Notas iniciais
Primeiríssima fic que publico, então gostaria muito de receber críticas para melhorar! :)
Seu review é muito importante, se gostou ou não deixe um salve nos comentários,isso me deixaria imensamente feliz!

A fanfic contém trechos da tradução da música: Hurts - Stay. É uma boa ler a fic e ouvir a música. #ficadica

Boa leitura!

“As lembranças explodem fracionadas na minha mente como imagens refletidas em um caleidoscópio. As emoções são multiplicadas e a razão dividida resultando em algo perigosamente impensado. Eu, Sebastian Michaelis, estou inundado pela água que me cobre por todos os lados, cada vez afundo mais e mais em um caminho sem volta. Meu único e imperdoável erro? Amar um humano. O que antes era uma solução se apresenta como mais uma provação. Seriam os castigos divinos caindo como raios sobre minha cabeça? Ou será, o amor, estritamente proibido entre um demônio e um humano? Essas questões anuviam a minha mente, tirando minha razão e entorpecendo minha decadente sanidade.”


Tudo bem, está tudo bem

Desde que você veio

E antes de você

Eu não tinha para onde correr

E nada para segurar

Eu cheguei tão perto de desistir

E eu me pergunto se você sabe

Como é ao deixar você ir


“Penso que o amor não me interessa mais. Estou morto, e a minha morte se decretou no momento que vi Ciel Phantomhive como um demônio.”

“Tudo por que lutei foi por água á baixo e está preso nas profundezas de um oceano impenetrável. Não tenho mais razão de existir, porque tudo pelo que zelei e cativei se escorreu pelas minhas mãos como areia. Não pude fazer nada para salvar meu único amor de um destino frio e impiedoso... Agora só me resta esta casca. Uma casca fria. Uma casca inútil sobre meus pés. A casca que abrigou o que primeiramente seria a alma mais deliciosa, e depois o que se tornou o sentimento mais belo e proibido... Amor.”

“Eu me despeço aqui, pois nunca mais me verá novamente.”

“Adeus, Bocchan.”

Disse o mordomo com um último beijo trêmulo em sua testa.

Minha vida inteira esperando o momento certo

Para te dizer como eu me sinto

E embora eu tentei te dizer que eu preciso de você

Aqui estou eu sem você

Eu me sinto tão perdido, mas o que eu posso fazer?

Porque eu sei que esse amor parece real

Mas eu não sei como sentir


Ele se virou de costas, preparava-se para pular a janela. As cortinas farfalhavam com a brisa gélida e húmida da madrugada. Um cheiro de jasmim entrava forte pela janela e queimava a garganta de Sebastian fazendo-o arfar em sofrimento.

– Isso é verdade, Sebastian? – Perguntou abraçando-o por trás.

– Bocchan... – Disse calmamente com um sorriso. As lágrimas escorriam á contra gosto por sua face obscurecida e um turbilhão de sentimentos lhe causou um calafrio.

– Me diga! Você pensa que eu sou uma casca inútil!? – Berrou á sua frente.

Algo assustador e incomum, vindo de seu Bocchan.

Sebastian evitava olhar para aqueles olhos... Queria lembrar-se do azul profundo sem manchas de qualquer vermelho: uma cor imunda.

– Eu tomei minha decisão. Não quero mais lhe acompanhar, com licença. – Disse tirando seus bracinhos de sua cintura. Seu corpo todo tremia.

E então ele fechou os olhos. Não queria ver o vermelho em seus olhos, não suportaria.

– Sebastian olhe para mim! – Gritou chacoalhando-o em desespero. Outro sentimento inútil.

Ele não olharia.

Então mude de ideia

E diga que você é minha

Não vá essa noite

Fique

– Já tomei minha decisão, não insista!

– Eu te amo!

Aquela frase queimou dentro do peito de Sebastian, sua vontade era de acreditar e agarrá-lo ali mesmo... Mas não queria ver seus olhos vermelhos. Eles mostrariam a realidade admitida que ele não queria ver. Seu único amor estava morto.

– Talvez esse seja o problema. – As palavras escaparam de sua boca sem permissão.

Ele mordera a língua forte, não queria mentir. Mas teria, e naquele momento quebrara o pacto com seu mestre.

O silêncio perturbador cobriu o quarto. A água já teria chegado á altura de seus ouvidos?

Sebastian abriu os olhos com um sobressalto.

Ciel estava prostrado aos seus pés em prato quieto e atônito.

Seus olhos brilhavam azuis, mergulhados em dor. Além da dor brilhava outro sentimento que ele conhecia bem, ali queimava o ódio...

– Sim, eu sou o problema. Acreditei que me quisesse não só por interesse em minha alma, mas vejo que me enganei. Agora sou eu que não quero sua companhia, Sebastian Michaelis! Você mentiu.

A boca de Sebastian ficou amarga, era remorso queimando dentro de suas veias? Ciel estava errado? A resposta era incerta.

– Você disse que ficaria até o fim. Mesmo que eu caísse e que não restasse mais peça alguma ao meu lado. Tudo não passou de uma ilusão o tempo todo, não foi? Um teatro?! Saia da minha casa, e desapareça. Não desejo vê-lo nunca mais! – Disse levantando-se com arrogância de um verdadeiro Lorde.

O único lorde que Sebastian conhecera.

Já não tinha mais volta. Seu sentimento era uma faca de dois gumes, a agora ele tinha se ferido mortalmente por toda a eternidade.

Nós dizemos adeus na chuva

E eu fico em pedaços enquanto você vai embora

(Fique, fique)

Porque toda a minha vida eu me senti assim

Mas eu nunca consegui encontrar as palavras para dizer

(Fique, fique)


Sebastian olhou para os olhos avermelhados de Ciel e saiu lentamente pela janela. Agora ele estaria oficialmente vazio. Oficialmente seu amor tinha acabado por aquele corpo e restado esse sentimento queimado e cristalizado em seu peito permanentemente.

O vento o atravessou gélido e angustiante, cortando-o em pedaços até a estreita e íngreme estrada de terra. Ele sentia-se um demônio solitário e uma peça inútil de um tabuleiro vazio.

Enfim, ele fora descartado pelo rei... E a única promessa para o futuro seria nada além do nada. Isso para ele significava algo pior que a morte: Isso significava algo muito além do que ele poderia explicar.

O amor o havia trazido a vida, e tirado ela de si. O destino ria impiedoso de sua cara. E tudo pendia sobre ele exigindo que ele se tornasse um demônio como antes, quando sua única preocupação era as almas que ele devoraria.

Mas ao contrário do que deveria ele não tinha mais a incerteza e a dúvida. Ele finalmente tinha encontrado uma razão pra viver de agora em diante: buscaria a alma de seu eterno amor, nem que tivesse que descer ás profundezas do inferno.

Á final... Aquele corpo vazio com um símbolo vazio não tinha poder nenhum sobre ele agora que tinha o desobedecido, somente a indefesa alma de seu mestre que clamava por ser salva; E assim o faria três vezes por toda a eternidade...

...Pois seu único nome é e será Sebastian Michaelis;

...Pois atendeu e atenderá unicamente por uma única frase: “Yes, my lord.”;

...E por último: seu amor e lealdade são indestrutíveis por seu primeiro e único mestre, Conde Ciel Phantomhive;

“Isso, é uma promessa.”

Suspirou olhando pela última vez para mansão que resplandecia á frente da aurora.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!