POV Magali

Assim que Mônica vai embora volto a mexer no meu lanche.

— Para de ficar brincando com a comida- Cebola falou.- você tem que comer pra criar forças..

— Eu sei daqui a alguns minutos tenho um teste mas me deixa mexer na minha comida em paz!- Eu disse, irritada.

— Eu ia dizer pra você criar forças para não desmaiar- Ele falou e abaixou a cabeça.- desculpe por me preocupar com sua saúde...

Mandei mal...

— Desculpa Cebola- Eu disse.- me irritei e descontei em você que só estava se preocupando comigo.

— Tudo bem- Ele me desculpou.- mas por que a irritação?

— Não sei- Eu menti.

— Eu acho...

Quando Cascão ia falar eu o impeço.

— Já deu minha hora- Eu disse enquanto me levantava e ia pra porta do refeitório.- tchau rapazes!

Saio do refeitório e vou para o banheiro.

POV Cascão

— Não achou isso estranho?- Eu perguntei.

— Um tiquinho- Cebola respondeu.- a Magali não é de se irritar muito e se acontece tem um motivo.

— Hum...

— Sabe o que houve?- Ele perguntou.

— Tenho uma vaga ideia- Eu respondi.- mas vamos indo pro campo, sabe que o Átila detesta atrasos.

— Tá.

Saímos do rede e vamos em direção ao campo para a aula.

Chegamos no campo, entramos no vestiário. Enquanto me trocava sinto meu celular vibrar.

O pego e vejo que era uma mensagem da Mônica.

— A Magali está com você?- Mônica

— Não, ela saiu antes do sinal tocar- Cascão

— Droga!- Mônica

— Que houve?- Cascão

— Ela não está no ginásio, e está quase acabando os testes- Mônica

— Fica tranquila, irei encontrá-lá- Cascão

— Como?- Mônica

— Só confie em mim- Cascão

Desligo meu celular e o coloco dentro do armário.

— Careca.

— Fala.

— Vai indo sem mim- Eu pedi.

— Ok, mas se quiser posso esperar.

— Não precisa, só vou resolver uma parada e já volto.

— Tá bem, mas o Átila vai ficar uma fera se você não aparecer.

— Fala que rolou um imprevisto comigo mas daqui a pouco estou lá.- Eu disse enquanto calçava o tênis.

— Posso fazer isso mas quando você chegar ele vai te dar uma bronca- Cebola me avisou.

— Disso cuido eu- Eu falei enquanto ia para a porta do vestiário.- e prometo que não demorarei.

— Vai logo!

Saio do vestiário e entro sorrateiramente na escola.

— Minha ideia está certa- Eu pensei.

Corro o mais rápido que posso e quando chego no pátio da escola vejo Magali indo para o portão.

— Pode parando ai Magali Fernandes Lima!- Eu gritei e a mesma parou de andar.

— O...oi Cas...- Ela se virou.

— Poderia me dizer o que está fazendo aqui quando a senhorita deveria estar no ginásio- Eu perguntei.

— Minha mãe bateu o dedão e eu vou até hospital ver se ela está bem- Ela mentiu.

— Se quer arranjar uma desculpa pra fugir pelo menos inventa uma melhor- Eu falei.

— O que!- Eu disse, indignada.- eu não....eu não tava...eu estava...

— Não estava?- Eu a questionei.

— Ok- Ela se deu por vencida.- eu tava fugindo...

— Por que decidiu fazer isso?- Eu perguntei.

— Entrei em pânico...

— E todo o plano pra te ajudar?

— Acho que foi em vão- Ela disse triste.

— Pode me responder uma coisa.

— Claro.

— Mas tem que ser honesta.

— Tá.

— Você gosta de dançar?

—...

— A verdade.

— Claro que sim- Ela respondeu.- é a minha paixão.

— Então por que tanto medo?

— Tenho medo de não ser boa o suficiente e as pessoas rirem de mim por causa disso...- Ela disse e vejo os seus olhos lacrimejando.

— Acho que você não devia pensar tanto nisso- Eu a puxei para um abraço.- nos dias do plano eu puder ver como você é talentosa.

— Acha?

— Tenho certeza- Eu falei.- e sim, vai ter sempre gente que vai criticar mas o que importa é o que você pensa.

Magali desfaz o abraço, enxuga as lágrimas e fala.

— Tem razão, o que importa é que eu amo dançar e não vai ser nenhuma crítica ruim ou risada que vai tirar isso de mim.

— É isso ai- Eu concordei.- agora me faça uma coisa.

— O que?- Ela perguntou.

— Vá até o ginásio e mostre aquelas meninas a grande e talentosa dançarina que você é- Eu pedi.

— E eu vou!- Ela disse confiante.

Magali sai correndo do pátio e entra novamente na escola.

— Ela consegue- Eu pensei e dei um sorriso de lado.

Com meu trabalho feito entro no colégio e vou a passos rápidos para o campo e pensando em uma desculpa para o professor Átila.

POV Magali

Atravesso o corredor correndo, vou vou para a sala, troco minha roupa pelas de ginástica, volto a correr e entro no ginásio gritando.

— Desculpe o atraso!

As meninas voltam os olhares para mim.

— Que mico...- Eu pensei.

— Desculpe querida mas chegou tarde- Penha falou.- já acabamos os testes.

— Poxa- Eu disse, chateada.- eu tive um pequeno problema...

— Tente na próxima vez.

Quando eu ia sair do ginásio a professora fala.

— Volta Magali.

— Mas os testes...

— Ainda tem tempo- Ela disse depois se sentou na cadeira e me deu uma piscadela.- agora vá para sua posição.

Dou um sorriso e vou para o meio do ginásio.

— Que música vai usar para sua dança?- Mônica perguntou. E pude ver que ela tentava esconder um sorriso pois tinha que ser imparcial.

Bleeding love— Eu falei.- da Leona Lewis.

— Certo- Ela disse enquanto pegava seu celular e selecionava a música.- vai!

Respiro fundo e quando os primeiros acordes da música surgem eu começo a dançar.

E nesse instante foi como se todos no ginásio tivessem sumido e só existia eu por estar tão imersa na música.

Um fato engraçado é que sempre que danço isso acontece. Gosto de imaginar que estou contando uma história através dos meus movimentos.

Quando a música acaba volto a minha posição inicial e abro meus olhos.

— Como fui?- Eu perguntei.

— Até que a escudeira sabe alguma coisa- Penha falou. "Simpática" como sempre.

— Eu gostei.- Mônica disse. Mas sei que no fundo ela queria dizer mais que isso...

— Lindos passos Magali- A professora me elogiou.- muito bem, agora que os testes foram encerrados podem ir para casa que amanhã no fim do dia vai estar no quadro de anúncios quem entrou para a equipe.

Vou para o vestiário, coloco de volta minha roupa e quando saio do ginásio me deparo com os meninos.

— Como foi?- Eles perguntaram juntos.

— Bom...

Quando eu ia responder sinto alguém pular em minhas costas e me dar um grande abraço.

— Eu estou tão orgulhosa de você Magali!!- Mônica disse, animada.

— Obrigada- Eu agradeci.- mas pode descer pois ao contrário de você eu sou fraca.

— Foi mal- Ela desceu das minhas costas.

— Você ainda não respondeu nossa pergunta.- Cebola falou.

— Bom, eu acho que fui muito bem- Eu fui sincera.- espero ter chances de entrar.

— Claro que tem- Mônica falou.- vocês deviam ter visto, ela foi incrível!

— Só tá dizendo isso por que é minha amiga- Eu falei.

— Não seja modesta- Cascão falou.

— É, você tem um grande talento.

Dou um sorriso aos meus amigos.

— Mas Mô, você não devia estar com a vaca prenha e a professora Marcela?

— A Marcela nos dispensou- Ela falou.- vamos decidir amanhã de manhã.

— E a aula?- Cebola perguntou.

— A professora disse que vai conseguir uma dispensa com a diretora pra gente decidir quem entrou.- Ela respondeu.- e pode se considerar parte da equipe.

— Vamos esperar pra ter o veredito- Eu disse.

— Enquanto isso não acontece que tal irmos embora?- Cebola propôs.- temos negócios pra fazer lembra maga.

— Certo- Eu concordei.

— Que negócios?- Cascão perguntou.

— Posso falar?- Eu perguntei.

— Claro.

— O Cebola e eu estamos vamos planejar a festa de dia das bruxas- Eu expliquei.

— Que maneiro!- Mônica e Cascão falaram juntos.

— É um os meus deveres como presidente- Cebola falou.- mas só com a Aninha e a Magali pra ajudar ainda é pouco.

— Podemos ajudar.- Cascão se ofereceu.

— É, vai ser divertido- Mônica falou.- podemos pedir ajuda pra Denise, Marina, Franja, Carmem, Titi e Jeremias.

— É- Eu concordei.- e além deles você também tem o resto das pessoas que estão no grêmio.

— Valeu, pois eu vou precisar de muita ajuda.

Depois disso fomos para a casa de Cebola.

— Cheguei!- Cebola anunciou mas foi acertado por uma bola de tênis.- Maria...

— A culpa não é minha se você que estava no lugar onde o inimigo estava.- Maria levantou a cabeça de trás do sofá.

— Pois agora você está na minha mira- Ele disse e atirou uma almofada.

— Ai! Mulher abatida, mulher abatida!- Ela fingiu e se deitou no chão.

Nós quatro demos risadas.

— Que coisa feia Cebola- Mônica falou.- como pode atirar na própria irmã.

— Foi fácil.

— Então toma- Ela bateu nele com outra almofada.- me vinguei do homem que atirou em você Maria.

— Obrigada mas já estou melhor- Maria saiu de trás do sofá.- sou uma soldada forte.

Então Cascão e eu rimos mais ainda com a palhaçada. Eles ainda vão ficar juntos.

— E eu torço pra que seja logo- Eu pensei.

Subimos as escadas e entramos no quarto de Cebola.

Nos ajeitamos na cama e ficamos decidindo o que fazer pra festa.

— A Denise falou no grupo pra ter concurso de melhor fantasia- Eu falei pra eles. E sim, criamos um grupo no WhatsApp pra ficar mais fácil.

— Gostei da ideia.- Mônica falou.- diga pra Denise que aprovamos.

— Ok.- Eu disse e digitei a resposta.

— Marina tá falando da decoração ser com várias abóboras podres e com o estilo casa mal assombrada.- Cascão falou.

— E o Franja está dizendo que ele pode construir uma máquina de efeitos especiais- Cebola falou.- tipo dos que parecem que está realmente lá.

— As ideias são dez- Mônica disse.- já disse que aprovamos mas ainda falta.

— Titi e Jeremias falaram de cabine de fotos e um milharal assustador- Cascão disse.

— Legal- Eu disse e aprovei a ideia deles.- e que tal o jogo de pegar as maçãs!

— É, esse é um clássico- Cebola concordou.- e também acerte o palhaço sinistro.

— Muito maneiro.

— E que tal corrida do saco pros pequenos e corrida de múmias.- Cascão sugeriu.

— O que é corrida de múmias?- Eu perguntei.

— Inventei agora- Ele disse.- seria feita em duplas. Um enrola papel higiênico no parceiro e quem está enrolado participa da corrida.

— Boa- Mônica falou.- e que tal uma caçada aos doces?

— Tipo o que fazem na páscoa?- Eu perguntei.

— Sim, esconder vários sacos com doces pelo ginásio- Ela explicou.

— Bem legal- Cebola elogiou.- essa parte já está resolvida, mas ainda falta as músicas.

— Carmem sugeriu um Dj- Cascão disse.

— A escola não tem verba pra contratar um Dj- Eu falei.

— Ela acrescentou que paga.

— Se ela pagar então tudo bem- Cebola concordou.- mas ainda precisamos de mais.

— E que tal além do Dj não termos umas músicas da banda paranormal!- Mônica sugeriu.

— Para quem?- Eu e Cebola perguntamos juntos.

— Vocês não sabem quem é paranormal!- Ela disse incrédula.

— Não- Eu respondi.- e quem são?

— Só a melhor banda do mundo inteiro!- Cascão se intrometeu.- as músicas deles são as melhores.

— E eles começaram tendo o sonho de se tornarem famosos- Mônica falou.- participaram de uma batalha de bandas mas perderam só que chamaram a atenção de uma gravadora e conseguiram realizar o sonho.

— Vocês sabem um monte- Eu falei.

— Nós somos os fãs número um deles- Cascão falou.

— Aqui, vou colocar uma música deles pra vocês escutarem.

— Ok.

— Coloca Decode- Cascão falou.- é a segunda melhor.

— Certo.

A música começa a tocar e devo admitir que é boa.

— Tá chegando a melhor parte.- Cascão disse.

A música chega no refrão e os dois cantam juntos.

— My thoughts you can't decode!

Depois de três minutos a música acaba e eles nos olham esperando uma resposta.

— Ok, vocês tem razão- Cebola falou.- eles são bons.

— E a música também.

— Por enquanto a gente aceita isso- Mônica falou.

— Mas vamos continuar até vocês falarem que eles são incríveis.

— Vai ser difícil- Eu falei.- não somos fãs de rock.

— Não precisa ser fã- Cascão disse.

Depois demos risadas, ficamos conversando mas chegou uma hora em que Mônica e Cascão foram embora.

— Posso dormir aqui?

— Claro.

Mando mensagem para meus pais, Cebola e eu ficamos jogando um pouco e quando deu a hora fomos dormir.

...Dia seguinte...

O despertador toca e Cebola e eu nos levantamos.

— Pode ir primeiro- Ele falou.

— Valeu.

Entro no banheiro e coloco uma roupa.

— Sua vez- Eu disse quando sai do banheiro.

Descemos a escadas, tomamos café da manhã e vamos para a escola.

Entramos na sala, sentamos nos lugares e o professor entra em seguida.

Após várias aulas finalmente vamos embora.

— Pronta pra ver se você conseguiu?- Cascão perguntou.

— Não sei, tô um tiquinho nervosa- Eu falei.

— Quer que eu vá checar por você?- Cebola perguntou.

— Não, eu tenho que fazer isso sozinha- Eu disse e fui me juntar ao monte de meninas perto do quadro de avisos.

Vou me espremendo no meio das garotas e vejo a ficha.

Volto para perto dos meninos e eles perguntam.

— E aí?

Abaixo a cabeça me fazendo de triste.

— Como assim não conseguiu?- Cebola perguntou.- você é tão boa.

— É verdade mesmo?

— Não!!- Levanto a cabeça com um grande sorriso no rosto.- eu passei!!!

Cebola e Cascão me dão um enorme abraço.

— Parabéns!!

— Pelo visto viu a novidade.

Desfazemos o abraço e vimos Mônica.

— Sim, eu vi.

— Parabéns companheira de equipe.- Ela disse e me deu um abraço.- a Penha falou um monte pra você não entrar mas não deu certo.

— A cara dela deve ter sido hilária.- Cascão falou.

— E foi mesmo- Mônica concordou.- fiquei me segurando pra não rir pois a professora Marcela estava lá.

— Que tal comemorarmos?- Cebola sugeriu.

— Adorei a ideia.

— E eu já sei aonde- Cascão falou e mandou um olhar sugestivo para Mônica.

— Já sei onde você quer chegar.

— Pra onde vamos?- Eu e Cebola perguntamos.

— Vocês vão ver- Os dois falaram juntos.

Saímos da escola, Mônica chama um táxi e entramos. Fomos o caminho inteiro em silêncio e quando chegamos Cascão fala.

— Bem vindos ao melhor lugar para conseguir uns doces e salgados.

— Melhores que os da confeitaria da minha mãe?- Cebola perguntou.

— Ok, o segundo melhor lugar pra conseguir uns doces e salgados.- Mônica corrigiu.- a padaria do seu Manoel.

— Como sabem desse lugar?- Eu perguntei.

— Meus pais conhecem o dono do lugar é sempre vem aqui pra comprar os pães- Cascão falou.- um dia eu trouxe a Mônica pra cá.

— É bem legal- Ela disse.- vamos entrar.

Entramos na padaria e um cheiro bom nos atinge.

— Parece que chegamos bem na hora.- Cebola falou.- igual a quando minha mãe está fazendo os doces.

— Poderia fazer uma parecia- Eu falei.

— É, os dois melhores lugares que fornecem doces ou salgados juntos- Cascão disse.- ia ser irado.

— Fala com sua mãe.

— Vou falar.

Nos sentamos numa mesa e ficamos esperando.

— Olho só quem veio depois de tanto tempo!!- Disse um homem com cabelos castanhos, avental, chapéu de padeiro, bigode e um pouco acima do peso.

— Seu Manoel!- Os dois gritaram e foram o abraçar.

— Benvenuto nella mia pasticceria!- Ele falou enquanto retribuia o abraço dos dois.

— Obrigada- Eu agradeci, mesmo não sabendo muito italiano.

— E quem seria essa bella ragazza e ragazzo?- Ele perguntou.

— Eu sou Magali.

— E eu sou Cebola.

— Estávamos com saudades de vir aqui e trouxemos eles pra conhecer.- Mônica falou enquanto saia do abraço.

— O que vão querer?

— A gente vai escolher e depois falamos- Cebola disse.

— Qualquer coisa é só chamar.

Pegamos o cardápio e ficamos escolhendo.

— Onde fica o banheiro?- Eu perguntei.

— Lá nos fundos- Mônica respondeu.

— Valeu, volto daqui a pouco.- Eu disse e e levantei da cadeira.

Entro no banheiro, faço minhas necessidades e saio para voltar pros meus amigos. Mas no meio do caminho acabo esbarrando em alguém e faço cair as coisas da bandeja e um doce em minha blusa.

— Ai droga- O menino falou.- papai estava certo em me dar um sermão por ficar ouvindo música enquanto trabalho.

— Tá tudo bem- Eu falei.- nem manchou tanto.

E o menino era quase uma versão do pai só que mais jovem, cabelo castanho, olhos da mesma cor.

— Não esta brava?

— Não, existe lava roupa pra que?- Eu disse e o menino deu risada.

— Você é engraçada- Ele falou.- qual seu nome.

— Magali.- Eu me apresentei.- e o seu?

— É...

Mas antes dele se apresentar um cliente o chama.

— O dever me chama.

O menino vai embora e eu volto pra mesa.

— Que demora- Cascão falou.- a fila tava cheia?

— Maga, como você sujou a sua roupa?- Mônica perguntou.

— Esbarrei em um garoto sem querer- Eu disse enquanto pegava uns guardanapos.- mas não esquenta, isso sai fácil.

— Ok.

Continuamos a olhar o cardápio mas ouvimos uma voz.

— Quem é vivo sempre aparece.

Nos viramos e vejo o mesmo garoto no qual esbarrei.

— Joaquim!!- Mônica e Cascão gritaram e foram o abraçar.

— Parece que fomos deixados de lado...- Cebola falou.

— Parece que sim.

— Gente, esse aqui é o Joaquim- Mônica o apresentou.- filho do seu Manoel, o dono da padaria.

— Prazer- Cebola apertou a mão dele.

— Prazer.- Ele falou.- e podem me chamar de Quim.

— Prazer- Eu me levantei.

— Olá de novo.

— Então foi com ele que você esbarrou- Mônica falou.

— Sim baixinha- Quim bagunçou os cabelos dela.

— Só me chama assim por que é um arranha céu ambulante!- Ela o provocou.

— Assim me magoa- Ele se fingiu de triste.

— Não o chateie mô- Cascão falou.- ele já não tem muitos amigos.

— Ei, saiba que eu tenho muitos amigos lá na faculdade- Quim se fingiu de irritado.

— Senti falta do seu senso de humor Quim.

— Também senti Cascudão.- Quim deu um sorriso. Um bem bonito por sinal.- volto já com seus pedidos.

— Mas a gente nem escolheu- Eu falei.

— Podem confiar em mim.- Ele disse e sai de perto da nossa mesa.

— Devemos mesmo?- Cebola perguntou;

— Claro- Cascão respondeu.- o Quim sempre sabe o que é bom de comer.

— É óbvio que sabe- Mônica falou.- ele ajuda o pai desde que era criança e mesmo fazendo faculdade de gastrônimia ainda arranja um jeito.

— Ele não fica sobrecarregado- Eu perguntei.

— Não sei mas ele sempre da um jeito.

— Deve ser difícil conciliar o trabalho aqui com a faculdade- Cebola falou.

— Mas ele faz de tudo pra ajudar o pai.

— É muita bondade dele.

Ficamos esperando e minutos depois Quim chega com a comida.

— Um croassant de ricota e um suco de laranja para a baixinha.

— Obrigada grandão- Mônica agradeceu e pegou a comida.

— Pães de queijo e um cappucino para o Cascudão.

— Valeu Quinzão!

— Uma empada e um suco de uva pro Cebola.

— Não ganho apelido- Cebola brincou.

— Só se você vier mais vezes e nos conhecermos mais que ganhará.- Ele disse.

— Vou pensar no caso.

— Uma bomba de chocolate branco e um suco de abacaxi pra senhorita.- Ele me deu a comida.- por conta da casa, como uma desculpa pela mancha.

— Obrigada...

— Pra Magali é por conta da casa- Cascão falou.- e a gente, como fica?

— Tava brincando- Ele falou.- por reaparecerem e trazerem novos amigos essa vai ser de graça.

— Agora sim a coisa ficou boa- Mônica falou.- mas na próxima a gente vai pagar.

— É, nada de você ou seu pai falando que não precisa.

Quim vai atender outra mesa e nós ficamos conversando até dar a hora de irmos embora.

— Até a próxima quim!- Nós quatro falamos.

— Estarei esperando!

Pegamos um táxi, entramos e vamos para casa.

— Vai pra minha casa- Eu sussurrei no ouvido de Mônica.

— Por que?- Ela sussurrou também.

— Preciso falar uma coisa.

— Ok.

Deixamos os meninos em suas casas e depois seguimos para a minha.

Entramos na casa, subimos as escadas e entramos no meu quarto.

— Pode falar- Mônica disse enquanto se sentava na cama.

— Lembra quando você falou sobre o Akai Ito- Eu a imitei.

— Lembro.

— Então, acho que achei quem esta do outro lado do fio.

— E quem é?

— O seu amigo da padaria.

— O Quim!!

— Sim, ele é bonito e meigo.

— Eu concordo com você nessas duas coisas mas acho que você não esta sendo precipitada.

— Por que?

— Por que ele é mais velho que você!

— Só por causa disso que você não concorda.

— Não é por causa da idade!

— Então é por causa de que?

— Por causa de que você conheceu ele hoje!!

—...

— Olha, desculpa se você ficou chateada mas vai com calma- Ela pediu.- tenta conhcer ele mais e depois o chame pra tomar um sorvete ou passear.

— Tá, eu vou com calma.

— Bom saber- Ela disse e me abraçou- e se for realmente vou apoiar qualquer decisão sua.

— Você é uma boa amiga- Eu a agradeci.

Mônica desfaz o abraço, pega sua bolsa e vai até a porta.

— Tchau!

— Tchau!- Me despedi.

Mônica vai embora então troco minha roupa por um pijama confortável, fico lendo um livro e depois vou pra cama e durmo.