Pais por acaso
25 Renesmee- Mãe e filha
O último mês foi um turbilhão. A descoberta da gravidez, o medo de contar à minha família, e o envolvimento cada vez mais intenso com Jacob... tudo isso parecia um sonho complicado. Eu ainda não conseguia dizer em voz alta que o bebê era dele. Alice foi a primeira a desconfiar, claro. Ela nos flagrou no ultrassom, e foi uma questão de dias para ela ligar os pontos. Sua reação inicial foi a esperada vinda de Alice Cullen, ela me deu todo apoio necessário e não me julgou e nem a Jacob.
Eu me via dividida. Contar a verdade não afetaria só a mim, mas a Jacob também, que estava tão comprometido com seu trabalho no hospital. E, claro, havia Seth. A relação entre ele e Jacob sempre fora cheia de atritos, e eu temia o que ele faria ao descobrir que estava esperando um filho de seu pai.
Agora, estava sentada na sala de Alice, enquanto ela me examinava. As portas estavam bem trancadas; eu precisava de um momento de tranquilidade, mesmo que fosse por poucos minutos.
Alice olhou para o monitor, concentrada, e depois para mim.
— Então, doze semanas — disse ela, sorrindo de lado. — Você tem certeza do que quer fazer, Nessie?
Suspirei, tentando sorrir de volta, mas a ansiedade apertava o peito.
— É complicado, Alice... — desviei o olhar para minhas mãos, descansando sobre a barriga, onde um volume já começava a aparecer. — Eu não quero esconder, mas não quero explodir tudo de uma vez. Isso pode mudar tanta coisa.
Alice me olhou com aquele ar analítico, quase maternal.
— Mudar as coisas? — Ela parou o exame e se inclinou na cadeira ao meu lado. — Está com medo da reação dos seus pais, não é?
Assenti, mas havia mais.
— Não é só isso... — hesitei, tentando organizar os pensamentos. — Jacob... ele é tão comprometido com o trabalho, tão respeitado no hospital. Não quero prejudicá-lo de forma alguma. E, se Seth descobrir...
Alice ergueu uma sobrancelha.
— Você acha que Seth vai reagir mal? — perguntou com cuidado.
— Eu sei que sim — respondi, minha voz soando um pouco trêmula. — Ele e Jacob nunca se deram bem. Eu não quero colocar mais um motivo de tensão entre eles.
Alice segurou minha mão, oferecendo um olhar de compreensão.
— Nessie, eu sei que parece assustador agora, mas você não precisa enfrentar tudo isso sozinha. Seus pais... bem, eles podem se surpreender, mas sabem o quanto você é capaz de tomar decisões. E quanto a Jacob... ele está nisso tanto quanto você. E ele não vai fugir.
Aquelas palavras, embora reconfortantes, ainda não acalmavam totalmente minhas incertezas.
— Eu sei... mas não quero que todos no hospital fiquem sabendo antes mesmo que minha família saiba. Por isso pedi a ele que esperasse. Mas é difícil esconder, sabe? Especialmente quando ele insiste que temos que assumir tudo logo.
Alice apertou minha mão e disse, com um sorriso tranquilizador:
— Acho que ele só quer proteger você e o bebê. Dê um pouco de crédito ao Jacob. Afinal, ele também está apaixonado.
Senti minhas bochechas esquentarem e ri, meio envergonhada.
— Você acha mesmo?
— Com certeza. Mas não se preocupe tanto em agradar a todos. Você só precisa fazer o que acha que é certo para você e seu bebê.
A consulta com Alice me deu um pouco de tranquilidade, algo que eu precisava desesperadamente. Depois de nossa conversa, me senti mais preparada para enfrentar o que estava por vir. Saí da sala com a bolsa pendurada no ombro e caminhei pelos corredores, perdida em meus pensamentos. Meu celular vibrou, e, ao olhar, vi que era Jacob, de novo. Era a décima ligação dele naquela manhã, e eu sorri, balançando a cabeça.
— Oi, Jacob — atendi, tentando segurar o riso.
— Nessie? Tudo bem? Como foi a consulta? — A voz dele soava cheia de preocupação.
— Tudo ótimo, Jacob. O bebê está bem — respondi, com carinho. Ele já devia ter me perguntado isso ao menos cinco vezes hoje.
Ele suspirou, aliviado.
— Fico feliz. Então, vou te esperar hoje à noite no meu apartamento. Preparei algo especial pra nós.
— Jake... você esqueceu que tem uma reunião com os sócios do novo centro hospitalar hoje à noite? — lembrei, um sorriso contido
Ele riu, como se tivesse acabado de lembrar.
— É, você tem razão... quase passou despercebido. E você? Vai ficar bem? — Ele fez uma pausa, e eu sabia que ele estava se referindo a mais do que a nossa distância hoje à noite.
— Vou aproveitar pra conversar com a minha mãe — disse, sentindo o nervosismo crescer.
Houve um silêncio do outro lado, e então ele perguntou:
— Você vai contar sobre o bebê?
— Sim. Acho que é hora de ter essa conversa com ela, de mãe pra filha.
Jacob suspirou, e percebi o quanto ele se preocupava.
— Tem certeza de que não quer que eu esteja lá?
— Sim. Esse é um momento só nosso, Jake. Prometo que você será o próximo a saber como foi.
Ele hesitou, mas logo concordou.
— Está bem... então te vejo amanhã. Boa sorte, Nessie. E qualquer coisa, me liga, ok?
— Eu vou. E obrigada — respondi, sorrindo com o carinho dele. Encerramos a ligação, e eu continuei meu caminho, sentindo-me um pouco mais preparada para o que viria.
...
Eu estava sentada no meu quarto, tentando focar no que estava no notebook à minha frente, mas sabia que não ia conseguir me concentrar. Quando ouvi a porta se abrir, olhei para trás e vi minha mãe entrando. Ela sorriu ao me ver e deixou algumas sacolas de compras no chão.
— Oi, mãe — sorri, tentando parecer natural. — Como foi o passeio com a vovó?
— Foi ótimo — ela riu, sentando-se na beira da minha cama. — Renée sempre faz uma festa quando me arrasta pra essas compras... Mas, e você? — Sua expressão ficou mais séria. — Notei que você tem passado muito tempo em casa ultimamente. Não que eu me importe, mas... está tudo bem?
Engoli em seco. Era agora. O momento que eu vinha adiando e ensaiando mentalmente desde que soube da gravidez. Meu coração acelerou e senti uma mistura de receio e urgência em contar.
— Na verdade, tem algo que eu preciso te contar, mãe... — comecei, desviando o olhar por um segundo antes de voltar a encará-la. — É que... bom, eu...
Bella franziu as sobrancelhas, me encarando com aquele olhar de mãe que já sabia que havia algo sério por trás das palavras.
— O que foi, Nessie? Está tudo bem? — Ela colocou a mão sobre a minha.
Respirei fundo, sentindo a ansiedade me consumir, mas finalmente deixei escapar a verdade.
— Mãe, eu... estou grávida.
Por um segundo, achei que ela não tinha escutado direito. Ela piscou lentamente, os olhos se arregalando aos poucos, enquanto a expressão de surpresa e choque se espalhava por seu rosto. Seus lábios se abriram, mas nenhuma palavra saiu.
— Você... grávida? — ela repetiu, a voz incrédula. Parecia que tentava processar, ainda tentando encaixar as peças.
— Sim... — murmurei, apertando a mão dela para tentar tranquilizá-la — eu descobri há algumas semanas.
Ela continuou me olhando, ainda atônita, como se precisasse de mais alguns segundos para absorver completamente. Eu podia ver que sua mente estava correndo, os pensamentos se amontoando, mas ela estava em choque demais para falar de imediato.
Finalmente, ela respirou fundo e murmurou, com a voz ainda trêmula:
— Eu... não sei nem o que dizer... Como você se sente com tudo isso, Nessie?
— Eu me sinto assustada, claro. Ainda não entendi totalmente tudo isso. Mas... também estou feliz. Este é meu bebê, mãe.
Ela segurou minha mão com mais firmeza, finalmente parecendo se recompor um pouco, embora a surpresa ainda estivesse estampada em seu rosto.
— Nessie, isso é... é muito. Mas... eu estou aqui. Seja lá o que você precisar, vamos passar por isso juntas, está bem?
Eu assenti, sentindo o alívio de finalmente contar a verdade. Bella ainda parecia atônita, mas sua expressão já mostrava um traço de aceitação e carinho. Saber que eu tinha o apoio dela fazia tudo parecer menos assustador, e eu a abracei, grata por tê-la ao meu lado.
Minha mãe levantou-se da cama e começou a caminhar pelo quarto, os braços cruzados, o olhar ainda distante. Eu podia ver que ela ainda tentava processar a ideia de que logo seria avó. Para ser honesta, eu mesma ainda estava me adaptando à realidade, mas havia um tipo de alívio em finalmente contar a ela.
Depois de alguns instantes de silêncio, ela parou e me olhou com uma expressão séria.
— Nessie... e o pai? — A voz dela saiu suave, mas eu pude notar a apreensão. — Quem é o pai?
Senti meu estômago revirar, e meu primeiro instinto foi hesitar. Sabia que a resposta não seria fácil para ela ouvir.
— Mãe, antes de eu dizer... eu preciso que você não surte. Promete?
Ela me lançou um olhar que misturava desconfiança e nervosismo, claramente preocupada.
— Isso... não é algo simples de prometer — ela respondeu, mas assentiu, encorajando-me a continuar.
Respirei fundo e, finalmente, soltei a verdade.
— É o... Jacob, mãe. Jacob Black.
O efeito foi instantâneo. Os olhos de minha mãe se arregalaram, e ela deu um passo para trás, parecendo completamente chocada. Então, como se fosse impulsionada pela surpresa, ela passou a mão pelo rosto, numa tentativa de absorver o que eu havia acabado de dizer.
— O Jacob? — A voz dela subiu uma oitava. — O Jacob Black? Nosso Jacob Black?
Eu assenti, tentando manter a calma.
— Sim, mãe... o Jacob.
Ela respirou fundo, claramente atordoada, e deixou escapar um pequeno grito de incredulidade.
— Isso não pode estar acontecendo! Como... como é que isso aconteceu? — Ela começou a andar de um lado para o outro, completamente em choque. — Eu sempre soube que vocês estavam próximos, mas... Meu Deus, Nessie, o Jacob?!
Eu entendia seu espanto. A relação entre Jacob e eu sempre fora complexa, mas ainda assim, tínhamos mantido aquilo entre nós. Ver minha mãe reagir daquela forma me fez sentir o peso de tudo o que estávamos prestes a enfrentar.
— Mãe, por favor, tenta entender — pedi, tentando alcançar sua mão. — Eu sei que isso é... um choque. Mas estou feliz, e o Jacob também. Nós... não esperávamos, aconteceu.
Ela me olhou, ainda parecendo perplexa e, de certo modo, machucada.
— Nessie, ele é... ele é como da família! Ele praticamente te viu nascer. Eu vou matar o Jake.
— Por favor mãe — disse, tentando acalmá-la. — Mas eu sou adulta agora. Nós dois somos.
Ela balançou a cabeça, ainda processando, mas finalmente parou e me encarou, os olhos cheios de preocupação.
— Nessie, isso é muito para assimilar... Eu só... eu não sei como lidar com isso ainda.
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