Pais por acaso

79 Jacob - Eu sou avô?



O tempo voa... a gente ouve essa frase a vida inteira, mas só entende de verdade quando percebe que sua filha, aquela coisinha minúscula que mal abria os olhos ao nascer, acaba de completar três meses de vida.

Três meses da nossa Serena. Três meses de noites curtas, fraldas trocadas de olhos fechados, choros que aprendi a decifrar só pelo som... e sorrisos que são capazes de iluminar qualquer dia cinzento.

Decorei a varanda com luzes douradas, suaves, daquelas que parecem imitar o brilho de vaga-lumes. Pendurei um varal com fotos da nossa pequena — no meu colo, dormindo no peito da Nessie, sendo ninada por Josh, recebendo os beijinhos exagerados e babados do Seth. A vida em imagens. O amor em pequenos quadros.

E por falar em Seth e Josh... os dois estavam numa disputa acirrada pelo título de “irmão favorito”. Era como assistir a uma comédia ao vivo. E a Serena, claro, adorava a atenção — mesmo que não entendesse nem metade do que estava acontecendo.


— Ela quer vir pro irmãozão favorito, Nessie, fala pra ele — disse Seth, fazendo caretas hilárias enquanto estendia os braços.

Josh revirou os olhos e rebateu:

— Irmão favorito? Você mal sabe segurar ela. Parece que vai derrubar.

— Isso porque eu deixo ela respirar! Você agarra ela como um urso!

— Meninos… — Nessie advertiu, com aquele tom doce e divertido, sentada no sofá com Serena aninhada no colo. — Ela acabou de mamar, então cuidado pra não sacudir demais ou ela vai acabar devolvendo o leitinho em vocês dois.

Eles riram, mas obedeceram. E foi aí que me aproximei e a peguei nos braços com aquele cuidado que só o tempo e o amor ensinam. Por mais que os dias passassem, ver minha filha nos meus braços ainda me tirava o fôlego. Eu a olhava como se o mundo inteiro desaparecesse — e talvez ele realmente desaparecesse mesmo.

— Parabéns, minha pequena... — sussurrei, beijando sua testa. — Três meses sendo a luz da nossa casa… e do coração do papai.

Ela sorriu. Um sorriso banguela, inocente, que me desmontou por dentro. Todos riram junto, mas naquele instante eu estava completamente absorto nela.

Até que o celular do Seth tocou.

Ele atendeu sorrindo, mas o sorriso sumiu tão rápido quanto veio. Seu rosto ficou pálido, nervoso.

— É a Jane… ela tá indo pro hospital. O bebê vai nascer!

Silêncio.

O tipo de silêncio que faz o tempo congelar por alguns segundos.

— O quê? — Perguntei, arregalando os olhos. — Agora?

Ele apenas assentiu, tenso.

Eu me virei pra Nessie, tentando processar o que tinha acabado de ouvir. Meu coração acelerou, como se precisasse correr até lá antes mesmo das pernas se moverem.

— Eu… vou ser avô?

Nessie sorriu com ternura, mesmo com a voz embargada pela emoção:

— Oficialmente, sim. Vai sim, vovô Black.


Josh, claro, explodiu em gargalhadas.

— Ah, não! Agora é “vovô”? Eu vou usar isso para sempre!

— Nem ouse — retruquei, apontando o dedo para ele, mas já sorrindo, ainda meio atordoado com a notícia.

Me inclinei até Nessie, com Serena ainda nos braços, e nossos lábios se encontraram num beijo calmo, cheio de carinho e de promessas silenciosas.

— Vai com calma, amor… e me avisa assim que tiver notícias, tá?

— Eu prometo. — Fiquei ali mais alguns segundos, só olhando para ela. — Cuida da nossa princesinha. E torce para esse menino puxar a mãe, viu?

— Vai com Deus — ela sussurrou.

Entreguei Serena de volta para ela com um último beijo na testa da nossa pequena e saí com Seth, sentindo o coração disparado. Eu ainda estava tentando aceitar que, além de pai, agora… também era avô.

E meu neto estava chegando ao mundo.

Etha. Mal posso esperar para te conhecer.


O hospital estava silencioso demais para o tanto de coração batendo rápido ali dentro. A gente estava numa sala de espera privada do Cullen Medical, reservada especialmente para a família, já que Jane era residente ali. Mas o ar estava denso. Seth andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, com as mãos nos cabelos, resmungando coisas sem sentido.

— Cara, respira — falei, tentando ser o equilíbrio naquela tempestade de nervos. — É um parto, não o fim do mundo.

— Você não tá entendendo, pai! E se der alguma coisa errada? E se ela sentir dor demais? E se o bebê…


— Seth. — Me levantei e segurei os ombros dele. — Ela está em um dos melhores hospitais do país, com os melhores médicos e uma equipe que a respeita. Vai dar tudo certo. Confia nela. Confia em vocês.

Ele assentiu, mas continuava mordendo o lábio, inquieto.

No canto da sala, Aro Volturi e sua esposa estavam sentados, mais contidos, mas dava pra ver a tensão nos olhos de ambos. A mãe de Jane tinha as mãos unidas em prece e o olhar fixo na porta. Aro mantinha o ar de nobreza, mas a perna balançava inquieta.

Foi então que a porta se abriu. E lá estava ela. Alice.

Com aquele sorriso que já dizia tudo antes mesmo das palavras chegarem.

— Ele nasceu. — Disse, e o alívio foi como uma explosão silenciosa na sala. — O parto foi normal, sem complicações. O bebê é grande, saudável, e a Jane está bem.

Seth ficou pálido por um segundo… e então caiu sentado, rindo, com os olhos marejados.

— Eu sou pai. Eu sou… pai?

— E eu sou avô — murmurei, meio sem acreditar, e Leah, que tinha acabado de chegar e ouviu, me cutucou com um sorriso divertido.

— Olha só, Jacob Black... agora é oficial: a gente é avô, meu querido.

— Não fala isso alto — murmurei, brincando. — Eu ainda tô digerindo a parte do “meu bebê tem um bebê”.

Todos riram. Alice nos guiou até o quarto, liberando a visita.


Entramos em silêncio respeitoso, e lá estava ela. Jane, com os cabelos um pouco bagunçados, um brilho suave no rosto e um olhar que nunca tinha visto antes. Um olhar de mãe.

E nos braços dela… Ethan.

Tão pequeno, tão perfeito. O rostinho corado, os olhinhos semicerrados. Um suspiro escapou de mim antes que eu percebesse.

— Meu Deus… — murmurei. — Ele é lindo.

Jane sorriu, cansada, mas feliz.

— Obrigada por estarem aqui. E por tudo.

Seth se aproximou devagar, os olhos brilhando.

— Oi, campeão… — sussurrou, tocando os dedinhos minúsculos do filho. — Eu sou seu pai.

— Ele é lindo, Jane — disse Leah, emocionada. — E tem seu nariz, graças a Deus.

— O bebê se salvou — brinquei, pegando o celular e tirando uma foto. — Não parece com o Seth.

Joseph, que tinha se encostado na parede do quarto, explodiu em gargalhadas.

— Você não presta, pai. Manda isso pra Nessie, vai.

Abri o aplicativo de mensagens, selecionei a foto e escrevi:

“O bebê se salvou. Não parece com o Seth 😎”

Enviei. Queria que ela estivesse ali comigo. Mas saber que ela veria Ethan, mesmo que por foto, já aquecia o peito.

Alice se aproximou e tocou meu braço com delicadeza.

— Jake, Carlisle pediu pra conversar com você. É importante.

Meu sorriso murchou um pouco. Olhei uma última vez para Ethan, que agora dormia tranquilo no peito da mãe.


— Já volto — sussurrei.

Mas no fundo, uma pontada de preocupação começou a se formar. Carlisle só chamava assim quando não era algo simples.

E meu instinto de pai — e agora avô — já estava em alerta.