"pelo menos... me deixe ir com você... não quero que nada aconteça com você!"

O homem ruivo saía da casa, mas alguém abraçava suas pernas, tentando impedí-lo.

"Sua bobinha, eu é que estou te protegendo"

"... i... idiota!!"

Ele piscou os olhos demoradamente, dirigindo-os aos rubros de sua filha.

"eu vou voltar, sua teimosa. Eu prometo."


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Ele não voltou.


Então vou atrás dele.


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Custei a entender que ainda não era adulta. Apesar do sofrimento que passei e de toda a vivência que tive, ser adulta não é algo que se recebe, nem que se conquista de uma tacada. É um processo. E esse processo nós chamamos de vida.

Ter uma vida difícil não significa que você se amadurecerá mais rápido... mas passar por estas situações é útil para que aprendamos.

Apesar das dificuldades, segui em frente. Me tornei uma pessoa cheia de coragem, força de vontade e energia, tendo uma vida em que havia um propósito. Mas não me livrava do sofrimento.


Não tinha meu pai comigo.


Tinha amizades. Tive namorado... algo difícil de acreditar... mas nunca foi algo pleno, que me fizesse esquecer das minhas angústias, dos meus medos...


Aventuras. Uma jornada sem fim, que buscava pela paz de Ernas finalmente pareceu terminar. Encontrei pistas de meu pai e pessoas que sabiam de algo dele, mas nem tudo foi como imaginei que seria...


Digamos que... ficou melhor.


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Fogos de artifício estouravam nos céus de Serdin.

Uma batalha lendária, a maior dos recentes séculos foi travada, e a vitória foi concedida aos frágeis humanos e elfos de Ernas.


Em uma armadura dourada, eu empunhava uma lança com uma bandeira de Canaban, ao lado da maga violeta, que segurava a de Serdin, e da elfa, que portava a bandeira de Eryuell.

Próximo a nós, estavam outros dos integrantes da famosa Grand Chase: com armaduras bem trabalhadas, estavam o arcano, o druida, o lutador e a paladina, e, um pouco destoadas por estarem em trajes finos e leves, estavam ali a sacerdotisa e a estrelinha rosa, que distribuia beijos. Os integrantes que viviam em Hades partiram mais cedo, não quiseram se misturar aos de Ernas.


Depois da cerimônia, fui me encontrar com um dos que se recusavam a participar da festa.


O moreno estava altivo. Pelo que conhecia dele, ele ficava assim quando escondia coisas, por julgar que nós, "meros mortais", não compreenderíamos. Por ele se achar adulto e sábio demais, eu o achava uma criança, mimada e esperta, que acaba brincando e jogando com os outros, porém é uma pessoa que quer o bem e trabalha por ele. Será que é pelo viver muito que ele se entediou e desapegou das pessoas? ... talvez algo mais.


- Sieghart.


O homem de aparência jovial, olhou assustado, como se tivesse acabado de acordar, mas logo abriu um sorriso.


- Olá, ruivinha! Está boniiita! — prolongou a última palavra, me analisando de cima a baixo.

- Isto é apenas uma armadura festiva. De que adianta ser bonita e proteger pouco?

- Você só pensa em guerra! Aproveita a festinha! — ele dançava mexendo o quadril — E aproveita pra fazer as pazes com o azulzi-

- ARRRGGH QUANTAS VEZES... — e percebi que tinha me exaltado no corredor silencioso — ... quantas vezes preciso dizer que não quero mais ele? Não combinamos. Ele é apenas meu amigo.

- Nhaaa, bobagem! — fez um gesto qualquer com a mão direita pra mim, e começou a se virar de novo para a vista do local.

- Mas e você? Ainda parece preocupado.


Ele terminou de se posicionar, colocando os dois braços sobrepostos no murinho da varanda e foi voltando a ficar com rosto altivo, porém com um resquício de sorriso no rosto por conta do momento. Passei a olhar para onde ele fixava os olhos. A lua minguante parecia um arco branco, um sorriso no céu estrelado.


- É porque meu trabalho ainda não terminou. — disse ele.

- É mesmo...? ...Qual é seu trabalho? Se for trazer paz, já fizemos. Pode ficar de boa aí.


Ele expirou pelo nariz. Será que fui dura demais? Desculpe, é o meu jeito, ele que entenda.

Continuei olhando pra ele. O motivo eu não sei, mas vê-lo ali tão quieto me deixou curiosa. Se fosse eu mesma ja teria deixado ele sozinho.


- ... o que foi?... — perguntei após respirar fundo, tentando me preocupar um pouco com ele. Fez uma boa pausa, olhou para baixo e perguntou calmamente:

- O que pretende fazer agora, Elesis?

- Agora? — me pegou de surpresa — Agora... como? Eu agora ia lá pra baixo ver se tem algo de bom...

- Não... heheh... falava de... "depois", agora que "as guerras terminaram"... não teremos uma jornada tão cedo.

- Ah... sim... — e neste momento me lembrei de meu pai, e me calei.


Distraída com isso, deixei de notar que ele mudou a expressão, como se soubesse o que eu estava sentindo. Depois de meio minuto de silêncio, acrescentou:


- Gostaria... de fazer um passeio comigo amanhã?

- ... ... ... eh? — com a cabeça confusa, olhava pra ele com uma sombrancelha erguida.

- É... isso mesmo... eu queria conversar com você.


Isso me aumentou as expectativas. Será que ele sabia como eu me sentia? Ele sabe como chegar até meu pai e me levaria até ele? Eu finalmente teria meu pai de volta? Apesar de que tudo parecesse ser nesse sentido, praticamente não sorri, mantendo meu semblante atento e explicitamente abismado.


- Me encontre no jardim principal amanhã de manhã... hmm... depois do café. — disse enquanto mexia seu tronco em um breve alongamento antes de seguir andando pelo corredor — Até lá, aproveite a festa, ruivinha.


Só após ele estar um pouco adiante, de costas para mim, acabei abrindo um sorriso. Mas algo me dizia que nem tudo era notícia boa, e fiquei séria novamente, mas cheia de esperança.


- Finalmente o velhote vai me ajudar. Finalmente.


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A manhã estava bonita. Um céu limpo iluminava o jardim, revelando muito do que restava da festa do dia anterior, mas apesar disso, não havia ninguém nele. Acabei chegando mais cedo no local pela sua ansiedade. Mas mesmo assim, certas coisas não mudam:


- Atrasado... Eu devia ter esperado isso dele! Eu sou uma anta...

- Nunca vi uma anta de pêlo vermelho.


Em uma fração de segundo achei que era ele, mas pela voz reconheci:


- Oh... Ronan.

- Bom dia, Elesis. O que faz sozinha aqui?

- Uhh... nada... só... hmm... fiquei sem o que fazer...

- Hmm... — acatou ele, logo depois sentando-se ao meu lado — será que eu posso ajudar em alguma coisa?

- N... não! Obrigada!! — envergonhei-me pela aproximação dele, e fazendo um gesto exagerado com a mão me levantei — na verdade... estava esperando uma pessoa...

- O Sieghart, né?

- Sim, e... Você andou me seguindo?? — perguntei, acusadoramente

- N-não! — ele ergueu as mãos na altura dos ombros, inocente — eu apenas vi vocês conversando ontem... e agora você citou que alguém estava atrasado...


É, ele tinha um ponto. Fiquei com um rosto sem graça, olhando pro nada.


- ... aliás, lá vem ele. — continuou, olhando para o moreno que caminhava na nossa direção.


Logo olhei na direção dele, com um olhar tedioso e cruzando os braços, já falando minha mensagem. Ronan agora se levantava e tirava o pó de sua roupa de inquisidor com as mãos.


- E aí? Reataram o namoro? ... Acho que não... que pena — falou, zoando como de costume.

- Sieghart... — o reprovei pela frase, pronunciando seu nome com os dentes cerrados.

- Bom dia, imortal. Não, não mesmo. Uma pena? Talvez... Bom, deixo vocês a sós agora. Bom vê-los de novo.


Acenou e seguiu para a entrada do castelo. Sieghart o olhava passar por ele, o qual não desviou o olhar do castelo.


- Tem certeza que não quer namorar aquele bonitão ali?

- ... Chega disso, Sieg.

- Tá bom, tá bom... eu sou muito mais bonito que ele, eu entendo...

- Heh... certo... — respondi sarcasticamente. Sieghart era um cara chato, mas conseguia ser divertido às vezes.


A não ser que ele estivesse falando sério ao se chamar de bonito, mas enfim...


Ele passou por mim, e acabei entendendo que ele queria que eu o seguisse. Ele caminhava com as mãos nos bolsos de cabeça meio baixa. Ficamos algum tempo em silêncio antes de cortá-lo:


- E então...? Você me chamou aqui por algum motivo?


Ainda deu alguns passos antes de parar.


- ... porque ainda estou vivo. — falou. Após uma pausa esperando uma resposta, pergunto:

- O que você quer dizer com isso?

- Ainda tenho trabalho a realizar. Este é o motivo de ainda estar vivo.


Ele olhou para o alto.


- Sou um imortal. Tenho o pacto de lutar até que o mal seja extinguido de Ernas. Se eu ainda não morri... significa que ainda há um inimigo poderoso para ser eliminado.

- ... ora, então vamos acabar com ele!


Ele parou de falar, e se virou lentamente, revelando um rosto triste.


- Tenho um mal pressentimento.


Um mal pressentimento? Sieghart é alguém que sempre está por cima, que toma atitudes precipitadas e impensadas! Ele não é do tipo de prever algo além de golpes adversários.

Isso era incomum, e também me deixou preocupada.


- ... Se é algo grande assim, devemos convocar toda a Gr-

- Não... — ele me cortou — ... não é algo que envolve o grupo todo, eu... Argh... — Ele pôs a mão na testa e desceu, como se enxugasse o rosto

- Não esconda as coisas de mim, desembucha de uma vez!

- ... é um mal que 'eu' tenho que enfrentar, porque envolve a verdadeira divindade.

- Então por quê me chamou aqui? Pra ficar se gabando e falando que é o mais forte? Isso é questionável! E além do mais, eu tenho mais coisa pra fazer!

- Seu pai... pode estar envolvido.


Gelei. Enfim algo concreto foi dito a respeito de meu pai.


- ... como você sabe disso?

- Como avatar, algumas informações importantes me são reveladas. E... outras... me deixaram claro que era uma tarefa apenas para imortais.

- Mas... até agora o motivo da nossa vitória foi justamente a união da equipe! Tivemos até asmodianos...

- Você sabe que não me dou bem com eles...

- Não interessa! Ahh, quer saber? Vamos lá pegar nossas coisas e acabar com essa droga de mal que vive aparecendo. Assunto encerrado!

- E-Elesis! Você não...

- EU NÃO LIGO DE DAR A MINHA VIDA PELA DO MEU PAI!

Respirava pesadamente, enquanto ele olhava pra mim, nos meus olhos, calmamente, com aqueles olhos prateados.

- Eu vou com você! Partiremos hoje a tarde!

Ele chegou até a bufar, mas não liguei pra ele. Caminhei em passos firmes de volta para o castelo.


Pode ter sido impressão minha, mas acho que o ouvi dizer...


- Essa é a minha garota...


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