois vão conversar e ponto final.

— Mas...

— Ponto final- Cascão os interrompeu.- vão ficar ai até se resolverem.

—...

— Refeitório?- Ele sugeriu.

— Topo- Eu concordei e seguimos nosso caminho.

POV Cebola

Tento forçar a maçaneta mais uma vez pra ver se a porta abre.

— Isso não vai dar certo- Mônica falou.

— Eu sei...mas não custava tentar de novo- Eu disse, enquanto me sentava e me encostava na porta.

— Devia ter desconfiado- Ela disse, me imitando.

— Nunca imaginaria a maga fazendo esse tipo de coisa.

— Eu consigo- Ela disse, sem me olhar- e ainda me deixei acreditar no Cas...

Depois disso ficamos em silêncio e sem nos olhar. Se eles dois acham que fazendo essa bobagem vai adiantar algo...estão errados...

Mas...por um lado eles tem razão...mas por outro o medo não me deixa.

Anda Cebola...você consegui falar o que pensa pro Toni....isso você também consegue...é a Mônica, ela não riria de minha cara....

Riria? Não, claro que não. Respiro fundo e depois falo

— Eles fizeram bem em ter feito isso...

— Hã?

— O Cas e a Maga- Eu disse, finalmente a olhando.- se eles não tivessem interferido a gente continuaria se evitando...

— É...eles tem razão...- Ela concordou, também me olhando,

Um silêncio se forma mas eu o quebro

— Então...decepcionada?

— Por que eu estaria decepcionada?- Ela perguntou.

— Por saber que sou eu...

— Ainda não entendo.

— Por que as coisas que estavam escritas na mesa poderiam ser de qualquer garoto...não de um nerd invisível...

Então Mônica da uma risadinha e eu faço uma careta.

— Por que riu?

— Por que não estou decepcionada- Ela respondeu.- na verdade...você que deveria estar...

— Por que?

— Por que as coisas escritas na mesa poderia ter sido de qualquer garota...não de uma popular metida a patricinha...

— Você ainda acha que as pessoas te veem só como a garota popular.

— Sim...- Ela confirmou.- você ainda acha que as pessoas te veem como um nerd...

— Sim...

O silêncio retorna mas eu o quebro novamente.

— Olha...se quer saber...eu não te vejo como a "garota popular". Só vejo a Mônica- Eu fui sincero.

— Brigada- Ela agradeceu.- e eu não te vejo como o "nerd invisível". Só vejo o Cebola.

— Obrigado- Foi minha vez de agradecer.

Ficamos nos encarando e depois Mônica vem pra perto de mim e me abraça.

— Sei que foi só um dia mas senti falta de conversar contigo. Cê- Ela sussurrou.

— Eu também senti, Mô- Eu sussurrei, enquanto retribuía o abraço.

Ficamos um tempo abraçados até que nos soltamos.

— Alguma ideia pra sair daqui?- Ela perguntou.

— Está com seu celular?

— Não, o Cascão pegou de mim- Ela respondeu.- e você?

— Magali fez a mesma coisa.

— Então só nos resta esperar.

Ficamos esperando um bom tempo e então ouvimos o barulho da porta sendo destrancada. Nos levantamos, abrimos a porta e vemos Magali e Cascão

— E ai??- Os dois perguntaram na cara de pau.

— Magali Fernandes Lima!- Eu disse, bravo.

— Cássio Marquês de Araújo!- Mônica disse, também brava.

— Sei que estão irritados conosco...- Magali começou.

— Irritados!- Eu a interrompi.- estamos com muita raiva isso sim!!

— Como puderam nos trancar no armário de faxina! No meio da aula!!

— Tecnicamente foi no intervalo...- Cascão falou.

— Não interessa!- Eu e Mônica falamos juntos.

— Certo, nos desculpem- Eles falaram juntos.

— Ok, só por que essa ideia maluca de vocês funcionou.

— Verdade?

— Sim- Eu afirmei.- mas fizeram a gente perder as aulas.

— Olhem pelo lado bom- Cascão disse.

— Que lado bom?

— Vocês não perderam todas as aulas, só uma- Ele disse

— É, o professor de filosofia tinha um compromisso urgente então tivemos só aula de espanhol e fomos liberados- Magali explicou.

— E a matéria?

— Os dois copiam da gente.

— Certo.

Ficamos andando pelo corredor enquanto conversávamos coisas aleatórias até vermos um anúncio num quadro.

— Parece que a corrida para as eleições de presidente do grêmio estudantil já vão começar- Cascão leu o papel.

— E de novo o Toni vai ser eleito- Mônica disse.- que bobagem...

— Ele só é eleito por que ninguém quer se candidatar.

— Alguém tem que tirar ele desse cargo logo- Eu disse.

— Eu sei bem de uma pessoa que seria o candidato perfeito- Magali falou.

— Quem?- Eu perguntei.

— Você!!

— O que!!