Pais por acaso
92 O casamento
Narrado por Renesmee
Eu me olhava no espelho, tentando conter a respiração.
Não pela cintura apertada do vestido, mas pela avalanche de sentimentos que tomavam conta do meu peito. Amor, nervosismo, gratidão… e aquela sensação de que eu estava exatamente onde sempre pertenci.
Alice ajeitava com toda delicadeza os detalhes da saia do meu vestido, que deslizava em camadas de tule branco levemente perolado. Rosalie trançava pequenas flores de jasmim no meu cabelo, que caía em ondas soltas pelas costas. Bella se mantinha ao meu lado, segurando minha mão com carinho — os olhos marejados diziam tudo o que ela não precisava verbalizar. E Rachel sorria com aquele ar protetor de irmã mais velha que aprendi a amar.
Meu vestido era exatamente como eu sonhei:
Romântico, leve, com detalhes em renda bordada no corpete e botões delicados nas costas. As mangas caiam pelos ombros como se tivessem sido desenhadas a partir de um poema. Eu queria me sentir como eu mesma — e me sentia. Mas talvez um pouco mais mágica.
Suspirei, olhando meu reflexo. Eu estava prestes a me casar com o homem que foi meu refúgio e meu lar em cada tormenta. O pai da minha filha. Meu melhor amigo. Meu amor.
Foi então que a porta se abriu suavemente, e todas viraram ao mesmo tempo.
Sarah apareceu com Serena no colo. E naquele instante, meu coração simplesmente derreteu.
Minha filha usava um vestidinho branco de renda com uma faixa de cetim rosa claro amarrada em um laço nas costas. Nos pés, sapatilhas delicadas, e em seus cachinhos dourados, uma tiarinha de flores miúdas que combinavam com as do meu cabelo.
— Mamã! — disse ela animada, correndo até mim assim que Sarah a colocou no chão.
Ela segurou a barra do meu vestido e me olhou com aqueles olhos que tinham o mundo.
Me abaixei o quanto consegui com aquele volume todo de saia e a abracei apertado.
— Você está linda meu amor… tá parecendo uma princesa.
Ela riu baixinho, e por um segundo, tudo parou.
Aquele quarto, cheio de mulheres que eu amava, risos abafados, a emoção no ar... Era mais do que o início de um casamento. Era o início de um novo capítulo da minha vida — um que eu esperei muito tempo para viver.
E ele estava prestes a começar.
O som suave do piano preencheu o ar, como se anunciasse que o mundo inteiro estava prestes a mudar. Eu estava parada atrás da grande porta de madeira do jardim dos Cullen, respirando fundo enquanto segurava a mão de meu pai.
Ele olhou para mim com aquele sorriso tímido que sempre teve, mas havia um brilho nos olhos dele — e eu sabia que era orgulho.
— Você está pronta, minha menina?
— Nunca estive tão pronta, pai — respondi com a voz trêmula, sentindo as lágrimas ameaçarem.
As portas se abriram.
O jardim inteiro estava tomado por flores brancas, luzes suspensas como estrelas em pleno dia, e convidados queridos que se levantaram ao som da música. Mas meu olhar não procurou nenhum deles.
Ele estava ali, parado ao final do corredor.
Jacob.
De terno preto perfeitamente ajustado, barba levemente por fazer, os olhos marejados e fixos em mim como se o resto do mundo não existisse.
Meu coração se apertou de tanto amor.
Cada passo que eu dava parecia nos aproximar mais de uma nova vida. A vida que eu sempre imaginei, mas por tanto tempo achei que fosse distante demais para acontecer.
Quando cheguei ao altar, Edward beijou minha testa e me entregou a ele.
Jacob segurou minha mão com firmeza, mas também com delicadeza. Ele sussurrou, tão baixo que só eu ouvi:
— Você está... irreal.
Sorri, já sentindo uma lágrima escorrer.
A cerimônia começou, mas para mim tudo virou silêncio. Eu só conseguia olhar para ele. Para os olhos daquele homem que atravessou comigo tantas tempestades. Que foi abrigo, que foi luz. Que perdeu, que lutou… e que, ainda assim, estava ali. Inteiro. Por mim. Por nós.
Quando o juiz perguntou se eu o aceitava, nem esperei. A resposta saiu sem que eu precisasse pensar:
— Sim, mil vezes sim.
Ele sorriu — aquele sorriso que sempre me desarmava — e quando dissemos nossos votos, nossas mãos tremiam, mas nossos corações estavam firmes.
E então veio o beijo.
O beijo que selava uma promessa, uma jornada, uma história inteira marcada por dor, superação, perdão… e, acima de tudo, amor.
Aplausos ecoaram ao nosso redor, e Serena bateu palminhas do colo de Bella, sorrindo como se também entendesse o que aquele dia significava.
Eu era, finalmente, a Sra. Black.
E pela primeira vez em muito tempo… tudo parecia exatamente como deveria ser.
Narrado por Jacob
A música suave enchia o jardim iluminado por lanternas suspensas, e o céu estrelado parecia nos abençoar com sua presença silenciosa. Eu ainda estava tentando entender como tive a sorte de casar com ela — com a mulher que fez meu mundo parar no instante em que a vi nascer. A mesma que cresceu diante dos meus olhos e me mostrou que amor verdadeiro é paciência, coragem e escolha.
A dança dos noivos terminou e, com ela, todos os aplausos e sorrisos ao nosso redor. Ainda ofegante, puxei Nessie pela cintura e beijei sua testa, o coração em paz como há muito tempo eu não sentia.
— Você está linda demais… ainda parece um sonho — murmurei.
Ela sorriu, aquele sorriso que sempre deixava meu mundo de cabeça pra baixo.
— Tenho algo pra te contar — disse, com brilho nos olhos. — Mas preciso que você respire fundo.
— Nessie… o que foi?
Ela tirou do bolso do vestido uma caixinha minúscula, e dentro havia um teste de gravidez, com o símbolo positivo bem claro.
Eu congelei.
— É sério? — perguntei, sentindo o chão escapar sob meus pés de emoção. — Você tá me dizendo que…
— Você vai ser papai de novo, Jake — disse ela, com os olhos brilhando.
Meu peito explodiu. Não havia outra palavra. Era alegria, era alívio, era gratidão.
Eu a abracei tão forte, a tirando do chão outra vez, e nós dois rimos, choramos, rimos de novo. E então eu não me aguentei — subi no pequeno palco onde o DJ estava e pedi o microfone, com o coração martelando no peito.
— Pessoal, com licença! — falei, tentando conter a voz trêmula. Todos se viraram pra mim, curiosos. Nessie estava logo abaixo, com um sorriso tímido.
— Eu jurei que nada hoje me deixaria mais feliz do que casar com a mulher da minha vida. Mas... eu me enganei.
— Porque... — engoli em seco, emocionado — essa mulher maravilhosa acabou de me contar que vamos ser pais novamente!
Houve um segundo de silêncio e, então, a explosão de gritos, aplausos, risos e lágrimas.
Seth correu pra me abraçar, Sarah gritou de alegria, Rachel cobriu a boca com as mãos emocionada, e Bella... bem, Bella já estava chorando com Esme.
Edward sorriu e me lançou aquele olhar silencioso de aprovação.
E eu... Eu apenas segurei Renesmee pela mão e olhei ao redor.
Família.
Amor.
Vida.
A gente merecia tudo isso.
Depois de tanta dor… finalmente, estávamos escrevendo um novo começo.
Meses depois....
Manhattan tinha um ritmo próprio — barulhento, apressado, imprevisível. Mas de algum modo, a cidade nos acolheu. O novo hospital, o St. Augustine Medical Center, era moderno, exigente, e me desafiava todos os dias. Ainda assim, cada plantão, cada paciente, me lembrava porque eu tinha escolhido estar ali.
Serena havia completado dois anos na semana passada. Minha pequena estava crescendo rápido. A festa tinha sido simples, com balões coloridos e um bolo decorado com personagens de contos de fada. Ela passara a maior parte do tempo rindo, entre os braços da avó Bella e brincando com Sarah em vídeo chamada. Foi perfeito.
Mas hoje… hoje era diferente.
Renesmee estava em trabalho de parto.
A notícia nos pegou de surpresa de madrugada, com o grito dela me tirando do sono e o coração disparando no peito. O trajeto até o hospital foi um borrão. Bella e Edward estavam conosco — tinham vindo de Seattle por insistência de Nessie. Ela estava insegura com tudo, temerosa de complicações como as que enfrentamos com Serena.
Agora estávamos aqui. Eu, sentado naquela sala branca demais, olhando fixamente para a porta, como se pudesse trazê-la de volta ao meu alcance. Bella segurava minha mão, e Edward, em pé ao lado, tentava parecer tranquilo, mas eu via o nervosismo nos olhos dele.
O tempo parecia não passar. Cada segundo ecoava como uma eternidade.
Até que, finalmente, a porta se abriu.
Um médico jovem, de jaleco azul e expressão serena, entrou com um sorriso leve no rosto.
— Jacob Black?
— Sou eu — levantei num pulo.
— Parabéns — disse ele. — O bebê nasceu. É um menino. Forte e saudável. E sua esposa está bem, descansando.
As palavras dele ecoaram no meu peito como um trovão de alívio.
Senti as pernas fraquejarem por um instante. Bella me abraçou e Edward colocou a mão em meu ombro com um raro sorriso sincero.
— Um menino… — repeti, quase sem acreditar. — Eu sou pai de novo.
— Mais uma vez — disse Edward, divertido. — E parece que continua fazendo isso muito bem.
Sorri, sentindo os olhos se encherem de lágrimas. Eu queria correr, voar até Renesmee e segurar aquele pequeno milagre em meus braços. Mas, por um segundo, só fiquei ali… tentando absorver o peso doce da notícia.
Meu filho nasceu.
Forte.
Saudável.
Nosso.
E naquele instante, em meio à agitação fria de Manhattan, minha vida ficou completa mais uma vez.
Fale com o autor