Paixão Secreta

5 Paixões Descobertas


Notas iniciais
A criatividade me abandonou, maldita. Mas encontrei ela por esses dias. Último capítulo dessa fanfic. Boa leitura.

A tarde estava perfeita para um piquenique, o céu claro com poucas nuvens e a brisa fresca criava um clima muito agradável. Nami andava de um lado para o outro na entrada do parque, esperando por sua convidada.

— Olá Nami-san. Esperou muito? — Robin chegou em um vestido lilás, sandálias de amarrar e um chapéu florido.

— Não, não. — Nami conteve a vontade de puxar a câmera e tirar algumas fotos. — Acabamos de chegar também. As outras garotas estão arrumando as coisas na sombra de uma árvore.

— Então vamos lá, estou ansiosa para conhecê-las melhor.

Lola e Chiffon já bebericavam um suco de laranja, enquanto Rebecca se empanturrava com os minis sanduiches.

— Mas vocês são umas esfomeadas né?! — Nami ralhou.

— Desculpe-me por fazê-las esperarem, trouxe um bolo de morango como compensação — Robin acomodou-se na ponta da toalha. — É da confeitaria que inaugurou há poucos dias.

— Aquela cheia de cerejeiras na frente? É tão fofinha. — Lola começou a servir as fatias — parece delicioso.

Conversaram sobre a faculdade, sobre os planos para as férias e sobre paqueras.

— Chiffon está namorando um homem mais velho — Lola contou sem pestanejar. — Mas nem eu sei quem é.

— O que?! — Nami ficou chocada. — Não sabia que estava a procura de um Sugar Daddy. Quem é? Conta!

— Lola! Tinha que dar com a língua nos dentes, né?! — Chiffon repreendeu a irmã. — Não posso dizer quem é. Ele é de uma família muito importante e ... Então não devemos chamar atenção.

— Bege Capone? — Robin soltou do nada.

Todas olharam curiosas.

— Como você sabe? — Chiffon perguntou perplexa.

— Só deduzi — a morena deu de ombros.

— Capone?! Família Capone?! — Nami surtou — você está envolvida com um mafioso, Chiffon?!

— Nami! — a mulher de cabelos róseos fez sinal para que ela não gritasse. — Sim! Meu deus! Não contém a ninguém.

Todas fizeram um sinal de fechar a boca com um zíper e mudaram de alvo.

— E você Nami? Cuida tanto da vida amorosa dos outros, mas ainda está sozinha – Rebecca provocou.

— E o que tem? É divertido — Nami sentiu um olhar observador, — mas bem que... Me interessei por águem... Faz pouco tempo.

As garotas a perturbaram para revelar o nome da pessoa, mas Nami se manteve firme com o segredo. Comeram e jogaram um pouco de vôlei, até que o sol começasse a se pôr. Foram embora e Robin acompanhou Nami até sua casa.

— Obrigada pelo passeio, te vejo segunda-feira — Robin se despediu.

— Espera... — Nami a segurou pelo braço. — O que acha de marcamos outra vez... Só nós duas?

Robin se aproximou e beijou docemente a bochecha da ruiva. Nami ficou rígida, sem saber como reagir.

— Também gosto de você, mas por hora devemos manter nossa relação de aluna e professora — a morena decretou.

Nami abateu-se, seus olhos começaram a umedecerem e ela fungou para não começar a chorar.

— Mas depois que se formar, se ainda estiver interessada — a arqueóloga sorriu — você poderá me procurar.

Deu as costas e foi embora, deixando a fagulha de esperança acessa no coração de Nami.

***

Sanji seguiu o endereço descrito na mensagem de texto, parando em frente a um antigo dojô. Não havia campainha, então bateu palma e chamou algumas vezes. Sem resposta, resmungou e virou-se para ir embora.

— Oi. — Zoro apareceu no portãozinho na lateral do terreno.

— O-oi... — Sanji voltou com as mãos enfiadas nos bolsos. — Não sabia que morava num dojô.

— A casa fica nos fundos – Roronoa fez um sinal para que o loiro o seguisse. — Na verdade moro com meu sensei.

Sanji observava a estrutura de madeira, nos fundos havia um pequeno jardim e uma meia-água bem simples. O quarto de Zoro tinha uma cama de solteiro, um gaveteiro e uma pequena televisão sobre uma mesa baixa. Sanji sentou-se no chão, sobre o tapete, enquanto Zoro trocava a camisa.

Não desviou o olhar do abdômen definido do espadachim, mas corou quando este soltou uma risadinha.

— Desculpe... — Sanji disse sem jeito.

— Tudo bem — Zoro procurava um par de tênis — sei que sou gostoso.

— Pff! - Sanji revirou os olhos, mas de fato achava o esverdeado delicioso.

O celular sobre o gaveteiro vibrou com o sinal de notificação. Zoro leu as mensagens no grupo e bufou.

— Tsc! Bando de arrombados. — Tirou os sapatos que havia acabado de calçar e se sentou.

— O que foi?

— Cancelaram o rolê.

Ficaram em silêncio por longos segundos.

— Acho que vou embora então — Sanji se levantou.

— Espera — Zoro o segurou pelo pulso. — Fica mais um pouco. Vou trazer algo pra gente beber.

O quarto era bem limpo e organizado, não que tivesse muita coisa para ocupar espaço, mas mostrava um lado diferente do espadachim. Sanji sentiu o perfume dos lençóis, aproximou o rosto e inspirou profundamente. Era o mesmo perfume que sentiu quando o marimo o encurralou na sala de aula.

— Tenho cerveja e amendoim – disse Zoro ao voltar da cozinha.

O loiro encolheu-se rapidamente, tentando disfarçar a meia ereção entre as pernas. Zoro fingiu não perceber, entregou-lhe uma garrafa gelada e sentou-se ao seu lado novamente. Ligou a TV, colocando num canal de música.

O começou a cantarolar, e apesar da vergonha, Sanji acabou acompanhando-o. Sem perceber já estavam de pé pulando e gritando, uma dúzia de garrafas vazias espalhadas pelo chão cômodo e alguns amendoins esmagados no tapete.

Se jogaram de costas na cama, rindo e arfando.

— Isso foi divertido. — Sanji olhou para o relógio de pulso — já está tarde, melhor eu ir embora.

Desta vez Zoro não o impediu, apenas o acompanhou até a saída.

— Podíamos fazer isso mais vezes... — Sanji balançava de um lado para o outro.

Zoro se aproximou, ergueu o queixo do loiro com um movimento sutil e o beijou demoradamente. O Vinsmoke nunca havia sido beijado de forma tão deleitosa. Foram os segundos mais rápidos e prazerosos de toda sua existência.

— Pode voltar aqui amanhã, a gente sai pra comer algo — Zoro disse.

— Achei que ia sugerir que eu cozinhasse algo, já que sou estudante de gastronomia — Sanji ainda tinha o rubor nas bochechas.

— Não no primeiro encontro – Roronoa sorriu de canto.

Sanji apenas concordou e foi embora, saltitando.

***

Segunda-feira, Bartolomeo acordou mais ansioso do que alguém que toma expresso de estomago vazio. Estava nervoso para encontrar Luffy. Ficou procupado com a ideia de o capitão do time de futebol ignorá-lo completamente, fingir que nada havia acontecido no sábado passado. As lembranças luxuriosas vieram-lhe à mente, o rosto corou e o coração acelerou mais ainda. Jogou uma água fria no rosto e foi para a faculdade.

— Ei, Barto!

Foi a primeira coisa que ouviu ao atravessar o portão do campus. Luffy acenava de longe, mas antes mesmo que Bartolomeo pudesse responder, o capitão foi cercado pelos outros colegas. Mas o punk não ficou triste com aquilo, muito pelo contrário. Um sorriso de orelha a orelha estampou seu rosto, pois seu senpai finalmente o estava notando.

As aulas começaram e ambos não conseguiram mais se ver pelo resto do dia. Terça-feira a mesma coisa aconteceu, Luffy sempre estava cercado por amigos, rindo e falando alto. Ao meio-dia, Bartolomeo foi almoçar sentado sob a goiabeira, plantada de frente pra cozinha, mas o lugar a sombra já estava ocupado.

— Senpai? — o rapaz ficou surpreso por ver o moreno ali sozinho. — Está tudo bem?

— Sim, eu só queria um pouco de sossego — Luffy repondeu esticando as pernas.

— Ah... — Barto girou sobre os calcanhares, pronto pra dar meia volta.

— Você pode ficar... — Luffy o segurou pela mão. — Posso ser eu mesmo com você.

O estudante de mullet verde assentiu, os olhos levemente úmidos devido a emoção. Sentou-se no gramado e abriu a marmita.

— Uau! Macarrão com salsicha! — Luffy disse com os olhos brilhando. — Adoro macarrão com salsicha.

— Você quer um pouco?

— Ah não, não, obrigado.

Com os hashis, Bartolomeo pegou uma salsicha em forma de polvinho e estendeu em direção ao jogador, que abocanhou a comida, sorrindo. Por fim acabaram dividindo o almoço, e alimentar seu senpai foi mais um sonho que o punk havia realizado.

— Posso te fazer uma pergunta?

Luffy acentiu.

— O que você quis dizer com... “Posso ser eu mesmo com você”?

— Exatamente isso. — Ao ver a expressão confusa do outro, Luffy completou — quero dizer que não preciso ser o atleta enérgico e sorridente, o badboy que nunca é visto acompanhado porque tem muitas opções.

Bartolomeo fez uma expressão desgostosa.

— Pois é... — Luffy continuou — parece que todo mundo espera que capitães de times de esportes, sejam grandes exemplos de heterossexualidade. Aposto que Roronoa Zoro passa pelo mesmo.

— Do clube de kendô?

— Sim. Vai dizer que não percebeu algo entre ele e o loiro do curso de gastronomia?

Bartolomeo negou, meio envergonhado.

Luffy começou a rir, uma risada gostosa e sincera. Até que o sinal soasse e cada um tivesse que seguir novamente em direções opostas.

Quarta-feira de jogo, o time da cidade vizinha viria para uma partida amigável, e como de costume, Bartolomeo estava na arquibancada. Mas desta vez estava cercado por garotas enlouquecidas que torciam com seus pompons de papel brilhante, que só não chacoalhavam mais do que os seios que quase escapavam dos sutiãs.

— Sai pra lá, vaca leiteira! — Desire empurrou uma das garotas pra poder se sentar ao lado do amigo. A garota abriu a boca para reclamar, mas mudou de ideia ao ver a carranca da mulher de moicano vermelho.

— Você parece uma arara vermelha psicopata – Barto comentou.

— Obrigada — Desire se sentou. — Como está o jogo?

— 2x1. Luffy acabou de fazer mais um gol.

Desire estranhou o modo como seu amigo falou sem muita emoção sobre seu querido e amado senpai. A partida teve acréscimo de 5 minutos, tempo suficiente para que o capitão marcasse mais um gol, terminando em 3x1 para o time da casa. As garotas histéricas correram para o campo, rebolando todo o traseiro que não tinham; uma morena peituda se pendurou no pescoço de Luffy, esfregando toda sua fartura. Bartolomeo revirou os olhos e se levantou para ir embora.

— Espera aí — Desire o segurou pela barra da calça — parece que alguém quer falar com você.

O capitão do time vinha correndo, tirou a camisa para enxugar o rosto suado e subiu a escadaria.

— Obrigado por tem vindo torcer.

— Acho que eu não precisava ter vindo, você parece ter muitas fãs... — Bartolomeo enfiou as mãos nos bolsos da calça, fazia isso sempre que estava chateado.

Luffy ergueu-se na ponta dos pés e puxou o punk pelo colarinho. Selou seus lábios sem aviso, sem receio ou pudor algum. Evolveu-lhe o pescoço com os braços, enfiou a língua entre os dentes pontiagudos, beijando-o com o folego de um mergulhador.

Barto agarrou o menor pela cintura, colando o corpo suado ao dele. Depois de quase um minuto, correndo o risco de serem presos por atentado ao pudor, finalmente pararam para respirar. Desire piscou para o amigo e enxotou algumas intrometidas que tentavam se aproximar do casal.

— Luffy-senpai... Eu não sei o que você está fazendo, mas..., mas... — Bartolomeo começou a choramingar — eu te amo tanto!

O menor secou as lágrimas do esverdeado com a ponta dos dedos.

— Estou te amando também, bobo — admitiu.

— E-e agora? O que a gente faz? — Barto queria se enfiar num buraco, tamanha a vergonha.

— Uhm... Deixa-me ver. Ei Usopp! — Luffy fez um sinal com as mãos.

— Ata! — o desenhista narigudo tateou os bolsos e jogou um objeto redondo.

Monkey D. Luffy segurou a mão direita do punk, posicionando um anel de coco em seu dedo indicador.

— Quer namorar comigo?

Bartolomeo desabou-se em lágrimas de felicidade e realização.

— Sim!

Notas finais
Espero que tenha gostado e obrigada por acompanhar :3.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!