Palavras de Papel

1 Querido Sagitariano


Querido sagitariano,

Eu não quero falar de sentimentos. Sol em aquário, lua em gêmeos, vênus em capricórnio. Essa sou eu procurando uma justificativa para o fato de que sentimentos me engolem. Ou eu só sou uma cretina, não decidi ainda.

Mas, veja bem, eu não quero que esta seja mais uma daquelas cartas em que eu procuro saber como vai sua irmã – espero que bem – ou se seu tio conseguiu resolver o problema da hemorroida – desculpe, mas não tenho muito interesse nisso. Você já me conhece há tempo suficiente para saber que eu preciso fazer as coisas de um jeito peculiar – e eu amo tanto essa palavra! Então aqui vai um haikai:

Quase blasfêmia

O céu assim tão azul

Quando não estás.

Perdoe-me, mas minha habilidade com esse tipo de poesia é praticamente nula.

Eu gosto do teu cheiro de quem não precisa de muito para ser feliz. Gosto do teu toque suave de quem carrega o oceano no peito. Gosto do teu olhar distante de quem vê o inferno dentro de mim. Gosto, acima de tudo, do teu gosto de halls sabor melancia, o doce e o azedo se mesclando como yin yang sob o meu paladar.

O caso é que eu escrevi tudo isso para dizer que o céu realmente está azul. E você realmente não está. E eu realmente sinto sua falta.

Compreendo que pecado seria te manter aqui. Justo você, que anseia o mundo. Aprecio de longe o seu alçar voo, seu bater de asas rumo à linha do horizonte, feito dragão de origami que outrora criava vida sob seus dedos e que ainda reside sob meu afeto.

Esta carta pode parecer desconexa, como partes de um quebra-cabeça que não se encaixam bem. É que eu sou assim: milhões de belas partículas que juntas não fazem o menor sentido.

Com amor,

Aquariana.

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Notas finais
Seria de extrema importância para o projeto um feedback. Se não for tomar muito de seu tempo, eu agradeceria muito um comentário.