Paixão Sem Limites
14 capitulo 14 - Penúltimo
[ por MARIA ]
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Foi mais que uma surpresa desagradável; foi um choque tremendo quando passei pela frente da sala de Bruno.
Lá estava ele falando com alguém por telefone, a porta estava entreaberta e pelo seu tom alterado fiquei na curiosidade de ouvir a conversa.
– A culpa é tua – Bruno acusava alguém – Ele nunca deveria estar solto... Eu sei... Mas a culpa é tua...
Senti uma dor no coração; sabia que falavam sobre Estevão e, possivelmente, o assassino estava do outro lado da linha.
Sem me dar conta, tinha feito um ruído pelo susto e Bruno me viu.
Ficou de boca aberta mais espantado que eu.
– Maria – logo ele recuperou o controle e me puxou com brutalidade para dentro da sala.
– Você é o assassino de Patrícia? – era mais uma afirmação que uma pergunta. –Você...
– Cala boca, Maria – ele apertou com mais força meu braço. – Não sou nenhum assassino.
– Eu ouvi, Bruno.
– Caladinha se não quiser o mesmo destino que aquela vagabunda da Patrícia.
– Oh!
Estava aterrada sem saber o que fazer.
Ia gritar por Estevão.
Mas era como se ele estivesse lido meus pensamentos pois sacou um canivete e apontou contra minha garganta.
– Eu não matei a Patrícia, embora sempre quis que ela morresse. Mas preciso que fique quieta, faça tudo o que eu pedi, entendeu?
– O que vai fazer comigo? – perguntei com voz trêmula.
– Vamos primeiro sair da empresa – ele informou; baixou o canivete e pressionou na minha barriga. – Não tente alertar ninguém, tente agir naturalmente ou enfio isso na tua barriga.
Não!
Meu bebê!
Tinha que proteger meu bebê, seja lá o que Bruno pretendesse tinha que sacrificar minha vida do meu filho no meu ventre. Com lágrimas nos olhos, concordei.
Saímos da sala, ele do meu lado quase me abraçando com o canivete em posição, ou seja, qualquer movimento em falso meu bebê corria risco.
Forcei um sorriso, e caminhamos em direção ao elevador sob os olhares das secretárias que não entendiam minha atitude.
Ao entrar no elevador, vi Estevão saindo de sua sala; queria gritar por ele e pedir que salvave a mim e ao nosso filho mas apenas o fitei, meus olhos encheram-se de lágrimas; talvez fosse a última vez que o visse.
Percebi que ele notou algo estranho pois avançou em minha direção.
– Maria – chamou mas eu não respondi, as portas iam se fechando e ele avançava mais rápido – Maria... Maria...
Então, antes dele sumir da minha vista, sussurei " Te amo".
As portas fecharam-se e eu caí no choro.
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[ por ESTEVÃO ]
Algo estava errado, podia sentir o medo de Maria mesmo à distância. E aquele "Te amo" pude ler em seus lábios. Era uma declaração desesperada como se fosse a última. Como se ela estivesse indo direto para a morte; senti algo estranho no peito.
Apertei com desespero os botões mas o elevador já estava baixando.
Não gostei da cara de Bruno, tinha um brilho perverso.
Será que Maria estava sendo forçada a sair da empresa na companhia daquele miserável??
Voltei para junto das secretárias.
– Minha esposa disse onde ia? Falou alguma coisa?
– Não, senhor. Ela e seu Bruno saíram sem falar nada.
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[ por MARIA ]
Bruno me empurrou para dentro de seu carro sem nenhuma delicadeza.
Limpei minhas lágrimas com a esperança de que Estevão se desse conta do perigo e viesse atrás de mim.
Durante esses vinte anos aprendi a ser uma mulher forte e determinada, mas nesse momento me sentia tão frágil e impotente sem saber o que fazer. Estava com medo mas lutaria por minha vida, pelo bebê e por Estevão, não deixaria que o assassino ficasse livre.
Dessa vez ele pagaria por seu crime!
Vi Bruno fazer uma chamada.
– Encontre comigo naquele galpão de sempre e avise todo mundo... Maria ouviu nossa conversa... Sim, está comigo.
' avise todo mundo'
Isso não saía da minha cabeça. Quem? Quem eram seus cúmplices? Será que todos da viagem estavam envolvidos nessa sujeira?
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[por ESTEVÃO]
Não esperei o elevador e desci pelas escadas. Cheguei muito cansado lá embaixo, peguei meu carro e perguntei a um dos seguranças em que direção Bruno seguiu com Maria.
Saí cantando pneus pela rua em que o segurança apontou.
Não custou muito para que avistasse meu alvo. E prestei atenção para não perdê-lo de vista.
Sentia em meu coração que não deveria perder Maria de vista.
Minutos mais tarde, Bruno entrou numa rua meio deserta e logo entrou num galpão abandonado. Levei meu carro para fora da estrada, tentando ficar escondido.
Bruno estacionou, puxou Maria pelo braço com brutalidade.
Agora tinha certeza que ela estava em perigo.
E me perguntava o que tinha acontecido. Será que Maria havia descoberto que ele era o assassino de Patrícia ou algo relacionado?
Ainda estava nesses pensamentos quando ouvi ruídos de outros carros se aproximando.
Saíram Fabiola, a bruxa da Alba e Demétrio.
Eu os segui com cuidado para não ser descoberto mas antes liguei para a polícia.
Lá dentro Maria estava de mãos amarradas numa cadeira.
– Bruno, como você é estúpido! – Fabiola estava furiosa. – Como pôde deixar Maria ouvir nossa conversa?
– Aconteceu... – abriu os braços. – E agora que vamos fazer? Ela está me acusando de ter matado Patrícia e sabemos que não fui eu que matei aquela vagabunda.
– Mate-a – sentenciou Fabiola.
– Estevão me viu saindo com ela. Seria muito arriscado.
– Morte aos dois, então! – sugeriu Demétrio.
– Minha querida sobrinha, agora você vai morrer por ser tão estúpida – Alba se aproximou de Maria e tocou seu rosto. Ela esquivou-se – Não está assustada, Maria? Nem impactada por eu estar aqui querendo sua morte?
– De você já esperava tudo até isso aqui. Você é desprezível! Não pense que ficará livre. Você pagará por tudo! Vai apodrecer na prisão.
– Bobagens e mais bobagens...
– Só quero saber o porquê ? Porque esse ódio?
– Você tinha o que eu sempre quis.
– Ah, Alba – Fabiola interrompeu a conversa das duas – não venha com essa melação desse teu amor perverso pelo Estevão.
Tanto Maria com eu abrimos a boca pela descoberta.
Alba nutria um amor por mim?
Que asco!
Eu nunca que iria corresponder uma velha doente que nem ela.
Desorientado , acabei derrubando umas caixas revelando, assim, meu esconderijo.
– Estevão – Demétrio exclamou apontando uma arma para mim. Tirou tão rápido o revólver da cintura que não tive tempo de fugir.
Embora não quisesse mas não podia enfrentá-los sozinho; deveria ter ficado à espreita para saber se revelavam o nome do assassino além de elaborar uma via de escape para mim e Maria.
Mas agora, descoberto, fui empurrado para junto de minha esposa.
– Meu amor, você está bem? – ajoelhei-me aos seus pés tocando seu rosto.
Ela sacudiu a cabeça confirmando. Dei-lhe vários beijinhos. Ela apertou-se forte no meu peito pedindo proteção. Proteger-lhe-ia com minha vida se fosse preciso.
– Já chega dessa ceninha toda, meu querido Estevão – Bruno disse atrás de mim.
Levantei-me com tanta raiva e com ódio que virei e dei tremendo soco no rosto bem maquilado de Bruno.
O impacto foi tão forte que ele caiu no chão; quando ia subir em cima para acabar com aquele estúpido, Demétrio atirou para o alto e logo apontou a arma novamente para mim.
– Nãoooo – gritou Maria – Demétrio, por favor...
Levantei as mãos, estava como um leão enjaulado sem poder fazer nada mas sem medir as consequências, avancei contra Demétrio.
Nos atracamos e um som de um tiro ecoou.
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[ por MARIA ]
– Estevãooooooooo... Nãããoooooo...
O corpo de Estevão jazia no chão, sua camisa branca manchada de sangue.
Não sei o que se passava ao meu redor, meus olhos fitavam somente meu marido agonizante com uma ferida de bala.
– Aiiii – ouvi ele se queixar levando a mão no braço direito.
Então para meu alívio, observei que a bala havia ferido seu braço mas ver tanto sangue me fez pensar o pior.
Não teria sentido para minha vida perdê-lo. Entre as lágrimas dei um suspiro de alívio.
– Estevão, meu amor – sussurei forçando minhas para desatar o nó e poder tocá-lo e confortá-lo. – Você está bem?
– Não se preocupe, Maria, estou bem – disse fazendo uma careta de dor – Vou tirar você daqui
– Oh, quanto amor! – exclamou Fabiola, sarcástica. – É melhor acabar com Maria de vez.
Dizendo isso puxou a arma de Demétrio.
Tenho certeza que a cor sumiu de minha face quando que ela apontava para mim.
Tive medo, não era assim que planejei minha morte.
– Sempre odiei você, Maria. Roubou Estevão de mim, nunca te perdoei por isso. Era para você, maldita, ter pego aquela arma. Era para você ter sido a acusada do crime. Tinha planejado direitinho, era você, maldita! Não Estevão – ela gritava fora de si com os olhos encendidos de ódio contra mim. – Mas agora você vai sumir de todas as formas. Que você morra, Maldita Maria...
Congelei.
Fechei os olhos à espera do disparo.
Ouvi o som porém não senti nenhuma dor. Sempre imaginei que as pessoas agonizavam antes de morrer, porém, agora, tinha certeza que a morte podia não ser tão dolorosa como muitos imaginavam.
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