Notas iniciais
Apaixone-se pelo seu tio agora ;)
ENJOY!

Um amor diferente não é um pecado.

Acredite nele.

Born This Way — Lady Gaga.

- Camila, você ainda se lembra do que conversamos, não é?

Revirei os olhos e bufei.

- Nem se eu tivesse Alzheimer, mãe. A senhora faz questão de me lembrar isso a cada cinco minutos, no máximo!

- Não levante o tom de voz para sua mãe, mocinha! – ralhou meu pai, me repreendendo também com seu olhar castanho esverdeado através do espelho retrovisor.

Cruzei os braços, carrancuda, e fixei minha atenção na paisagem que lembrava borrões de cores sobre uma tela através da janela.

Era tarde de sexta-feira.Aquele seria outro fim de semana que passaríamos na casa de meus avós, Denise e Paul, ou melhor, na grande fazenda da família Jonas.Em geral, sempre que possível fazíamos aquilo, reunindo todos numa espécie de confraternização, reforçando o laço de amor e carinho que nos unia, complementando o laço sanguíneo, que era inegável.

Eu era filha única e, além disso, a única neta de meus avós paternos e por isso um pouco paparicada. Meus avós e tios adoravam me agradar e faziam à maioria dos meus gostos, o que meu pai costumava criticar algumas vezes e minha avó sempre rebatia com “É pra isso que estamos aqui!”.

Não havia ninguém da minha idade – ou quase -, exceto meu tio mais novo, Franklin. E ele era uma grande distração, adorava me provocar. Além disso, meu avô e tio Joe reuniam em seu estábulo as melhores montarias de New Jersey. Eu simplesmente amava cavalos, assim como eles, e sabia montar desde os três anos.

Mas nem essas criaturas tão fascinantes e adoráveis me serviriam de cano de escape para me livrar da agonia daqueles dias que estavam por vir, eu bem pensava.

Quinze minutos depois, nosso carro seguiu por uma estradinha de terra rodeada de capim com compridas flores rosadas.Cruzamos a cerca e a pesada porteira, avançando em direção aos vários carvalhos, oliveiras e tantas outras árvores que enfeitavam o local, parando diante da imponente construção de dois andares e aconchegante, os pneus arrancando e arremessando para longe alguns pedregulhos ao frearem.

- Família, nós chegamos! – gritou papai depois de buzinar duas vezes para nos anunciar, espichando a cabeça pela janela ao seu lado.

Meus pais saíram do veículo animadamente como sempre, enquanto uma certa moça se arrastava do banco traseiro. Uma movimentação provinha do imóvel diante de mim e identifiquei como sendo meus avós paternos, seguidos por Frankie – apenas dois anos mais velho que eu, a quem eu nunca me dirigia como se fosse irmão de meu pai; ele era mais como um primo muito chegado ou um irmão irritante – vindo nos receber, ambos com largos sorrisos nos rostos.

Apesar de minha pouca motivação e animação, ao verem-nos, senti um pouco de alegria e um sorriso se abriu em meu rosto, então resolvi me aproximar do pequeno grupo depois de sacudir e arrumar a saia rodada de meu vestido azul anil com uma faixa lilás envolvendo minha cintura.

- Queridos, como é bom ver vocês! – exclamou Denise Jonas antes de abraçar seu filho primogênito.

- Mamãe, a gente sempre aparece por aqui quase todo fim de semana – apontou meu pai com o característico sorriso da família.

Ela apertou-lhe as bochechas.

- Kevin, ainda assim, pra mim é muito tempo ficar sem ver meus bebês.

Vovô Paul, mamãe e eu rimos enquanto meu pai fazia biquinho.

- Mãe!

- Ok, tudo bem – ela apaziguou e virou-se pra minha mãe com os braços abertos. – Dani, querida, como está?

- Tudo nos conformes, Dê, e vocês?

O sorriso de minha avó aumentou de tamanho, quase não cabendo no rosto delicado.

- Agora muito melhor, já que todos meus filhos estão aqui comigo.

Aquilo me fez lembrar uma presença que eu tentava esquecer.

Os cumprimentos se seguiram até que chegou minha vez de ser abraçada por eles.

- Vem cá, minha princesinha – chamou minha avó. – Está parecendo uma boneca, Mila.

- Obrigada, vovó.

Sorri amarelo e Frankie me despenteou os cabelos, que eu reunira em uma trança que caia pelo meu ombro direito, com uma mão.

- Oi, boneca! – disse zombeteiro.

- Vê-se cresce, seu cabeçudo! – devolvi e ele me abraçou rindo.

Frankie e eu vivíamos trocando farpas, mas na verdade nos amávamos profundamente. Bem... Eu o amava.

Dirigi-me ao homem de óculos e um pouco acima do peso para envolvê-lo num abraço também.

- Oi, vovô! – falei ao seu ouvido.

- Olá, minha menina! – respondeu, depois do carinho e sorrindo contente.

Então meus olhos foram parar nas duas silhuetas que acabavam de cruzar a soleira da porta da frente da casa às nossas costas e que pretendiam vir até nós.

Notas finais
Então... Mereço REVIEWS?
1cheiro;*