Paixão Secreta
1 Uma foto de presente
Notas iniciais
Bartolomeo tinha uma paixão secreta. Não tão secreta assim.
Sentado na arquibancada da quadra de futebol, assistia ao treino do time da universidade. Na verdade, seu único propósito de estar ali, era admirar o moreno com a cicatriz abaixo do olho esquerdo. Fazia aquilo todas as quartas-feiras de manhã.
— Secando o capitão novamente? — uma mulher de longos cabelos vermelhos se sentou, abrindo um pacotinho de amendoins salgados.
— Não enche, Desire — Bartolomeo pegou um punhado do amendoim.
Desire e Barto eram amigos de infância, e apesar da mulher não gostar do capitão do time de futebol, não queria reprovar aquela paixonite que o amigo sentia.
— Você já falou com ele?
— Com o Luffy-senpai?! Cla-claro que não... — o rapaz, de presas pontiagudas e proeminentes, corou como se tivesse ficado tempo demais sob o sol quente.
— Você é um bundão — Desire revirou os olhos. — Se eu fosse você tomava coragem e fazia logo alguma coisa, porque tem muita gente querendo tirar uma lasquinha dele.
— Por que você não vai cuidar da sua vida?
— Porque você é meu amigo, seu idiota — a mulher deu um cascudo na cabeça esverdeada. — Depois não diga que não avisei. Se você vier choramingando, vou te meter o pé na bunda.
Barto a enxotou, como alguém que espanta uma mosca, e voltou a olhar para o campo. Uma morena, de corpo estupidamente curvilíneo, acenava da cerca de proteção para o capitão, que também acenou e sorriu. Bartolomeo bufou, enciumado, e voltou para o prédio da universidade.
***
Os cochichos dentro da sala de aula, criavam uma cacofonia que podia ser ouvida dos corredores.
"Souberam o que ela fez dessa vez?”
“Essa garota não sabe o que é limite!”
“Vai acabar trazendo má fama pro curso de meteorologia”
“Acho que ela tem algum esquema com o pessoal do jornalismo.”
— Silêncio! Aos seus lugares — o professor do curso de ciências atmosféricas entrou. — Quero seus estudos do tempo...
Antes que pudesse terminar a sentença, foi interrompido pelo som agudo dos alto-falantes ligados.
— Atenção senhorita Nami, por favor, se dirigir à diretoria — Ouviu-se a voz irritante da diretora Charlotte Linlin. — Senhorita Nami, direção.
Todos se viraram com um arrastar de cadeiras, encarando a ruiva que se pôs de pé. Nami desfilou vagarosamente entre as carteiras, saindo da sala com o semblante pleno, como se não fosse culpada de nada.
— Seja lá qual for a acusação, sou inocente — Nami se adiantou, sentando-se na poltrona de veludo rosa.
– Então essas fotos, encontradas no seu armário, não são suas? — Charlotte espalhou fotografias sobre a grande mesa de cedro.
— Não senhora, nunca as vi na vida — Nami era dissimulada. — Aposto que alguém do curso de jornalismo quis me incriminar.
— Claro... — a diretora virou o monitor do computador, com um vídeo da câmera de segurança pausado. — Suponho que essa aqui também não seja você entrando no vestiário masculino, com uma máquina fotográfica?
— Não. Tudo montagem — de braços cruzados e com cara de indignação, Nami insistia na mentira.
— Chega dessa palhaçada! — Linlin deu um soco na mesa, derrubando vários porta-retratos. — Essa será a última vez que a advirto, mocinha. Na próxima infração, você será expulsa! Fora da minha sala!
— Sim senhora! — Nami deu um pulo, sumindo mais rápido que o amigo Usopp fugindo de uma briga.
***
Uma semana depois, Nami já havia impresso novas cópias das fotografias, e assim como todas as outras vezes, estava vendendo-as pelo campus.
— Nami-san, você precisa parar com isso — Lola suplicava à amiga. — A diretora vai te expulsar, sem sombra de dúvidas.
— Preciso do dinheiro, não consigo pagar a mensalidade só com o que ganho na feira — Nami contava os trocados que conseguira no dia.
— Por que não arruma outro emprego? — Chiffon, irmã gêmea de Lola, perguntou.
— Já tentei, mas parece que minha fama se espalhou rápido demais — Nami suspirou.
— Não se preocupem comigo garotas, vai dar tudo certo.
A mãe adotiva de Nami havia falecido há alguns anos, deixando-a responsável pela criação da irmã mais nova. As duas trabalhavam na plantação de laranjas, que fora a única herança deixada, e vendiam as frutas na feira local. Mal ganhavam para o sustento, mas a mãe de Nami a fez prometer nunca abandonar os estudos.
Enquanto caminhavam pelo pátio, a estudante de meteorologia avistou seu cliente mais assíduo.
— Até mais garotas, tenho que continuar meus negócios — Nami subiu a escadaria da arquibancada, sentando-se ao lado do único torcedor fiel. – E aí Barto?
— Oi Nami, como andam as vendas? Soube que a diretora te pegou de jeito dessa vez.
— Pois é. Tenho que encontrar outra forma de conseguir dinheiro.
— E se eu te conseguisse um emprego no Cassino?
— Jura? — Os olhinhos de Nami brilharam.
— Meu tio é um dos sócios, posso falar com ele, mas Nami... — Barto coçou a nuca sem jeito – tem que me prometer que não vai tentar nenhuma besteira, tipo passar a perna nos apostadores.
— Claro que não! — a ruiva estendeu o mindinho – juro de dedinho que vou levar meu trabalho muito a sério e não causarei problema algum.
– Certo... — Barto estendeu o dedo – vou passar seu contato.
— Você é um amor Barto – Nami deu um beijo na bochecha do rapaz. — Já que vai me fazer esse enorme favor, eu tenho um presente pra você — a jovem pegou um envelope na bolsa.
Era uma fotografia do capitão do time de futebol, Luffy, no vestiário. O moreno estava vestido apenas com uma cueca boxer branca, algumas gotículas da água do banho ainda escorriam pelo seu abdome trincado, os cabelos úmidos jogados para trás e o sorriso sexy no rosto.
— Isso... Isso... — Bartolomeo começou a se abanar.
— Perfeição. Eu sei — Nami se gabou. — Não fiz mais cópias dessa, então é única. Exclusividade sua.
— Obrigado Nami-senpai! — o rapaz abraçou-a forte.
— Não há de que – Nami deu tapinhas em suas costas. — Já vou indo, faça bom proveito.
Barto não ficou para assistir ao final do treino. Tinha negócios mais urgentes para tratar em casa.
***
Nami pegava suas coisas pra ir embora quando um loiro, de sobrancelhas engraçadas, encostou-se no armário do lado.
— O que tem pra mim hoje?
— Aqui não Sanji — Nami o repreendeu.
— Eu preciso de material — o loiro choramingou.
— Credo! Você é nojento!
— No entanto é você quem vende o produto — debochou.
Nami torceu o nariz.
— Vai te custar o dobro.
— Tá querendo me extorquir?! — o rapaz berrou, incrédulo.
— Fala baixo! Dessa vez é diferente, o produto é de excelente qualidade. — Nami fazia seu preço — vai querer ou não?
— Você está querendo me vender drogas ou fotografias?
Nami o beliscou.
O loiro resmungou por alguns segundos, depois tirou duas notas altas da carteira. Nami lhe entregou um envelope e fechou o armário.
— Puta merda! — Sanji gritou novamente.
— Caralho! Como você é barulhento!
— Mas olha o tamanho disso!
— É. Eu sei... — Nami havia conseguido uma fotografia de Roronoa Zoro, o atleta mais desejado da universidade, completamente nu. — Imagina duro.
***
Bartolomeo trancou a porta do quarto e começou a andar de um lado para o outro, bagunçando os cabelos. Já havia feito aquilo inúmeras vezes, mas com imagens de revistas pornô ou conteúdo online. Usar a foto do seu senpai para bater uma punheta, parecia vergonhoso demais, quase se sentia culpado. Mas do mesmo jeito que sua cabeça latejava em pensamentos desconexos e contraditórios, algo em sua calça latejava de desejo, clamando por atenção.
Sentou-se na beirada da cama e abriu o zíper, colocando o pênis já ereto para fora da cueca. Pegou um daqueles ovos de masturbação com textura gelatinosa, cheio de espirais macias por dentro, encheu-o de lubrificante e colocou-o na ponta do falo. O gel gelado lhe causou um arrepio, mas logo se aqueceu com o atrito do brinquedo sexual, sendo movido de cima para baixo. Continuou até que precisasse de um estímulo maior, deixando o objeto de lado. Tirou a foto do bolso, aquela que havia ganho mais cedo da amiga contrabandista, e voltou a se masturbar com a mão nua.
Apertou o pau com firmeza, mantendo o ritmo acelerado dos movimentos. Deitou-se de costas no colchão, o rosto ruborizado por encarar a foto de seu amado. Gotas de suar começaram a escorrer de sua testa, abafou seus gemidos mordendo a ponta do travesseiro, sentindo a onda de prazer percorrer seu corpo. Estava extremamente duro, a urgente necessidade de gozar fazia seus testículos doerem.
Olhou novamente para a foto, observando cada detalha daquele corpo atlético bronzeado, parando o olhar sobre a cicatriz que achava excessivamente sexy. Foi então que com mais um menear das mãos, chegou ao ápice. Sentiu o orgasmo em forma de ejaculação, vindo das bolas até a ponta do pau. Gozou com força, jorrando porra sobre o próprio rosto.
Arfou repetidamente, exaurido pelo esforço. Desejou que fosse seu amado Luffy a fazer aquilo.
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