Paixão Tentadora
2 2. Reencontro
Notas iniciais
Na frente vinha meu tio Joe, o mais alto dos quatro filhos, com seus cabelos negros perfeitamente cortados e meio erguidos, dando-lhe um ar descontraído, os óculos wayfare preto de grau e com aquele sorriso sapeca que sempre me animava.
- Atenção, galera: Bonitão na área! – exclamou ele andando cheio de pose e parando para me encarar, falsamente admirado. – Ora, ora, o que temos aqui? Esta não pode ser minha sobrinha preferida!
- Ah tá, eu sou sua única sobrinha! – eu ri.
- Mais um motivo pra eu amá-la tanto! – deu-me um abraço de urso. – Que saudades, Mila!
- Também senti sua falta, tio Joe – disse-lhe depois que ele me deixou respirar. – Vê se não some mais, tá?
Ele ergueu uma mão em juramento.
- Eu juro solenemente não me ausentar por motivos de trabalho e deixar essa belezinha desprotegida dos predadores sexuais aos quais chamamos de garotos!
[N.a: Não sei por que, mas eu sempre faço o Joe parecer um pateta em toda história que eu escrevo... Como lidar?//]
Ouvi algumas risadas atrás de mim e corei de imediato.
- Não preocupe. Papai faz o seu serviço muito bem – ironizei.
Alguns metros atrás do belo moreno a minha frente, vinha outro jovem tão belo quanto o outro ou até um pouco mais graças aos sentimentos que a boba aqui nutria por ele.
Mesmo após seis anos, Nicholas Jonas conservava os mesmos cachos levemente crescidos e meio despenteados, os mesmos olhos amendoados de um castanho penetrante e sorriso torto que curvava os lábios carnudos sem mostrar os dentes que eu me recordava com pesar. Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos do jeans que usava como se estivesse meio sem jeito, embora sua coluna estivesse ereta.
De repente senti um aperto doloroso no coração ao mesmo tempo em que meu corpo e mente fervilhava de emoções. Em poucos segundos, tudo o que eu ainda sentia de mágoa aflorou com mais vontade, me causando irritação por eu ainda sentir que havia algo daquele amor infantil dentro de meu coração.
Uma parte de mim, a mais idiota, ainda o amava desesperadamente e dizia que o passado não importava mais agora que ele estava ali, a poucos metros de distância e cada vez mais próximo conforme caminhava em minha direção, e que dali pra frente a coisa poderia ser diferente, quem sabe. Outra parte de mim, a mais sensata e que eu tentava fazer prevalecer, gritava para que eu sustentasse em meu coração e mente cada lágrima derramada por causa dele, cada desilusão, cada espera em vão, afinal de contas ele era meu tio e em todos esses anos nunca se importara em saber como eu estava: se me sentia feliz, se ainda estava viva, se ainda sofria por ele.
Pois bem, Nicholas Jerry Jonas, o senhor que fique com sua insensibilidade!
Por fim ele parou de andar e ficou a poucos passos de distância de mim. Tio Joe estava ao meu lado há alguns instantes como para me dar força. Ele era o único, além de minha mãe, que sabia dos meus sentimentos por Nick – tio Nick – que me encarava com um singelo sorriso que parecia sincero ao demonstrar felicidade.
Contrai meu maxilar imperceptivelmente para não me sentir feliz em vê-lo, vendo um ligeiro brilho – de alívio? – passar por seu olhar.
Como permaneci imóvel e nem sequer fiz menção de cumprimentá-lo, ele abriu os braços e disse:
- Não vai me dar um abraço, Mila? – sua voz rouca pronunciou a frase com doçura.
Lancei um olhar de esgueira para tio Joe. Este apenas deslizou a ponta da língua por seu lábio inferior, sem demonstrar emoção alguma.
Embora minha vontade fosse de abraçá-lo, meu orgulho falava mais alto e não permitia que eu me movesse. No entanto prometi aos meus pais que não faria uma cena justamente num dos dias mais esperados em tantos anos por meus avós.
Com um sorriso que mal me subia aos olhos de tão forçado, movi meu corpo tenso em sua direção. Tio Nicholas ergueu as mãos para circundar minha cintura com o esboço de um sexy sorriso no rosto que fez meu coração acelerar. Meus braços abraçaram sua cintura sem muito entusiasmo, mas ainda assim não pude conter. Ao menos consegui me impedir de inspirar a fragrância amadeirada de seu perfume, um cheiro familiar mais do que eu gostaria. Talvez eu estivesse ficando paranóica ou sua chegada tivesse afetado minha mente, mas tive a impressão de que o ouvi suspirar em meu cabelo suavemente.
Depois que ele me soltou, baixei o olhar para as sapatilhas cor de lilás que cobriam meus pés e me afastei dele.
- Hey, Nick. Que saudades, irmão! – gritou papai ao vê-lo se aproximar do grupo às minhas costas. E então lá se foram mais abraços e sorrisos trocados entre eles.
Suspirei baixinho e ergui o olhar. Tio Joe analisava minha expressão e depois deu um meio sorriso com uma piscadela, me envolvendo os ombros com um braço, como se dissesse “muito bem, minha pequena”. Nós nos viramos de frente para os demais que agora vinham juntos em nossa direção.
- Vamos até a piscina – sugeriu vovô. – Lá poderemos conversar e ainda aproveitar um pouco desta brisa fresca, já que hoje está muito quente!
- Mamãe preparou um almoço delicioso e ainda têm bolo de cenoura com calda de chocolate e suco de laranja de sobremesa para meus lindinhos! – vovó andava abraçada com seus outros dois filhos, enquanto Frankie correu para alcançar a mim e o homem ao meu lado que andávamos na frente dos outros.
Senti um pequeno estremecimento a minha direita e percebi que era Tio Joe rindo baixo.
- Queria que nossa mãe só falasse da gente como se ainda fossemos crianças e não homens em situações como agora, quando não há ninguém de fora – disse ele.
- Pelo menos ela falou “lindinhos” ao invés de “bebês” – apontou Frankie erguendo as sobrancelhas.
Notas finais
mal'z aee, mas eu sou muito shata e malvada -nn
BeijOs
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