Paixões Gregas - Descobrindo o amor (Degustação)
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Pov – Lizzie
─Onde estava Lizzie? – Minha mãe passa o braço por meu ombro, sorrio um tanto corada, confusa e feliz.
─Só respirando um pouco. – E beijando Josh o homem que amo. Adoraria dividir com ela.
─É tarde e achei que estivesse sentindo qualquer coisa, passei no seu quarto para dar boa noite e não estava.
─Estou bem mãe. Entramos no pequeno edifício construído para acolher uma parte dos Stefanos, até fico feliz que Josh fica na casa principal, perto do tio Leon, é importante para ele e para o tio Nick se sentirem amados e acho que alguma distância no momento pode nos salvar do vexame público de sermos pegos.
─Minha linda advogada e funcionária dos Stefanos como eu. Já pensou que qualquer dia desses vamos estar as duas em uma reunião de trabalho?
Olho para minha mãe um tanto espantada. Ela tem razão, pensando bem eu vou me reunir com os Stefanos e tratar de trabalho, isso vai ser estranho.
─Acha que vai ficar estranho te chamar de mãe?
─Não sei. Acho que vai depender da reunião, mas não vamos ser hipócritas, no fim é isso que sou. Sua mãe.
Subimos as escadas lado a lado, amo minha mãe, mas preciso de um momento sozinha.
─Vou para cama mamãe. Te vejo amanhã. – Ela me beija o rosto. – O papai está bem?
─Está, ainda sente falta do Dobby, esses últimos meses ele estava ainda mais próximo dele se isso é possível, se não tinha como alguém ficar com ele, levava o Dobby para o escritório, o bichinho ficava deitado no pé dele, mas vou fazer uma surpresa e dar outro cachorro assim que voltarmos para casa.
─Ele vai ficar feliz. – Beijo o rosto da minha mãe com a mão na maçaneta da porta do quarto, ela sorri sem perceber o quanto quero ficar sozinha.
─Dorme bem solzinho.
Afirmo e depois entro fechando a porta, ela me chama assim desde sempre, mas acho que agora parece meio estranho, como se me infantilizasse um pouco. Como aceitar as escolhas de alguém que chama de princesa, solzinho? Se não me veem como adulta como vão confiar em mim?
Me atiro na cama e logo as preocupações dão lugar as memórias do que acaba de acontecer. Nos beijamos, muitas vezes, nos entregamos ao que sentimos e foi mágico, perfeito e romântico.
Eu enfrentaria o mundo por ele. Meus pais, tios, qualquer Stefanos que ousasse duvidar dos meus sentimentos, abandonaria a empresa, o futuro, tudo por ele.
Abraço Aquiles e fecho os olhos, não, nenhum dos dois faria isso, nunca poderia causar uma briga entre os irmãos. Tio Nick ficaria ao lado de Josh, eu sei que sim porque ele viveu uma vida parecida e ama Josh mais que tudo, meu coração dói só de pensar no tio Nick brigando com o irmão por nossa causa.
Tio Leon tomando partido do mais novo porque sempre o protege. Tio Ulisses que só conhece a paz no meio disso sem saber o que fazer, meu pai bravo e triste, sei como é meu pai triste, perder Dobby me mostrou isso e no fim nosso amor seria corroído pela culpa e perderia toda a beleza.
Custo a pegar no sono, em duvida se posso só me deixar sentir o que sinto ou se tenho que me arrepender, as vezes penso se não estamos pintando um quadro muito sombrio.
A verdade é que depois de hoje eu nem sei se posso fugir ou fingir. Acho que quando meus olhos cruzarem os dele simplesmente todos vão saber.
Passo a manhã com meus irmãos brincando na sala, invento uma desculpa para não almoçar com a família e quando todos se dispersam vou atrás de Mira na cozinha, quando entro Josh almoçava conversando com Cristus, quando nos olhamos é um baque.
Um turbilhão de sensações, todas as memórias frescas me dominam e meu coração palpita.
─Também quer comer? – Mira questiona já servindo um prato. – Os dois correram do almoço hoje?
Claro que ele teve a mesma ideia. A gente podia ao menos trocar mensagens para não fazermos papel de idiotas.
─Eu acordei tarde e não estava com fome, mas juro que lavo a louça Mira. – Me sento pegando uma boa quantidade de Moussaka que amo mais que tudo.
─Está uma delícia, não é Josh?
─Está muito bom Mira, mas você nunca erra. – Mira beija a cabeça de Josh, ele sempre dá jeito de vir passar uns dias com o tio Leon, no fim virou um dos netos de Mira, Ariana e Cristus.
─Bom meninos, eu vou indo, quero buscar umas frutas no mercado e levar o Luka para o futebol.
Cristus nos deixa, Mira some por um momento e acabamos os dois comendo sozinhos na cozinha.
─Está bem?
─Sim. Achei que se te visse no almoço... Pensou o mesmo? – Ele me pergunta e afirmo, balanço o celular. – Precisamos usar mais isso.
─Pode me encontrar na praia do tio Leon? – Ele me pede e meu coração salta.
─Posso.
─Vou na frente. Com esse calor ninguém vai até lá.
─Meia hora e chego. – Ele se levanta. Está triste, que amor é esse que o faz sofrer? Sinto um nó na garganta.
─Tchau.
Termino de comer pensativa, o que ele quer? Dizer que nunca mais vai acontecer? Nem sei o quanto ouvir isso vai doer, mas se vai fazê-lo se sentir melhor então eu aguento o tranco.
Lavo os pratos com Mira resmungando que estou atrapalhando seu trabalho, ela odeia que a gente mexa em suas coisas, só tia Lissa pode ajudar no que quiser. Beijo sua bochecha depois de secar a mão.
─Chata.
Sigo pelos fundos, desço pelas pedras, o caminho é meio difícil, mas já desci isso mil vezes. A tenda está lá, como sempre fica, pronta para meus tios, só agora entendo o que eles tanto fazem aqui. É bem estranho pensar neles assim.
Josh está sentado em uma das pedras, os pés na água. Os olhos perdidos no horizonte, nem me percebe chegando. O dia está infernal de quente. Olho em direção a mansão, as pedras encobrem a visão, acho que por isso meus tios adoram esse lugar, é completamente escondido.
─Josh. – Ele se sobressalta. Me vê e dá um meio sorriso. Que rosto lindo.
─Me arrependi, está muito quente. – Ele tira o boné do seu time de futebol e coloca em minha cabeça. Sinto a água fria nos pés e o calor diminui. Josh molha a pedra fazendo uma concha com a mão, depois me estende a mão úmida e me ajuda a sentar ao seu lado.
As mãos continuam unidas, o dia está mesmo quente. Podia prender o cabelo, mas não quero separar a minha mão da dela para isso e prefiro derreter mesmo.
─Fiquei preocupado Lizzie, nem dormi direito.
─Estou bem. Custei a pegar no sono, Josh eu não me arrependo. – Ele me olha, é tão bonito e agora parece quase feliz.
─Nem eu, mas acho que devia, só não consigo achar um jeito de me arrepender.
─Só que aqui com todas essas pessoas a nossa volta, acho que foi meio irresponsável.
─Meio? Está sendo modesta, se alguém nos vê eu nem sei como me sentiria. – Ele me diz e concordo. – Mesmo assim quando acordei tudo que mais queria era ver você, então fiz exatamente o oposto, saí cedo e passei a manhã fora fiz questão de voltar depois do almoço.
─E eu fiquei em casa brincando com meus irmãos e no fim terminamos almoçando juntos. – Acabamos por rir.
─Acho que depois da noite de ontem fica tudo mais difícil, estava adormecido e despertamos tudo.
Paro de olhar para ele e começo a encarar meus pés, brinco com a agua empurrando e assistindo as gotas subirem e brilhar antes de se fundir de volta ao oceano. Não quero ficar olhando em seus olhos na hora que vai me dizer para colocar um fim em tudo.
─Quer sair comigo? – Meu espanto é evidente quando meus olhos encontram os dele. – Acha absurdo? Tudo bem eu...
─Não! Eu quero, só não esperava pelo convite. Você está falando de um encontro?
─Estou. Se decidirmos enfrentar isso, se decidirmos esquecer ou tentar esquecer, eu quero ao menos me lembrar que um dia eu te apanhei em casa, levei para jantar, sei lá, passear pela cidade de mãos dadas. Imaginei isso mil vezes.
O cenário é perfeito e me faz sorrir. Josh usa a mão livre para colocar meus cabelos atrás da orelha.
─Mãos dadas na Times Square?
─Não Lizzie, isso é coisa de turista.
─Tem que ter um momento naquela ponte do Central Park.
─Tudo bem. – Eu sinto meu coração saltar, como ontem, nunca na vida tinha sentido nada parecido. — Até lá acho que a gente precisa se evitar um pouco.
─Acho que sim. – Não consigo mais parar de olhar para ele e a sua mão toca meu rosto, ele se aproxima mais. – É não ficarmos nos olhando muito.
Ele chega mais perto.
─Nem conversando. – Agora eu me aproximo mais.
─Você passa um tempo com seus irmãos.
─Você com os seus. – Agora minha boca está a poucos centímetros da dele.
─Nada mais de beijos.
─Nem mãos dadas. – Afirmo e então ele me beija, um longo beijo, só então minha mão solta da dele para subir para seu ombro e a dele me toca a cintura, o beijo fica profundo, longo e minha respiração se altera.
Nos afastamos. Vou sair com Josh, eu e ele num encontro. Nem sei que loucura é essa, mas me sinto flutuando como a nuvem que ele disse que sou.
─Está de biquíni? – Afirmo. – Então vem. Se estamos no inferno vamos queimar.
Ele tira a camisa e deixa sobre a pedra, tiro o vestido e o boné. Vamos caminhando de mãos dadas uns metros até que conseguimos mergulhar e então nado para o lado mais fundo.
Josh me persegue na água, fujo dele como quando brincávamos de tubarão na infância. Ele logo me alcança. Me puxa pela cintura e meu corpo cola no dele, sinto sua pele de encontro a minha quando seus lábios cobrem os meus em mais um beijo.
─Pensei nisso muitas vezes, na piscina, no mar, toda vez que ficamos juntos na água eu pensava em te puxar e beijar.
─Lembra quando cai do iate? – Ele afirma.
─Os quatro Stefanos pais saltaram quase junto para te salvar.
─Eu estava te olhando brincar com a July, me distrai e cai.
─Fiquei tão assustado, então a culpa foi minha? – Ele ri, afirmo e nos beijamos, meu coração parece que não se acostuma. Adoro seus beijos, é tão diferente de todos os beijos que já dei na vida, que não foram muitos, mas mesmo assim sempre foi diferente.
─Nem foi nada demais, não me afoguei nem nada, sempre nadei bem. Eles é que fizeram o maior drama.
─O tio Ulisses teve um ataque de riso, ele não fez drama.
─Ele não conta. Acha que ele nos entenderia Josh?
Ele suspira, é bom sentir seu corpo assim tão perto do meu, me dá medo também, nunca fiquei assim tão perto com ninguém, nem mesmo John quando namoramos por um mês, não passou de beijos e nem eram grande coisa.
─Não sei. Que acha de não pensarmos em nada por enquanto? Só deixar tudo para quando voltarmos para casa.
─É bom, assim isso tudo não fica apertando meu peito.
─Temos que voltar, daqui a pouco tem a Interpol atrás de nós.
─Parece que eles estão acostumados a ajudar os Stefanos. – Josh me beija mais uma vez, não passa disso, ele nunca vai passar disso a menos que a gente decida enfrentar tudo, de todo modo os beijos já me seriam o bastante para sempre.
Depois do beijo e um sorriso cumplice nadamos de volta. Coloco o vestido, os cabelos molhados pingam pelo corpo já quente por conta do sol escaldante.
─Vai. Está calor. – Afirmo, devolvo seu boné, beijo seus lábios como se tivesse esse direito, como se fossemos namorados se despedindo, depois corro de volta para casa.
Não sorrir dia e noite se torna uma grande luta pessoal, não ficamos mais sozinhos nenhuma vez durante toda semana, sabemos que não é mais possível ficarmos sozinhos sem acabar em perigosos beijos.
Na noite anterior a nossa partida meus pais me chamam para conversar quando meus irmãos vão para cama, me sento em nossa sala com o coração batendo loucamente, eu sabia que não conseguiria guardar segredo.
Fico pensando no que vou dizer para me defender. Torço os dedos nervosa.
─Está nervosa Lizzie? – Minha mãe pergunta e parece tão tranquila que começo a ter dúvidas sobre do que se trata a conversa.
─Não. – Coloco as mãos debaixo das coxas para não torce-las mais. – Aconteceu alguma coisa?
─Acho que não. Aconteceu? – Olivia Stefanos é tudo, menos burra e me conhece bem demais, evito seu olhar o que é um erro por que isso só vai deixa-la mais desconfiada.
─Claro que não, só achei estranho esperarem as crianças dormirem para conversar.
─Filha, sua vida nova começa amanhã, só queríamos conversar um pouco. – Meu pai diz e me sinto bem idiota. Sorrio mais tranquila. – Está mesmo decidida?
─Desde sempre pai. É isso que quero.
─Pode trabalhar em Londres. Sempre viveu em Londres, vai se acostumar a viver em Nova York?
─Claro papai.
─Lizzie uma moça sozinha... Sabe os rapazes.. Você é inocente, fico pensando se não vai se meter em encrenca.
─Papai. Tenho vinte e dois anos.
─Uma menina. Eu quero que encontre o amor quando for mais velha, eu e sua mãe somos felizes e claro que quero isso para você, mas é jovem e a juventude é inconsequente, eu não sei se por conta disso não pode acabar em uma encrenca.
─Sei me cuidar papai. – Aquilo é mesmo difícil.
─Somos gregos Lizzie, eu sei que as meninas da sua idade, ao menos boa parte delas já tem uma vida...
─Mãe diz para ele que já falou comigo sobre isso! – Me apresso, definitivamente não quero ter essa conversa com ele.
─Heitor combinamos de não constrange-la. – Minha mãe o alerta.
─Desculpe. Só quero que saiba que pode conversar comigo sobre qualquer coisa.
Olho para ele sem acreditar muito, aprendi com o tempo que ele é ciumento não só com minha mãe, eu nem pude contar sobre o John, tive medo dele se mudar para Harvard.
─Eu sei. – Minto descaradamente.
─Que bom. Eu e sua mãe temos conversado. Pensamos em morar em definitivo em Nova York. Se decidir ficar por lá.
─Vão deixar Londres? – Gregos e seu apego aos filhos.
─Quando fui para Londres representar a empresa eram um tempo diferente, as coisas eram mais difíceis. – Ele começa a se explicar. – Agora tudo é tão mais fácil. Posso me reunir com os chineses numa conferencia sem ter que ir a China. – Ele olha para minha mãe que tem a sobrancelha erguida. – Ou a mamãe pode na verdade, eu não falo chinês, eu nem sei como falo inglês e grego, não sou bom como vocês duas.
─O fato filha é que Mark quer deixar a Itália, e se tudo der certo ele pode ficar em Londres, seu pai ainda pode coordenar tudo mesmo estando em Nova York.
─Isso é por mim? – Pergunto um tanto surpresa.
─Também, mas é por todos nós, poder ficar mais perto dos meus irmãos, Leon nunca vai deixar a ilha, mas ao menos Nick e Ulisses, seria bom, eu sempre fui o mais afastado.
─E os meninos, Harry, Emma e Daniel, eles sabem?
─Não, filha não está decidido, é algo que só conversei com a sua mãe. – Meu pai me comunica.
─E não estamos falando em morar com você Lizzie. – Minha mãe esclarece. – Aquele apartamento é seu, se formos não queremos morar no centro, queremos um bairro próximo, residencial, uma casa grande com jardim como gostamos.
─Querem minha opinião? – Não sei bem o que eles buscam.
─Sim. – Meu pai avisa. – É bem radical, uma mudança completa, então queremos saber o que acha.
─Adoraria ter vocês por perto, os tios também, eu nunca entendi bem porque foi viver em Londres, quando o tio Leon já está na Europa.
─Ele ainda estava em Nova York quando me mudei, só depois veio para a ilha. Além disso que outro jeito eu teria você e a mamãe? – Meu pai sorri e eu o abraço.
─Vou ter um quarto para os fins de semana?
─Vai. E prometemos que se formos ainda vai ter sua independência, não vamos para o apartamento para mais do que um jantar quando formos convidados, mas precisa saber que meu irmão mora em cima e lá eu vou quando bem quiser.
─Muito esperto papai! – Gosto da ideia, seria bom para as crianças ficarem perto dos primos, bom para os três irmãos, e o tio Leon agora vai tanto a Nova York.
─O que acha?
─Que deviam fazer isso, se meus irmãos não forem sofrer muito em deixar toda a vida que eles já têm em Londres.
─Eles vão ser ouvidos, prometemos.
─Isso é bom. Obrigada papai, por me dar chance de opinar, mas só quero que faça o que for melhor para vocês.
─O melhor para nós é não ter um oceano nos separando de nenhum dos nossos filhos, já tivemos cinco anos disso, perdi o sono muitas vezes pensando que se algo te acontecesse eu demoraria horas a chegar.
Abraço minha mãe, sei que foi difícil para eles. Depender dos tios e tias para me socorrer se algo desse errado, ficando as vezes meses sem me ver.
─Não fosse seu primo estar perto nem sei como seria. É que Josh é um bom garoto e sempre esteve com você. – Meu pai diz e afirmo, desvio meus olhos, é só tocar em seu nome que já fico tensa. Odeio mentir.
─Vamos voltar a falar nisso. – Minha mãe comenta. – Mas agora podemos dormir, amanhã todo mundo viaja cedo.
─Eu vou mesmo. – Fico de pé, beijo meu pai e depois minha mãe. – Boa noite. Amo vocês.
─AH! Falei com o Nick, o jato ainda é dos dois, vão precisar e o tio Nick já divide um com seu tio Ulisses.
─Obrigada papai. – Volto até ele e beijo seu rosto mais uma vez.
─Vocês merecem, a gente não sabia muito como presenteá-los pelo que conquistaram, então acho que é um bom jeito, espero que aproveitem para passear também.
─Também espero papai. Boa noite.
Já temos um jato, podemos fugir nele. A ideia me faz sorrir. Me fecho em meu quarto, foi uma longa semana. Será que nosso encontro será assim que chegarmos? Nunca fiquei tão ansiosa em toda minha vida.
─O que acha disso Aquiles? Eu vou ter um encontro.
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