Paixão Sem Limites
4 Capítulo 4
Notas iniciais
[] ESTEVÃO []
A princípio, não soube que responder. Estaria eu disposto a perdoá-la? A verdade é que eu queria sim uma segunda chance com ela. Para que me fazer de difícil e bravo? Fiquei muito decepcionado, sim. Com ódio tambem. Mas se ela me pedia perdão porque não aceitá-lo? Passei muitos anos sem amor, sem carinhos. Maria estava me dando agora a oportunidade de recuperar o tempo perdido embora ainda existisse mágoas em mim.
– Não sei... – disse depois de um longo de silêncio. – Você me magoou muito quando não acreditou em mim e me deixou aqui sozinho.
– Estevão, tente entender – ela parecia desesperada por se explicar. – Eu era uma jovem que não sabia o que fazer. Eu tinha um casamento maravilhoso, uma família linda e de repente, meu marido é preso acusado de assassinato. Fico sozinha com duas crianças pequenas. Não sabia como agir. Então deixei me manipular pela Alba – Maria deu um longo suspiro, estava com os olhos marejados de lágrimas fitando-me angustiada. – Não sabe como me arrependo de não tê-la enfrentado, de tê-lo abandonado nessa cela. Preferia mil vezes vim te visitar as duas vezes na semana do que não ter tido você por anos.
Fiquei penalizado! Ela sofrera também. Não fui apenas eu.
– Acalme-se, Maria – tentei consolá-la apertando-a contra meu peito num abraço quente.
– Preciso continuar – soluçou antes de me fitar novamente. – Você tem que entender meus motivos. Eu estava arrasada porque não teria mais o homem da minha vida ao meu lado me dando forças, me animando a seguir em frente. Os dias seguintes depois de sua prisão foram os piores, mal conseguia dar atenção aos meninos, não comia. Entrei em depressão! Foi então que Alba sugeriu que eu pedisse o divórcio, que te deixasse para sempre porque você nunca sairia daqui...
Maria caiu no choro, molhando-me com suas lágrimas. Parecia tão sincera. Eu acreditava nela. Maria sempre fora bondosa, carinhosa com as pessoas até com as que não conhecia. Por isso a dor do abandono foi maior em mim. Eu era seu marido! E mesmo assim fui abandonado. Mas devia ter adivinhado que havia uma mente diabólica por trás de tudo. Alba!! Aquela mulher era a encarnação do diabo. Cuidara de Maria quando seus pais faleceram e quando esta se casou comigo, ela foi viver na mansão conosco. Era perversa e manipuladora, vivia dando em cima de mim na maior cara de pau. Nunca falei nada a Maria para não contragê-la. Pela frente de minha esposa era um anjo mas pelas costas era totalmente diferente. Eu a odiava. E somente por Maria não a tinha mandado para rua.
– E porque depois de um tempo não me procurou? – perguntei quando sentir que estava mais calma.
– Eu pensei muitas vezes em vir aqui. Mas sentia vergonha pelo que tinha feito. Então comecei a odiar Alba por ter usado de minha fragilidade para me manipular. Comprei um AP para ela e pedi que saísse da mansão. Senti um pouco de alívio mas mesmo assim não tinha coragem suficiente para te procurar e implorar seu perdão – ela deu uma pequena pausa e continuou. – Há uns três meses contratei um advogado para cuidar do seu caso porque no meu coração eu sabia que você não matou Patrícia.
– Mas não foi o que me disse quando pediu para que eu assinasse os papéis do divórcio.
– Eu estava doída! Esquece o que eu disse nem eu mesma acreditei nas minhas palavras. Perdoe-me.
– Tudo bem! Continue...
– Como estava dizendo contratei um advogado...
– Um momento! – interrompi novamente. – Luciano Cisnero é seu advogado?? Não é da Defensoria Pública?
– Não. Eu o contratei!
Não sei porque mas sentir uns ciúmes incontroláveis daquele playboyzinho.
– Contrataste um incompetente!! – quase gritei.
Maria ficou surpresa.
– Não é incompetente mas creio que está enrolando porque... – ela parou de repente.
– Porque? – indaguei roxo de ciúme. Suspeitava que havia algo que não iria gostar.
– Porque ele... Bem... Ele...
– Tem um caso com ele?
– Não! – respondeu indignada. – Jamais!!
– Então ele dá em cima de você?
– Mas não dou motivos para isso. Acredite!
– É difícil, hein? – já não gostava daquele merdinha e agora o odiava. Maria era minha! Como ele ousava por os olhos na minha esposa?
– Calma, Estevão – disse como se soubesse o que estava pensando. Maria realmente me conhecia ainda. Sempre fui muito ciumento. – Não precisa ter ciúmes. Não tenho e jamais terei algo com ele.
Virei o rosto para o lado fazendo-me de difícil. Não queria dar o braço a torcer.
– Estevão??
– Tudo bem – cedi finalmente. – Vamos esquecer esse tal advogadozinho. Quero saber como foi que finalmente veio me procurar...
– Então como ia dizendo antes de ser interrompida, eu soube algum tempo depois de ter contratado Luciano que Estrella estava com leucemia. Fiquei sem chão, e fiquei pior ainda quando descobri que ninguém da família podia ser o doador para o transplante que ela precisa fazer. E as listas de espera são longas, às vezes duram anos para conseguir alguém compatível. Entao a única esperança era um bebê de seus pais. Esperei ficar em meus dias férteis para finalmente te procurar.
– Então se Estrella não tivesse doente, você jamais me procuraria?
– A doença dela só me impulsionou a ser mais rápida. Mas estava decidida a te buscar com ou sem a doença muito antes desse incidente.
– Não sei o que pensar...
– Eu sei que é tudo tão difícil. Mas por favor, Estevao, preciso que me perdoe. Preciso que me dê forças. Que me ajude com nossa filha. Não sei se suportaria te perder novamente agora que te reencontrei. – ela tocou meu rosto suavemente. – Eu preciso de você! Perdoe-me, meu amor. Aceite-me de volta.
– Eu te perdoo, Maria. Creio que se fosse eu seu lugar, faria exatamente o que fez. Mas te aceitar de volta, não sei se é possível...
– O quê? Mas porque?
– Maria, que eu posso te oferecer? – abri os braços mostrando o lugar. – Estou preso!! Que futuro você teria ao meu lado? Que poderia te dar?
– Seu amor – ela novamente estava chorando. – Você pode me dar seu amor e por conseguinte forças. Estaria mais forte com voce ao lado. Não me rejeite!
Maria cobriu meus lábios num beijo suave com gosto de suas lágrimas. Não foi um beijo avassalador, mas de súplica e desespero que derrubou as últimas barreiras do meu coração que me impediam de ceder e aceitá-la.
– Oh, Maria – murmurei contra sua boca antes de devolver o beijo dessa vez mais exigente e apaixonado. – Acha que depois de tê-la em meus braços, te deixaria livre para outro? Não, amor. Você é minha! Minha esposa! Minha mulher!
Ela sorriu ainda em cima de mim.
– Estevão, estou tao feliz. Quem diria que estaríamos juntos de novo? Mal posso acreditar. Parece um sonho – ela repousou a cabeça em meu peito sorrindo, feliz.
– É um sonho que se torna realidade porque eu sempre sonhei com isso.
– Eu também. Todas as noites, todos os dias...
– Hum... – suspirei feliz como há muito tempo não estava. – Fale-me dos meninos.
– Estrella e Heitor são maravilhosos, meu amor. Heitor é a sua cara e me ajuda na empresa. Estrella é toda uma princesa, um pouco mimada mas de um coração nobre.
– Queria tanto poder vê-los – disse um pouco triste. Era tão difícil me dar conta que não tinha a menor ideia das feições de meus filhos. – Você não trouxe nenhuma foto?
– Sim. Está em minha bolsa.
Maria levantou da cama mostrando suas curvas. Não tirei os olhos e senti como meu corpo se tensa-se de desejo.
– Aqui está – ela regressou deitando ao meu lado. – Heitor e Estrella.
Peguei a foto com as mãos trêmulas. Lá tinha a imagem de um casal de jovens. Uma moça loira de pele clara abraçada a um rapaz mais alto que ela. Minha princesinha Estrella era agora uma mulher muito linda e Heitor, todo um homem completo. Lágrimas rolaram por minha face, levei a foto até meu peito apertei com força, fechando os olhos. Agora eu poderia imaginá-los! Senti as mãos de Maria contra a minha num consolo mudo. Abri os olhos, fitando-a.
– São lindos! Meus filhos são lindos, Maria – sussurrei.
– Lindos como o pai – disse tão emocionada quanto eu.
– Posso ficar?? – referindo-me a foto.
– Claro. Trouxe para você.
– Obrigado. Significa muito para mim...
– Eu sei. Assim como também sei – ela pegou minha mão e levou até sua barriga – que você verá e acompanhará o crescimento de outro filho nosso que está aqui.
Eu ri. Era muito cedo para saber mas Maria era otimista.
– E você acha que ficará grávida? Só fizemos uma vez...
– Tenho certeza – Maria subiu em cima de mim com as pernas abertas. – E se não estiver, tentamos novamente.
Fitou-me com aquele olhar provocativo, excitando-me. Rapidamente, rolei deixando-a por baixo à minha mercê.
– E enquanto tentamos, nos divertimos – sussurrei mordendo sua orelha. Baixei para o pescoço, sugando-o. Ela gemeu e afagou-me as costas, apertando-me.
– Só dois minutinhos a mais – ouvi o guarda batendo na porta. Tão concentrado na minha esposa que não me dei conta que tínhamos um certo limite de tempo.
– Ah, não – Maria protestou. – Não quero te deixar.
– Vamos – levantei-me de má vontade. – Vista-se!
Enquanto vestia-me fiquei com uma sensação de vazio. Ficaria sozinho, sem o calor dela. Sabia que eram somente duas visitas por semana o que significava que não a veria no dia seguinte.
– Eu voltarei, meu amor – ela prometeu dando-me um beijo na boca já do lado de fora da sala antes de afastar-se desaparecendo no corredor.
Fiquei a observá-la sumir com a esperança de que na próxima semana a teria nos braços novamente.
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