Paixão azeda
11 Conclusões Precipitadas

Kuji estava no quintal de sua casa, tirando uma folga do trabalho para pensar na vida. Ele estava sentado, apreciando a vista do lado de fora, fumando um cigarro. Era começo de tarde, o sol estava bem forte e tinham muitas nuvens no céu.
– Não sabia que você tinha o costume de fumar, Kuji-ya.
Trafalgar Law surge no meio do nada, assustando o cozinheiro e parando em sua frente.
– Law-kun, o que você faz aqui? Eu pensei que vocês tinham sido expulsos da ilha.
– Eles foram, eu não tenho nada a ver com os Mugiwaras. Bom, pelo menos não tinha nada a ver antes da briguinha de vocês.
– Que seja... eu geralmente não fumo, mas há situações que pedem por isso, né? E além disso, o corpo do Sanji-san está acostumado com isso.
– Mas essa sua cara, você está preocupado com o quê, exatamente? Tudo o que você queria está se tornando realidade, né?
– Bom, não é tanto assim. Eu nunca quis que o Luffy-san nem o Zoro-chan ficassem machucados e também não queria parar de vê-los pra sempre, pelo contrário...
– "Pelo contrário"?
– Eu queria ficar com o Zoro-chan pra sempre! Queria ficar com todos eles no Sunny! Principalmente depois do que o Zoro-chan me disse no navio.
Kuji revela que queria ter ficado no navio como estavam antes de tudo isso acontecer, fazendo Law ficar confuso.
– Hã? Então para de ficar fazendo doce e volta logo pra tripulação! Eles estão todos tristes por causa do Sanji e eu tenho que ficar aturando aquilo. É irritante.
– E desde quando isso se tornou problema seu? Se você quiser pode simplesmente voltar pra sua ilha, né? Se você quiser seu Log Pose ele está no meu quarto.
– Agora é problema meu, eu entrei pro bando depois que o Luffy me pediu.
– Sério? Ah que lega... ei, espera aí! Você se aproveitou da minha ausência pra por suas mãos sujas e pervertidas no MEU Luffy-san, maldito?!
Kuji se levantou, pegando Law pela camisa como se estivesse querendo matá-lo por ter tirado a inocência do Luffy.
– A sua presença nunca me impediu de tocar no Luffy-ya. E larga a minha camisa!
– Como você se atreve?!
Kuji começou a bater de frente com Law, com ciúmes do Luffy, até que ele tropeçou e acabou caindo com o Shichibukai por cima dele, fazendo com que seus rostos ficassem bem próximos. Law se afastou e saiu daquela posição antes que alguma coisa estranha acontecesse.
– Ei, para com isso! Tsc... você dá muito trabalho. — Law tinha ficado com raiva.
– Vocês é que são irritantes demais! Eu já disse que vou ficar aqui, você não vai me impedir.
– Então me deixe pelo menos conversar com você como pessoas civilizadas! Kuji-ya, se você se importa pelo menos um pouco com os sentimentos do Zoro, do Luffy e do resto da tripulação você precisa dar um bom motivo para abandoná-los! Você não percebe pelo que eles estão passando agora que o Sanji não está mais lá?! Ou você não liga?
Law gritou com Kuji, fazendo ele ficar sem saber o que dizer. No momento ele tinha vontade de chorar, é claro que ele se importava com os amigos, ele nunca pensou que chegaria a este ponto.
– É claro que eu me importo, Law-kun. Eu deveria ter pensado bem antes de deixá-los daquela maneira... eu sei que eu fui egoísta. Eu fui egoísta e ainda estou sendo. Talvez você e os outros tenham razão, talvez... eu devesse mesmo deixar tudo como era antes.
– Então você finalmente vai voltar?
– Não!
– Tá brincando, né? Você tem algum motivo pra ainda ficar aqui?! Não vai me dizer que são aqueles garotos, é meio óbvio que você só está usando eles como substitutos do Luffy e do Zoro. Um menino irritante e um cara que usa espadas, não podia ser menos óbvio?
– Ei, Law-kun, eu preciso de tempo pra pensar em algumas coisas, não é tão fácil assim entregar a sua vida. Mas obrigado por ter aparecido, você me ajudou bastante.
– Que seja, mas pense rápido. Nós vamos embora dessa ilha amanhã de manhã.
~ X ~
Enquanto isso, na Montanha.
Koutarou P.O.V
– Caramba, não acredito nisso! O Kuji tá realmente pensando em abandonar a gente, Momo!!
– Não é educado ouvir a conversa dos outros, Koutarou-dono.
Momo e eu estávamos na pausa do treinamento. Eu tinha um aparelho que me permitia ouvir conversas à longa distância e estava usando para ouvir Kuji com aquele homem sinistro.
– Isso é pra proteção! E se aquele cara fizer algo de ruim com o Kuji?!
– Trafalgar-dono é uma pessoa assustadora, mas ele não é perigoso. E você estava querendo bisbilhotar a conversa deles que eu sei!
– Tá, que seja! Mas você ouviu o que eles disseram, né? É óbvio que o Kuji vai arregar! Ficou meio óbvio quando ele bateu na gente lá no navio, ele começou a perder a vontade de ter uma vida e deixou o Sanji agir. E mesmo depois da gente ter ganho o duelo! O que vamos fazer?!
– Nada.
– "Nada"?
– Nada, ué. Se o Kuji-dono quiser voltar para os seus amigos, o que nós podemos fazer? Ele tem todo esse direito.
– Eh?! Claro que não! Ele é nosso amigo agora, eles que se virem!
– Ei, Koutarou-dono, eles conhecem o Sanji-dono há anos, nós conhecemos o Kuji-dono há duas semanas. E eu sei muito bem que você só quer ele por causa dos doces, você é tão egoísta...
– M-Mas e você?! Se ele for embora você vai passar a morar sozinho nessa droga de floresta e vai começar com aquela "dieta maluca de trinta dias" de novo!
– Eu moro nessa floresta há dez anos, Koutarou-dono, não tenho do que reclamar. Eu só fui morar com ele porque ele insistiu, nada além disso. Admita, você só quer o Kuji-dono pra satisfazer às suas vontades alimentícias. Isso é egoísmo demais até pra você, estou decepcionado.
Droga... ele me dava tanta raiva! Qual é o problema de querer que um amigo fique com você? Não é só por causa de doce! Apesar dele ser muito melhor que qualquer cozinheiro nesta ilha.
– Se você acha isso então porque lutou junto comigo? Não era mais fácil ter entregue o Kuji na primeira vez?
– É diferente. Antes ele queria ficar, agora ele quer ir com os amigos. A gente não pode prender ele aqui pra sempre, Koutarou-dono!
– Então não vamos fazer nada?
– Foi o que eu disse, né? Mas não fique triste, nós veremos ele de novo quando formos navegar pelos mares juntos.
– E-Espera, "juntos"? Então você finalmente vai aceitar meu convite?!
Eu sempre tive vontade de sair dessa ilha e ver o que tinha pelos mares, mas não como pirata ou marinheiro. Eu odeio piratas pois foram eles que mataram o meu pai, e o pai de Momo morreu ao impedir que o ele fosse atingido por um ataque pirata. Eu sempre disse a ele que iria sair como navegado, desenhar mapas e explorar ilhas por aí, mas Momo sempre recusava quando eu o convidava para ir comigo. Ele disse que tinha que ficar no país dele.
– Eu vou com você desde que você não faça nada para impedir o Kuji-dono. Ah, mas o nosso primeiro destino vai ter que ser o país Wano, combinado?!
– Momooooo!!
Pulei em cima dele, fazendo ele cair deitado comigo por cima. Eu estava tão feliz pelo Momo ter aceitado vir comigo que nem me importava mais com o Kuji! Antes que eu pudesse perceber, meus lábios se encostaram nos de Momo e nós dois nos beijamos.
– D-Desculpe, eu... é... foi sem querer! — Me afastei de Momo. Que merda, acabei não percebendo o que estava fazendo e me distraí!
– Koutarou... é a primeira vez que você me beija. — Momo ainda estava deitado, com um sorriso nos lábios. — Obrigado!
– I-Idiota! Pare de falar essas coisas estranhas, foi só um acidente.
Momo me puxou pelo braço, fazendo-me cair em cima dele novamente, me abraçando e me beijando. Ele me envolveu com suas mãos de um jeito que eu não pudesse escapar do beijo dessa vez.
Mas o beijo de agora foi diferente dos selinhos que ele me dava antes. Dessa vez foi mais profundo, ele começou a fazer carinhos nos meus cabelos enquanto passava sua língua por dentro da minha boca. No começo eu achei um pouco estranho, mas... de algum jeito aquilo era bom. O Momo era carinhoso comigo, sempre foi. Ele me soltou para pegarmos ar, e eu rolei ficando do lado dele, deitado em seu braço.
– Eu esperei tanto tempo pra poder fazer isso, Koutarou, estou tão feliz...!
– Você me chamando pelo nome? Nem dá pra te reconhecer, Momo.
– Koutarou... ano que vem, quando você completar 20 anos e se tornar um feiticeiro como sua mãe e seu pai e nós formos pra minha ilha... você quer ser a minha esposa?
– Hãa?! Para de falar coisas estranhas! Eu sou homem, como eu posso ser a sua esposa?!
– Bom, na minha cultura nós não temos uma palavra específica pra quando dois homens se casam...
– Que tal simplesmente "dois maridos"?
– Então você vai ser meu marido, Koutarou?! Aaah que feliz!
– E-ei, eu não disse isso...
Ele caiu em cima de mim, nós dois começamos a rolar pelo chão da montanha. Eu nunca tinha visto o Momo daquele jeito, aliás eu nem me lembro qual foi o motivo da gente ter começado a conversa...
– Eu te amo, Koutarou! Eu vou com você pra todos os lugares do mundo!
– Momo...
~ X ~
Enquanto isso, no Sunny Go...
Luffy e Zoro estavam na cabeça do Sunny, onde era o lugar preferido do Luffy, olhando o vento batendo nas ondas e pensando na situação atual.
– Já faz um tempo que o Torao saiu daqui. Será que ele conseguiu?
– ... Ei, Luffy.
– O que é, Zoro?
– Se o Sanji não voltar até nós sairmos amanhã eu não sei se eu vou conseguir continuar...
– Ei, Zoro! Não diz isso! Eu não vou aguentar te perder também!
– Calma, Luffy, eu não pretendo deixar esse bando tão cedo... eu só não sei se eu vou ter forças para lutar como eu lutava antes, sabe? Não sem o Sanji.
Zoro olhava para o horizonte, realmente ele estava diferente do que era antes. Agora ele não tinha mais seus cochilos diários e nem se divertia tomando sakê junto com seus nakamas, tudo o que ele conseguia fazer é pensar. Pensar no que havia acontecido, pensar em como pôde ter perdido seu companheiro depois de perceber que o amava.
– Eu entendo, Zoro... eu fico feliz pelo Torao ter entrado, mas só de imaginar ter que navegar sem um dos nossos nakamas... isso dói.
– Dói, né? E eu me sinto culpado também. Se eu fosse mais forte não teria perdido tão facilmente pr'aquele samurai do fogo.
– Aquele garoto usava água do mar, eu acabei me descuidando... eu perdi o Sanji tão facilmente, será que eu não sou capaz de proteger vocês?! Que tipo de capitão sou eu?
Luffy começou a derramar algumas lágrimas, pensando em Sanji, sentindo-se culpado.
– Não fala assim, capitão, não foi sua culpa! Mesmo se nós tivéssemos ganho, nós estaríamos usando o Sanji como troféu, como prêmio. Talvez não tivesse que ser assim, o que nós temos que fazer realmente é convencer quem está por trás de tudo isso: o Falso-Sanji. E é isso que o Law está fazendo agora.
– Você sempre tem razão, Zoro. — Luffy começa a enxugar suas lágrimas. — Se não fosse por você eu já teria perdido a cabeça várias vezes. Obrigado.
Os dois se abraçam, aguardando o retorno de Law para sabermos qual foi o rumo de sua conversa.
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