Paixão Secreta
2 O flagrante ensaboado
As pétalas róseas caiam das cerejeiras, formando um lindo tapete natural que se estendia pela entrada do campus. Alguns pássaros bicavam as flores, derrubando-as das árvores, contribuindo para a formação de uma chuva mística que o vento suave levava.
Bartolomeo estava com o queixo apoiado sobre a mão, os olhos fixos na paisagem vista através da janela da sala, o pensamento perdido nas lembranças das últimas noites. Ia dormir exausto por passar tempo demais se deleitando com a foto de seu senpai. Começara a sentir dor nos músculos da mão e pulso, pensou que era melhor parar antes que tivesse uma cãibra.
— E aí? — Desire se sentou de frente, sem virar a cadeira. — Alô! Terra para Bartolomeo!
O rapaz, de penteado que lembrava um mullet, piscou várias vezes, parecendo sair de um transe.
— Estava pensando no quê?
Ele ruboresceu.
— Tendo pensamentos pervertidos com o capitão né? — a ruiva deu um tapa no braço do amigo. — Vi Nami te entregando alguma coisa ontem. O que era?
— Mas você é pentelha em -- Barto mostrou a foto.
— Uau! Tenho que admitir — a mulher meneou a cabeça — um baita gostoso.
Apesar do elogio, ela não parecia realmente interessada.
— Como está o Bill? — Bartolomeu perguntou abruptamente.
— Deve estar bem. Por quê? — Desire ficou arisca de repente.
— Deve estar?! Você não tem mais falado com ele?
Um silêncio longo se instalou na conversa. A ruiva suspirou e também passou a observar a paisagem de primavera.
— Ele vai para os Estados Unidos no final do ano — disse tristonha.
Desire era fria e calculista, tinha poucos colegas e só se abria verdadeiramente com seu amigo de infância. E apesar de não gostar nenhum pouco da ideia de ser controlada por algo ou alguém, possuía um amor antigo. Bill era um veterano do último ao da faculdade, e havia ganho uma bolsa de estudos para uma pós-graduação no exterior. Oportunidade que ninguém inteligente o suficiente deixaria passar.
— Até quando vai deixá-lo escapar por entre seus dedos?
— Até convém você dizer isso! — Desire ficou aborrecida. — Quando faz o mesmo sobre o capitãozinho!
Bartolomeo tapou a boca da amiga. Os outros alunos lançaram olhares curiosos.
— Grita mais alto que o outro lado do prédio não ouviu.
Os dois cruzaram os braços e torceram a cara.
— Não acredito que sou uma bundona — a jovem suspirou.
— Bem-vinda ao clube — o rapaz de cabelos verdes sorriu cumplice.
***
Nami observava a paisagem ensolarada através das lentes da câmera. Havia batido tantas fotos ultimamente que começou a cogitar a possibilidade de mudar de curso. Mas por enquanto gostava da ideia de ter aquilo apenas como um passatempo e ganha pão. Enquanto ajustava o foco, a mulher mais linda que Nami já tinha visto, entrou no seu campo de visão.
De corpo esbelto, cabelos negros como ébano, olhos tão azuis e brilhantes quanto uma pedra de safira. Era Nico Robin, professora de arqueologia e história antiga. Uma mulher elegante, de trinta anos, detentora de um charme inigualável.
Hipnotizada por aquela beleza, Nami acionou o gatilho da câmera sem perceber, despertando com o barulho do mecanismo ao bater a foto. Tentou disfarçar quando a mulher começou a caminhar em sua direção, mas sem sucesso.
— Posso ver como ficou? — Robin pediu ao se sentar no banco do pátio.
— Desculpe-me, foi sem querer... — Nami mostrou a fotografia.
— Imagina. Ficou muito bonita, afinal. Pode me enviar? — a morena puxou o celular.
— Ah... -- a mente da ruiva saiu de órbita por um momento — claro...
Trocaram o número de telefone e Nami ficou de enviar a foto mais tarde.
Mas não antes de imprimir uma para uso pessoal.
***
Sanji esperou que todos os atletas saíssem do ginásio para poder utilizar os chuveiros. Como não participava de nenhum clube esportivo, não teria razões para estar ali, então preferiu que ninguém o visse, caso contrário teria que inventar alguma desculpa para o surto repentino de querer tomar banho.
Pegou uma toalha, shampoo, sabonete... E a foto de Roronoa Zoro.
Verificou mais uma vez se ninguém ainda permanecia no vestiário e ligou um dos chuveiros mais distantes. Acomodou a foto na toalha pendurada no gancho e ensaboou as mãos.
Sanji era um pervertido que batia punheta tanto para homens, quanto para mulheres. Também não era muito exigente, desde que tivesse uma bunda bonita. Mas Zoro era outro nível, e não pelo fato de ser o atleta mais desejado, até porque o cabelo verde e emaranhado dele incomodava um pouco. No entanto, depois de observá-lo nos treinos de kendô, ficou admirado com a disciplina do espadachim. E era isso que o fazia tão fascinante.
O loiro sempre comprava as fotos que Nami tirava dos universitários, a maioria do marimo, mas era difícil alguma que mostrasse muito de seu corpo, porque quando não estava vestido com roupas largas, estava usando o kimono cinza. Aquela obra prima que possuía agora, desvendara todas as fantasias sexuais que tinha imaginado até então.
O pau duro, já coberto de espuma, latejava com o atrito em ritmo exagerado. Quando estava prestes a gozar, foi surpreendido por alguém em suas costas.
— O que está fazendo?
Sanji virou a cabeça o suficiente para enxergar sobre o ombro, dando de cara com o cabelo crespo, de um verde inconfundível. Um arrepiou gélido subiu por sua coluna, como se sua alma estivesse prestes a abandonar o corpo.
— Zoro... O que faz aqui?
— Eu que te pergunto. Nunca te vi por aqui.
— Ah. Eu... -- Sanji escondia o pau com uma mão, enquanto esperava pela oportunidade de pegar a foto sem que o outro percebesse. — Tenho uma entrevista de emprego daqui a pouco, precisei usar o chuveiro, espero que não tenha problema.
— Uhm... Não. Tudo bem. — Zoro viu a foto sobre a toalha. — Sou eu?!
O loiro agarrou a foto com toalha e tudo, ficando vermelho dos pés à cabeça.
— N-não!
Zoro olhou para baixo, notando a ereção ensaboada.
— Uhm... Entrevista de emprego é? Acho que você já estava trabalhando em algo — o espadachim se aproximou, encurralando Sanji embaixo da ducha.
— Desculpe! Eu não deveria estar fazendo isso...
— Por que não? Não estava se divertindo?
Sanji ficou pasmo com a direção em que aquele flagra estava indo. Os olhos castanho-esverdeados a lhe encarar com intensidade. Desviou o olhar e tentou sair, mas foi barrado por um braço musculoso.
— Onde pensa que vai? — Zoro arqueou o dorso despido de camisa, evidenciando ainda mais seus músculos bem definidos. No peitoral algumas gotículas de água se formavam pelo vapor do chuveiro, escorrendo entre os gomos salientes do abdômen.
— Me deixe sair, por favor... — o estudante de gastronomia suplicou.
— Não quando temos tanto trabalho a fazer — Roronoa puxou a mão do outro na direção de sua pélvis, onde uma ereção absurda se formava.
O Vinsmoke arfou ao tocar o falo rígido e pulsante. Acabou se engasgando com a água quente e começou a tossir.
— Quem está aí? — perguntou o zelador aparecendo na porta do vestiário.
— Sou eu, senhor — Zoro colocou a cabeça pra fora do box. — Desculpe, acabei me atrasando.
— Tudo bem rapaz. Só achei que alguém tinha esquecido o registro aberto. — O zelador foi embora assoviando uma música.
Sanji aproveitou a distração para fugir, vestindo a roupa aos tropeços, sobre o corpo ainda molhado. Zoro fez um som de queixa, com o estalar da língua, e desligou o chuveiro.
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