Paixão azeda
2 Confusão mental

Havia se passado três dias desde que Sanji começou a agir estranho. Ele não chamava mais o Zoro daquele jeito e tratava os outros rapazes como costumavam se tratar comumente, porém alguns hábitos mudaram no cozinheiro: para começar ele só brigava com as mãos e não usava mais os pés, e também não ficava mais enchendo as garotas como antes.
Estava amanhecendo e os Mugiwaras se levantando. Luffy correu até a cama do Sanji, como de costume, e começou a cutucá-lo na bochecha afim de acordá-lo.
– Ei, Sanji! Sanji! Comida!
– Luffy-san... — diz acordando — É você?
– Ei Sanji! Eu to com fome! Levanta logo!
O cozinheiro levantava-se da cama, feliz, pois seu amado capitão estava sorrindo para ele logo de manhã.
– Luffy-swan! Eu vou fazer pra você o maior omelete de carne que já se viu nos mares! — Diz Sanji com seus olhos em formato de coração.
– O maior... omelete... de CARNE?! — Exclamava o capitão — Parece deliciosooo! Faça Sanji! Kishishishi.
– É pra já! — Levantou-se da cama e foi até a cozinha preparar a omelete sorrindo e correndo.
– Bom dia, Sanji! — Dizia Usopp e Franky.
– Bom dia, Usopp-kun! Franky Aniki¹!
– Ouo Sanjiiiii! É a SUPEEEER primeira vez que você me chama de Aniki! — Exclamava Franky — Isso foi meio hentai. [Nota: Franky faz um trocadilho com a palavra hentai que siginifica "pervertido" ou "estranho"]
Essa não... o Sanji está daquele jeito de novo? – Pensou Usopp — Isso pode ser interessante... hihihihi.
– Ei, Sanji-kun! — Dizia Usopp
– Diga, Usopp-kun, quer que eu faça algo por você?
– Não precisa! Aliás, o Zoro-san pediu para que você desse um pulo lá no Ninho do Corvo pois ele queria falar com você!
Sanji interrompeu o que estava fazendo no mesmo momento e saiu correndo da cozinha gritando.
– Zoro-chwaaaaaaaaaaaaaaaaan! O meu amado Zoro-chwaaaaaaaaaaaaaan está precisando de mim?!
– Au! Usopp, isso foi SUPEEEER cruel!
– Hihihi — Ria Usopp.
Zoro estava treinando no Ninho como sempre. Queria ficar mais forte, ainda achava-se fraco demais. Precisava de mais poder. Sanji estava espiando na janela, olhando o corpo do espadachim de costas, todo forte e suado. Aquela visão dos deuses!
Sua diversão acaba quando Zoro percebe que o loiro está ali, encarando-o como Luffy encara um belo pedaço de carne.
– QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO, SOBRANCELHUDO!?
O Sunny inteiro ouviu Zoro gritando. Usopp, Franky e Chopper riam sem parar. Luffy queria saber onde Sanji estava com a sua omelete não-terminada.
– Hã? Quem você pensa que é pra gritar comigo desse jeito, Marimo? — O grito do Zoro fez Sanji recobrar sua consciência e entrar no Ninho do Corvo.
– Você estava me fitando enquanto eu malhava! Isso foi nojento! — Dizia o espadachim com raiva.
– De que merda você tá faland -- A fala de Sanji foi interrompida. O loiro ficou paralizado, não conseguindo fazer nenhum movimento, inclusive falar alguma coisa.
– Cook? — Disse Zoro, estranhando o outro ficar paralizado de repente.
– Zoro-chan... por que você sempre grita comigo desse jeito? — Sanji voltou com suas estranhices.
– Oi, oi! Essa merda de "-chan" de novo não! Eu não quero você chorando de novo, cozinheiro idiota.
Sanji se aproxima de Zoro, encarando-o. Ambos tinham a mesma altura, então o loiro podia admirar seu olhar. Sua mão esquerda foi subindo até o rosto de Zoro, que estava achando aquilo muito estranho e tentou se afastar, mas o cozinheiro o seguia, até que ficaram contra a parede.
– Zoro-chan... Eu...
– O que você quer, cozinheiro? — Dizia Zoro, corado, mas mantendo seu orgulho e voz firmes.
Sanji desmaiou no peito do espadachim.
~ X ~
Zoro havia levado Sanji até Chopper para que ele pudesse examiná-lo, Chopper disse que o cozinheiro estava com febre e pediu para ele repousar enquanto ele procurava por alguma coisa.
Sanji acordou atordoado, não sabia direito onde estava. Chopper entrou no quarto.
– Oh, Sanji! Você acordou!
– Chopper... o que houve? Eu nem me lembro de ter acordado hoje de manhã.
– Sanji, eu preciso te perguntar uma coisa. — O médico interrompe mostrando a Sanji umas plantas. — Eu vi isso na cozinha, enquanto procurava o motivo de você agir estranho.
– Oh sim, é o tempero que uma senhora me deu na ilha que desembarcamos. É azedo demais, por isso não usei com vocês.
– Ainda bem que não! — Exclama Chopper — Isso não é um tempero, é uma planta amaldiçoada.
– Amaldiçoada? Como assim? Essas coisas existem mesmo?
– Sim... eu conheço pois a Doctorine usava uma parecida para ficar mais jovem. Sanji, essa é a "Inverted personam" que em Latim quer dizer "Personalidade invertida". Quem a consome tem a sua personalidade oposta à que era antes. Isso explica o motivo de você agir assim.
– Espera aí, então eu comi uma planta mágica que vai me fazer agir como gay pro resto da vida? Ei, Chopper, me diz que isso tem cura!
– Não tem cura pois não é doença. É magia. Eu não sei lidar com isso, eu sou médico! — Diz. — Mas Sanji, nem tudo está perdido. A magia ainda não está completa... a prova disso é que você está falando comigo agora com a sua verdadeira personalidade. Quando a magia se completar, isso nunca mais vai acontecer e você vai ficar daquele jeito pra sempre.
– Isso não pode ser! Eu não aceito isso! — Exclama Sanji. — Não tem algum jeito?
– Eu vou te ajudar! Eu vou aprender o máximo sobre magia e feitiçaria. Por sorte temos alguns livros no Sunny-Go sobre isso. Tenha paciência e seja forte, Sanji!
– Awn, Tony-kun! Você é tão fofo e inteligente! Nya! ~
– Essa não, o Sanji pirou de novo! — Chopper grita com os olhos saltando, enquanto Sanji o abraçava forte.
– Eu poderia te abraçar o dia inteiro. Tony-kun! Mas eu preciso ir... meu capitão-swan está me esperando para alimentá-lo! Eu acabei não terminando a omelete antes.
Sanji foi até o Deck, procurando por Luffy com uma bandeira cheia de carne na mão.
–Luffy-swaaaan! Onde você está?! ~
– Oh, Sanji! E... CARNE! Eu tô aqui! — Luffy estava na cabeça do Sunny-Go, seu lugar preferido, olhando o mar. Sanji foi até ele e sentou ao seu lado.
– Hai, Luffy-san! Coma à vontade!
– Xanxi, bosê dá esturanho di nobo! Kishishishi — Luffy falava enquanto mastigava.
– Luffy-san, você fica tão lindo enquanto come!
– Xério? — Engole. A Hancock me dizia a mesma coisa!
– H-Hancock?! Quem é essa maldita, Luffy?
– É a minha amiga ué! — Diz Luffy sem preocupação, enquanto o loiro se mordia de ciúmes.
"Eu não posso deixar aquilo me incomodar tanto... e além disso é o Luffy! Ele é inocente, aposto que eles não passam de amigos mesmo. Ainda bem..."
– Ei, Luffy... — Diz Sanji olhando para seu amado capitão, sorrindo feliz. — Tem um pedaço de carne no canto da sua boca.
Sanji se aproxima do capitão, o olhando nos olhos bem próximo.
– Sério? Onde?
– Bem aqui... — Sanji inclina-se tirando a comida presa no rosto do Luffy, que fica corado com aquela aproximação repentina, apesar de não entender muito bem. Vendo seu amado daquele jeito, Sanji sela seus lábios nos de Luffy, dando beijo com as bocas fechadas, já que aquela parecia ser a primeira vez do Mugiwara. Luffy parecia não entender o que era aquilo, mas devagar foi fechando seus olhos, sentindo apenas o gosto dos lábios do cozinheiro.
– S-Sanji?
– Você certamente é mais fofo que o Zoro-chan, capitão.
O cozinheiro sorriu para Luffy que não entendia muito bem o que havia acontecido ali e voltou para o seu santuário para preparar o almoço dos outros rapazes. A cozinha estava vazia, todos os outros estavam ocupados brincando no convés. Nami e Robin estavam no quarto das garotas, conversando.
Zoro entrou na cozinha em busca de sakê, torcendo para que o outro não estivesse lá, porém sua expectativa falhou.
– Ah... você está aqui. — Zoro disse com raiva pelo que havia acontecido de manhã.
Sanji fingiu não se importar e foi até o espadachim trazendo uma bandeja com doces e sakê.
– Eu fiz algumas sobremesas para você descansar do seu treino. — Disse com um aspecto meio triste — Aqui. Espero que goste.
– O-Obrigado... — Zoro disse sentindo-se meio culpado pelo fora que havia dado nele.
– Ei... nós podemos conversar um pouco?
Sanji afastou as cadeiras para que pudessem sentar à mesa e conversarem. Zoro cedeu e escutou o cozinheiro enquanto comia os doces. Sanji disse tudo o que Chopper havia lhe dito sobre as tais "plantas mágicas"
– Então isso explica você estar tão estranho esses dias. — Dizia o espadachim — E então, o que faremos? Voltamos à ilha e procuramos a vovó?
– NÃO! EU NÃO QUERO VOLTAR — O loiro gritou, como se estivesse com medo daquilo. — É que... se eu voltar agora, eu vou voltar a odiar o Zoro-chan...
– Oi, oi! Pare com isso, cozinheiro idiota. — Dizia Zoro um pouco corado, mas não querendo transparecer — Nós dois brigávamos sim, mas nós estávamos acostumados com isso! Era nosso jeito de demonstrar a amizade.
– Isso é diferente! — Sanji interrompe levantando-se da cadeira e indo em direção ao espadachim, que permanecia sentando — Eu estive apaixonado por você por muito tempo, desde que nos conhecemos no Baratie, mas eu nunca tive oportunidade de falar!
– Do que diab--
Sanji interrompeu, sentando no colo de Zoro e olhando para ele de forma fixa, cara-a-cara.
– Zoro, eu te amo! — Exclama o loiro dando um beijo no espadachim que estava em choque, totalmente sem reação.
No começo do beijo Zoro não estava se sentindo nenhum pouco confortável com a situação, ao contrário de Sanji que queria sentir os lábios de seu amado. Sanji pediu espaço para um beijo de língua e Zoro demorou um pouco, mas acabou cedendo ao pedido do cozinheiro, que mexia em seu colo.
O jovem de cabelos verdes começou a abraçar Sanji pelas costas, passando sua mão por baixo da camisa do parceiro, que soltava leves gemidos. Ambos tiveram que interromper o beijo para buscarem por ar.
– Ero-cook... não vai se acostumando com isso, hein. — Disse Zoro ofegante.
– H-Hai...
Zoro levou Sanji no colo até o quarto dos rapazes, trancando a porta para ninguém entrar e jogou o loiro na cama, dando beijos e mordiscadas em seu pescoço, fazendo-o gemer.
~ X ~
Sanji P.O.V
"O que eu estou fazendo aqui? Será que eu desmaiei de novo? ...
Eu lembro de estar conversando com o Chopper sobre umas tais "plantas mágicas" e depois não me lebro de mais nada! Aliás... — Sanji olha para baixo - Porque eu estou pelado? E porque essa cama parece tão... quente?
Sanji P.O.V OFF
– Ei, cook... para de se mexer um pouco — Diz Roronoa tentando acordar, ainda meio zonzo.
– MA-MA-MARIMO?! QUE MERDA É ESSA? PORQUE DIABOS VOCÊ ESTÁ PELADO DO MEU LADO? O QUE SIGNIFICA ISSO?!
Sanji gritou desesperado, dando o soco mais forte que conseguia em Zoro. Todos do bando ouviram seu grito e foram correndo em direção ao quarto. Luffy arrombou a porta.
– Ei, o que está acontecendo aq-- Luffy interrompeu a sua fala, todos da tripulação estavam totalmente em choque. — Ei, Usopp... por que o Zoro e o Sanji estão pelados na cama?
– Baka! Não vê que eles estão em um momento SUUUPEEEEEER hentai? — Respondia Franky.
– Sanji-san, Zoro-san, vocês formam um casal lindo! Yohohoho.
– Verdade, né. — Robin ri.
– Casal? Como assim? — Indaga Luffy.
– Ei, Luffy, acho que eles estão meio ocupados... não é melhor nós sairmos? — Dizia Usopp.
– Ei, ei, seu inúteis! Que casal o quê, olhem só como falam! — Resmungava Sanji, sem entender o que acontecia — Esse Marimo de merda deve ter se aproveitado de mim enquanto eu estava desmaiado! Não tem nenhuma chance de eu ter feito alguma coisa com ele!
– Você diz isso agora... mas foi você quem me arrastou pra cá. — Dizia Zoro sem se importar muito, apesar de ter sido ele quem arrastou o loiro.
– Ei, gente, eu preciso contar uma coisa a vocês — interrompe Chopper — é melhor irmos pra cozinha, deixem os dois se resolvendo.
O resto da tripulação concordou com o médico e foram para a cozinha. Sanji tirou um cigarro do seu bolso, tragando-o.
– Então, você vai me contar o que houve aqui ou prefere que eu te mate antes de descobrir?
– Oi, não vai colocando a culpa em mim desse jeito! Eu também não estava confortável com isso de começo. Eu já te disse, foi você quem me arrastou pra cá, deve ter sido obra daquela tal planta.
Sanji ficou sem saber o que falar, com aparência triste e preocupada. Zoro tentou quebrar o clima.
– Ei, não precisa ficar assim. Eu já te disse antes e vou dizer de novo: foi a primeira e a última vez.
– Você promete? — Disse o loiro.
– Sim, prometo. — Roronoa levantou-se colocando uma roupa e se dirigiu até a porta do quarto. — Então, não vai vir? Acho que devemos explicações lá na cozinha.
– Que seja, vai na frente, daqui a pouco eu vou.
Zoro fez o que o outro havia lhe pedido e foi se encontrar com o bando na cozinha. Sanji se arrumava, ainda chocado com o que havia acontecido ali.
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