Pais por acaso

70 Renesmee- No lugar mais seguro do mundo.


Notas iniciais
Tenho muitos capítulos escritos, falta escrever apenas os finais. O que estão achando desses papais por acaso?

Foram três longos dias.

Três dias presa naquele quarto de hospital, com os olhos marejados e o coração apertado, tentando ser grata por estar viva… mas me sentindo incompleta.

Porque a parte mais importante de mim — minha filha — ainda estava longe dos meus braços.

Bella e Sarah tentavam amenizar minha ansiedade, me enviando vídeos e fotos da Serena.

Ela era tão linda… tão pequena… tão minha.

Mas nada substituía o toque, o cheiro, o calor.

Nada substituía aquele momento em que mãe e filha se reconhecem.

E eu queria isso.

Precisava disso.

Jacob ficava comigo o tempo todo, tentando me consolar com seu amor calmo e firme.

— Ela está bem, Ness… Ela é forte, como a mãe dela. — Ele dizia, acariciando meus cabelos enquanto me aninhava em seus braços. — Em breve, você vai estar com ela. Eu prometo.

Só que o tempo parecia se arrastar…

Até que a porta se abriu com uma batida leve, e a doutora entrou.

— E aí, ruiva, pronta pra boas notícias? — Disse Olivia com um sorriso que misturava profissionalismo com uma pitada de entusiasmo.

Jacob se afastou um pouco, ajeitando-se na poltrona ao lado.

— Estou mais do que pronta — respondi, erguendo o olhar com esperança.

— Pois pode comemorar — disse ela, entregando-me uma prancheta para assinar — Você está oficialmente de alta.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

Eu sorri tão largo que a dor no peito quase não importou.

— Eu vou para casa… eu vou ver a minha filha… — sussurrei, levando a mão à boca para conter a emoção.

Jacob riu, beijando minha testa com ternura.

— Eu vou ligar pra Bella — disse ele, já puxando o celular. — Ela vai querer preparar tudo.

Enquanto ele falava com minha mãe, Olivia se aproximou da cama e me passou algumas recomendações:

— Repouso por mais alguns dias, nada de esforço físico, alimentação leve, e, por favor, nada de tentar levantar sozinha no meio da noite, combinado?

— Combinado, doutora Rodrigues — brinquei, sorrindo.

Ela revirou os olhos, divertida.

— Já falei que pode me chamar de Olivia.

Assenti com um leve aceno, tentando manter o bom humor, mas algo em mim se contraiu quando ela se virou para Jacob.

— Jacob… posso falar com você um segundo?

Ele assentiu e os dois caminharam até perto da janela.

Observei discretamente.

Ela falava com um sorriso leve, e ele parecia escutá-la com familiaridade.

Não havia gestos excessivos, nem proximidade física imprópria, mas… algo em mim despertou.

Talvez tenha sido a lembrança.

Aquela voz distante, lá na minha escuridão: "Eles estão juntos."*

Engoli seco.

Quando Olivia saiu, sorrindo com leveza, Jacob voltou para perto de mim, ainda segurando minha mão.

— Você e a doutora Rodrigues… se conhecem há muito tempo? — Perguntei, casualmente, fingindo naturalidade.

Jacob pareceu surpreso com a pergunta, mas logo sorriu.

— Já fomos colegas de trabalho, há anos. Ela era médica residente em Seattle na época que eu coordenava alguns projetos sociais. A gente se esbarrou algumas vezes. Só isso.

Assenti com a cabeça e sorri, mas lá dentro… uma pontinha de incômodo ainda me cutucava.

Talvez fosse só insegurança.

Talvez fosse o medo de tudo que perdi nesses dias.

Ou talvez… eu só quisesse garantir que o homem que eu amava continuasse sendo só meu.

Mas agora, nada importava mais do que uma coisa:

Eu estava indo para casa.

E minha filha me esperava.


Chegar em casa nunca foi tão emocionante.

Jacob segurava minha mão com firmeza enquanto a porta do nosso apartamento se abria lentamente.

E, do outro lado, o que me esperava foi o suficiente para fazer meu coração disparar.

Todos estavam lá.

Minha família.

Os Cullen. Os Black.

Rostos conhecidos e amados… todos com sorrisos emocionados e olhares marejados.

Alice foi a primeira a me abraçar, apertando-me com delicadeza e chorando baixinho em meu ombro.

— Você voltou, Nessie… finalmente. — Sussurrou.

Emmett me girou no ar como se eu ainda fosse uma garotinha, deixando todos desesperados, inclusive eu, mesmo com o corpo ainda frágil.

Minha mãe me envolveu em seus braços com aquele calor que só ela tem, e meu pai… ah, o olhar do meu pai dizia tudo.

Era um misto de alívio, orgulho e amor silencioso.

Sarah e Rachel também estavam ali, me enchendo de carinho, mas foi Joseph quem me desmontou por dentro.

Meu menino.

Ele veio até mim com os olhos cheios de lágrimas contidas.

— Nessie… me desculpa por ter deixado você sozinha. — Disse ele, com a voz embargada.

Meu coração se partiu e se reconstruiu no mesmo segundo.

Puxei-o para um abraço apertado, colando seu rosto ao meu.

— Você não tem culpa de nada, meu amor. Eu sabia que você estava sendo forte… por mim, pela Serena. Você foi incrível, Joseph. — Sussurrei no ouvido dele, e senti seus braços me envolvendo com força.

Jacob me ajudou a sentar no sofá, cercada por almofadas, cobertas e o perfume familiar de casa.

Eu olhei em volta, meio perdida, com o peito ansioso.

— Onde está ela? — Perguntei, a voz saindo como um sussurro trêmulo. — Onde está a Serena?

Jacob sorriu com ternura, tocou meu rosto com os dedos quentes e se inclinou para beijar minha testa.


— Espera só um pouquinho — disse, se levantando e indo até o quarto.

Fiquei ali, com o coração galopando no peito.

Minhas mãos tremiam sobre o colo, e minha respiração se descompassava à medida que os segundos passavam.

Então ele voltou.

E meus olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante.

Jacob surgiu com a nossa filha nos braços, embrulhada em uma mantinha rosa, tão pequena, tão perfeita, que parecia saída de um sonho.

— Ela dormiu, mas eu sei que vai sentir que você chegou. — Ele sussurrou, se ajoelhando diante de mim.

Com todo o cuidado do mundo, ele colocou Serena nos meus braços.

E naquele instante…

Nada mais existia.

O tempo parou.

O mundo sumiu.

Todos ao meu redor desapareceram.

Só havia eu… e ela.

Aquele rostinho delicado, o narizinho arrebitado, a boquinha rosada entreaberta…

Ela era tão linda.

Tão minha.

E quando senti seu cheirinho, aquele aroma doce e suave de bebê… algo dentro de mim se desfez.

E outro algo se construiu.

Imenso. Infinito.

Era amor.

Amor real. Amor maior. Amor incondicional.

Um amor que eu jamais havia sentido antes.

As lágrimas escorreram livres pelo meu rosto.

E mesmo com a dor no corpo, com os medos ainda presos no peito… naquele instante, eu era só luz.

Serena se mexeu levemente, e seus olhinhos se abriram, quase em câmera lenta, encontrando os meus pela primeira vez.

— Oi, minha filha… — sussurrei com a voz embargada. — A mamãe está aqui.

E ela sorriu. Ou quase. Talvez tenha sido só um reflexo.

Mas para mim… foi tudo.

Foi o recomeço da minha vida.


A noite tinha caído devagar, com uma paz suave que envolvia cada canto do nosso lar.

Estávamos só nós três agora. Eu, Jacob e a pequena Serena.

Sentada na poltrona que Jacob cuidadosamente tinha preparado com almofadas e uma mantinha macia, eu amamentava minha filha pela primeira vez em casa. A luz suave do abajur deixava tudo ainda mais acolhedor.

Serena sugava com força, com a boquinha rosada e os olhinhos semicerrados. Uma das mãozinhas segurava meu dedo, e aquilo… aquilo era o tipo de coisa que ninguém jamais conseguiria descrever com precisão.

Era amor em forma de toque.

Era vida.


Senti meu peito se encher — não só de leite, mas de um calor que vinha da alma, um vínculo silencioso e eterno entre mim e aquela criaturinha que carreguei por meses e agora estava ali, tão real, tão minha.

O som suave da porta se abrindo me fez erguer os olhos, e então o vi.

Jacob.

Ele entrou devagar, como se não quisesse interromper aquele momento. Seu olhar foi direto para nós duas, e um sorriso doce surgiu em seu rosto.

— Ela dormiu. — Murmurei, sorrindo com ternura, enquanto sentia o corpo de Serena relaxar contra o meu.

Jake se aproximou com passos silenciosos, ajoelhando-se ao meu lado.

Passou os dedos pelas bochechas da nossa filha com carinho e depois me olhou nos olhos.

— Eu vou colocá-la no berço, Ness. Você precisa descansar… a doutora Rodrigues foi bem clara. — Disse com aquela voz suave e protetora.

Franzi o nariz e fiz um beicinho, abraçando Serena um pouco mais.

— Mas eu quero ficar com ela… — murmurei, quase manhosa.

Ele riu baixinho e me deu um beijo na testa.

— Se ela chorar, eu venho correndo buscá-la para você. Prometo. Mas agora… você precisa se cuidar também. Por ela.

Suspirei, derrotada pelo bom senso dele — e pela exaustão que já pesava sobre meus ombros.

Assenti lentamente e deixei que ele a pegasse com todo o cuidado do mundo.

Jacob a segurou como se segurasse o próprio universo.

Eu o observei sair com a bebê, e minutos depois ele voltou, me encontrando exatamente onde me deixou, agora com os braços vazios e o peito ainda quente de emoção.

— Sua princesa está no ninho. — Disse ele com um sorriso calmo, se aproximando.

— E a rainha? — Provoquei com um sorrisinho cansado.

Sem dizer nada, ele me tomou nos braços, com a mesma doçura e cuidado que pegou nossa filha. Me carregou até o nosso quarto com a mesma delicadeza com que segurou nossa filha e me deitou na cama como se eu fosse de cristal.

Deitou-se ao meu lado e me puxou para os seus braços.

Me encaixei ali, no lugar onde meu corpo parecia pertencer desde sempre.

Ele beijou meus cabelos e sussurrou, com a voz embargada:

— Senti tanto a sua falta, Nessie…

Fechei os olhos, sentindo meu corpo se aquecer só por estar ali, envolvida nele.

— Eu também senti, Jake… Senti falta disso. De estar aqui. Nos teus braços.

Ele não respondeu.

Apenas me abraçou mais forte.

E assim, naquela noite calma, entre beijos silenciosos e corações sincronizados, eu adormeci.

No lugar mais seguro do mundo.