Palavras de amor
15 Capítulo 15
POV Mônica
Meu despertador toca, então bato o mais forte que posso e tento voltar a dormir. Mas o mundo parece não estar ao meu favor e minutos depois ouço a voz de Lauren.
— Hora de acordar querida, você estava demorando e seu pai pediu pra eu vir.
Solto um resmungo e me cubro até a cabeça com o cobertor.
— Nada de bancar a menina birrenta- Lauren disse enquanto puxa o cobertor.- levanta.
— Não- Eu neguei, e coloquei meu travesseiro em minha cabeça.
— Quer que eu traga o balde d'água?- Ela disse, sugestiva.
Depois de ouvir a quase ameaça me levanto da cama num pulo.
— Levantei!
— Bom saber- Ela disse, dando risadinhas.- por que não queria levantar.
— Aconteceu umas coisas e não estou a fim de ir pra escola- Eu respondi.
— Quer me contar o que aconteceu?
— Sem ofensas Lalá, mas esse negócio é coisa minha.
— Tudo bem, perdão por ser intrometida.
— Você nunca é intrometida.
— Se arrume, o café está esfriando.
— Tá bem.
Lauren sai de meu quarto, vou pro banheiro, tomo uma ducha rápida, vou direto pro armário e visto uma roupa.
Saio do meu quarto, desço as escadas e vou pra cozinha.
— Bom dia papai- Eu o cumprimentei, enquanto me sentava.
— Bom dia princesa.
— Bom dia Moniquita!!- Meu irmão me cumprimentou e me deu um beijo na bochecha. O que achei estranho...quer dizer, ele sempre foi fofo mas nunca me beijou na hora do café da manhã.
E reparando bem agora...ele está sentado bem perto de mim...ok, não vou reclamar, estou gostando até.
— Bom dia Matt- O cumprimentei com um sorriso.
— Bom dia Mônica- A cobra me cumprimentou na cara de pau.
Ignoro seu cumprimento e passo manteiga no meu pão.
— Por que demorou pra acordar?- Meu pai perguntou.
— Fiquei até tarde terminando um dever de casa- Eu disse. Foi uma meia verdade, mesmo com essa descoberta fiz um dever de casa, mas não é pra hoje.
— Certo.
Continuamos a comer em silêncio até meu pai o quebrá-lo.
— Filho.
— Sim pai.
— Não poderei te levar hoje pra escola- Meu pai avisou.- a Suzana vai te levar hoje.
— Não!!- Ele negou. O que foi uma surpresa pra todos.
— Por que não Matt?
— Por que não!!
— Mas você nunca reclamou de eu te levar pra escola- Suzana disse, confusa.
— Eu não ligo!- Ele continuou negando.- não quero você me leve, quero a Mônica!
Ok, isso foi mais uma surpresa pois o Matheus nunca foi de fazer pirraça e nem de reclamar que o levaria pra escola.
— Mas Matheus...
— Eu. Quero. A. Mônica!!- Ele sibilou, e bateu forte na mesa.
Ok, acho melhor eu intervir, se o Matheus for igual a mim quando está irritado ou com raiva não vai ser uma cena bonita de se ver....
— Tudo bem- Eu disse, enquanto limpava a boca- eu levo ele.
— Não vai ficar atrasada?
— Não, é como você sempre diz, a escola dele é perto da minha- Eu falei.
Mas acho que a essa altura já devo estar mesmo atrasada, entretanto é melhor pra mim...
— Vamos Matt- Eu o chamei.
— Oba!!- Ele comemorou, e se levantou da cadeira.
Pego minha bolsa e saio com meu irmão pela porta da cozinha.
Ficamos andando em silêncio mas eu o quebro.
— Me responde uma pergunta Matt.
— Claro.
— Por que você agiu daquele jeito?
— Que jeito?- Ele se fez de desentendido.
— Você sabe do que estou falando.
— Do que?
— Matheus...
— Tô ficando atrasado, é melhor irmos logo- Ele disse e saiu correndo.
— Espera Matt!!- Eu gritei e sai correndo.
Corro o mais rápido pra escola de meu irmão.
— Pode parar ai mocinho!- Eu gritei, e o pego pela mão.
— Eu tenho que entrar!- Ele falou.- o sinal já vai bater.
— Você pode entrar uns segundos depois dele bater.- Eu disse.- responda a minha pergunta.
— Ok- Ele se rendeu.- ontem quando eu subi esqueci de pegar meus tênis que eu tirei na sala. E quando eu ia descer ouvi o que a Suzana disse pra você...
Por essa não esperava...
— E...
— E mesmo eu gostando da Suzana não curti o jeito de como ela falou contigo e da nossa mãe- Ele confessou, um pouco triste.
— Matt...
— Tenho que entrar.
— Desculpe por te fazer ficar um pouco triste- Eu disse, e me abaixei.- mas obrigada por me contar.
— De nada.
Dou um beijo na bochecha de meu irmão.- uma retribuição pelo café da manhã.
Matheus me dá um sorriso.
— Até depois, Matt- Eu despedi, e bagunço seus cabelos.
— Até depois, Mônica- Ele se despediu e entrou.
Vou caminhando até minha escola, entro e vou até minha sala.
— Desculpe pelo atraso- Eu disse, enquanto abria a porta e entrava.
— Você estava indo bem senhorita Sousa- O professor Renato me repreendeu.- mas tudo bem, vou deixar passar, sente-se.
— Obrigada...- Eu disse, envergonhada.
Vou rapidamente para a carteira no fundo da sala.
E assim se passou o resto do meu dia....evitando me encontrar com Cebola.
Quando a aula acaba, saio da sala mas quando ia para o portão alguém me chama.
— Pode para ai senhorita Mônica Martins Sousa!!
Me viro e vejo Cascão vir até mim com uma cara irritada.
— Tá irritado por que?- Arrisquei perguntar.
— Por que você está evitando o Cebola?
— Eu!!- Eu fingi.- tá de paranoia!
— Mônica Sousa!
— Ok, eu tô evitando ele por causa da descoberta...
— Por que?- Ele perguntou.
— Cas, eu escrevi cada bobagem lá! Como você acha que vou encara-lo?
— Com os olhos
Não aguento e solto uma risadinha mas depois fico séria.
— Sem piadas!
— Certo, mas quando você vai falar com ele?
— No dia de são nunca- Eu disse, enquanto me virava pra ir embora.
— Você não pode ficar fugindo dos seus problemas pra sempre!!- O ouvi gritar.
— Posso sim!!- Eu gritei de volta.
Saio da escola e vou direto pra casa
POV Cascão
Depois da conversa Mônica vai embora. Sei que ela tá com medo de como vai ser a conversa com o careca mas ela uma hora ou outra vai ter que fazer isso.
Preciso de ajuda...
Fico procurando pelo pátio por Magali mas parece que a garota sumiu.
— Onde será que ela tá- Eu pensei.
— Biblioteca!
Entro de volta na escola em direção à biblioteca.
— Cascão!!-Ouvi alguém me chamar.
Me viro e vejo Magali vir até mim no corredor, então resolvo correr até a mesma.
— Preciso falar com você!- Nós dois falamos juntos.
Damos risada e tentamos de novo.
— Fala você primeiro- Falamos juntos outra vez.
Outra risada.
— Não, fala você!
Mais outra risada.
— Fala você, Cas- Ela interrompeu o ciclo.
— Não, primeiro as damas.
— Certo- Ela concordou.- você é o melhor amigo da Mô, né?
— Desde que me entendo por gente.
— E eu devo deduzir que assim como o Cebola ela conta tudo pra você, certo?
— Sim- Eu confirmei.
— Então você deve estar a par dos acontecimentos dessas últimas semanas.
— E eu devo deduzir que o Cebola assim que descobriu quem é a garota não quer falar e ficou o dia todo a evitando, certo.
— Certo- Ela confirmou- como soube?
— A Mônica fez a mesma coisa.
— Os dois estão com medo de como vai ser a conversa.
— É, e preferem ficar fugindo.
— Eles tem que conversar logo!
— E eu não sei!
Então ficamos pensando em um jeito de fazer os dois se falarem.
— Se eles não conversam por si mesmo nós iremos fazer isso.
— Como? Os dois são teimosos e não vão aceitar.
— Quem disse que eles têm que saber?
Conto o plano para Magali e depois vamos embora para nossas casas.
POV Magali
...Dia seguinte...
Acordo, faço minha higiene, visto uma roupa, desço as escadas e vou pra cozinha.
— Bom dia- Cumprimentei meus pais.
— Bom dia filha- Eles me cumprimentaram.
Depois de tomar meu café da manhã vou pra escola.
...Escola...
Entro no pátio e avisto Cebola
— Oi cê- O cumprimentei.
— Se você veio aqui pra dizer que estou sendo bobo por ficar evitando a Mônica pode tirar o cavalinho da chuva- Ele falou, emburrado.
— Nossa, eu não posso mais cumprimentar meu melhor amigo sem levar patada- Eu me fingi de ofendida.
— Foi mal, mas é que ontem você estava falando mil coisas de eu estar fugindo- Ele disse.
— Esquece isso- Eu disse.- vamos entrar..
— Não vai mais pegar no meu pé por causa disso?- Ele perguntou, incrédulo.
— Não, agora vamos entrar.
— Certo.
Entramos na sala e nos sentamos nas carteiras.
— Bom dia seus esquisitos!- O professor Pedro nos cumprimentou.
— Bom dia!!
A aula começa mas eu discretamente pego meu celular de meu bolso e digito uma mensagem para Cascão
— Quando vamos executar o plano- Magali
Bloqueio meu celular mas segundos depois a resposta chega.
— No intervalo- Cascão
— O que eu faço pra ele ir pro lugar combinado?- Magali
— Inventa uma desculpa- Cascão
— Que tipo de desculpa?!?- Magali
— Sei lá, só inventa- Cascão
Bloqueio meu celular e volto a prestar atenção na aula.
O sinal toca anunciando o intervalo.
— Biblioteca?- Cebola perguntou.
— Vai indo, ainda tenho que guardar o material e depois ir no banheiro.
— Ok- Ele concordou e depois saiu da sala.
Pra esticar um pouco o tempo fico no celular então o guardo e vou correndo pra biblioteca.
— Cebola!!- Eu gritei.
— Silêncio!- Margaret pediu.
— Desculpa- Eu murmurei enquanto entrava.
— Que houve pra gritar?- Ele perguntou enquanto se aproximava.
— O Cascão...
— Que tem ele?
— Ele precisa de ajuda- Me finjo de aflita.
— O que aconteceu- Ele perguntou, preocupado.
— Não sei, ele acabou de mandar mensagem e corri pra te chamar.
— Me leve aonde ele esta.
— Vem.
Saímos da biblioteca e caminhamos pelo corredor.
— Já estamos chegando?
— Quase.
— Avisto o armário de faxina e paro.
— Ele tá aqui.
— Certo.
Cebola abre o armário e fala.
— Não vejo ele.
— Foi mal Cê- Eu me desculpei, e o empurro pra dentro do armário.
O fecho e vejo Cascão sair de trás de uma lacuna.
— Bom trabalho- Ele me parabenizou, enquanto trancava o armário.
— Nos tirem daqui!- Ouvi Mônica gritar.
— Não tem a menor graça!- Cebola gritou, irritado.
— Os dois vão conversar e ponto final.
— Mas...
— Ponto final- Cascão os interrompeu.- vão ficar ai até se resolverem.
—...
— Refeitório?- Ele sugeriu.
— Topo- Eu concordei e seguimos nosso caminho.
POV Cebola
Tento forçar a maçaneta mais uma vez pra ver se a porta abre.
— Isso não vai dar certo- Mônica falou.
— Eu sei...mas não custava tentar de novo- Eu disse, enquanto me sentava e me encostava na porta.
— Devia ter desconfiado- Ela disse, me imitando.
— Nunca imaginaria a maga fazendo esse tipo de coisa.
— Eu consigo- Ela disse, sem me olhar- e ainda me deixei acreditar no Cas...
Depois disso ficamos em silêncio e sem nos olhar. Se eles dois acham que fazendo essa bobagem vai adiantar algo...estão errados...
Mas...por um lado eles tem razão...mas por outro o medo não me deixa.
Anda Cebola...você consegui falar o que pensa pro Toni....isso você também consegue...é a Mônica, ela não riria de minha cara....
Riria? Não, claro que não. Respiro fundo e depois falo
— Eles fizeram bem em ter feito isso...
— Hã?
— O Cas e a Maga- Eu disse, finalmente a olhando.- se eles não tivessem interferido a gente continuaria se evitando...
— É...eles tem razão...- Ela concordou, também me olhando,
Um silêncio se forma mas eu o quebro
— Então...decepcionada?
— Por que eu estaria decepcionada?- Ela perguntou.
— Por saber que sou eu...
— Ainda não entendo.
— Por que as coisas que estavam escritas na mesa poderiam ser de qualquer garoto...não de um nerd invisível...
Então Mônica da uma risadinha e eu faço uma careta.
— Por que riu?
— Por que não estou decepcionada- Ela respondeu.- na verdade...você que deveria estar...
— Por que?
— Por que as coisas escritas na mesa poderia ter sido de qualquer garota...não de uma popular metida a patricinha...
— Você ainda acha que as pessoas te veem só como a garota popular.
— Sim...- Ela confirmou.- você ainda acha que as pessoas te veem como um nerd...
— Sim...
O silêncio retorna mas eu o quebro novamente.
— Olha...se quer saber...eu não te vejo como a "garota popular". Só vejo a Mônica- Eu fui sincero.
— Brigada- Ela agradeceu.- e eu não te vejo como o "nerd invisível". Só vejo o Cebola.
— Obrigado- Foi minha vez de agradecer.
Ficamos nos encarando e depois Mônica vem pra perto de mim e me abraça.
— Sei que foi só um dia mas senti falta de conversar contigo. Cê- Ela sussurrou.
— Eu também senti, Mô- Eu sussurrei, enquanto retribuía o abraço.
Ficamos um tempo abraçados até que nos soltamos.
— Alguma ideia pra sair daqui?- Ela perguntou.
— Está com seu celular?
— Não, o Cascão pegou de mim- Ela respondeu.- e você?
— Magali fez a mesma coisa.
— Então só nos resta esperar.
Ficamos esperando um bom tempo e então ouvimos o barulho da porta sendo destrancada. Nos levantamos, abrimos a porta e vemos Magali e Cascão
— E ai??- Os dois perguntaram na cara de pau.
— Magali Fernandes Lima!- Eu disse, bravo.
— Cássio Marquês de Araújo!- Mônica disse, também brava.
— Sei que estão irritados conosco...- Magali começou.
— Irritados!- Eu a interrompi.- estamos com muita raiva isso sim!!
— Como puderam nos trancar no armário de faxina! No meio da aula!!
— Tecnicamente foi no intervalo...- Cascão falou.
— Não interessa!- Eu e Mônica falamos juntos.
— Certo, nos desculpem- Eles falaram juntos.
— Ok, só por que essa ideia maluca de vocês funcionou.
— Verdade?
— Sim- Eu afirmei.- mas fizeram a gente perder as aulas.
— Olhem pelo lado bom- Cascão disse.
— Que lado bom?
— Vocês não perderam todas as aulas, só uma- Ele disse
— É, o professor de filosofia tinha um compromisso urgente então tivemos só aula de espanhol e fomos liberados- Magali explicou.
— E a matéria?
— Os dois copiam da gente.
— Certo.
Ficamos andando pelo corredor enquanto conversávamos coisas aleatórias até vermos um anúncio num quadro.
— Parece que a corrida para as eleições de presidente do grêmio estudantil já vão começar- Cascão leu o papel.
— E de novo o Toni vai ser eleito- Mônica disse.- que bobagem...
— Ele só é eleito por que ninguém quer se candidatar.
— Alguém tem que tirar ele desse cargo logo- Eu disse.
— Eu sei bem de uma pessoa que seria o candidato perfeito- Magali falou.
— Quem?- Eu perguntei.
— Você!!
— O que!!
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