Paixões Opostas

4 Capítulo 3 - Filme, Rosas e Beijo


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a todas que comentaram nos últimos capítulos :3 Dyanna Grey, Yakiyama, The Little Bear e Elle Salvatore, considerem-se abraçadas õ/

“E todo mundo diz que ele completa ela

E vice-versa

Que nem feijão com arroz” (Legião Urbana – Eduardo e Mônica)

Acordei meio tonta no dia seguinte, sem conseguir assimilar onde estava. Então, os acontecimentos do dia anterior vieram à minha mente, enquanto meus olhos corriam pelo meu corpo e constatavam que a perna esquerda estava imobilizada com uma tala e minha pele se encontrava mais roxa e vermelha do que branca (sua cor original). Sentei-me com dificuldade na cama e chamei minha mãe pois, pelo visto, não conseguiria me mover sozinha por um bom tempo. Eu precisava repousar; logo, não poderia ir para a escola, dançar, andar de skate, nem fazer nada divertido por 2 semanas.

Suspirei, enquanto Dona Vanessa entrava no quarto.

— Não é justo, isso só acontece comigo – falei para mim mesma.

— Só assim pra você tomar jeito, filha, e ter mais cuidado com esse esporte. – afirmou, à guisa de conselho – Aqui, tome isso – ela me entregou um analgésico. – Te causará muito sono, mas a dor cessará. Resumindo: você está impossibilitada de sair, por enquanto.

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Tornei a despertar ao meio-dia, enquanto o cheirinho de comida entrava no quarto. Isso nos leva à seguinte conclusão: os meus instintos famintos nunca falham.

Senti minha barriga roncando, e percebi que eu não comia nada desde o dia anterior. Chamei Dona Vanessa novamente, e ela me trouxe um prato de lasanha, juntamente com o controle remoto da TV e o meu celular. Sério, às vezes eu acho que essa mulher lê pensamentos. Isso não é bom, tem coisas na minha mente que ela não pode saber. Agradeci à minha mãe e comecei a ver “The Big Bang Theory”.

O dia estava um tédio. Minha vida estava resumida a comer e dormir por 14 dias, o que pode parecer um paraíso, mas não é. Ficar sem poder me mexer era muito, muito chato.

Eu precisava de diversão, animação, companhia.

Eu precisava das minhas amigas.

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Liguei para as meninas assim que terminei meu almoço, para que elas viessem aqui em casa e nós fizéssemos uma sessão-pipoca. Eu estava louca para assistir “Planeta dos Macacos”, e já que eu não podia ir ao cinema, o cinema viria até mim. Também colocaria os estudos em dia, mas depois do filme.

Afinal de contas, ninguém é de ferro.

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As meninas haviam atendido ao meu pedido e, enquanto eu ligava o DVD, elas faziam a pipoca.

Camila e Mariana são minhas melhores amigas desde a infância. Elas moram na mesma rua que eu, e estudamos na mesma escola. Já passamos por muita coisa juntas. Tipo, muita coisa mesmo. O vizinho da Mari que perdeu o vidro da janela por nossa causa, que o diga (longa história, nem queiram saber).

Mila é loira e possui olhos castanho-escuros. Mari é ruiva e tem olhos castanhos, como os meus. Juntas, formamos o que nossas mães chamam de “O trio quente”, pois além de sermos muito travessas, possuímos cabelos com cores quentes (amarelo, marrom, vermelho).

Elas voltaram com a pipoca, os refris e o brigadeiro (porque chocolate é vida), e eu comecei a aproveitar o tempo que ficaria de molho em casa... ao menos, até que minha mãe chegasse e me mandasse estudar.

Ia ser bom enquanto durasse.

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Estávamos na melhor parte da história, quando a campainha tocou. Enquanto eu pausava o filme, as meninas levantaram para atender a porta (não sem antes xingar o indivíduo que estava do outro lado da porta de todos os nomes possíveis). Eu estava esperando que fosse o porteiro com alguma correspondência, então fiquei atônita ao vê-las com um grande buquê de rosas brancas. Naquele momento, apesar de já saber a resposta, fiz a pergunta mais idiota que pude:

— Pra quem é? (N/A: #NandaLerda)

As meninas trocaram um olhar malicioso, e em seguida disseram, em uníssono:

— Pra Victória.

Me virei para elas com cara de “What?”, e não consegui conter a decepção. Minha expressão deve ter me denunciado, pois as meninas logo me questionaram porque eu estava com cara de tristeza.

— No fundo, eu esperava que essas flores fossem pra mim... – expliquei.

— Então pode comemorar garota, pois elas são suas mesmo! – Mila disse, enquanto jogava o buquê em cima de mim e gritava:

— Corre, Mari! “Run for your life!”

— Voltem aqui! – eu berrei.

Aquelas vacas começaram a correr, mesmo sabendo que eu não podia persegui-las e bater nelas, como mereciam. Quando me dei conta de que não conseguiria alcançá-las, peguei o cartão que veio com as rosas e comecei a ler.

“Rosas nascem todo dia

Aqui e em outro lugar

Mas nenhuma é ou será tão bela

Quanto a garota que eu teimo em gostar

Espero que você melhore logo

Para o bem da minha alegria

Pois saiba que não consigo viver

Sem ver o seu sorriso, dia após dia

Beijos,

Leo, o delícia”

Estava tão concentrada lendo o poema que não notei a presença das garotas atrás de mim, até que, enquanto eu gargalhava com a assinatura do Leo, ouvi alguém falar “Own, que lindo!”. Me virei para elas e fulminei-as com o olhar, mas não pude manter a cara de durona por muito tempo. Aquelas duas sabem ser fofas quando querem.

— Desculpa a gente, amiga?

— Tudo bem – suspirei.

Elas me abraçaram (vulgo pularam em cima de mim), e desataram a falar.

— A gente shippa Lenanda – disse Mari.

— Grande novidade! Vocês me shippam até com o robô Ed – retruquei.

— O Ed é fofo... – refletiu uma delas.

— Mas o Leo é mais – a outra completou.

Elas deram risadinhas e fizeram high five. Antes que elas continuassem a falar sobre o ship Lenanda, eu insisti para que nós voltássemos a assistir o filme, e como eu também tenho um alto poder de persuasão (vulgo: sei incorporar o gato de botas), venci o embate.

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Aproveitei que as meninas estavam entretidas com o filme e mandei uma mensagem para o Leo.

“Adorei o buquê e o poema, Leo delícia :3”

Ele respondeu quase que imediatamente.

“Fico feliz ao saber disso, mas não curti a ironia do ‘Leo delícia’ :v Tenho que te fazer uma proposta, mas prefiro que seja pessoalmente, então você vai ter que esperar 2 semanas :3”

“E quem disse que foi ironia? (N/A: Sutileza 0 x Nanda 1) Agora fiquei curiosa. Por que 2 semanas? Você é meu vizinho, fala sério!”

“Minha avó morreu, tenho que ir para a cidade dela hoje mesmo, e só voltarei daqui a 2 semanas :(”

“Que pena! Meus pêsames :( Passa aqui pra se despedir?”

“Mas é claro! ♥”

Eu tinha que preparar psicologicamente as meninas para a chegada dele, afinal, eu não queria sofrer ataques de shippers maníacas, e acho que o garoto também não. Por isso, pausei o filme sem aviso e, antes que elas pudessem protestar, comuniquei que o Leo estava vindo se despedir de mim, pois ele ia viajar, e que eu não queria que as mesmas atacassem ele com perguntas. Elas pareceram meio decepcionadas, mas concordaram.

Minutos depois, o Leo chegou.

E a promessa das meninas foi pelos ares.

— Lenanda é o ship mais perfeito que existe, não é Leo?

— Vocês são perfeitos juntos!

— Já marcaram a data do casamento? Nós seremos as madrinhas!

Depois dessa, eu não me contive. Levantei do sofá, pulando em uma perna só, e empurrei-as para a cozinha, sob o pretexto de fazer mais brigadeiro.

— Mas a panela ainda tá cheia... – lerdou Mila.

— Vai logo! – retruquei, entre dentes. (N/A: Sutileza 0 x Nanda 2)

Me virei para Leo, que estava com cara de paisagem, e sorri. Ele sorriu de volta, e me ajudou a voltar para o sofá.

— Leo, sobre a sua proposta... – comecei.

— Shhh! – ele colocou o dedo sobre meus lábios, delicadamente – Prefiro falar sobre isso depois, em um local com mais privacidade.

— Tudo bem – concordei.

Começamos a conversar, e graças a algum milagre, as meninas permaneceram na cozinha durante todo o tempo que o diálogo durou. Mas, cedo demais, Leo deu-me o seguinte aviso:

— Eu tenho que ir agora.

— Mas já? – reclamei.

— Sim, infelizmente – ele deu um meio sorriso.

Leo veio até mim, me abraçou e virou a bochecha, para que eu a beijasse. Eu me aproximei, mas quando estávamos muito próximos, ele tornou a virar o rosto, fazendo com que nossos lábios se tocassem. O beijo durou muito pouco, e foi apenas um roçar de lábios, mas o suficiente para fazer o meu coração acelerar.

No instante seguinte, Leo saiu pela porta da minha casa, deixando-me ansiosa pelo dia da volta dele, e ainda mais confusa em relação aos meus sentimentos pelo garoto de olhos âmbares.

No próximo capítulo...

“Eu acabei me envolvendo nas fofocas e esqueci a minha vigilância do portão. Portanto, eu estava completamente alheia a tudo, quando notei um tumulto na porta da escola. Curiosa como sou, arrastei as meninas até lá, sem saber que daria de frente com algo que eu definitivamente não esperava ver: o Leo, de mãos dadas com uma garota e sorrindo feito criança em manhã de natal.”

Notas finais
Quem aí shippa Lenanda? õ/