Paixões Opostas
3 Capítulo 2 - Lembranças, Skate e Hospital
“You can count on me
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I’ll be there” (Bruno Mars — Count On Me)
Enquanto caminhava em direção à rampa de skate, onde havia combinado de me encontrar com o Leo, lembrei-me de como havia começado a praticar esse esporte.
Era uma noite de sábado. Eu havia saído com Camila e Mariana, minhas amigas, e nós havíamos perdido a hora. Eu voltara para casa de táxi, pois já eram 22h e a minha cidade é muito perigosa. O táxi me deixou na porta do prédio onde moro, mas ao me distrair por alguns instantes enquanto procurava as chaves, senti um par de mãos fortes me agarrarem.
— Me solta, por favor! Leva meu dinheiro, mas não me machuca!
— Eu não quero o seu dinheiro, garota... – fui atingida no rosto por um bafo de álcool.
Meus braços foram apertados firmemente, mas mesmo assim tentei fugir. Não obtive sucesso, pois meu agressor segurou minha blusa e me arrastou de volta, com tanta força que rasgou um pedaço do tecido. Percebi que ele se aproximava, e fiquei totalmente enojada quando seus dentes tocaram meu pescoço. De mãos literalmente atadas, mordi seu lábio com força ao perceber que seu passo seguinte era tentar me beijar.
— Socorro! – eu gritei, desesperada, enquanto ele limpava o sangue que escorria de sua boca. Algumas gotas pingaram em minha roupa, mas naquele momento só uma coisa importava: me libertar.
— Shhh! Ninguém pode te...
— Solta ela! – uma voz, vinda sabe-se lá de onde, berrou.
O homem foi calado por um soco, desferido em seu rosto. Ele me soltou imediatamente e saiu correndo, até desaparecer em uma esquina.
Ergui os olhos para fitar meu salvador, e encontrei um rosto familiar: um garoto com belos olhos âmbares.
— Leo? – eu questionei, incrédula. – O que faz aqui?
— Eu acabei de me mudar para a casa ao lado. Estava sentado perto da janela e te vi chegando. Resolvi te cumprimentar e contar a novidade, quando presenciei essa cena hedionda. – ele explicou.
— Eu não sei o que dizer... Obrigada, você salvou a minha vida!
— Amigos são pra isso. Conte sempre comigo, Nanda.
Eu não me contive e o abracei, deixando as lágrimas correrem livremente pelo meu rosto.
— Eu sempre estarei aqui para você. – Leo completou.
Ainda tenho pesadelos com esse dia. Não gosto nem de pensar no que poderia ter me acontecido se Leo não tivesse chegado para me salvar. Desde aquele dia, eu me sentia em dívida com o meu amigo. Até que...
— Por favor, por favor, por favor Nandinha! Me ajuda!
— O que foi dessa vez, Leo? Quando você me chama de “Nandinha”, é porque quer alguma coisa.
— É uma longa história...
Resumindo, Leo me contou que havia feito uma aposta com o Matheus, o melhor amigo dele. Se ele perdesse, teria que ensinar skate para alguma garota da escola. E adivinha só? Ele perdeu.
Quando Leo terminou o relato, eu já imaginava que ia sobrar para mim...
— Deixa eu adivinhar: você quer que eu seja a sua aluna. É isso? — questionei.
— Que moça sagaz! Sim, é isso. Quebra essa pra mim, vai? Além disso, eu sei que você adora skate, e que só não começou a praticar por não ter tido chance.
Ele me encarou com olhos de cachorro que caiu da mudança e, inevitavelmente, eu me lembrei da noite em que ele me salvou.
Suspirando, me dei por vencida.
— Tudo bem, Leo. Eu aceito. Afinal, o que é que você me pede chorando que eu não faça sorrindo? E tem razão, eu sempre quis ser skatista, e essa vai ser uma ótima oportunidade para começar.
— Ebaaaa! Sabia que podia contar com você!
Ele me deu um abraço de urso, e eu sorri.
— Quando começamos, “professor”?
Enquanto voltava para a realidade, eu senti meu celular vibrar no bolso: uma mensagem. Além das minhas memórias, Leo havia acabado de se instalar nas minhas notificações também.
“Onde você tá? Estou te esperando há 1 hora!”
Quase soltei uma gargalhada com todo aquele exagero.
“Que exagero! Confessa: você está aí há 10 minutos, no máximo! Já tô chegando, apressado.”
Após mandar a mensagem, apertei o passo. O tempo estava passando, e eu queria aproveitar o meu da melhor forma possível.
x-x-x-x-x
Ao chegar à pista, pude ver Leo suspirar de alívio, e sorri.
— Que pressa pra treinar, moço – provoquei.
— Minha pressa não era só pra treinar... – murmurou.
— O que disse?
— Eu disse: Minha pressa era só pra treinar mesmo – ele sorriu, nervosamente. (N/A: Sutileza 0 x Leo 1)
— Aham... então me alcança, se puder! – eu gritei, já correndo em direção à rampa.
x-x-x-x-x
Eu achava que a tarde seria divertida. De fato, estava sendo, até o momento em que eu me esborrachei no chão. Confuso? Eu explico.
O treino estava indo muito bem, obrigada. O Leo me dava dicas de manobras, e eu estava me saindo ótima em todas elas. Estava.
Pra variar, fui tentar uma manobra mais ousada, pisei em falso e vi o chão se aproximando cada vez mais depressa.
Tudo que eu me lembro é do Leo correndo em minha direção e me pegando no colo.
Depois disso, apaguei.
x-x-x-x-x
Acordei em um local com paredes brancas e cheiro de remédio, vulgo hospital.
Havia uma moça com sorriso simpático parada ao meu lado, e eu consegui visualizar a minha mãe sentada em um sofá, do outro lado do quarto. Ela percebeu que eu havia acordado e correu pro meu lado.
— Filha! Como se sente?
— Dolorida.
— Normal, você caiu de uma altura de 2 metros. — a enfermeira se intrometeu.
— Qual é o meu estado?
— Um pé torcido e muitas escoriações pelo corpo. – ela respondeu.
— Não está tão ruim, considerando a altura da qual caí.
— Não mesmo.
— Filha, eu vou comer alguma coisa na lanchonete. O médico disse que você terá alta ainda hoje, mas vai precisar repousar. Portanto, nada de dança nem de skate por 2 semanas.
— Tudo bem, mãe. – eu estava feliz apenas pelo fato de não ter levado bronca.
Assim que minha mãe saiu, a enfermeira me disse:
— Sem querer ser intrometida, mas seu namorado é lindo! – ela piscou para mim.
— Que namorado? – perguntei.
— O moreno de olhos mel, que te trouxe até aqui. Ele não saiu da sala de espera desde que você foi internada: ficou aí o tempo todo.
— Ele não é meu namorado.
— Pois devia. Abre o olho, garota: você está perdendo uma chance de ouro.
Mesmo após receber alta, chegar em casa e me preparar para dormir, eu não consegui esquecer o que a moça havia me dito. Aquilo não podia ser verdade. Ou será que podia?
No próximo capítulo...
“Leo veio até mim, me abraçou e virou a bochecha, para que eu a beijasse. Eu me aproximei, mas quando estávamos muito perto um do outro ele virou o rosto, fazendo com que nossos lábios se tocassem.”
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