Notas iniciais
DiAngelo: Hello, pessoinhas! Estão todos bem? Espero q sim. Bem, vamos logo as más notícias: como foi avisado lá na page, Nonna tá sumida há dois dias, mas hoje consegui falar com ela! o/ Ela tá sem internet, por isso ñ conseguimos nos falar. Para descanso geral da nação, hoje ela foi ao médico para saber o q anda acontecendo para adoecer tanto ultimamente (eu ainda acho q foi praga de alguém... *dá de ombros*). Bem, deixando a tristeza de lado, vamos ao oferecimento do dia: Violet e LunaScott - obrigado, queridas, pelas lindas recomendações e o esforço q vcs fazem por Nonna e eu! - Kagamine Frannie, q está fazendo aninhos hoje - Parabéns, mulezinha, q esse seja mais um ano recheado de felicidade, saúde e muitas outras coisas boas, como fanfics e fanarts delicinha do otp. Ofereço o filler tbm a todos os pais e mães, se é q tem algum aqui, q lê NMD. Só mais um aviso IMPORTANTE: esse é o único filler q realmente aconteceu, todos os outros eram realidades alternativas. Entenderam? ESSE FILLER É REAL!!! Dito isso, vamos ao filler! :* Nonna: Soooooooooooooooooolta negada! Quem tava esperando as minhas notas, eis elas. Eu so queria dizer que esse filler é a coisa mais gostosa do universo pq tem minha personagem favorita. Maiko *-*. Eu queria dizer tbm que esse filler acontece depois do fim da fanfiction, mas! Antes do epilogo. Eita. Deixei essa no ar. Digué mais nada. Outra... Enfim, negada, a saga do nosso otp mais coisado do mundo ta se acabando... Vai deixar saudades, muitas saudades mesmo... Enfim, principalmente em mim que simplesmente amei sabagaça! Bom, era so isso, negada, vamo q vamo.

Por mais que você não acredite, no fim das contas, Naruto e eu nos casamos em uma cerimônia particular, pois é: tínhamos tudo para ficarmos separados ou mortos, mas ficamos vivos e juntos. Esse novo nível da nossa relação já dura dois longos e interessantes anos. Se eu sou um homem feliz por ter me casado com outro Uzumaki? Posso admitir, sem medo ou nem vergonha, que essa época só se aproxima da época do nascimento da minha Maiko. Naruto é oficialmente estilista de moda e sócio de Shisui, de modo que saímos juntos para acompanhar um desfile preparado por ele e por Shisui.

Eu me sinto orgulhoso pelo sucesso de Naruto e ainda mais por estar dando conta do casamento, pelo menos em “tese”, afinal minha carga profissional só aumentava com o passar dos dias. Mas isso é caso para outro momento. Estamos voltando para casa, ao fim da sessão de fotos e de perguntas que Naruto foi submetido.

Era tarde, por volta de meia-noite, mas Maiko nos esperava, ainda que meu mordomo tivesse me dito que ela dera uns cinco cochilos no sofá da sala. Peguei-a nos braços e a levei para nosso quarto, meu e de Naruto. Fora uma noite de muitas emoções, devo dizer, então precisamos de uma noite tranqüila. Mal Naruto abriu a porta e eu ouvi um miado manhoso.

— Ah não. — fitei Naruto e meneei a cabeça negativamente. — Eu mereço…

Maiko acordou e viu Kurama todo faceiro em cima da cama, sacudindo a cauda, nos esperando. Coloquei-a no chão e ela correu para abraçá-lo. Nem olhei para a cena, fui para o banheiro tomar banho para dormir. Ninguém merece um gato que fez uma linda cicatriz na sua cara e que simplesmente acha que é o dono do universo. E como se não bastasse, ele pensa que eu sou o sofá mais confortável do mundo! Já não basta o dono dormir em cima de mim — não me importo em Naruto dormir sobre mim, na verdade eu gosto muito, entendam como quiserem — o bichano tem que vir também. Onde foi que eu amarrei meu jegue?

Sai do banheiro um instante e fitei Maiko.

— Mai-chan. — falei, retirando meu paletó.

Eu vi Naruto ir para o nosso closet e sumir lá dentro.

— Sim, papai. — ela me fitou, sem parar de coçar a cabeça de Kurama.

— Vá se aprontar para dormir, meu amor. Tome banho e traga Puppy.

— Sim! — ela deu um pulo, assustando o gato e me fazendo rir. — Papai lê uma história para mim?! — falou da porta.

— Sim, uma curta, que hoje eu estou cansado. E temos que dormir, amanhã você tem balé. — ela assentiu e disparou quarto a fora. Eu fui banhar-me.

Vesti-me e saí do banheiro, enxuguei meus cabelos e vi que Maiko acabara de entrar trazendo um livro fino de história. Peguei Kurama com uma mão, colocando-o em meu ombro, sentei-me na cama e ela veio aconchegar-se em meu peito. O gato e a menina se enroscaram, eu fiquei meio de banda na larga cama, peguei o livro e dei uma olhada. “Mil garças”. Sorri de lado e fitei-a. Maiko ergueu o rosto e sorriu.

— Gosta desse livro? — perguntei a ela.

— É o meu favorito. — contou, recostando-se mimosamente em meu peito.

— É o meu também. — rimos juntos. Abri o livro e suspirei. — Uma vez, num país distante…

— Espera! — ela me interrompeu. — Falta o pai. — disse, me fitando com olhos pidões.

— Chama ele, então.

Maiko assentiu, sorrindo e me exibindo os seus dentes no aparelho. Eu e Itachi usamos aparelho quando éramos crianças para ficarmos com esse sorriso Colgate que temos atualmente. Nem gosto de pensar muito. Oito anos com ferros dentro da boca, oh martírio. Ela engatinhou para a borda da cama, de costas, porque o colchão é bem alto, e quem conhece o meu histórico e o de Naruto deve imaginar porque, e começou a descer. Fitei o closet e lá vinha Naruto, sacudindo garbosamente seu caderno, feliz com alguma nova ideia. Franzi o cenho e arregalei meus olhos. Ele estava só de calça de pijamas. Fechei a cara em repreensão e ele deu um pulo de gato ao entender o que se passava.

— Mai-chan. — chamei. A menina esperou perto da cama, sem se virar e Naruto correu para dentro do closet, para vestir uma camisa. — Seja gentil, seu pai está desenhando, ok?

— Certo, papai! — ela adora exibir o aparelho dos dentes. Ela correu para o closet e eu só ouvi. — Pai vem dormir agora? Papai vai me contar uma história. — sorri. Minha menina é uma princesa até no comportamento. Uma menina de ouro.

Esperei a resposta dele folheando o livrinho. Era meu, ela deve ter ido no meu escritório lá embaixo, nas prateleiras inferiores. Vi minha assinatura na capa, eu devia ter uns cinco ou seis anos.

— Claro, princesa. Vamos, antes que Sasuke fique com ciúmes e ache que você me ama mais! — Naruto brincou, falando um pouco mais alto, justamente para que eu escutasse. Esse Naruto.

— Quer comparar dez anos de paternidade, meu amigo? — Maiko veio correndo, com aquele jeito fofo de sacudir a cabeça que faz os cabelos dançarem ao redor de seu corpo magrinho. — Você é aderente. — rebati.

Maiko subiu na cama e se colocou sobre mim como se fosse uma macaquinha no colo da mãe. Pisquei um olho para Naruto, aconcheguei-a e peguei o livro que ela escolhera. Kurama, porque ele pensa que é dono da minha casa e de mim, subiu nos travesseiros, usou os meus ombros de escada e veio parar na minha cabeça, com uma cara de bunda peluda que só esse gato consegue fazer. Peguei-o pelo cocuruto e coloquei-o sobre minhas pernas, porque na minha cabeça não dá.

Naruto rapidamente foi ao ateliê, guardou seu caderno e praticamente se jogou na cama quando voltou para o quarto, sacudindo tudo em cima, fazendo Maiko gargalhar e Kurama sibilar, incomodado. Ele se ajeitou na cama e sentou do meu lado, praticamente colado ao meu corpo. Naruto não sabe o significado de espaço pessoal. Tudo bem, somos casados, nos amamos, mas eu não nasci pregado nem na minha mãe.

— Vejamos, eu sou simpático, divertido, amável, engraçado e gosto de pessoas no geral, você só é… Rabugento. Claro que qualquer um me preferiria! — de forma muito madura, ele me deu língua.

Fitei Maiko e depois Naruto.

— Isso é verdade, Mai-chan?

Ela me fitou e riu, afundando o rosto no meu peito e esfregando-o. Devagar foi virando o rosto para mim, com uma cara sapeca de dúvida. Acariciei seus cabelos e pisquei um olho. Ela deu um longo suspiro e abraçou o meu pescoço.

— Eu amo muito o pai. — ela sorriu para Naruto. — Ele é muito legal, muito bonito e cuida bem de mim. — Naruto sorriu de forma convencida e fingiu que lixava as unhas. — Mas… — ela escondeu o rosto, completamente corada. — Papai é minha soulmate, até é o homem da minha vida.

Eu estava tranquilo, só olhando para a cara de Naruto, mas por dentro eu gritava e pulava de felicidade e orgulho, rolando no meu chão imaginário de satisfaçao da resposta que ela dera. Foda-se o DNA, essa menina é minha filha indo e voltando no avesso e no revestrés. Não me segurei por muito tempo, comecei a gargalhar alto e abracei-a com carinho, beijando seu rostinho vermelho e risonho. Essa é a minha menina!

— Ouch! — Naruto fingiu que estava horrorizado, colocando a mão no peito. — Isso doeu, Maiko!

Ela parou de rir e sentou-se na minha barriga, encarando-o com a cabeça entre as mãos apoiadas nos joelhos.

— Ele é o seu também e eu nem reclamo! — ela fez um bico fofo de indignação. — Esqueceu que pai é soulmate do meu papai? Que antes era só meu! — ela voltou a posição inicial e suspirou, sustentando o bico.

Olhei de lado para Naruto. Quero ver ele lidar com o ciúme dela. Ele sabe como lidar com o próprio ciúme e com o ciúme dos outros, mas com o de minha filha? Isso vai ser interessante.

— Mas você é a mulher da minha vida. — piscou o olho para ela. — E ele sempre vai te amar mais… Ai que vida! — suspirou, colocando as costas da mão na testa, de forma dramática. — Eu sou sempre a segunda opção!

— O nome disso é aderente. — completei baixo.

Maiko meneou a cabeça negativamente.

— Não! — disse, me fitando com uma cara de raiva. — Naruto é meu pai! Meu pai! — eu assenti e ela sorriu triunfante. — Hunf. — ela desceu de mim e ficou no meio de nós dois. — Uma vez, na escola... — joguei o livro de lado. Adoro ouvir as histórias de Maiko. — Um menino implicou comigo por causa dos meus olhos vermelhos. Ele disse que eu era doente, que só pessoas com doenças feias ficavam com os olhos vermelhos… Aí eu fiquei muito magoada e disse para pai. Lembra, pai? — ela fitou Naruto e ele assentiu. — Papai estava viajando na época. Aí pai foi na escola, chamou e conversou com a mãe do menino, na frente da minha professora. Pai disse que era feio julgar os outros, que meus olhos vermelhos não eram uma doença, era um dom. Aí a mulher perguntou “E você é o que dela?”. — Maiko começou seu show de imitações ao contar uma história.

Ela se virou para Naruto e eu o fitei, arqueando uma sobrancelha, esperando a resposta.

— Uzumaki Naruto. O pai dela. Porque? — Naruto respondeu, sorrindo.

Maiko fez um bico de concordância e se virou para mim, com uma cara de indignação.

— Aí, ela “Uzumaki Naruto… Pai?!” — eu só podia rir das imitações. Ela começou a sacudir a cabeça. — “Como assim você é pai dessa monstrinha?!”. Aí eu olhei para cara dela, eu já estava irritada, sabe? — assenti. — Então eu olhei para cara dela e disse “Ele é mais meu pai que você é mãe desse menino nojento!”, aí eu apontei para o menino que estava só de cabeça baixa, atrás da mãe, feito um bobão. Pois você acredita, papai, que ela puxou o meu cabelo? — ela franziu o cenho, as mãos na cintura, indignada ainda mais.

Arregalei grotescamente meus olhos, mostrando o quanto eu ficara surpreendido e encarei Naruto. Ele me olhou com uma irritação palpável. Naruto se mexeu para falar.

— Bem, eu disse a pu… — pigarreou, antes que falasse o resto. — A mulher, que teria sido bem mais saudável para ela, ter me agredido, porque o máximo que eu teria feito era nada. Por que eu perderia meu tempo com um ser insignificante como ela? — desdenhou, com uma careta de desgosto. — Mas minha filha? — estreitou os olhos e depois sorriu para Maiko, beijando seus cabelos logo em seguida. — Isso não. Aí eu peguei Maiko no colo e disse a mulher que ela estava muito ferrada, porque nosso advogado era muito eficiente em ganhar processos milionários. Nessa hora a professora estava quase tendo um infarto atrás de mim! — gargalhou.

— E Dona Maria? — perguntei, sorrindo de satisfação com a reação que ele tivera. Eu, basicamente, teria descido a mão na cara dela, porque ninguém, absolutamente ninguém toca na minha filha. Eu nunca levantei minha mão contra Maiko, que sou pai, avalie uma peste vinda lá do sétimo círculo do inferno pensando ser alguma coisa.

— “A culpa é sua por ser tão esquisita! Você assustou meu filho! Eu é que devia te processar”, a nojenta disse. — para Maiko, chamar uma pessoa de nojenta tem o mesmo efeito que eu chamar alguém de filho da puta. — Aí eu fiquei magoada, quase chorando, porque ela disse que eu sou esquisita… Nem pensei direito, só disse assim: “Vou dizer ao meu papai!”. — encarei Naruto.

Era como se eu dissesse, através do meu olhar, que ele tinha que ter no mínimo dado na cara da mulher por ter chamado a minha menina de esquisita.

— E a nojenta da professora... — para não dizer a porra da professora. — Não fez nada diante desse claro bullying? — Naruto negou com aquela cara de quem diz “A égua ficou só olhando”. — E ficou por isso mesmo?

— Depois de me segurar para não estrangular ela... — eu fiz uma cara de concordância, porque eu teria batido e foda-se. — Eu disse que a esquisita era ela por estar agredindo a filha de Uchiha Sasuke. Você deve imaginar a cara que ela fez. — Naruto riu maldosamente.

— Aí ela fez uma cara horrível de espanto, quase tropeçou no nada e ficou olhando para nós, com uma cara de bunda. — Maiko piscou, desamarrando sua cara de raiva. — Desculpa… Pelo palavreado.

— Não, Mai-chan, tudo bem. — sorri para ela e dei de ombros. — Está tudo bem se só falar assim quando estiver com raiva e entre nós.

Maiko suspirou de alívio e fitou Naruto, o alto de sua cabeça estava roçando no queixo dele. Ela sorriu e acariciou os braços dele que estavam ao redor de sua cintura fina. Eu vi ternura e felicidade naqueles olhos negros que contemplavam com quase paixão o rosto do meu esposo. Ela se esticou para cima e beijou a ponta do queixo dele.

— Pai foi meu herói naquele dia. — comentou, esfregando o rosto no braço dele. — O menino me pediu desculpas e disse que nunca mais me chamaria de esquisita. — ela suspirou, fechando os olhos. — Pai me protegeu de novo… Meu segundo herói, meu segundo pai.

Naruto olhou para mim meio perdido, o rosto lindamente corado. Não importava quantas vezes Maiko dissesse que ele era pai dela, para Naruto era sempre uma surpresa, uma linda surpresa. Eu só pude sorrir para ele. Eu sentia aquela surpresa, aquele sentimento expansivo de felicidade quando ela me chama de “papai”, há mais de dez anos.

— De qualquer forma, a conta bancária de Maiko ganhou mais alguns zeros. — Naruto deu de ombros, ainda envergonhado, acariciando os cabelos de nossa filha enquanto tentando se esconder atrás dela, obviamente não conseguindo.

Estreitei meu olhar, feliz com o fim da história.

— Que bom que você deixou eu me casar com Naruto, Maiko. — sorri feliz. — Vale a pena ter esse loiro guerreiro por perto, não é? — ela concordou com muita veemência e Naruto atingiu níveis preocupantes de vermelho. — É um bom pai. Não. — aumentei meu sorriso. — Um ótimo pai. — Maiko riu e concordou. — Então, precisou processar a criatura?

Maiko arregalou os olhos e tampou a boca.

— Papai! — ela disse, a voz abafada pelas mãos. — Que coisa feia! — eu ri e me desculpei com o olhar. — Olha essa boca, papai! — eu só assenti, me segurando para não gargalhar. — Num sei… — ela fitou o tomate com quem eu me casei. — Precisou, pai?

Naruto pigarreou e esfregou o rosto, numa tentativa de voltar ao seu tom de pele normalmente dourado. Voltou a me encarar precariamente, com as bochechas um pouco infladas.

— Se precisava, eu não sei, mas que Kakashi fez um ótimo trabalho, isso ele fez! — sorriu e as cicatrizes de suas bochechas davam um ar travesso, levemente malicioso, ao seu sorriso. — Enfim… Eu acabei esquecendo de te contar, mas se quiser saber os detalhes, pode falar com Kakashi.

Assenti brevemente. Busquei o livro que eu jogara de lado e dei a conversa por encerrada, para recomeçar a leitura. Depois de contar a história meio mística, contar do meu modo, minha filha acabou dormindo sobre mim, ressonando baixo. Eu levei-a para seu quarto e Kurama veio atrás. Ele adora dormir sobre as pelúcias dela. Deitei-a na cama, me certifiquei que o quarto estava seguro e retornei para o meu. Eu havia deixado Naruto cochilando, ao meu lado, com uma mão sobre as costas de Maiko, que eu retirei e coloquei no colchão para poder sair, mas ao retornar me deparei com ele bem acordado, sentado na cama.

— Pensei que já estava dormindo. — comentei, fechando a porta de chave, para caso algo acontecesse e não fôssemos pegos de “surpresa”.

— E perder a chance de te contar a versão para maiores de 18? — curvou os lábios em um sorriso sapeca. — Você me conhece! — bateu com a mão no colchão, do seu lado, me chamando.

Fui sentar-me e o observei, sorrindo de lado para a sua forma de falar.

— Versão para maiores de 18? — eu afaguei os seus cabelos e esperei. — Você trancou ela no meu quarto particular, foi? Para a gente brincar com ela do meu jeito especial?

Ele bufou e revirou os olhos.

— Teria sido mais provável que eu pendurasse ela no teto e a usasse de saco de areia! — me empurrou com os ombros, de leve. Eu ri e concordei com ele. Eu teria feito algo parecido. — Não me venha com suas ideias assanhadas! — brincou. — Enfim… Primeiro, eu deixei bem claro para a professora que ou seria o garoto ou ela que sairia da escola. Tenho certeza que você sabe o que aconteceu. — deu de ombros, enquanto enroscava sua perna na minha.

— Eu sei… Inclusive recebi um desconto na mensalidade. — informei. Depois mostro o comprovante de pagamento a ele. — Imaginei que tinha sido alguma tentativa de me agradar, mas agora eu vejo que a coordenação estava querendo lhe bajular. — observei sua perna em cima da minha. — Mas foi só isso? — dei de ombros, apertando seu joelho. — Essa é a versão para maiores de 18?

— Então… — me encarou, tentando manter-se sério. — Logo quando a vadia estava saindo da sala, eu segurei em seu braço e disse “Eu preciso muito falar com você… Sozinha!” — ele sussurrou, sorriu de lado e piscou o olho, de forma muito charmosa. Franzi o cenho, estreitando meu olhar e apertando levemente os lábios para frente, ouvindo essa conversa. De repente Naruto se deixou levar pelas risadas. — Cara, foi tão engraçado! Ela parecia uma barata tonta! Totalmente desnorteada! Há tempos que eu não fazia algo do tipo… Enquanto que você faz isso o tempo todo com as pessoas, né? — me deu um soquinho no braço, fingindo indignação. — A vadia estava lá, em frente a escola, se olhando no espelho e passando um batom de um tom horroroso de vermelho, acredita numa palhaçada dessa?! — cruzou os braços e me encarou, risonho.

— Vermelho… — comentei, afagando sua panturrilha. — Dizem ser a cor da perdição, dependendo do tom… — fitei-o. — É agora que fica R18? — levantei uma sobrancelha.

— Ô se é a cor da perdição… — Naruto se arrastou por sobre mim e se sentou entre minhas pernas. Fiquei só olhando a folga dele. Naruto tem essas manias de criança de ir sentando no colo alheio, como se a vida fosse isso mesmo. — Bem, eu cheguei por trás dela, enlacei sua cintura e sussurrei de novo: “Se você ou seu filho encostar na minha filha de novo, nem uma cirurgia plástica vai salvar a tua cara, vadia”. Depois, arrastei meu nariz pela bochecha dela e devolvi o puxão de cabelo.

Pendi a cabeça de lado, para fitá-lo, sustentando o peso do meu corpo nos braços apoiados na cama, e me deixei ficar com uma cara sutil de admiração.

— Ehr… — eu movi meus lábios para dizer algo, mas desisti. Pensei um pouco. — Bom, eu… — fechei a boca de novo, sem saber exatamente o que dizer. Quero dizer: Naruto fez bem em defender nossa filha, eu aprovo a ameaça, mas desse jeito? Eu não sei exatamente o que pensar. — Passou o nariz na bochecha dela e depois puxou o cabelo? — foi o que eu pude dizer por fim.

— A mecha veio junto… — ele comentou, olhando para as unhas, fingindo desinteresse.

Franzi o cenho, curvei meu corpo para trás e num giro, tirando as pernas de cada lado de Naruto, eu dei uma cambalhota para perto dos travesseiros. Fiquei de pé no ato e desci da cama, contornando o colchão, indo focar de frente a ele.

— Então é assim? — perguntei com um tom zombeteiro. — Eu estou achando que você que era o assanhado da história. — eu sorri.

— Assanhado? Eu?! — Naruto gargalhou. — Deixa de ser besta! Era isso ou espancá-la. — deu de ombros. — Preferi não ter que te ligar da delegacia! — brincou, sorrindo.

Sentei-me ao seu lado, de novo, pedindo aos céus que ele não começasse de novo com essa mania de vir para o meu colo e ri baixo.

— Eu que sou eu, nunca fui preso. Por que você seria? — toquei sua nuca e o trouxe para perto de mim, beijando lenta e provocantemente os seus lábios macios. Chupei-os de leve, para então soltá-los. — Quando estava só fazendo o certo. — sussurrei, meu rosto ainda próximo do seu.

— Exatamente, você nunca foi preso por ser você! Quem seria maluco de prender Uchiha “El Diablo” Sasuke?! — trouxe sua mão para o meu rosto e acariciou meus lábios. — Mas eu deixaria você me prender… — sussurrou de volta.

Suspirei, lambendo de leve seus dedos e neguei.

— Desculpe. — empurrei-o com os ombros. — Hoje você está de condicional. Seja bonzinho e só faça maldades amanhã, para eu ter motivos para te algemar devidamente. — sorri de lado minimamente.

— Tudo bem! — respondeu animadamente. — Vou me esforçar.

Eu sorri mais e fitei meus pés.

— Mudando um pouco de assunto… Você ficou bem com tudo isso? Esses questionamentos sobre sua paternidade adotiva?

— Eu nunca fico bem com isso, Sasuke… — suspirou. — E daí que eu sou loiro e ela tem cabelos negros? Desde quando a aparência física define a paternidade de alguém? — bufou, levemente irritado. — Ela me chama de pai. Isso deveria ser suficiente, não? — levantou da cama, me dando as costas. Esfregou os cabelos com força e voltou a sentar-se, na beira do colchão, ainda de costas para mim.

— E é. — falei, cruzando as pernas. — Além de ter a guarda judicial dela, caso haja algum problema maior. — franzi o cenho.

Notei-o estranho, tenso, quase que irritado, apertando os punhos, como se quisesse socar algo, mas sem poder. Ele foi retirando a camisa com muita ferocidade, como se estivesse se livrando de empecilhos antes de ir para uma briga. Franzi as sobrancelhas, estranhando esse comportamento. Naruto jogou a peça no chão, para depois ficar de pé e começar a andar de um lado para outro. Resolvi não reclamar, ele parece muito irritado com algo.

— Qual é o problema? — me sentei e retirei minha camisa. Eu gosto de dormir sem camisa, mas não só de cueca, como Naruto. Flexionei minha perna direita sobre o colchão e apoiei o braço direito no joelho, vendo-o decidir-se se tirava ou não a calça.

Por fim, ele resolveu tirar e jogou no chão com força, do lado da camisa. Naruto é muito sincero consigo mesmo, com seus sentimentos. Ele exprime com muita clareza o que está sentido. Ou seja, ele está muito puto com alguma coisa.

— É difícil… — ele passou as mãos no cabelo, claramente nervoso. — É muito difícil, Sasuke. — me fitou com as sobrancelhas franzidas e suspirou, cansado.

— O que exatamente é tão difícil? — mantive-me na mesma posição, mas o encarando.

— Ser racional. Eu não consigo não me levar por meus sentimentos e juro que fiquei tentado a matar aquela mulher! — rosnou a última parte e depois olhou para baixo, com o rosto corado, talvez de vergonha, talvez de raiva ou mesmo os dois.

Cocei meus cabelos, sem desapoiar meu braço.

— Esse é o problema de ser uma figura pública com gênio forte. Eu sei bem como é difícil segurar o ímpeto de matar alguém… — doze. Esse é o número de pessoas que ele sabe que eu matei. Deixo essa para vocês pensarem. — Devia ter dado nela, da mesma forma que eu bati em você por ter chamado Maiko de puta e em Shino por ter quase derramado café em mim. — dentre tantas outras situações que eu já vivenciei.

Naruto sorriu, ainda de sobrancelhas cerradas e sentou do meu lado, colocando sua mão sobre a minha, que estava apoiada no colchão.

— Eu não poderia fazer isso, querido. Você sabe disso. Não sou tão desprendido emocionalmente como você. — afagou minha mão e depois entrelaçou seus dedos nos meus. — Eu me martirizaria pelo resto da minha vida.

Saí da minha posição, ficando sentado da mesma forma que ele e coloquei minha mão por baixo da sua, entrelaçando ainda mais as nossas mãos.

— É uma das vantagens de ser o diabo. — suspirei e beijei sua mão. — Tem coisas que eu posso carregar no seu lugar. — fitei-o. — Sabe que pode contar comigo para toda classe de coisa, Naruto, até as mais ruins.

Ele me olhou, sorrindo com algum pesar e aproximou a boca de mim. Beijei-o. Nada de beijos escandalosos e sensuais, com línguas serpenteando nas bocas alheias, eu apenas encostei meus lábios nos seus. Nos beijamos, de mãos juntas ainda, e eu notei que havia algo há mais. Não era só o caso da professora. Nos fitamos de novo e ele se afastou, soltando a minha mão meio contrariado.

— Pode não parecer, mas eu escuto o que você me fala. — ok, estou impressionado agora. Sério. Sem ironias ou brincadeiras. Estou surpreso. — Eu sei que sou teimoso e sempre falo a primeira coisa que me vem a cabeça e isso me preocupada, Sasuke. — ele falou, em um tom de voz angustiado, apertando as mãos no próprio colo. — Porque é o costume de uma vida inteira. É genético! — riu brevemente. — Como mudar isso? Como não prejudicar quem eu amo? Como cuidar de uma filha que as pessoas fazem questão de frisar que não é minha? Como ser pai se eu mesmo me sinto como uma criança perdida? — tampou o rosto com as mãos e respirou fundo.

Franzi o cenho. E agora? O que é que eu faço? Como posso aconselhar alguém que não tem a mesma ousadia que a minha para enfrentar o mundo? O que dizer a ele?

— Naruto, eu sinceramente não conheço um meio mais parecido com o seu de resolver isso. — toquei seu rosto e o fiz me olhar. — Você sabe que eu estou pouco me lixando para o que as pessoas dizem de mim. Conhece meu lema. — apontei para o meu braço esquerdo, indicando a tatuagem.

O que eu posso fazer? Sou um homem duro, crescido e moldado pelo aço frio e o ferro quente, é complicado lidar com algo do tipo. Não posso simplesmente pedir a Naruto que ignore. Ele é muito relações públicas e se importa com a opinião alheia. Sinceramente não sei o que dizer.

— Sasuke? — me chamou baixinho, com a voz trêmula, e me fitou com uma ansiedade absurda. Fitei-o e esperei. — Eu… — engoliu em seco. — Eu quero ter um filho.

Eu o encarei meio sem entender o que ele me dissera, aliás, me pedira.

— Como é? — perguntei só para ter certeza de que ele não falara em tom de ironia ou brincadeira.

— Um filho, uma criança, um bebê, Sasuke. — aí ele não aguentou mais, baixou o olhar e corou furiosamente.

OK. Não tenho quinze anos para fazer perguntas idiotas como “Mas somos homens, como vai ser?”. Foi a minha vez de ficar de pé e começar a pensar, caminhando pelo quarto.

— Adoção? — perguntei.

Naruto querer ser pai? Se eu acho ruim ou idiotice? Eu acho isso fantástico! Isso mostra que ele é bem mais capaz do que pensa. A paternidade é algo que nem todos os homens querem logo de cara, alguns só aceitam depois que a criança já existe. Eu me sinto orgulhoso por ele decidir dar um passo tão importante na vida.

— Barriga de aluguel. — ele se deitou e se cobriu completamente, deixando só o rosto de fora, parece que está tentando se esconder. — Inclusive já arrumei uma… — murmurou baixinho.

Assenti. Não me senti ofendido. Não. Eu me sentiria se ele não tivesse me contado e aparecido com a criança, do nada, nos braços. Na verdade eu estou impressionado em como ele teve toda essa desenvoltura de procurar resolver cada detalhe sozinho. Estou quase aplaudindo o seu amadurecimento. Já não era sem tempo.

— É uma mulher saudável? De boa procedência?

Naruto corou mais ainda, tentando desesperadamente fugir do meu olhar. Resolvi não reclamar o fato dele estar conversando comigo sem me olhar. Ele parece estar tendo muita dificuldade em se abrir, ainda mais levando em conta o fato de eu intimidar sem “querer”.

— Ehr… — mordeu o lábio, de forma nervosa. — É… Hum… Tenten? — falou, mais perguntando, do que afirmando.

Cruzei meus braços e desloquei o peso para a outra perna.

— Kakashi e Ino são de total acordo ou estão com um pé atrás?

— Ino quase tentou matar Tenten, porque ela queria ser a mãe. — ele riu contidamente. — Quanto a Kakashi… — suspirou. — Tenten disse que isso não era da conta dele, já que o corpo é dela. Não sou de acordo, mas não posso fazer nada. — finalmente Naruto voltou a me olhar e agora ele parecia bem mais calmo.

— Por que Tenten? — indaguei, colocando as mãos nos bolsos.

— Os olhos dela. — respondeu simplesmente, voltando a ficar com o rosto vermelho. — Parece com os seus, quando você era criança… — aí ele cobriu o rosto, deixando só os olhos de fora.

— E desde quando você sabe como eu era quando criança? — eu não virei a cara ou escondi meu rosto, para que o rubor não fosse visto. Eu estou corado de lisonjeio pela escolha de Naruto. Apesar de que Tenten tem olhos castanhos e os meus são negros.

— Esqueceu que você tem um irmão mais velho? — Naruto finalmente se desenrolou e bateu na cama, num convite, da mesma forma que havia feito quando voltei do quarto de Maiko.

Sorri e cruzei meus braços.

— Ela realmente tem olhos lindos. Boa escolha. Eu também a escolheria, se fosse eu. — suspirei. — E vai ser seu? — desloquei o peso para a outra perna.

— Uhum. — murmurou.

Assenti de novo durante um suspiro e contornei a cama, deitei-me de barriga para cima, afastando todo o edredom e fechei meus olhos, apoiando a cabeça nas mãos cruzadas em cima do travesseiro. Ele provavelmente, 90% de certeza, não entendeu o que eu perguntei, mas não vou questioná-lo a esse respeito. Engoli em seco, me sentindo repentinamente mal, e soltei o ar devagar.

— E como vai ser? — perguntei, abrindo meus olhos e fitando o teto do quarto. — Depois que ela ficar grávida, vai passar os nove meses aqui? Custearemos tudo: exames, parto, coisas para o bebê, coisas para a gestante e afins?

— Sim, custearemos tudo, mas não sei se ela vai ficar aqui. Não falamos com Kakashi ainda, até porque não posso decidir nossa vida sozinho. — ele sorriu de forma gentil, um pouco tímido. — Precisamos também da sua opinião, querido.

Fitei-o, franzindo minhas sobrancelhas, fingindo confusão para esconder o meu sorriso.

— Sabe que meu negócio é educar, por agora, não fazer. O que quer dizer? — me deitei de perfil e o fitei, apoiando o meu rosto com um braço. Eu sei que estou me comportando como um bobo, mas isso é costume de lidar com as bobagens de Naruto todos os dias.

— Ora, não posso decidir por você se é de seu desejo ter mais um filho, Sasuke. — ele falou, coçando a cabeça meio sem jeito.

Eu sorri e afaguei seu cabelo, o fazendo parar de mexer nele. Ele vai ficar careca antes da hora. Acariciei seus cabelos mais um pouco e retrocedi minha mão, observando-o atentamente.

— Até parece que não me conhece, Naruto. Sabe que gosto de crianças. — suspirei e sorri. — A criança será sua, Naruto, só vou intervir quando você me permitir fazer isso.

Naruto sorriu, mas não foi um sorriso normal, era daqueles encantadores, que faz as pessoas caírem aos seus pés.

— Você não entendeu. — ele falou, abobalhado. — Você realmente não entendeu, né? — riu, maravilhado.

— Depende do que você está falando, Naruto. — sorri mais, ainda mais encantado por seu sorriso. O sorriso de Naruto sempre me encantou, provavelmente é um de seus atributos pelos quais eu me apaixonei perdidamente.

— Eu perguntei se você queria ter mais um filho. Nosso filho, não meu. — falou no mesmo tom.

Pisquei algumas vezes, tentando processar o que ele dissera. Nossa, fui pego de surpresa, tenho que admitir. Eu ser pai de outra criança? Não existe outra resposta para essa pergunta.

— É claro. — falei um pouco emocionado. — Por que eu te negaria uma criança, quando me quer como pai dela também? — deuses, Naruto não para de me surpreender e me emocionar. — Eu adoraria ser pai de uma criança Uzumaki.

— Eu amo você, Sasuke. — Naruto falou, emocionado, praticamente se jogando em cima de mim, e me abraçou.

— Eu também te amo, Naruto. — sussurrei em seu ouvido, que estava perto do meu queixo, e depois beijei a parte de seu rosto próxima aos meus lábios.

— E vai ser uma criança Uzumaki e Uchiha! — suspirou apaixonadamente e me beijou.

Sorri de lado e de repente um lapso de memórias da minha infância surgiram na minha mente. Fiquei sério no automático e engoli em seco.

— É melhor ele ser mais Uzumaki do que Uchiha. — comentei baixo, me virando e assim fazendo Naruto escorregar para o lado.

— Uzumaki? Ficou louco? Até parece que não conheceu Dona Kushina! Kami, imagina uma versão dela mais nova! — ele arregalou os olhos, horrorizado. — Não, Sasuke! Não temos mais idade para isso!

Franzi o cenho e sorri.

— Você só tem trinta e se acha velho para criar uma criança? — eu ri. — Na sua idade eu trocava as fraldas de Maiko. Sozinho. Sem ninguém para me dizer o que fazer. — suspirei, colocando-me de bruços. — E outra, eu já crio você, que é praticamente uma criança, qual seria a diferença para um bebê, além da falta de controle no sistema digestivo? — dei de ombros.

— Primeiro, não é qualquer criança, é uma criança Uzumaki! — bufou. — Segundo, eu não sou uma criança! Meus pais podem ter partido, mas me deixaram criado. — falou, num tom emburrado. — Está tarde, hora de vovôs como você ‘tá dormindo! — desdenhou, se ajeitando na cama, virando de costas para mim.

Virei minha cara para o outro lado e ri baixo.

— Certo, Naruto, eu sou o vovô… Depois não venha atrás da sabedoria desse velho, ardendo por conhecimento em sua forma mais intensa. — suspirei. — Boa noite, moleque…

— Cala a boca! — resmungou, ainda emburrado.

Não disse mais nada, apenas ajustei melhor o travesseiro embaixo da minha cabeça. Senti uma brisa vinda da janela aberta e suspirei, satisfeito com o frio. Cinco minutos depois, Naruto começou a se aproximar aos poucos, como se não quisesse que eu percebesse.

Fiquei só na minha, sem me mexer um centímetro. Se ele pensa que vai ficar impune depois de me chamar de velho, principalmente levando em conta a maratona que eu passo para manter esse 1,90 firme e forte a cada ano, ele está narutamente enganado. Respirei profundamente, ainda com o rosto virado para a janela, sentindo a cama se mexer, sem me importar com mais nada.

Finalmente ele se encostou em mim, depois de muito enrolar. Quando eu achei que ele ficaria mesmo nessa, de uma forma muito narutesca, ele tentou colocar a cabeça entre meus braços.

Continuei habilmente ignorando sua existência, segurando meu ímpeto sombrio de rir até não poder mais. Estou quase decidindo dormir completamente de perfil e de costas para ele, só para sacanear, mas vou me demorar mais um pouco assim. Quero ver se ele fica nessa de minhoca pela noite toda.

— Sasuke… — reclamou. — Para com isso! — continuou tentando se enfiar entre meus braços de qualquer jeito.

— Você que disse que sou velho e que tenho que dormir. Até onde sei, os idosos dormem sozinhos. — virei meu rosto para seu lado, fitando-o.

— Você pode me chamar de criança e eu não posso te chamar de velho? Onde está a justiça nisso?! — murmurou, emburrado, se aquietando.

Arqueei as sobrancelhas.

Coloquei-me de lado, exibindo meu corpo para ele e apoiei uma mão na cintura.

— Aonde eu sou velho, Naruto? — olhei para mim mesmo e depois encarei-o, ele corou furiosamente. — Você tem cara de moleque, mas eu… — deitei-me de bruços. — Tenho corpo de homem feito.

— Hum… — resmungou. — Você não é velho. Desculpa… — falou baixinho, voltando para seu lado da cama. — Boa noite, Sasuke.

Suspirei e meneei minha cabeça, enquanto me colocava de perfil de novo.

— Vem, Naruto. — sussurrei, tocando na sua cintura coberta pelo edredom. — Vem cá.

Ele voltou a se aproximar, todo faceiro, sorrindo que nem um idiota. Abracei-o, beijei-lhe um pouco os lábios, Naruto cobriu a nós dois com o edredom e por fim, enfim, dormimos.

Quando Naruto acordou, eu estava preparando o almoço. Como ele conseguiu dormir tanto? Eu não sei, até porque de carga horária por carga horária, eu que deveria dormir até o meio-dia.

— Bom dia. — eu disse, enquanto terminava de cortar as frutas que geralmente Maiko e eu comemos no final do almoço. — Pensei que eu tinha me casado com um urso em estado de hibernação.

— Já me chamaram de raposa, mas urso… Essa é nova! — riu e me abraçou por trás, deitando a cabeça em meu ombro. — Bom dia, amor. — falou, carinhosamente.

Olhei-o por cima do ombro.

— Não consigo me acostumar com esse tratamento. — comentei, sorrindo e balaçando a cabeça, virei-me para a tábua. — Sério. Esse negócio de “amor”... Não é ruim, mas me é estranho, sabe?

— Um dia você se acostuma… — Naruto beijou meu pescoço. — Ou não. É melhor que não, porque aí vai ser sempre uma novidade! — me apertou mais em seus braços, rindo.

Eu senti o meu rosto esquentar e mordi um pedaço de laranja.

— Se depender de você, não vai ser novidade. — suspirei. — Esses dias eu andei com umas dúvidas em relação a você… — organizei as frutas cortadas num recipiente e fui lavar minhas mãos. Naruto me soltou nessa hora e eu me virei para ele, enquanto enxugava as minhas mãos com um pano. — Você precisa de um apelido novo.

— Se for Peter Pan, eu dispenso. — continuou falando no mesmo tom risonho, me encarando com olhos curiosos. Hoje, Naruto era só sorrisos.

— Apesar de ter tudo haver com você, não pensei nisso. — abaixei-me para abrir o forno e tirar o assado de lá, eu coloquei as luvas e puxei a travessa. — Não foi o Naruto moleque que me conquistou… — comentei. — Da mesma forma que foi Little Naruto Bitch que se tornou o meu submisso, um lado especial seu conquistou o posto de meu esposo, fazendo eu gostar, me apaixonar e por fim amar. — comecei a arrumar a mesa.

— Que lado? — ele sentou-se à mesa e ficou me observando, com o rosto apoiado na mão.

— O que faz você ganhar as coisas comigo. — comentei, colocando os pratos. — Se tem uma coisa difícil nesse mundo, além de encontrar uma alma igual a minha, é me convencer a fazer o que os outros querem. — fitei-o e sorri. — Consegue adivinhar o seu mais novo apelido?

— Não faço a menor ideia! — falou, animado e sorrindo bobamente.

Apoiei-me na mesa e sorri.

— Certo. Maiko está lá fora. — indiquei com o rosto. — Chame-a para mim, por favor? — ele assentiu e se levantou, seguindo para a porta. — Não se esqueça que vai ter que falar com ela, bebê. — soltei para ver se ele percebia alguma coisa.

Naruto parou na porta da cozinha, de costas para mim, respirando alto. Suas pernas bambearam de leve e ele teve que se segurar no portal para não cair. Ficou assim, por alguns segundos, tentando lembrar como se respirava, depois que se recompôs o suficiente, saiu, sem me encarar de novo.

Voltei-me para a mesa e terminei de arrumá-la. Gargalhei alto e então os dois chegaram. Maiko vinha encarando Naruto, sem entender o motivo de ele estar com a cara tão vermelha. Ela sentou-se perto de mim e eu comecei a servir seu prato, dedicando vez por outra um olhar sagaz a Naruto. Ele tentava se servir, mas suas mãos estavam bem trêmulas. Franzi o cenho e me aproximei dele.

— Mai-chan. — falei, ainda o olhando.

— Sim?

— Por favor, pegue meu celular no escritório do seu pai, sim? — vi-a passar correndo. Segurei o queixo de Naruto e o fiz me olhar. — Que foi? — falei baixo.

— Nada. — respondeu no mesmo tom, tentando desesperadamente fugir do meu olhar, enquanto o vermelho de seu rosto se espalhando até o pescoço.

Abaixei-me, como se eu fosse ter uma séria conversa com Maiko.

— Não me obrigue a te fazer falar. — sorri minimamente de lado, apoiando uma mão no recosto da cadeira e a outra em sua coxa, sem conotações vulgares.

— Bebê… — sussurrou, nervoso, olhando para os lados como se falasse um grande segredo e se remexeu na cadeira, meio desconfortável.

— Te envergonha muito ser chamado assim por mim? — eu não queria deixá-lo sentindo-se mal. — Posso te chamar pelo nome, se isso te deixa mais confortável, como eu sempre fiz.

— Não, Sasuke! — falou em um tom mais alto, quase alto de mais, pondo sua mão sobre a minha e a apertando. — Não é isso! — baixou o olhar e voltou a sussurrar. — É escandalosamente fofo...

Franzi o cenho.

— Você sabe que eu tenho uma dificuldade crônica de entender a sua lógica, não é? — ele assentiu, sorrindo. — Eu quero saber se eu posso te chamar de bebê, ou se te deixa constrangido demais para isso. — a cada cinco minutos Naruto me chama de amor, independente do local, das pessoas e do fato de eu não me acostumar, mas sempre deixei claro que não me incomoda. Eu preciso saber se isso vai fazê-lo sofrer de constrangimento por ser, como ele disse, escandalosamente fofo.

— Tudo bem, eu gosto… — comentou, apertando minha mão nervosamente e sorrindo, meio sem graça.

Ajoelhei-me e o beijei carinhosamente, acariciando seu rosto com os nós dos meus dedos. Nos fitamos e beijei-o mais um pouco, antes de ouvir Maiko se aproximar. Aproximei meu rosto do seu ouvido e sussurrei:

— Sonho realizado. Eu te olho como seu pai olhava para a sua mãe. — afastei-me, ficando de pé. — Faça uma lista. Vou realizar cada um dos seus sonhos. — ele se afundou mais na cadeira e se concentrou no prato.

Maiko chegou, me entregou o aparelho, eu agradeci e nós três começamos a comer. Alguns minutos depois, quando Naruto já demonstrava estar em seu estado normal, eu olhei para minha menina, enquanto comíamos algumas frutas.

— Mai-chan. — ela me fitou. — Seu pai quer lhe falar algo importante. — fitei Naruto. — Certo? — ele assentiu e respirou fundo.

Sinceramente não sei o que esperar da minha filha. Ela pode ter toda classe de reação por ouvir algo assim, apesar de que meus instintos paternais me sugerem um determinado comportamento. Dediquei-me a comer enquanto assistia à conversa.

— Princesa, o que acha de ter um irmãozinho ou irmãzinha? — Naruto a fitou atentamente.

— Depende. — disse, parecendo interessada.

— De que? — perguntou, preocupado, se remexendo na cadeira de novo, daquela forma que demonstrava o seu desconforto.

— De quem vai ser o pai. — ela disse, dando de ombros. — Se for o pai, tudo bem. Se for o papai… — ela retorceu os lábios. — Não vai ficar tudo tão bem.

Naruto olhou para mim, como se perguntasse “E agora?”. Respirei fundo e encarei Maiko.

— Mai-chan, você entende que Naruto e eu nos amamos, nos casamos, mas não somos um casal comum, não é? — ela assentiu, bastante concentrada. — Acontece que nem eu posso dar filhos a Naruto e nem ele a mim, mas… — fitei-o e depois olhei-a. — Queremos ter um filho juntos.

— Por quê? — ela perguntou seriamente.

Maiko não nega a raça, é uma Uchiha indo e vindo, não é sangue do meu sangue, mas tem o mesmo espírito que o meu.

Eu vi que Naruto estava num mato sem cachorro.

— Porque as vezes os adultos precisam de uma família maior. — sorri para ela. — Eu e você somos a família de Naruto, certo? — ela assentiu. — Mas somos Uchihas e isso faz toda a diferença. Naruto é o único Uzumaki do mundo. — vou fazer um bicho grande logo e continuar fingindo que Karin morreu. — Ele quer alguém para ser da raça dele, entende?

Maiko abriu os olhos e a boca.

— Como quando eu nasci?! — perguntou, apontando para mim e eu assenti. — Que papai queria uma filhinha só para si e os deuses mandaram eu?!

— Exato. — sorri mais. — Naruto quer ter um filhinho só para ele também, só que você é a princesa dele, a gente não queria que ficasse magoada.

Maiko se encolheu na cadeira e ficou alguns minutos pensativa, quieta, os olhos concentrados nos pedaços de laranja em seu prato.

— Papai concorda? — esse tom de voz.

Estreitei meu olhar. Esse tom de voz baixo, meio temeroso, quase abafado pelos lábios que quase não se mexem, quer dizer muita coisa.

— Concordo e também serei pai da criança.

Ela levantou o rosto, sorrindo abertamente. Franzi o cenho, sem Naruto ver. Essa cara. Respirei fundo e guardei meus temores para mim. Não vou estragar a felicidade de Naruto com meus pensamentos.

— Então eu concordo também. — e tornou a comer de forma animada. Suspirei e me virei para Naruto, fazendo uma cara de satisfação contida.

— Obrigado, Princesa. — Naruto acariciou os cabelos dela carinhosamente. — Faremos dar certo. Vamos trabalhar juntos para isso. — sorriu, fitando-a para depois me encarar.

— Se você diz… — ela murmurou. Estreitei meu olhar e Maiko endireitou a postura na cadeira, desviando o olhar de mim, sorrindo para Naruto.

Essa menina pensa que pode me esconder alguma coisa. Por fim nós três pudemos terminar o almoço e alguns minutos depois nós nos arrumamos e seguimos para a casa de Kakashi. Aproveitei que Maiko teria aula de balé e deixei-a lá. Ela foi sorrindo e saltitando entre nós dois, enquanto a levávamos para o estúdio. Nos deu adeus e nós dois fomos para a casa do meu advogado.

Fui quieto, pensando no comportamento de Maiko, o resto do caminho. Mesmo sem ser minha filha de sangue, Maiko é assustadoramente parecida comigo: ela não se abre quando está pensando em algo e é de hábil capacidade de manipulação. Respirei fundo e isolei meus temores num local de minha mente.

Finalmente chegamos na casa de Kakashi, a última do condomínio que entramos. A princípio ele pareceu relutante, brigou com nós dois e eu tive que bater de frente para ele entender que o único interesse em sua esposa era a capacidade feminina de gerar uma criança. No fim das contas, ele aceitou e deu tudo certo, o que deixou Naruto muito satisfeito, como se seu plano corresse às mil maravilhas, mas na volta para casa, depois de buscar minha menina, eu só conseguia pensar no comportamento de Maiko e no fato de ela saber que eu já o havia percebido.

O dia seguiu silencioso, pelo menos para mim e para Maiko. Nós temos essa conexão especial de um saber o que o outro pensa só de olhar. Ela sabia o quanto estava errada ao me esconder a verdade e eu sabia o quanto ela estava magoada por isso. Mas nenhum de nós dois queria estragar a felicidade de Naruto. Maldito altruísmo Uchiha, sempre inconveniente quando menos precisamos dele. Passei o dia no escritório, pensando em minha filha e nos motivos de ela não ter sido franca, como sempre é, e quando chegou a noite, ela me estava com o mesmo semblante de alegria falsa e Naruto ainda não percebera nada.

Dei uma rápida olhada na segurança, por já ser tarde da noite, procurei alguma coisa na cozinha para eu comer e fui para o quarto, ainda pensando em Maiko, na felicidade de Naruto, no futuro dos dois, em algumas transações por acontecerem, e no sanduíche que eu estava comendo. As vezes eu acho que penso demais. Deixei o lanche na boca e fui me desfazer de minha “armadura de banqueiro”, observando que minha casa estava quieta demais. Depois de me desfazer do paletó, da gravata, das luvas, dos sapatos e das meias, fui até o quarto de Maiko, ver se estava tudo bem com ela. Dormia como um anjo.

— Esse lugar está quieto demais… — murmurei para mim mesmo, depois de morder o sanduíche e começar a mastigar. Peguei meu celular no bolso e, da porta do quarto de minha filha, mandei uma mensagem a Naruto, perguntando por seu paradeiro.

“No ateliê, lendo para distrair. Pq? Vc já chegou?” foi o que ele me mandou de volta. Assenti e mandei a resposta “Faz tempo.”, enquanto voltava para o quarto, ainda comendo. Por que isso? São quase meia-noite. Não queremos acordar quem precisa dormir. Sorte que amanhã é domingo e eu posso dormir até as oito. Amém, Kami, amém. Dormir, saudades de dormir. Fui para o banheiro e tomei uma ducha rápida, porque eu realmente queria me jogar na cama feito um morto. Assim que saí, enxugando meus cabelos e com a escova de dentes presa entre os lábios, me deparei com um Naruto sorridente em vestes de dormir, vulgo só de cueca. O que os pijamas fizeram a ele, para Naruto nunca os usar?

— Boa noite. — tentei falar sem derrubar a escova, sem derrubar a toalha e sem cuspir pasta de dentes na cara alheia.

— Boa noite, querido. — resmungou, de ótimo humor.

Sorri de lado e me curvei sobre a cuba da pia, para terminar minha escovação.

— Parece que alguém vai dormir rindo hoje. — comentei, antes de tornar a escovar os dentes. — Fala. — disse, apoiando-me no mármore para fitá-lo.

— Nada. — sorriu. — Só estou feliz porque está tudo dando certo. Achei que seria mais difícil convencer Kakashi. — deu de ombros, suspirando.

Assenti, terminando a higiene da minha boca para me dedicar aos meus cabelos.

— Bom… Ele nunca foi de me contrariar, porque eu nunca o contrariei. Temos essa coisa de “não pisa no meu calo e eu não piso no teu”. — dei de ombros, tirando a toalha e entregando a escova a Naruto. Ele adora pentear meus cabelos e não me perguntem por que. — Mas agora é só cuidar dos… — peguei o meu hidratante e passei em minhas tatuagens, para manter a cor. — Procedimentos e esperar a criança…

— Sabe? — ele falou, enquanto começava a pentear meus cabelos. — Fiquei preocupado quando Maiko disse que as coisas não ficariam bem se o filho fosse seu também, quer dizer, ela já está às portas da adolescência e sempre foi filha única... — inclinou-se para frente para me fitar, sorrindo. — Eu entenderia se ela não aceitasse de primeira.

Movi meus lábios para dizer algo, mas desisti. Droga, ele está tão feliz que chega me dá um aperto no peito por lhe omitir a verdade. Ele terminou e correu para a cama, pois estava esfriando. Eu vesti a camisa de moletom e caminhei meio pesaroso para a cama. Eu sei que não devo esconder isso dele, mas sei o quanto ele vai ficar magoado. É como se ele mesmo fosse ter a criança, de tão eufórico que está. Sentei-me na cama, de costas para ele, mas de frente para a janela e suspirei. Melhor sofrer com a verdade do que duplamente com a mentira.

— Naruto, quando eu me casei com você, eu jurei não lhe esconder nada quanto a nossa vida, certo? Eu prometi confiar em você, certo? — comecei. Não posso esconder mais. É um assunto muito sério e que não diz só respeito a mim. Envolve ele também. — Eu jurei dividir minha vida com você, certo? — me virei para Naruto e o fitei.

— Sim… — ele franziu o cenho, numa expressão desconfiada. — Por quê?

— Maiko não está feliz com a nossa decisão de ter um segundo filho, mas ela te ama demais para dizer a verdade. — me virei para a janela e cruzei as minhas mãos. — Maldito altruísmo Uchiha. — resmunguei, realmente irritado.

— Sasuke? — Naruto me chamou baixinho.

Me levantei e comecei a caminhar pelo quarto, para diminuir as energias negativas que se apossam de mim quando me irrito.

— Ela não concordou de verdade. É provável que esteja odiando tudo isso. O que me irrita é que eu a ensinei a suportar as coisas com firmeza e agora ela vai tentar me imitar e suportar tudo sozinha e em silêncio. Só que não quero isso… — desabafei logo. — Maldito altruísmo Uchiha! — repeti, quase num rosnado baixo, esfregando com força os meus cabelos, ainda andando pelo quarto.

— Ei, ei, ei… — ele se levantou, veio até mim e me envolveu em seus braços, num abraço morno e aconchegante. — Está tudo bem. Não precisa se estressar. — beijou-me o rosto. — Você está esquecendo o principal, Sasuke.

Arfei e me deixei levar por seu abraço carinhoso, relaxando cada músculo do meu corpo. Beijei-o mais um pouco, para dar fim de vez a minha raiva repentina e o fitei, tentando ler em seu olhar do que ele falava. Pensei tanto que acabei não saindo do lugar. Abracei-o e suspirei.

— Eu sou filho único, assim como Maiko. — ele acariciou meu rosto, ainda sorrindo. — Eu sei o que ela está pensando nesse exato. Sempre tive a atenção exclusiva de meus pais e eu não tinha a menor vontade de dividí-la com alguém.

— Pergunte a Itachi, não a mim. Com dez anos, minhas preocupações não eram dignas de uma criança que se preze. — comentei, recostando minha testa na sua. — Bom… Se quisermos ter um bebê, vou ter que usar todo o meu conhecimento de lidar com gente para ajudar Maiko a passar por essa. Posso não ter me preocupado com esse tipo de coisa na infância, mas sei bem o que é o ciúme de ver seu pai amando mais outro filho, ou pelo menos pensar que era assim. — beijei-o entre os olhos e o peguei no colo, para levá-lo a cama.

— Você não ia me contar, não é? — perguntou, depois de um suspiro.

— Nem sobre Maiko e nem sobre meu ciúme. — admiti, deitando-o na cama e rolando por cima dele, para me esticar sobre o colchão. — Mas não posso mais lidar sozinho com algumas coisas… Tenho que aprender a dividir essas coisas contigo. — fitei-o, depois de me deitar de barriga para cima.

— Sasuke… — ele suspirou de novo, sentando-se ao meu lado, de frente para mim. — Não quero que minha felicidade seja moeda de troca para a infelicidade de minha filha. Em nenhuma hipótese existente. — falou, calmo e beijou minha testa, voltando a posição anterior em seguida. — Não esquece disso, ‘tá?

— Desculpe… São quase trinta anos de altruísmo. É difícil mudar… — trouxe-o mais para mim e suspirei, me sentindo mais tranquilo. — Vou te avisar, meu amor, vai lidar com a minha versão feminina e infantil… Então vá pensando em maneiras de me convencer ou de desistir, porque… — fitei-o e me senti sonolento. — Maiko odeia ser contrariada… Não é porque ela é mimada… Mas porque tem o meu gênio difícil… — bocejei, me aferrando mais a ele, capturando mais de seu calor.

— Desistir? — ele riu. — Até parece que você não me conhece. Ganho pelo cansaço, querido.

— Sorry, my love, mas Maiko sou eu com a sua manha e mais dez litros de fofura. Ninguém vence ela pelo cansaço, isso não existe com Maiko, infelizmente. — murmurei, rindo. — Acha que eu sei lidar com sua manha, sua insistência e sua determinação como? Dez anos criando sua versão Uchiha misturada com meu gênio. Se prepare como se fosse me pedir emprego. — comentei, me posicionando melhor e piscando um olho para ele.

— Olha, essa comparação sua… — meneou a cabeça negativamente. — Se eu fosse te pedir um emprego, você me dava. Sou muito maravilhoso para você me ignorar. — falou, brincando.

— Posso até te amar, mas eu nunca te daria trabalho, nem que fosse minha mãe com a sua me pedindo. — beijei a ponta de seu nariz. — Não sou um monstro dos negócios à toa. Enfim… — suspirei. — Boa sorte com Maiko. Quando desistir eu assumo.

Me virei de bruços e virei a cara para o outro lado, me sentindo, enfim, completamente relaxado.

— Você não sabe nem brincar, seu chato. — resmungou baixinho, ainda rindo, deitando-se atrás de mim e se aconchegando ao meu corpo. — Boa noite, meu amor. — e beijou meus cabelos, fazendo um carinho com o nariz em seguida.

— Eu nunca brinco quando estou namorando meu colchão. — bocejei. — Boa noite, Naruto. — pousei uma mão em seus cabelos, que estavam sobre minhas costas, e lhe fiz algum cafuné.

Dormimos e por um milagre muito misterioso, Naruto acordou primeiro que eu, mas não se levantou, ficou murmurando coisas em cima de mim, afagando os meus cabelos, como se pensasse em voz alta deitado sobre minhas costas. Não lembro se sonhei, mas sei que se aconteceu, foi leve e bom, pois mal senti o peso de meu esposo sobre mim, dormi completamente relaxado depois de nossa conversa, como se um peso houvesse sido tirado de meu corpo. Apenas sei que Naruto deu um jeito de deitar-se sobre meu corpo, mas deixar a cabeça ao lado da minha, o rosto voltado para o meu, para que trocássemos “beijos sonâmbulos”, se é que é possível isso. Enfim, só sei que acontece e que é bom.

— Você sabe que praga não pega em mim… — murmurei, me recusando veementemente a abrir os olhos e acordar. Abracei o meu travesseiro e suspirei, aproveitando a maciez da manhã.

— Acho que pega sim, hein? — Naruto gargalhou. — Não lembra daquele café que você tomou lá em casa? Então… — voltou a rir.

Levantei lentamente o meu rosto e o fitei, abrindo um olho.

— Sabe o que acontece com quem me marca? — rebati, murmurando. — Uma marca é loucura, duas é azar para a famílias, três é morte. — olhei-o de cima a baixo. — E você não usa calcinha, então sua mandinga falhou. — afundei minha cara de novo no travesseiro.

— Cara, você tem um problema sério com brincadeiras… — ele ruminou, num tom emburrado. — Sério. E não tem nem a desculpa de ser de mau-humor matinal, porque você é assim sempre.

Suspirei e me virei, abraçando o seu corpo e o fazendo deitar-se sobre mim. Naruto se aconchegou, todo faceiro, e me fitou. Esse cara… Não devia ser manhoso tão cedo do dia.

— Você não tem senso de limite, de espaço pessoal, de percepção sobre o comportamento das pessoas e está sempre rindo… — comentei, afagando seus cabelos. — E eu nunca reclamo sobre seu comportamento. Nunca… — suspirei e o olhei, levantando seu queixo. — Desculpe, devo ter esquecido de mencionar que não tenho humor quando acordo, porque eu estou dormindo! — fiz uma careta dramática demais. — Mas não importa, eu já acordei. Fala, que mandinga era aquela? Era para eu ficar mais parecido com você e assim podermos acordar todos os dias fazendo briga de travesseiro? — perguntei, deslizando meus dedos para o travesseiro mais próximo.

— Você é um idiota! — ele resmungou, ainda no mesmo tom emburrado. — E não era mandinga nenhuma! Eu só estava treinando o que eu ia dizer a Maiko… — fez um biquinho. — Alguém já te disse que você é irritantemente adorável?

— Já me elogiaram de muitas coisas, nada envolvendo fofura. — beijei seus lábios, lentamente, e ri de seu “gosto matinal”. — Então… Quer fazer um teste? — empurrei-o, para que eu pudesse me sentar, mas ele continuou no meu colo.

— Do que? Da sua fofura? — ele riu baixinho, escondendo os lábios com a mão.

Meneei a cabeça negativamente.

— Maiko. — pendi o rosto de lado. — Um teste, sobre como vai lidar com ela. — suspirei e sai da cama, caminhei até o chão e me sentei ali. — Ok, eu estou pronto. Vou fingir que sou Maiko. Vou reagir como ela provavelmente reagiria. O que me diz? — fiquei em posição de índio e cocei meus cabelos, bocejando.

Naruto respirou fundo e assentiu, ajeitando-se sobre a cama.

— Então, princesa… — olhou-me sério, mas de repente desatinou a rir. — Desculpa, Sasuke… — falou entre as risadas, curvando-se sobre sua barriga. — Princesa… Sério… — voltou a rir como se não houvesse amanhã. — Desculpa… Eu não consigo… — e passou os dedos nas bochechas, enxugando as lágrimas.

— É por isso que eu sou patrão. — suspirei e fitei-o, ficando sério. — Se não consegue falar sério comigo, não vai conseguir com Maiko. Ela vai sorrir, você vai cair de encantos e já era. — dei de ombros. — Para começar, se vai falar sério, não há chame de princesa. Maiko é criança, mas é minha filha e vai tentar te burlar. Se você der abertura, vai perder. — suspirei. — Quer tentar mais uma vez?

Ele ofegou, tentando dissipar o riso. Após longos segundos, voltou a se sentar, olhando-me com um semblante confuso. Fiquei sério, como se eu estivesse olhando para um empregado meu e esperei sua perfomance.

— Mas eu não vou ter que ser duro com ela, né? — perguntou, preocupado.

— Desculpa, ela é filha de quem mesmo? — fingi confusão e revirei meus olhos. — Naruto, nunca lidou com crianças antes? Como quer ser pai, se não tiver pulso firme?

— Por que você mentiu para mim, Maiko? — falou, de repente, num tom chocantamente sério. — Assim? — voltou a me fitar com dúvida.

Respirei fundo e incorporei meu papel.

— Do que está falando, pai? Meu papai me ensinou a nunca mentir. Do que fala? — não fingi a voz dela, mas tentei reproduzir as suas palavras. — E sim, é basicamente isso. — pisquei um olho para ele, tentando mostrar que ele estava indo bem.

Ok, Uchiha El Diablo Sasuke ensinando os outros como ter uma conversa séria, eu devo ter mudado muito com o casamento. Pelo menos foi para a melhor, eu acredito. O que é bem estranho, porque geralmente as pessoas só me observam, não tentam aprender comigo.

— Pior do que mentir para seu pai e eu, é mentir para si mesma, mocinha. Achar que pode aceitar algo só porque é o que Sasuke e eu queremos não é o ideal a se fazer a respeito de uma decisão tão importante quanto essa. E então, podemos conversar acerca do por que você não quer um irmãozinho ou irmãzinha? — ele suspirou, como se tivesse feito um grande esforço. E conhecendo Naruto como eu o conheço, foi mesmo difícil para ele falar assim.

Estreitei meu olhar e virei o rosto devagar, desviando meu olhar dele.

— Mas você está feliz. E o papai também. Então está tudo bem. — continuei olhando para o nada, como se tivesse algo muito interessante na porta do closet. — Não tem por que se preocupar, pai. — fitei-o de canto de olho, só para saber se ele estava muito perdido ou se estava tudo bem. Naruto tinha uma expressão concentrada no rosto. Tornei a desviar o olhar.

— E você, está feliz? — perguntou, num tom mais ameno. — Quero que olhe nos meus olhos e me fale se realmente está feliz com essa decisão.

Virei o rosto para ele e dei um sorrisinho.

— Não estou, mas não importa. Eu tenho que ser forte para que tudo fique bem. — falei, pensando mentalmente que Naruto estava se saindo muito bem, que ele conseguiria se sair muito bem na conversa com Maiko.