Pais por acaso
29 Renesmee- Ciumes
Eu não atendi as ligações de Jacob naquela noite. Precisava de tempo para colocar meus pensamentos em ordem. Mesmo que ele fosse o pai do meu bebê, saber que ele poderia estar envolvido com outra mulher me incomodava profundamente. Tentei me convencer de que isso não importava, mas era impossível ignorar o aperto no peito que surgia toda vez que pensava em Bree.
Bella protestou quando me viu sair pela manhã.
— Você deveria descansar, Renesmee — disse, com o tom de preocupação que só as mães conseguem. — Ontem foi um dia difícil.
— Estou bem, mãe — insisti, tentando soar convincente. — Preciso me distrair. Ficar parada só vai me deixar ainda mais ansiosa.
Ela suspirou, mas sabia que eu não mudaria de ideia. Minutos depois, já estava no hospital, pronta para mais um dia.
Assim que cheguei, notei a agitação na emergência. Era troca de plantão, e sempre surgiam casos que exigiam atenção imediata. Decidi ajudar, aproveitando a oportunidade para me distrair.
— O que temos? — perguntei a uma das enfermeiras ao entrar.
— Adolescente, vítima de atropelamento. Está consciente, mas precisa de avaliação urgente — respondeu ela, enquanto me passava as informações iniciais.
Me aproximei da maca onde o garoto estava. Ele tinha feições delicadas, olhos brilhantes e parecia assustado, mas se esforçava para parecer corajoso. Havia algo familiar nele que me deixou intrigada, mas afastei o pensamento e me concentrei no atendimento.
Atendi o garoto com um sorriso profissional, tentando transmitir confiança. Ele tinha olhos escuros, cabelos igualmente escuros, e sua pele era levemente morena. Apesar de estar assustado, ele parecia mais preocupado do que com dor.
— Olá, eu sou a doutora Cullen — disse, enquanto verificava seus sinais vitais. — Qual o seu nome?
— Ethan — respondeu, olhando ao redor, nervoso.
— Ethan, preciso que fique calmo, ok? Vamos cuidar de você. Está sentindo dor em algum lugar específico? — perguntei, tentando estabelecer um diálogo enquanto avaliava os ferimentos aparentes.
— Não... Não está doendo — ele respondeu, desviando o olhar. — Mas... Eu preciso ir pra casa.
Franzi o cenho.
— Ethan, você acabou de ser atropelado. Precisamos ter certeza de que está bem antes de liberar você — falei calmamente. — Vou tentar localizar seus pais.
O garoto imediatamente ficou mais nervoso, mexendo-se inquieto na maca.
— Não, não precisa! Eu... Eles estão ocupados. Só me deixa ir pra casa.
Sua reação me deixou intrigada. Algo estava errado, mas não era o momento de pressioná-lo.
— Vamos fazer o seguinte: vou pedir alguns exames rápidos e, enquanto isso, tentarei contato com seus responsáveis, tudo bem?
Ele mordeu o lábio, mas não respondeu. Fiz uma nota mental para monitorá-lo e saí da emergência, ainda pensando em sua expressão nervosa.
Enquanto caminhava pelos corredores, os olhos escuros e a pele morena de Ethan não saíam da minha mente. Havia algo familiar nele, mas eu não conseguia identificar o que era.
Entrei no elevador e, para minha surpresa, encontrei Jane lá dentro. Seu rosto estava abatido, e seus olhos estavam inchados de chorar.
— Jane — comecei, com cuidado. — Você está melhor?
Ela suspirou, parecendo completamente derrotada.
— Não. Minha vida acabou, Nessie — respondeu, a voz embargada. — Como vou ter um bebê e continuar minha residência?
Coloquei uma mão gentil em seu ombro, tentando oferecer conforto.
— Eu sei que parece assustador agora, Jane. Mas você é forte e determinada. Vai encontrar uma forma de equilibrar as coisas. Tenho certeza de que vai dar conta.
Ela me olhou surpresa, as lágrimas ameaçando cair novamente.
— Você fala como se soubesse exatamente como eu me sinto.
Olhei para ela um pouco sem graça, ela nem imaginava que estavamos passando pela mesma situação, sorri de leve e desconversei:
— Eu só sei que, às vezes, as situações mais difíceis acabam nos tornando mais fortes do que imaginamos.
Ela assentiu, absorvendo minhas palavras.
— Obrigada, Nessie, por não me julgar apesar de tudo.
— Estamos juntas nessa, Jane — completei, antes de o elevador abrir suas portas.
Assim que as portas do elevador abriram, dei de cara com Jacob. Sua expressão era séria, como se ele já estivesse esperando por mim.
— Jane — ele começou, com a voz firme —, preciso que você cuide dos relatórios de admissão e acompanhe os exames do garoto na emergência.
Jane assentiu rapidamente, olhando para mim e depois para Jacob antes de se afastar sem uma palavra.
— Doutora Cullen, comigo — disse Jacob, sem deixar espaço para discussão.
— Certo — murmurei, seguindo-o.
Ele andou rápido pelos corredores, olhando discretamente para os lados, até parar diante da porta de um depósito. Antes que eu pudesse perguntar o que estava acontecendo, ele abriu a porta, segurou meu braço e me puxou para dentro.
— O que você pensa que está fazendo? — perguntei, irritada, enquanto ele fechava a porta atrás de nós.
— Por que não atendeu minhas ligações? — ele retrucou, cruzando os braços. Seu tom era duro, mas havia preocupação em seus olhos.
Cruzei os braços também, tentando manter a compostura.
— Talvez porque eu estivesse ocupada tentando colocar minha cabeça no lugar.
— Nessie... — Jacob passou a mão pelo cabelo, parecendo frustrado. — Não é assim que resolvemos as coisas. Você precisa falar comigo.
— Ah, claro! Como você fala comigo sobre tudo? — retruquei, levantando as sobrancelhas. — Talvez você devesse ligar para Bree. Tenho certeza de que ela atenderia.
O rosto de Jacob endureceu, e ele deu um passo à frente, reduzindo a distância entre nós.
— Não começa com isso. Bree é só uma amiga, já te disse.
Revirei os olhos.
— Uma amiga? Que casualmente sorri feito uma boba apaixonada quando mencionam seu nome? Por favor, Jacob, eu não sou idiota.
— Você está com ciúmes.
— Não estou com ciúmes! — retruquei, um pouco alto demais.
Ele soltou um suspiro pesado, esfregando o rosto com as mãos.
— Nessie, eu não sei o que você está pensando, mas não tem nada entre mim e Bree. Você é a única que importa pra mim.
— Não parece — murmurei, desviando o olhar.
Jacob segurou meu queixo suavemente, forçando-me a olhar para ele.
— Parece que você está decidida a brigar comigo. Mas eu não vou desistir de você, nem do nosso filho — ele disse, sua voz baixa e firme.
Engoli em seco, sentindo meu coração acelerar, mas antes que eu pudesse responder, os lábios dele buscaram os meus e ele me beijou de uma forma urgente.
Jacob me olhou fixamente, os olhos intensos e ardentes. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele avançou, segurando meu rosto com as mãos firmes. Nossos lábios se encontraram com urgência, o mundo inteiro desaparecendo ao nosso redor. Sua boca era quente e possessiva, e eu senti cada fibra do meu ser ceder àquele momento.
Sem quebrar o beijo, Jacob me segurou pela cintura e me ergueu com facilidade, encostando-me na parede fria do depósito. Meu coração estava acelerado, e todo o controle que eu sempre tentava manter desmoronou. Eu passei os braços ao redor de seu pescoço, enquanto ele explorava cada centímetro meu com uma intensidade que me deixava sem fôlego. Lentamente minha calça foi abaixada por uma das mãos de Jacob e eu gemi quando ele me penetrou de uma só vez.
— Não faz barulho, bonequinha— ele sussurrou rouco enquanto me fodia com força, em questão de segundos cheguei ao orgasmo e ele urrou derramando todo seu líquido dentro de mim.
Quando finalmente nos afastamos, estávamos ofegantes. Ele me colocou no chão com cuidado, os olhos ainda presos nos meus, como se quisesse dizer algo mas hesitasse.
— Você é importante para mim, Nessie. — Sua voz estava rouca, mas cheia de convicção. — Não existe outra. Nunca existiu e nunca vai existir.
Senti meu rosto esquentar, mas antes que pudesse responder, ele se inclinou para me beijar de novo, desta vez com mais suavidade, como se quisesse gravar aquele momento em nossas memórias.
Ele deu um passo para trás e arrumou a camisa, um sorriso torto aparecendo em seu rosto.
— Preciso ir. Se eu demorar mais, vão começar a me procurar.
Assenti, ainda sem palavras, enquanto ele abria a porta. Jacob me lançou um último olhar antes de sair, deixando-me sozinha no depósito.
Olhei ao redor, rindo baixinho da loucura que acabáramos de fazer. Passei as mãos pelo cabelo e ajeitei minhas roupas, tentando parecer minimamente apresentável antes de sair.
“Isso foi insano”, pensei, mas não consegui conter o sorriso.
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