Paixões gregas - Sempre te amei(Degustação)
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Pov – Annie
─Me alcança o espelho. – Ava pede sentada em sua cama no fim da tarde.
─Nada disso mocinha. Só quando eu acabar. – Termino o cabelo, saio de cima de sua cama para olha-la de frente. – Está linda.
─Você que é linda. Agora deixa eu ver seu trabalho. – Pego o espelho. Gosto de ver Ava sorrir, ela fala pouco, mas tem olhos vivos.
─Está uma gata. Vai acabar arrumando um namorado logo, logo.
Guardo o espelho. Ajudo Ava a se deitar, cubro suas pernas. Beijo sua testa enrugada. Ela aperta minha mão. Uma semana e já me apeguei.
─Bom descanso Ava, volto na segunda-feira.
─Obrigada querida. – Não sei se ela sabe quando é segunda-feira, não sei se sabe de qualquer coisa.
Me viro e dou de cara com Nick. Ele tem um leve sorriso. Fico ali olhando para ele e pensando que em poucos dias ele vai embora por três semana e só de pensar meu coração se aperta.
Nunca me senti tão perto de alguém, só uma vez, uma pessoa me fez tão bem. Me deu tanta coragem, força e vontade de continuar. Meu príncipe que me deixou e desapareceu para sempre.
─Não sabia que estava aqui.
─Houve uma emergência. Eu vim resolver. Está de saída?
─Sim. Coloquei todos os meus velhinhos na cama. – Sorrio orgulhosa, ele continua me olhando.
─Soube que eles te adoram.
─É acho que sim. Obrigada. Não sabia que podia fazer algo assim.
─Pode. Acho que é perfeita para isso. – Afirmo, acho que poderia sempre fazer isso, mas sei que quando a senhora Kalais voltar e eu tiver que deixar essa vida perfeita e passageira não vou mais ter tempo para nada disso. Mesmo assim vou achar um jeito de vir vê-los, nem que seja só uma visita de vez em quando. – No que está pensando?
─Eu? Nada demais. Ainda vai ficar aqui?
─Não. Estou indo para casa.
─Já? – Olho no relógio do corredor. Cinco e quinze. – Desculpe, é que sempre acho que tem que chegar quando o jantar estiver pronto, se não acho que estou deixando meu trabalho de lado.
─Esse raciocínio não faz sentido, de qualquer modo não é como se estivesse ansioso pela sua comida. – Faço uma careta.
─Eu sei. Não sei porque não me demite.
─Agora não posso, Ava ficaria brava comigo, e o senhor Fernandez, cruzei com ele mais cedo. Ele disse que dessa vez é sério. Quer mesmo se casar com você.
─Se não fosse essa minha decisão de não casar eu bem que aceitava. – Chegamos do lado de fora do prédio. Nick aperta um botão e o carro faz barulho. – Carro de magnata grego.
─É um bom carro. Só isso.
─Aposto que gosta um pouco da velocidade.
─Em Nova York? Não, quem gosta disso é o Ulisses.
─Casado com Sophia. – Adoro ficar decorando as coisas sobre a família dele. Deve ser bom ter uma família grande, um cuidado do outro. Ninguém nunca se sente sozinho.
─Acertou.
O carro ganha as ruas e me distraio com a paisagem. De vez em quando olho para Nick. Gosto das mãos dele ao volante. É charmoso, me sinto bem ali, ao lado dele dentro de um ambiente tão reduzido que é sempre tão íntimo.
─Por que foi chamado? Pode dizer?
─Uma questão jurídica. Uma família está sendo despejada, por falta de pagamento.
─Conseguiu ajuda-los?
─Sim, eu consegui um acordo, o senhor Wilson começou num emprego novo há umas semanas, ele só precisa de mais um prazo, eu consegui.
─Com o proprietário?
─É. Eles têm quatro crianças. Os dois trabalham, são gente boa, as crianças passam a tarde na associação.
─Então você pagou a dívida e o dono da casa prometeu que quando receber vai devolver, para você ou para a associação? – Ele me olha surpreso como se não esperasse que eu descobrisse seu segredo.
─Como sabe?
─Foi um palpite.
─Ele vai receber o dinheiro normalmente para o senhor Wilson não se sentir humilhado e vai doar para a associação. Não é nada demais, eu doaria esse dinheiro a associação do mesmo jeito, meus irmãos doam, meu assistente.
─Coloca todo mundo para ajudar.
─Não. Doar dinheiro quando sobra não é grande coisa. Você ajuda. Cuida dos idosos. Com seu tempo, seu esforço, mas claro que dinheiro é necessário e sou muito grato pelo que fazem. Meus irmãos ajudam muitas instituições.
─Sua viagem está chegando, o que acontece se tiverem um problema quando está fora?
─Somos três advogados, os outros dois ajudam e qualquer coisa eles me ligam.
─O que quer jantar? – Pergunto quando o carro entrava na garagem. Ele sorri.
─Faz alguma diferença? Seja o que for vai queimar ou ficar cru.
─Você podia ao menos fingir.
─Se te consola meu irmão Ulisses não sabe nem fazer café com ajuda da cafeteira.
─Consola. – Nick vai direto para o escritório quando subimos, lavo minhas mãos e começo o jantar. Carne assada. Gloria repetiu a receita cinco vezes enquanto eu dava sopa a ela. Não pode dar errado.
Uso os temperos que ela disse, coloco na assadeira e cubro do jeitinho que ela falou, marco o tempo e aproveito para tomar banho e depois quando desço preparo purê de batata.
O relógio apita e tiro a assadeira do forno, a carne está metade torrada.
─Ingrata. Te tratei com tanto carinho. – Cruzo os braços encarando aquela casca preta. Glória pode ter se confundido no tempo, ela tem oitenta e sete anos. Nick para ao meu lado.
─Sushi? – Ele pergunta e suspiro. – Não é agora. – Completa sabendo qual seria a minha pergunta.
─Desculpe, mas acho que dessa vez a culpa é da Glória. Aprendi a receita com ela.
─Não tem problema. – Ele nunca fica bravo ou reclama quando erro a comida, nunca acha ruim de me acordar quase toda noite dos meus pesadelos, as vezes acho que ele é só um sonho, que em algum momento vou acordar em algum buraco escuro e solitário. – Eu ligo e peço o jantar.
─Obrigada Nick. É muito generoso.
Podia dizer mais, mas me calo, fico chateada de não conseguir nunca acertar. Ele é tão bom comigo, queria devolver de algum jeito.
─Eu vou ligar.
Fico sozinha, penso na saudade que vou sentir e se fosse um pouco esperta eu fugiria logo, vou sofrer muito quando acabar. Ele é tão especial. Queria fugir do que me faz sentir, de como sempre fico com vontade de chegar mais perto, de tocar nele.
Ninguém pode se apaixonar assim, isso não pode estar acontecendo, eu não posso gostar dele desse modo, ele não é especial por que sou eu, ele é especial por que é ele, ele é assim com as pessoas, ele cuida, se preocupa, é gentil.
Não posso interpretar isso errado. Ele é milionário, nunca se envolveria comigo, não tenho nem mesmo direito de sonhar com isso. O que preciso fazer é me lembrar sempre de quem ele é e quem eu sou.
Acontece que ele não ajuda. Ele é gentil e preocupado demais para me permitir ignorar isso, comemos sushi juntos, aproveito para saber mais da associação, conto dos meus velhinhos. Nick tem os olhos atentos, ele me escuta e isso é novo para mim, as pessoas nunca querem me ouvir.
Depois ele volta para seu trabalho e acho muito estranho que jovem, rico e bonito como é ele passe a noite de sexta trabalhando, eu sei que ele guarda com ele alguma tristeza, da para ver em seu olhar.
Também sei o quanto ama e admira os irmãos, sinto no tom orgulhoso quando fala deles, principalmente Leon, mas ele não vai muito longe, não fala sobre os pais, não sei nem mesmo se morreram ou estão por aí.
Nem vou perguntar, apesar da curiosidade acho que preciso de um limite. Penso na garota alta e elegante que deve estar bem brava de não poder sair com ele na noite de sexta porque ele tem que trabalhar. Com certeza essa garota existe ou várias delas.
Isso até machuca um pouco, me encolho mais na cama tentando pegar no sono enquanto só fico esperando seus passos pela escada. Ele demora a ir dormir. Queria poder ficar perto dele enquanto trabalha. Eu podia só me sentar perto e ficar lendo ou ouvindo música enquanto ele ficava lá com aqueles papéis de letrinhas miúdas.
Acordo quando o dia amanhecia, estou suada e olho em volta em busca de Nick. Fico aliviada quando me dou conta de que acordei antes de gritar. Aquele maldito lugar nunca sai de dentro de mim.
Dia e noite ele me assombra com memórias. Sempre foi um inferno, mas quando o príncipe estava lá ao menos eu tinha com quem dividir meu medo, depois era só eu naquela disciplina, repetindo que os ratos é que tinham medo de mim. Era só eu me escondendo o dia todo com medo de encrenca e então era noite e nos recolhíamos nos quartos e ser uma garota só dava mais elementos para a tortura.
Me enfio na água fria para não pensar. Não vou voltar para cama e sonhar de novo. Saio para corrida junto com o sol, quando volto Ted já está na portaria. Ele me lança aquele olhar de desprezo e penso em ligar para Trace e avisar que estou bem. Nem me atrevo a mandar recado por ele.
Nick acorda depois das dez. Eu sinto quando se aproxima só pelo perfume.
─Bom dia. – Tento sorrir, hoje estou triste demais para isso.
─Bom dia. – Ele sorri se sentando no banco para o café. Se espanta quando olha tudo que preparei. – O que...
─Pode comer sem medo, eu me esforcei muito, tem bacon, panqueca, no singular por que só essa deu certo, ovos mexidos, esses foram fáceis.
─Estou impressionado. – Aquilo me deixa bem feliz, até apaga um pouco a tristeza que ando sentindo. Fecho o livro de receitas e vou me sentar com ele para vê-lo comer. – Está tudo muito bom.
─Obrigada. Vai trabalhar?
─Estou cheio de coisas para fazer. Infelizmente não tenho escolha. E você vai fazer o que?
─Arrumar meu quarto.
─Dormiu bem?
─Uhum.
─Quando mente faz uhum. – Ele diz e meu coração dá um leve pulo. Me lembro do príncipe dizendo isso.
─Foi tudo bem de noite gatinha. Dormiu?
─Uhum?
─Sempre faz uhum, quando não quer contar. Daí parece mais ainda uma gatinha.
─Queria que as meninas pudessem dormir perto dos meninos, de noite sinto falta de ficar perto de você príncipe, as meninas choram as vezes, entra gente lá.
─Se um dia forem perto de você, não se rende sem lutar, mas não esquece, aqui só tem crianças e não vamos ser crianças para sempre. Um dia saímos daqui.
─Está tudo bem? Ficou pálida. – Nick toca meu braço me despertando. Sua mão em mim me acalma.
─Só... Obrigada por se preocupar, eu estou realmente bem.
─Então a gente se vê no almoço. Vou trabalhar.
Afirmo sem fala, demoro para me refazer e voltar ao trabalho, depois do almoço, que não fica tão ruim, mas também não fica bom eu ando por toda casa em busca de algo fora do lugar. Encontro um copo, um livro e um par de chinelos, tudo meu, nada dele.
Nick me paga para arrumar minha própria bagunça e a ideia me faz rir. Então o telefone toca, tomo um susto, é a primeira vez que ele toca desde que estou nessa casa há quase duas semanas. Até demoro para decidir o que fazer, mas pego o aparelho sem fio e levo ao ouvido.
─Alô.
─Boa tarde. – Uma voz sensual e feminina me leva a uma careta. – Gostaria de falar com o senhor Stefanos.
─Quem gostaria? – Pergunto educada, penso que talvez seja uma das cunhadas, internamente torço para ser.
─Diga a ele que é Cindy.
Está aí a garota alta e elegante que claro se chama Cindy. Meu coração fica apertado quando obrigo minhas pernas a levarem o telefone para ele.
─Aguarde um momento.
─Obrigada.
Entro em seu escritório sem pedir licença ou bater, a porta nunca está fechada e eu sempre entre de qualquer modo, ele não liga. Estendo o telefone.
─A alta e elegante Cindy quer falar com você.
─Quem? – Ele ainda se faz de desentendido. Deve ter umas cinquenta Cindys na agenda dele.
─Cindy. – Repito balançando o telefone que queima meus dedos.
─Cindy. – Ele busca na memória. Parece se lembrar. – Ah! Você a conhece? – Ele quer bater papo enquanto Cindy espera na linha. – Disse alta e elegante.
─Ela se chama Cindy, está ligando para você, só pode ser alta e elegante.
─Você se acha baixinha? – Ele me pergunta enquanto meu braço continua estendido e Cindy aguarda.
─Eu não sou baixinha, tenho um metro e sessenta e oito. Se o salto for bem alto. Não deixe a Cindy esperando. – Coloco o telefone na mesa já que ele parece nada disposto a pega-lo. – Vou visitar a Sarah.
─Eu devia estrangular o Simon. – Ainda ouço ele dizer antes de sumir pela cozinha. Aperto o botão do elevador com dedos trêmulos, a porta se abre e quando fecha e aperto o nove as lagrimas começam a correr e não consigo controlar.
─Annie. – Sarah diz assustada quando a porta do elevador se abre, Bob saltita feliz em me ver, eu o pego no colo. – O que aconteceu, aquele senhor Stefanos te maltratou? Senta. – Ela me puxa para o sofá, Bob muito gentil me lambe tentando me consolar. Queria muito ter um cachorrinho.
─Não. Eu tenho ciúme dele. – Admitir me faz derreter em lágrimas.
─Ai meu deus. Está apaixonada por ele? Eu sabia.
─Não precisa me chamar de burra, eu já sei disso. – Ela me abraça e continuo chorando.
─A gente não escolhe essas coisas. Não chora. Quer beber alguma coisa? Uma dose para se acalmar.
─Não, eu não bebo, só precisava ter uma crise de choro. Ainda estou tendo. – Continuo chorando, Bob, se abanando e me lambendo e Sarah segurando minha mão até que me acalmo. Seco o rosto.
─Melhor?
─Muito.
─Quer me contar?
─Estou apaixonada por ele. Não sei como aconteceu.
─Ele é lindo e trata você muito bem, mais do que isso, dá para ver quando os vejo passando por aí. E tem as coisas que me conta. Quer dizer, te acordar a noite, chama-lo de Nick quando todo mundo, até eu, o chama de senhor Stefanos, comerem juntos. Ele deixou que se apegasse. Não é só culpa sua.
─Isso mesmo, a culpa é toda dele. – Ela sorri secando minhas lágrimas. – Agora uma tal de Cindy ligou para ele, queria ter desligado na cara dela, e ainda tem essa viagem, vou ficar um tempão sem vê-lo e depois a senhora Kalais volta e estou na rua. Sem ele, que é a mesma coisa que perder tudo.
─Bom, quando ela voltar não vai estar na rua e nem sem emprego, já disse isso.
─Você é outro presente que ganhei quando cheguei aqui.
─Não é nada demais. Tenho uma rede de hotéis, vai ter um emprego em algum deles, e um quarto para morar no hotel, não te convido para ficar aqui conosco, não é Bob. Por que ficar encontrando com ele toda hora não vai ajudar em nada.
─Vou encontrar com ele na associação.
─Deixe a associação, não é o único lugar do mundo que pode fazer trabalho voluntário.
─Não vou deixar meus velhinhos. Eles gostam de mim de verdade. Nem ligam para quem eu sou, não se importam.
─Por que não quer me contar?
─Não consigo falar disso Sarah, um dia eu conto.
─Vamos na cozinha. Vou te fazer um chá.
Seguimos para cozinha. Bob nos esquece e sentamos numa mesinha na varanda com nosso chá.
─Mais calma?
─Sim. E com vergonha. Acho que ele pode ter percebido. Faço tudo errado e ele é tão bom para mim. Nem consigo fazer uma comida descente em gratidão.
─Eu disse que ensinava, mas se enfia o dia todo com os idosos.
─Eu gosto deles. Me divertem, são carentes, me dão colo também. Eu nunca tive isso, não de um adulto. – Só meu príncipe me dava abraços, será que quando cresceu ele conseguiu carinho? Ele precisava. Até mais que eu. Ninguém nunca tinha abraçado ele até eu fazer isso.
─Pensando nesse passado que não quer contar?
─É, mas na parte boa. – Termino o chá. – Obrigada Sarah. É bom poder vir aqui as vezes e conversar. Brincar com o Bob.
─Também gosto muito. Moro sozinha e minha mãe está no Texas com o novo marido, vejo muito pouco ela e meus irmãos.
─Por que não vai morar com eles? Quem cuida dos hotéis é aquele seu tutor. Não precisa ficar aqui.
─Os hotéis são tudo que importava ao meu pai, ele amava cuidar deles, ano que vem faço vinte e cinco anos e assumo tudo como ele deixou no testamento, quero estar pronta para cuidar das coisas quando chegar a hora.
─Vai cuidar muito bem de tudo. Sei disso.
─Espero que sim. – Fico de pé.
─Tenho que ir.
─Amanhã é sua folga. Vem passar o dia comigo.
─Amanhã é dia de jogo dos Jets.
─Isso é mesmo estranho, os olhos brilham.
Sarah me acompanha ao elevador. Beijo e aperto Bob enquanto espero a porta abrir. Quando abre abraço Sarah em gratidão. Não quero mais pensar sobre Nick e o que sinto por ele.
Quando entro sigo direto para cozinha. Abro a geladeira e pego água. Quando fecho ele está parado na porta me olhando, mais uma vez me assusto.
─Não queria te assustar.
─Eu sei, eu é que me assusto fácil. Com fome?
─Não. E não precisa se preocupar com o jantar. Pedimos alguma coisa.
─Tudo bem. Amanhã tenho um compromisso, não vou estar aqui a tarde toda. Não tem problema né?
─Compromisso? – Ele pergunta e deve mesmo achar estranho, não conheço ninguém, não faço nada de útil além dos meus velhinhos.
─É. Se quiser posso deixar almoço pronto.
─Não. Eu também vou ficar fora a tarde quase toda, não se preocupe comigo. É sua folga de qualquer modo. – Aposto que é a Cindy. Penso irritada. – O que vai fazer agora?
─Nada.
─Pensei em ver um filme, estou cansado de trabalhar. Quer? – Achava que ele nunca se cansava disso, quase parece que ele quer só me agradar. Como se estivesse tentando consertar as coisas depois do telefonema de Cindy.
─Eu faço a pipoca. – Não consigo não ficar feliz de me sentar perto dele e ficar só distraída assistindo um filme. – Mas nada de terror, psicopata, fantasma, drama com sofrimento de criancinha e... Acho que é só.
─Uma comédia. – Ele diz rápido.
─Tá, sou ótima de fazer pipoca. Quer ver?
─Acho que só temos aquelas de micro-ondas Annie.
─É essa mesma que estou falando.
─Boba. Te espero na sala de tevê.
─Leva suco. E chocolate. Vai querer que eu sei. – Ele sorri, meu coração pula frenético.
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