Pais por acaso
27 Renesmee- Elevador
Entrei no quarto de Bree Tanner, a luz suave que entrava pelas cortinas deixava o ambiente tranquilo, quase acolhedor. Bree estava sentada na cama, folheando uma revista, mas levantou os olhos ao me ver entrar com o tablet de prontuários em mãos.
— Você é estagiária? — perguntou ela, sem rodeios.
Sorri de leve, já acostumada a perguntas assim.
— Não, senhorita Tanner. Estou aqui a pedido do Dr. Carter. Ele me pediu para fazer sua avaliação do dia.
— Hmm, ok. — Bree pareceu pouco interessada e voltou a folhear a revista, mas logo perguntou: — E o Dr. Black? Ele não vem hoje?
Levantei os olhos do tablet, surpresa pela pergunta.
— O Dr. Black não está no hospital hoje — respondi, tentando esconder o tom curioso da minha voz.
Bree sorriu, uma expressão de expectativa evidente em seu rosto. Antes que eu pudesse perguntar algo, a porta se abriu e uma jovem entrou, parecida com Bree, mas com uma postura mais confiante.
— Como ela está, doutora? — perguntou a irmã de Bree, com um sorriso educado.
— Ela está bem. — Coloquei o tablet ao lado da cama. — Se tudo continuar correndo bem, Bree terá alta em breve.
— Ah, que ótimo! — A irmã de Bree sorriu e olhou para ela. — Você nem vai acreditar. Acabei de encontrar o Dr. Black na recepção, e ele perguntou como você estava.
O rosto de Bree se iluminou, um sorriso animado surgindo enquanto ela ajeitava o cabelo.
— Sério? Ele perguntou por mim?
— Perguntou — respondeu a irmã, com um olhar cúmplice. — Isso significa que ele se importa, não acha?
Observei a interação entre as duas, sentindo um misto de curiosidade e desconforto. Havia algo naquela troca que me deixou intrigada. Bree parecia encantada, enquanto a irmã fazia comentários que só reforçavam sua animação.
— Bom, vou deixar as recomendações finais — interrompi, tentando manter a compostura. — Mantenha-se hidratada e avise à equipe de enfermagem se sentir qualquer desconforto.
— Pode deixar, doutora — respondeu Bree, ainda sorrindo.
Fiz uma anotação rápida no tablet e saí do quarto, sentindo o olhar das duas nas minhas costas. Enquanto caminhava pelo corredor, minha mente trabalhava em silêncio. O que havia entre Bree e Jacob? A ideia era absurda, mas a interação delas plantou uma semente de dúvida que eu não conseguia ignorar.
Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, tentei afastar os pensamentos sobre Bree e Jacob, mas era impossível. Precisava me focar no trabalho. Ao chegar à recepção, a secretária do Dr. Carter estava no telefone, mas assim que me viu, fez um gesto para que eu esperasse. Assim que desligou, me cumprimentou com um sorriso profissional.
— Dra. Cullen, o Dr. Carter pediu para avisá-la que ele tem uma cirurgia marcada com o Dr. Black daqui a uma hora — informou, consultando sua agenda. — Como você assumiu o posto dele com seus pacientes precisará substituí-lo na sala.
Pisquei, surpresa.
— Entendi... — assenti, tentando manter a compostura. — Vou me preparar, então.
Ela sorriu e fez uma anotação na tela do computador.
— Ótimo. Qualquer coisa, estou aqui.
Saí da recepção com a mente a mil. Então era por isso que Jacob havia voltado ao hospital. Ele provavelmente não mencionou porque sabia que nos veríamos na sala de cirurgia. Tentei me concentrar, mas uma leve tensão ainda estava ali.
Parei diante do elevador, apertando o botão e respirando fundo. A porta se abriu com um leve som, e, para minha surpresa, dei de cara com Seth.
— Nessie! — ele disse com um sorriso largo.
Senti meu estômago revirar, mas forcei um sorriso de volta.
— Oi, Seth.
Entrei no elevador, tentando parecer o mais tranquila possível. Ele parecia animado, mas não disse nada além de um educado "tudo bem?" antes de se acomodar ao meu lado.
Enquanto a porta se fechava, encarei meu reflexo no painel metálico, me esforçando para manter a calma. As próximas horas prometiam ser intensas, e eu precisava estar pronta para lidar com tudo.
Enquanto o elevador subia, o silêncio entre mim e Seth ficou cada vez mais incômodo. Ele olhou para mim de lado, com aquele meio sorriso que eu conhecia tão bem. Resolvi ignorar, mas ele decidiu quebrar o gelo.
— Sabe, Nessie, você anda fugindo de mim ultimamente. — Sua voz era carregada de insinuação. — Ainda é apaixonada por mim, é isso?
Não consegui conter uma risada debochada.
— Apaixonada por você? Boa piada, Seth. Tenho coisas mais importantes com que me preocupar.
Ele deu um passo à frente, reduzindo o espaço entre nós. Sua proximidade era desconfortável, mas tentei manter a compostura.
— Você pode rir agora, mas e da última vez que transamos no elevador ? — Ele falou próximo ao meu rosto, sua voz baixa e cheia de malícia. — Não pensou nisso agora, não? Não quer que eu te foda Nessie?
Recuei um passo, meu coração disparando entre raiva e nojo.
— Se afasta, Seth.
Ele ignorou minha ordem, erguendo a mão e tocando meu rosto com os dedos, como se tivesse algum direito.
— Você sabe que tem química entre nós, Nessie. Para de lutar contra isso.
Minha paciência se esgotou. Sem pensar duas vezes, levantei o joelho com força, acertando sua virilha.
— Ai! — Ele gemeu, se dobrando de dor, segurando o local atingido.
A porta do elevador abriu com um *ding* no andar seguinte, e aproveitei a chance. Saí correndo sem olhar para trás, meu coração batendo descontroladamente.
Minha pressa me levou a bater diretamente em alguém no corredor.
— Nessie! — A voz grave e familiar de Jacob me chamou de volta à realidade.
Jacob olhou para mim, os olhos escuros ainda buscando uma resposta.
— Está tudo bem? — perguntou, o tom calmo, mas carregado de preocupação.
Respirei fundo, tentando ignorar a dor latejante da situação com Seth. Decidi não complicar mais as coisas. Não queria que Jacob soubesse, pelo menos não agora.
— Está tudo bem. — Forcei um sorriso. — Só estava distraída e não vi você.
Ele pareceu não estar completamente convencido, mas decidiu não insistir.
— Tem certeza? Você está pálida.
Balancei a cabeça.
— É só o cansaço. Ah, a propósito, o doutor Carter me escalou para a cirurgia.
Os olhos de Jacob brilharam com entusiasmo, e um sorriso genuíno iluminou seu rosto.
— Eu e Carter conversamos sobre isso. Achei que seria uma boa experiência para você. Fico feliz que ele tenha seguido a sugestão.
Havia tanto orgulho na voz dele que não pude evitar sorrir de verdade dessa vez.
— Acho que vou aprender bastante.
— Tenho certeza disso. — Ele começou a caminhar em direção à sala de preparação, acenando para que eu o acompanhasse. — Estou indo me preparar.
— Eu também. — Concordei, seguindo ao seu lado.
Enquanto caminhávamos, pude sentir minha tensão diminuindo um pouco. Jacob tinha esse efeito em mim, mesmo sem perceber. Era estranho como ele conseguia me acalmar com uma simples presença, mesmo depois de momentos tão tumultuados.
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