Paixões gregas - Sempre te amei(Degustação)
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Pov – Nick
Minha gatinha aqui. Dormindo feito um anjo, linda e suave. Fico olhando para seu sono tranquilo e sinto vontade de acorda-la, beijar seus lábios, passar o dia com ela. Encaro o relógio, quase seis da manhã.
Acordei apenas para olhar para ela. E não consigo parar de fazer isso. Acho que nunca mais vou conseguir parar de olhar para ela. Nunca tinha pensado em nós dois desse modo, ainda guardava na memória apenas a garotinha assustada que eu tentava proteger. É como se apenas eu tivesse crescido, como se ela tivesse ficado presa naquela infância infeliz.
Mas ela cresceu assim como eu, passou muito mais sofrimentos que eu e mesmo assim ainda pode sorrir, sonhar, fazer coisas boas. Nunca mais vamos nos separar, nunca mais ninguém vai machuca-la.
─Droga! – Sussurro me lembrando que tenho que embarcar amanhã para uma viagem de três semanas. – Não agora. Nem pensar.
Saio da cama apressado e evitando barulho, sei lá quando foi a última vez que ela teve uma noite de sono assim. Levo o celular para o closet. Ligo para Simon enquanto vou separando uma roupa apressado.
─Nick! – Simon atende com voz de sono.
─Precisamos cancelar a viagem, adiar, uma semana, duas, três semanas.
─O que? Nick o que aconteceu? Alguém morreu? Está doente? Foi abduzido?
─Para de fazer perguntas e me encontra no escritório agora.
─Você sabe que são seis da manhã?
─Meia hora Simon.
─Tá, estou indo. Vocês Stefanos são muito excêntricos.
Desligo, tomo uma ducha pensando na desculpa que vou dar aos meus irmãos, me visto apressado, paro na frente da cama, não tenho coragem de acorda-la, está tão linda.
─Volto assim que puder. – Sussurro antes de descer apressado. Nosso primeiro dia juntos e nem posso aproveitar.
Simon chega cinco minutos depois de mim, invade minha sala todo bagunçado com a gravata na mão.
─É ela, não é?
─Ela quem Simon? – Me faço de desentendido.
─A nova senhora Kalais, só pode ser ela. Já vi que sim. Estão tendo um caso? Ela parece ser...
─Parece ser o que Simon? – Pergunto irritado.
─Calma, ia dizer que ela parece ser especial, que combinam apesar de ela ser maluca. Entende mais de futebol que nós dois e metade dos Jets.
─É linda, não é? Assobia feito um moleque de rua.
─Só aquele assobio já merecia meu respeito.
─Simon temos que remarcar tudo, ligar para o Zyar e o Mark, refazer minha agenda. – Olho para sua gravata na mão.
─Eu ainda não aprendi e minha secretária não chegou. – Ele me estende a gravata. – Não reclama, já fez isso um monte de vezes.
─Não fica com vergonha? – Pergunto quando começo a fazer mais uma vez o nó de sua gravata.
─Não eu sou formado em Harvard, meu cérebro guarda muitas informações para gastar espaço com isso, tenho uma secretária para isso e um dia vou ter uma esposa.
─Fica quieto! – Ele não para de se mexer, não consegue usar só a boca quando fala e detesto nó mau feito.
─Já até imagino ela levantando nua da cama toda manhã e fazendo os nós da minha gravata e depois....
─Não quero saber suas fantasias sexuais Simon. – Ele se cala. – Pronto. – Coloco as mãos sobre seus ombros e o faço me olhar. – Presta atenção, vamos dizer aos meus irmãos que eu tenho que resolver um problema grave na associação.
─Tem vergonha de apresenta-la para eles por que ela assobia feito um moleque?
─Claro que não. Nós precisamos de tempo, não é uma história simples, ela... Annie cresceu comigo no abrigo. Temos que vencer coisas...
─Sobre aquela história de você ter passado por coisas lá que não quer que seus irmãos saibam?
─Sim. Sabe como eles são, querem saber tudo, cuidam uns da vida dos outros e eu não estou pronto para isso. Annie e eu temos uma longa história, achava que ela estava perdida e agora eu....
─Que fofo, amor de infância.
─Cala a boca Simon! – Ele ri.
─Vou para minha sala cuidar do seu ataque excêntrico. Eu devia ser adotado pelos Stefanos.
Corremos o dia todo para arrumar minha agenda, evito avisar os irmãos até o meio da tarde, Ulisses passa o dia todo fora em reuniões e quando chega obvio que já sabe. Zyar ou Mark devem ter contado a ele. Só quero sair logo daqui e ir para casa ver Annie, eu devia ao menos ter ligado, mas não fiquei sozinho um minuto e isso é por nós. Para termos mais tempo juntos.
─O que aconteceu caçula, Leon está prestes a ter um ataque por que o caçula queridinho desmarcou tudo.
─Não é nada demais, nada que você já não tenha feito mil vezes. – Rebato quando ele se senta diante de mim e fica tentando me analisar. Odeio ser o centro de tudo.
─Eu sou o irmão inconsequente, todo mundo espera isso de mim, mas você é o irmão certinho viciado em trabalho.
─São problemas na associação, não posso viajar sem cuidar disso antes.
─Quer que eu viaje para você?
─Não cancelei Ulisses, só adiei uns dias.
─Posso ajudar? Na associação? Quer que um dos nossos irmãos venham, os dois?
─Pode por favor não fazer disso um drama? Não é nada demais. Não estou deixando meus compromissos de lado, eu... Eu vou tá bom? Já reorganizei tudo e vou.
─Nick. É nosso sócio, não empregado, não precisa assumir tudo, pode pedir ajuda. Faço isso toda hora. Todos nós fazemos, menos você.
─Eu estou bem, não quero incomodar ninguém, nem tirar ninguém da sua rotina, eu só... – Estou completamente apaixonado e morrendo de medo de ficar longe dela. – Só preciso de uns dias para cuidar de tudo. Nem vai afetar meu trabalho aqui.
─Ok. Eu tentei, larguei uma reunião no meio por que o Leon está prestes a ter uma sincope, o bebezinho dele desmarcou reuniões, só pode estar com problemas. Salvem meu bebê! – Ulisses provoca.
─Vou ligar para ele e para o Heitor. Em três semanas viajo como previsto.
─Só espero que tenha calculado bem para estar na ilha no seu aniversário, quem sabe já fica para o da Lizzie. – Eu tinha me esquecido disso. Não vou deixarAnnie no meu aniversário, preciso estar de volta antes disso, mas não vou dizer nada e criar um problema.
─Claro que vou estar.
─Aparece lá em casa essa semana. Já que não vai viajar janta um dia desses com a gente. Frequentava mais a minha casa.
─Eu vou. – Prometo enquanto ele fica de pé com a mais absoluta certeza de que estou mentindo sobre tudo.
─Tudo bem. Vou para casa. Liga para os seus irmãos.
─Já estou ligando. – Balanço o celular quando ele deixa minha sala.
Começo com Leon, Heitor é sempre mais compreensivo e menos intrometido.
─Nick! Está doente?
─Oi Leon, não estou doente, é que tive uma emergência na associação, então adiei um pouco as coisas.
─Não estou preocupado com isso, vai se quiser e quando puder, é com você que estou preocupado, nunca vi você cancelar um compromisso na vida.
─Eu não cancelei Leon, só adiei. – Se pudesse desfazer o que fiz desfaria só para não ter que me explicar mil vezes.
─Quer que eu vá até aí?
─Não vem. – Respiro fundo para não parecer muito nervoso. – Não é necessário, vou estar aí em breve, estou bem.
─Ok. Não quer que eu vá, tudo bem, só não esquece que o Ulisses e a Sophi estão ai caso precise.
─Obrigado Leon. Como estão Lissa e as crianças?
─Bem. Com saudades. Talvez você devesse esquecer essa viagem e vir ficar conosco uns dias quando puder.
─Vou estar aí logo.
─Está bem. Quer que fale com o Heitor?
─Não eu ligo, quero falar com a Lizzie. – Desligo depois de uma rápida despedida, quero tanto ir para casa.
─Se marcar uma reunião na hora do almoço e aquele encontro com o diretor jurídico num jantar encurto mais dois dias. – Simon diz sentado à minha frente.
─Bom. Faz isso. Faz o que for preciso.
─Sim senhor chefe. Zyar também conseguiu organizar umas coisas ele mesmo que vai te apresentar por relatório e ganhar mais dois dias, o que já transforma duas semanas em uma semana e meia.
─Espera. – Heitor atende ao telefone. – Oi Heitor.
─Oi Nick. Encrencado aí?
─Um pouco.
─Precisa de ajuda?
─Não. Tudo indo bem. Dou um jeito.
─Certo, Ulisses está se divertindo criando todo tipo de teorias, Sophia ajuda você sabe. Chega todo tipo de mensagem e agora os Stefanos tem um grupo do qual você não faz parte só para poderem discutir sua vida.
─Nenhuma novidade nisso. Já passei por esses grupos.
─Leon ficou preocupado. Não fosse Lissa e as crianças ele teria pego um avião e não se preocupe eu sei que está tudo bem.
─Que bom Heitor.
─Se precisar liga.
─Está em casa? Como estão todos?
─Estou em casa. Emma teve febre, os dentinhos começando a querer nascer. O resto tudo está bem. Liv está aqui comigo te mandando um beijo.
─Manda outro para ela, peça desculpas, sei que vou atrasar aquelas coisas que ela tem que traduzir.
─Sem problemas.
─Lizzie está por aí?
─Vou chama-la.
─Obrigado Heitor e espero que Emma fique boa logo.
─Vai ficar, estamos bons nisso.
─Eu sei que sim. – Ao menos os dois juntos e com a ajuda de Lizzie dão conta dos pequenos.
─Oi tio Nick. Que saudade de você.
─Também Lizzie, te vejo no seu aniversário. Você está bem?
─Sim tio. Eu comprei seu presente, comprei com a minha mesada. Não posso contar. – Não pode ser pior que o chapéu seletor então eu relaxo. – Tio você vai gostar muito.
─Que bom.
─Tio Ulisses amou a ideia. – Droga, vai ser bem pior que o chapéu seletor.
─Não precisa se preocupar com isso Lizzie.
─Já comprei tio e estou preparando um monte de coisas para nossa viagem, eu sei que demora ainda um pouco, mas já sei um monte de coisas que vamos fazer.
─Está certo. Vai ser uma grande viagem. – Penso se as duas vão se entender. Espero que sim. Ao menos Annie gosta de Harry Potter tanto quando nós e um parque de diversões é a cara dela. – Agora tenho que trabalhar. Um beijo.
─Um beijo tio, amo você.
─Também. – Desligo e encaro Simon, ele ergue o olhar. – Fechamos tudo?
─Sim. Agora vou embora. Por que não é um bom amigo e me convida para jantar na sua casa?
─Por que a nova senhora Kalais cozinha muito, muito mal. – Fico de pé. – Tenho que ir, saí sem me despedir e passei o dia fora.
─Fez o que?
─Ouviu Simon, não ficou surdo no último minuto.
─Só estou achando você o chefe da gang dos irmãos idiotas. Ela deve estar bem chateada.
─Deve? – Será que estraguei tudo? – Por que?
─Nick, ter uma namorada ou coisa assim, implica em dar satisfação, não pode sair sem se despedir e sumir o dia todo sem dar notícias.
─Faz sentido. Melhor eu ir logo, ainda tenho que passar no shopping.
─Boa sorte.
Se ela tivesse um celular podíamos ter trocado mil mensagens. Não vou ficar no telefone chamando ela de gatinha na frente de ninguém, nem pensar. De jeito nenhum. Nunca mesmo.
Compro o aparelho mais moderno, com tudo que tem direito, assim ficamos em contado, não quero pensar em não saber onde está, minha gatinha não para quieta e fico preocupado.
Subo pensando em encontra-la na cozinha atrapalhada com sua comida ruim, então posso abraça-la e beija-la como quis fazer muitas vezes.
─Gatinha! – Não está na cozinha, subo as escadas e a encontro no corredor se preparando para descer enquanto secava lágrimas. – Chorando? Senti saudade.
─Não se arrependeu? – Eu a abraço, não é que Simon tinha razão?
─Está maluca, nunca, pensei o dia todo em você.
─Saiu correndo para perto do seu gnomo assistente, fugiu de mim. – Beijo seus lábios.
─Eu fiz mesmo isso, mas por que queria cancelar minha viagem. Adiar na verdade, para ficar mais tempo com você. – Annie sorri, isso já me deixa mais calmo, tem coisas que não sei e preciso aprender, mas posso, por mim tudo bem, é ela, sempre foi ela.
─Por que não me acordou? – Ela me abraça, eu a beijo mais uma vez.
─Por que parecia uma linda gatinha adormecida e tive pena. O dia foi cheio e não fiquei sozinho um minuto, desculpe.
─Desmarcou uma viagem por mim?
─Adiei, daqui três semanas viajo. Mereço retribuição?
─Merece. – Ela começa a desfazer o nó da gravata enquanto vamos caminhando para o quarto. Quando deitamos já falta metade das roupas, ela está mais solta e não me sinto tão preocupado, me deixo livre assim como ela. – Também tive saudade. Não vai embora nunca mais sem se despedir?
─Prometo.
─Então agora chega de conversa. – Annie brinca e a conversa realmente nos deixa, só quero matar meu desejo e o dela. Tudo vivo e intenso, nunca foi assim, nunca me senti tão inteiro com uma mulher.
Depois só ficamos ali, nos olhando em silencio um longo momento.
─Está com fome? – Ela me pergunta com o rosto corado. – Se estiver salgada são minhas lagrimas, então a culpa é sua.
─Hora sou eu, hora é a Gloria, tem sempre alguém estragando esse seu talento nato.
─Verdade. Vem, precisa comer príncipe.
Ela veste minha camisa. Apenas isso, fico olhando aquela linda mulher vestindo nada além da minha camisa e pensando como é que eu vou conseguir continuar a fazer tudo que fazia antes.
Annie caminha pelo quarto, volta do closet com uma bermuda que me atira.
─Veste isso príncipe, nada de calça, nada de ser certinho.
─Sim senhora. O que vamos jantar?
─Sopa de lágrimas de gata triste.
─Vou ficar me sentindo culpado. – Ela sorri, tira os cabelos do rosto e a manga da camisa balança longa demais para ela.
A comida está muito pior que imaginávamos e acabamos num sanduiche de tudo que tem na geladeira. Até que quando a senhora Kalais chegar vai ser bom, assim ela pode se dedicar aos velhinhos e ainda podemos manter alguma saúde.
─Preciso ler um documento ainda hoje, fica comigo? – Ela sorri.
─Quando ficava trabalhando até tarde eu queria muito ir ficar com você.
─Então vem. – No meio do caminho solto sua mão para pegar o presente que me esqueci. – Espera já ia me esquecendo. Trouxe um presente.
─Um presente? – Ela me olha espantada. Estico a caixa em sua direção, mas ela não parece convencida. – Um presente? Me trouxe um presente.
─É gatinha, um presente para você. Pega. Não é nada demais.
─Claro que é. – Ela abre a caixa emocionada e essa alegria vai embora rapidinho o dia que Lizzie decidir dar um presente a ela. – Nunca ganhei presente antes. Eu acho, meus pais devem ter me dado, mas não me lembro.
─Então se acostume, vai ganhar muitos, até perder a importância.
─Não faz isso. – Ela abre a caixa ansiosa. – Não quero que perca a graça. Um celular. – Ela larga a caixa no móvel o movimento derruba um pequeno vaso que salvo num reflexo rápido, ela sorri. Coloco o vaso no lugar.
─Se tivesse um desses não teria chorado, é para nos falarmos, mandar mensagem, meu número é o primeiro e tem o do Simon para uma grande emergência e o da associação. Pode me mandar mensagem sempre que quiser. Assim atendo em qualquer momento.
─Mesmo se estiver numa reunião muito importante?
─É justamente para esse momento. – Ela me beija, envolvo Annie. – Assim sempre vou estar a disposição da minha gatinha.
─Obrigada, é lindo.
Me sento no sofá do escritório com meus papéis, ela se deita com a cabeça no meu colo, brinca e descobre os aplicativos enquanto fico ali lendo a seu lado. Está só com minha camisa, nada além disso, os cabelos soltos, o rosto limpo, tranquila me esperando trabalhar. Não está entediada, não quer sair para dançar, fazer compras, só ficar aqui comigo. O celular apita ao meu lado.
Pego de modo mecânico. “Oi príncipe. Sabia que te acho bem bonitão?” Sorrio ao ler sua mensagem. “ Boba” respondo. “ Só testando” realmente foi uma ótima ideia. “Minha gatinha”, “Miau” Ela responde e me dobro para beija-la.
Não leva nem uma hora. Então deixo os papéis de lado.
─Pronto. Por hoje chega.
─Já?
─E foi bem difícil me concentrar. – Ela se senta em meu colo. – Agora como é cedo e não estou acostumado a fazer nada além de trabalhar vai ter que me ajudar a gastar meu tempo.
─Banho e cama. Juntos.
─Muito inteligente. Gosto dessa coisa de juntos. – Mordo seu lábio, ela faz um olhar sensual, mas ri, e gosto muito mais que seja alegre que sensual.
─Tudo juntos, por que somos almas siamesas.
─Não é almas gêmeas que se diz?
─Almas gêmeas é para os fracos, somos almas siamesas! – Ela me faz rir e não tem muita gente que faz isso. Me levanto com ela no colo. – Deu sorte de eu ser uma gatinha bem magra.
─Deixa a senhora Kalais voltar e assumir a cozinha e vamos ver se vai continuar magra assim.
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