Pais por acaso

15 Renesmee- Positivo


Quando entrei em casa mais cedo do que o habitual, vi o olhar surpreso de Bella. Ela ergueu uma sobrancelha e inclinou a cabeça, como se já estivesse investigando o motivo da minha chegada.

— Você está em casa tão cedo, Nessie. Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, uma pitada de preocupação na voz.

Suspirei, tentando parecer o mais casual possível.

— Não é nada demais, mãe. Só... não me senti muito bem no hospital. Jacob achou melhor que eu viesse descansar.

Bella estreitou os olhos, como se me examinasse com um olhar de raio-X.

— Você está pálida ultimamente — ela comentou, quase como uma acusação.

Antes que eu pudesse responder, ouvi passos e então a voz de Edward, que se aproximava da sala.

— Está tudo bem com você, querida? — perguntou ele, olhando para mim com aquela preocupação silenciosa que só ele conseguia transmitir com tanta intensidade.

— Sim, pai. Não se preocupem — tentei tranquilizá-los, forçando um sorriso. — Tenho trabalhado demais nos últimos dois meses. Só isso.

Mas, como se fosse para contrariar minha tentativa de acalmá-los, o enjoo voltou com força total, e minha mão foi automaticamente até o estômago. Edward franziu o cenho e se aproximou ainda mais.

— Acho que preciso examiná-la — ele disse, já decidido.

— Pai, o doutor Black já fez isso hoje. Ele até pediu alguns exames — falei, tentando conter a preocupação crescente nos rostos deles. — Tudo o que eu realmente preciso agora é de um banho e um pouco de descanso. Vai ficar tudo bem.

Bella me olhou, hesitante, mas por fim assentiu, embora ainda parecesse preocupada. Depois de trocar mais algumas palavras com eles, subi as escadas e fui direto para o meu quarto. Soltei um longo suspiro ao entrar, largando minha bolsa na poltrona. Eu precisava de um momento para processar tudo aquilo, então me desfiz das roupas, desejando que o banho quente fosse suficiente para aliviar o cansaço e o enjoo que vinham me atormentando.

Ao entrar no banheiro, percebi que o sabonete tinha acabado. Suspirei e me abaixei para abrir a gaveta, procurando por um novo frasco. Foi aí que meus olhos caíram sobre um pacote de absorventes, largado no fundo da gaveta. Meu coração disparou como se tivesse levado um choque.

Estava ali, óbvio e inquestionável. Eu não lembrava da última vez que precisei daquele pacote.

Segurei o pacote de absorventes nas mãos, meu olhar fixo nele como se estivesse tentando resolver um enigma impossível. Quando foi a última vez? Tentei fazer as contas, lembrar das últimas semanas, dos últimos meses. Estava tão mergulhada nos plantões e nos pacientes que nem havia me dado conta do atraso.

— Não... não pode ser — murmurei para mim mesma, o coração batendo mais rápido a cada segundo.

Pensei na última vez que tive um ciclo normal. Parecia tão distante agora, quase como se fizesse parte de outra vida. A última lembrança clara era de dias depois de uma briga com Seth... e, depois disso, tudo entre nós havia mudado. Tínhamos nos afastado, e logo em seguida veio o golpe final, quando o vi com Jane.

Respirei fundo, tentando me acalmar, mas as lembranças surgiram à minha mente com uma clareza avassaladora. A última vez que eu... Minha respiração ficou presa na garganta. Eu sabia exatamente quando foi a última vez que estive com alguém. Era recente, e havia sido com Jacob.

— Ai meu Deus… — falei em voz alta, sentindo o pânico crescendo dentro de mim.

O mundo parecia girar, enquanto minha mente repetia, como um eco incansável, o que aquilo significava. Se minhas suspeitas estivessem corretas...

Tomei um banho longo, deixando a água quente escorrer sobre mim enquanto tentava organizar meus pensamentos. Respirei fundo, buscando acalmar meu coração acelerado. Eu e Jacob... tínhamos estado juntos apenas uma vez. Era improvável. Talvez tudo isso fosse apenas minha cabeça pregando peças em meio ao estresse. Podia ser qualquer coisa, menos isso. Certo?

Depois do banho, vesti algo leve e confortável, tentando afastar os pensamentos inquietantes. Liguei a TV para tentar me distrair, mas logo ouvi uma batida suave na porta, e Bella entrou com uma bandeja nas mãos, o olhar maternal estampado em seu rosto.

Sorri ao vê-la assim, sempre preocupada, sempre presente.

— Achei que você poderia querer algo leve, querida. — Ela colocou a bandeja ao meu lado na cama, me olhando de um jeito que parecia querer ler minha alma.

— Obrigada, mãe. — Sentei na cama, pegando um chá da bandeja e sorvendo um gole.

Ela hesitou por um momento, observando-me. — Nessie, você sabe que pode confiar em mim para qualquer coisa, certo?

Minha testa franziu um pouco. — Claro, mãe. Por que a pergunta?

Ela sorriu, mas ainda parecia preocupada. — Só... você anda pálida, mais cansada do que o normal. E hoje chegou mais cedo. — Fez uma pausa, esperando uma resposta que eu não soube dar de imediato. — Quero que saiba que estou aqui para o que precisar. Sem julgamentos, sem pressões.

A sinceridade no olhar dela me tocou, mas senti a necessidade de tranquilizá-la. Não queria preocupá-la ainda mais. — Estou bem, mãe. Acho que é só o ritmo dos plantões, sabe? Estou me acostumando.

Bella olhou para mim por mais alguns instantes, e depois assentiu, parecendo convencida — pelo menos, por ora.

— Certo. Vou deixar você descansar, então. Mas, qualquer coisa... estarei por perto.

— Obrigada, mãe. — Sorri, e ela me devolveu um sorriso caloroso antes de sair, fechando a porta atrás de si.

Assim que fiquei sozinha, senti meu celular vibrar ao lado na mesinha. Olhei para a tela e meu coração disparou ao ver o nome de Jacob brilhando ali. Ele havia ligado. Olhei para o aparelho, mas, no impulso, deixei a chamada ir para o correio de voz.

Suspirei, sentindo o peso da situação. Precisava de um tempo. Precisava pensar em tudo, organizar as possibilidades, entender o que faria caso minhas suspeitas estivessem certas. E, mais do que tudo, precisava decidir como — ou se — contaria a Jacob.

Na manhã seguinte, acordei com o coração disparado. O enjoo havia dado uma trégua, mas ainda assim não consegui descer para o café da manhã. Eu estava nervosa demais para pensar em comer. Me vesti rapidamente e saí de casa em direção ao hospital, sentindo um peso crescente a cada passo.

Ao chegar, fiz questão de observar os corredores e a sala onde Jacob normalmente ficava. Não o vi em nenhum lugar, e isso me deu o tempo de que precisava. Respirei fundo e fui até a farmácia do hospital, torcendo para que pudesse ser discreta.

A farmacêutica, Mônica, uma mulher de rosto simpático e cabelos curtos, sorriu ao me ver.

— Bom dia, doutora Cullen! O que posso ajudar?

Sorri, tentando disfarçar a tensão. — Mônica, será que... você poderia me ajudar com algo? E, por favor, manter sigilo?

Ela me olhou com uma expressão compreensiva e assentiu. — Claro, doutora. Sigilo é garantido. Do que precisa?

— É... é para uma paciente jovem. Ela está um pouco assustada, e eu queria evitar que fosse ao laboratório fazer um exame de sangue agora. — Inventei rapidamente, tentando não demonstrar o nervosismo. — Então pensei em pegar uns testes rápidos.

Mônica assentiu com um leve sorriso. — Sem problemas. Vou pegar alguns aqui.

Ela se virou e voltou logo depois com três testes. — Isso deve ser o suficiente, doutora.

— Ótimo, obrigada, Mônica. — Sorri aliviada, tentando disfarçar o tumulto que sentia por dentro. — Lembra, é confidencial, certo?

— Absolutamente. Boa sorte com sua paciente.

Agradeci e fui direto ao banheiro feminino, com os testes na mão e o coração acelerado. Fechei a porta da cabine, respirei fundo e abri o primeiro pacote, tentando conter o tremor nas minhas mãos.

Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, vi o resultado: positivo.

Uma onda de pânico tomou conta de mim. Não podia ser. Refiz o teste, e mais uma vez... positivo. Por um momento, senti que o chão estava se desfazendo sob meus pés. Respirei fundo e fiz o terceiro, na esperança de que fosse um erro, mas o resultado foi o mesmo: positivo.

Sentei no vaso sanitário, abraçando meus próprios braços enquanto as lágrimas começaram a escorrer. Meu corpo estava paralisado, minha mente tentando processar todas as implicações. Eu estava grávida.