Minhas férias não podiam ser melhores. Cada vez que os dias se passavam, a necessidade de ficarmos juntos, eu e Rob, era maior. Então, ele agora me pegava pela manhã no hotel, passava o dia inteiro comigo, seja em seu apartamento ou nas praiazinhas do sul, onde ele gostava de ficar sozinho, e só me devolvia ao hotel tarde da noite, para que eu pudesse dormir com mais privacidade.

Nosso relacionamento estava ficando mais sério e mais intenso, e eu me perguntava constantemente o que aconteceria quando eu partisse.

Faltavam apenas seis dias para meu retorno ao Brasil. Eu estava no apartamento de Rob, enquanto ele preparava um lanche para nós dois. Era fim de tarde e eu aproveitei para checar meus e-mails em seu laptop.

Alguns de minha família, outros de amigos, todos querendo saber se eu estava curtindo, onde estavam as fotos, se havia alguma novidade. Óbvio que eu não contaria nada sobre Rob. Havíamos combinado que seríamos só nós dois, e que não deixaríamos essa notícia vazar.

Claro que não seria tão fácil assim, visto que fomos juntos a diversos lugares públicos, desde minha chegada a L.A.

E então, foi quando eu vi a matéria num site dedicado às fofocas de celebridades. Dizia assim:

\"Parece que o nosso querido Robert Pattinson, o Edward Cullen dos filmes Twilight e New Moon, está namorando. Nada é oficial, não existem fotos para comprovar, mas o ator hollywoodiano mais cobiçado do momento foi visto com uma garota em diversos locais públicos nas últimas semanas. A maioria, restaurantes longe do centro da cidade.

O ator, que atualmente está se preparando para as gravações de Eclipse, mais um filme da saga Twilight, desmente a informação em nota à Imprensa.

\'Tudo isso são boatos. Eu continuo solteiro.\' diz Rob.

Seu acessor de imprensa informou que o envolvimento com garotas agora só atrapalharia a concentração e o trabalho do astro. \'Mas não se preocupem\', ele emendou. \'Ele está disponível. Basta alguma garota tocar seu coração\', encerra.

O ator ficou conhecido por protagonizar Edward Cullen, um vampiro apaixonado que...\"

Eu não pude ler o resto. As lágrimas estavam embaçando minha visão. Eu senti minha face arder, e tive que me apressar em limpar os vestígios no meu rosto quando ouvi a voz de Rob voltar de dentro da cozinha. Limpei meus olhos e desliguei o computador.

\"Você vai adorar esse suco aqui...\" ele parou de falar abruptamente ao me ver.

\"O que aconteceu?\" Ele se abaixou ao meu lado.

\"Nada, não.\" Mas minha voz quebrou, e ele não se convenceu.

\"Você estava chorando?\" Ele parecia horrorizado.

\"Não... é só que eu vi alguns e-mails e fiquei emocionada, só isso.\" Inventei essa, ele pareceu engolir. Então ele tentou me abraçar, mas eu fiquei de pé.

\"Tenho que ir agora.\"

\"O que aconteceu? Por que você tem que ir?\" Ele estava vizivelmente confuso.

Eu não conseguia olhar para ele, eu só queria fugir dali. Eu estava sentindo dor demais para continuar a vê-lo.

\"Por favor, Robert, chame um táxi para mim.\"

Ele parou, o choque cruzou seus olhos.

\"Você me chamou de Robert.\" Ele afirmou, numa conclusão dolorosa.

\"Sim, este é o seu nome, não é?\"

Ele me observou. Não sei que conclusões ele tirou, mas aparentemente decidiu não discutir. Silenciosamente, pegou suas chaves e me conduziu ao elevador. Não protestei. Deixei que ele me levasse até o hotel.

O silêncio parecia palpável dentro do carro, mas nenhum de nós dois queria quebrá-lo. Ele parou na frente do hotel e eu saltei.

\"Não vai mesmo me dizer o que aconteceu?\" Seus olhos eram suplicantes.

Eu fiquei em silêncio, olhando para ele.

\"Eu não faço parte de seu mundo, Rob. Parece que você mesmo já sabe disso, não é?\" Ele parecia confuso com minhas palavras, mas eu não quis mais continuar ali. Entrei correndo no hotel, indo direto para o elevador.

Quando as portas se fecharam e eu me vi sozinha, eu deixei toda minha dor fluir e chorei copiosamente.

Subi pro meu quarto e liguei para a recepção, pedindo que fechassem minha conta. Liguei para o Aeroporto e tentei reservar as passagens aéreas. Por pura sorte, consegui um vôo para o Brasil, com conexão na Argentina, naquela noite, pois havia uma desistência.

Arrumei minhas malas rapidamente, sem parar de chorar, e fui tomar um banho.

\"Eu não devia ter permitido que tudo isso chegasse àquele ponto.\" pensei comigo mesma. Eu estava sofrendo, e não via razão para continuar ali. Eu apenas antecipara em cinco dias o que já estava marcado. Eu teria que partir de qualquer forma. Então, que eu fosse o quanto antes.

Paguei minha conta no hotel e entrei no táxi, que já estava me esperando. Cheguei ao Aeroporto com três horas de antecedência e fiquei impaciente. Agora, que meu corpo esfriara, que eu estava sentada no saguão aguardando meu vôo, agora que eu não tinha mais nada com o que me ocupar, inevitavelmente Rob preencheu todos os meus pensamentos. E a dor aumentou.