Notas iniciais
Aqui novo capítulo. todavia Maria ainda não revelou a verdade... hihihi

[] Maria []

Estava prestes a contar tudo! A revelar toda a verdade mas não tive coragem. Primeiro, eu estragaria um dia maravilhoso e segundo que não via mal algum em omitir por mais um dia esse segredo. Tenho certeza que tanto Heitor como Estrella não mencionariam nada ao pai.

– Não! Não é nada!! – disse tentando parecer convincente.

– Você disse que tinha algo para me falar...

– É que ainda não estou grávida – falei primeira coisa que me veio à mente.

Estevão veio em minha direção e me abraçou.

– Ainda é muito cedo para saber, amor. Depois de hoje, tenho certeza que não errei a pontaria – brincou.

– Espero que não!

Dei um selinho em Estevão, aliviada. Logo, saímos de mãos dadas. Eu contaria a ele, claro. Porém iria escolher um momento adequado. Agora o importante era que Estevão visse a filha.

Ao chegarmos na mansão, fomos recebidos por Teresa. Uma senhora baixinha, gordinha que trabalhava a alguns anos para mim porém não chegou a conhecer Estevão. Mas ao abrir a porta levou a mão a boca, assustada. Eu sabia que ela tinha reconhecido-o pelo retrato na parede.

– Teresa, esse é meu marido Estevão – apresentei-o antes que ela falasse qualquer coisa e lancei-lhe um olhar duro. – Estevão, essa é nossa governanta...

– Mas... Mas... – a senhora ainda estava perplexa.

– Teresa, preciso que me traga um copo com água – queria tirá-la dali o mais rápido possível.

– Mas... Esse senhor...

– Agora! – disse com mais firmeza.

Teresa saiu fazendo vários sinais da cruz.

– Coitada dessa senhora. Parece que viu um fantasma – disse Estevão depois da saída da governanta.

– Deve está impressionada com sua volta – levei-o até o sofá. – Espera-me um pouco. Já volto.

Deixei um Estevão parado olhando para o retrato acima da lareira. Fui até à cozinha. Encontrei Teresa tomando água com açúcar.

– O que foi aquilo, dona Maria? Ele não estava morto?

– Não tenho tempo de explicar. É uma longa história. Mas quero que prometa que se comportará como se nunca soubesse que ele esteve morto... Esteve todos esses anos preso e agora foi solto e Alba me fez inventar essa mentira. Ele não sabe e nem pode suspeitar...

– Sim, senhora! Não falarei nada.

– Obrigada!

Voltei para junto de Estevão com o coração aos saltos.

– Onde está Estrella? Preciso vê-la – suplicou com os olhos vermelhos.

Creio que esteve chorando. Talvez voltar à casa depois de anos o emocionava. Fomos ao andar de cima. Entrei primeiro enquanto ele aguardava do lado de fora.

– Mamãe! – exclamou ao me ver.

– Oi, filha, tenho uma surpresa para você – inclinei para beijar-lhe o rosto e sussurrei – Ele não sabe que para vocês esteve morto. Não mencione esse detalhe...

Estrella fitou-me sem entender.

– Pode entrar, Estevão – então ele entrou,relutante.

– Papai??? É você mesmo? – minha filha perguntou com olhos banhados em lágrimas.

– Sim, sou eu minha princesa – respondeu com voz trêmula pela emoção – Ainda me reconhece?

– Claro que reconheço!!

– Filha!

– Papai!!

Estevão driblou a distância que os separava. Logo eles se abraçavam em meio às lágrimas e soluços. Estrella chorava como um bebê no colo do pai. Minha filha depois de tanto sofrer a ausência dele, finalmente pôde tê-lo para si. Ficaram longos minutos abraçados, beijando-se entre carinhos e palavras doces. Eu só observava os dois também com lágrimas rolando por minha face.

– De verdade que me reconhece? – insistiu Estevão enquanto com o polegar limpava o rostinho de nossa filha. – Quando nos separamos você ainda era um bebê...

– Mamãe nos deu muitas fotos suas, Mas você está muito mais bonito agora do que em minhas fotos.

– E você é toda uma princesa – Estrella riu e encostou a cabecinha no peito do pai. Ele beijou os cabelos loiros dela.

– Eu pensei que nunca o veria... Você me fez muito falta – ela choramingou.

– Já, meu amor, não chore. Você também me fez muito falta. Não imagina o sacrifício que foi viver longe de você e Heitor.

– Promete que nunca mais vai nos deixar? – Estrella parecia um bebê mimado e de fato era nosso bebê. Meu e de Estevão.

– Prometo, filha! Seremos uma família novamente.

– Papai, o senhor já sabe que estou doente, não é ?

– Sim – ele falou com um nó na garganta. – Eu farei de tudo para que fique totalmente livre dessa doença. Quero que lute e que seja forte e não se deixe vencer.

– Com você agora aqui tudo será mais fácil – ela o fitou e lhe deu um beijo no rosto. – Prometo que serei forte como você, papai.

Nesse momento a porta abriu.

– Cheguei, maninha, trouxe um monte de presentes – Heitor entrou carregando algumas bolsas mas ao levantar a vista deparou-se com Estevão que tinha levantado quando ouviu aquela voz. – Pa... Papai??

– Filho!!

Heitor deixou as bolsas caírem, estava perplexo e avançou contra Estevão. Os dois homens fundiram-se num abraço, chorando. Fui até à cama de Estrella e a abracei também e ficamos a observar a cena.

Estevão e Heitor eram da mesma altura, eram igualmentes lindos. Os dois homens mais importantes da minha vida estavam ali juntos num reencontro emocionante. Como Estrella, Heitor não mencionou a suposta morte dele e mais tarde num momento de distração de Estevão com a filha, pedi a Heitor que nada falasse até eu esclarecer tudo com meu marido. Almoçamos todos juntos como uma família completa depois de vinte anos. Depois fomos à sala íntima, Estevão ficou entre os filhos que maravilhados com a volta do pai não o deixavam um só instante. Conversaram bastante, falaram da infância, das primeiras conquistas, das faltas que sentiram um do outro, da solidão, enfim de tudo. Eu pouco participava, o momento era deles. Apenas ria ou confirmava alguma coisa. Mas estava muito feliz!

[] ESTEVÃO []

Foi uma tarde maravilhosa!! Não sabia expressar o que estava sentindo! Eu tinha ali meus dois filhos. Estrella era linda, loira e encantadora. Até parecia que não estava doente. Falava muito, quase não deixava o irmão contar também suas histórias. E toda hora abraçava-me e me beijava pelo rosto ou descansava a cabeça em meus ombros. Já Heitor era um homem formado. Alto como eu. E lindo também! Descobri que namorava uma amiga de Maria, Vivian. Trabalhava na empresa e ainda estudava. Cuidava tanto de Estrella como de Maria. Era o esteio da casa.

Por falar em Maria, notei como estava ausente nas conversas. Talvez estivesse deixando que eu aproveitasse os meninos. Intimamente, eu a agradeci pois só queria desfrutar de meus filhos. À noite Maria seria minha e só minha.

– Estou muito cansada – queixou-se Estrella já na entrada da noite, em meu ombro.

– O dia foi muito agitado – observou Maria. – Creio que um descanso antes do jantar, filha, lhe cairia muito bem.

Estrella assentiu de olhos fechados. Realmente estava esgotada. Foi muita emoção num só dia. Antes que Maria pedisse que a levasse, eu levantei com ela nos braços e a levei ao quarto. Nem bem a acomodei na cama e Estrella já estava dormindo. Minha pequena Estrella dormia como um anjo. Cobri-a com o lençol e com um beijo em seu rosto, saí do quarto. Maria fez o mesmo.

– Será que por ela ter se agitado tanto hoje, agrave o estado dela ? – indaguei a Maria do lado de fora do quarto.

– Espero que não. Estrella está somente cansada – ela pegou em minhas mãos e me levou a um quarto. Era o nosso quarto! – Entre!!

Entrei... E como no quarto do hotel, tudo parecia igual. Nada mudara. Girei analisando cada cantinho.

– Nosso quarto, Estevão!

De repente as dúvidas me assaltaram.

– Nenhum outro homem que não seja eu, entrou aqui?

– Sim! Um outro homem entrou aqui – afirmou mordendo os lábios. – Ele dormia comigo quando ambos sentíamos sós.

Gelei. Maria estava me confessando que se entregou a outro e pior: Em nosso quarto, em nossa cama. E ainda tinha o descaramento de me dizer na maior cara de cinismo!!

– Quem é esse infeliz? – exigi saber roxo de ciúmes.

– Alguém muito especial e muito importante em minha vida – ela continuava a falar com desdém como se me trair fosse a coisa mais natural do mundo.

– Então é importante? – bufei passando as mãos pelos cabelos. – Você o ama?

– Mas é claro que eu amo... Amo muito que nem sei o quanto...

Aquilo foi demais para mim. Maria me abandonou por anos, depois voltou, implorou perdão e eu, um imbecil, a perdoei. E resultava que ela não só me enganava como não me amava. Que imbecil! Que tolo! Que besta quadrada!! Tinha deixado me seduzir por Maria! E por segunda vez, ela sacaneava comigo. Mas isso não ficaria assim. Cego de raiva, peguei Maria pela cintura, puxei-a com força para meu peito.

– Ui! – exclamou com voz sexy que me deixou excitado. – Está selvagem hoje?!! Adoro...

Não respondi. Caí por cima dela na cama. Aprisionei seu corpo com o meu.

– Farei você esquecer esse infeliz. Apagarei todas as lembranças desse bastardo do teu corpo...

– Não fale assim de Heitor. Ele não é nenhum bastardo.

– Heitor? Que meu filho tem haver com isso? Não mude de assunto, Maria.

– Estava falando de Heitor...

– O que? Então era...

– Sim! O único homem que dormiu aqui durante sua ausência foi Heitor. Mas seu ciúme te impede de raciocinar. Que cena, hein, Estevão?

Ela tinha razão! Os ciúmes não me deixavam pensar. Estava com ciúmes do próprio filho! Não consegui conter a risada.

– Era meu filho?

– Sim!

– Heitor? – repeti.

– Já disse que sim...

De fato eu era um ciumento incorrígivel!! Alguém me pega um tiro???!!!!

Notas finais
Recomendem Cometem favoritem bjs até o próximo