Sulli corria pelas ruas da cidade portuária em que morava. Estava sendo perseguida e só contava com seu par de all star surrado e suas pernas finas para poder fugir daquelas sombras que não conseguia saber o que era. Mas era algo mau, sua adrenalina transparecendo como o suor em sua pele indicava isso.

Subia a ladeira de paralelepípedo e no topo do morro pôde ver as águas escuras do mar sendo iluminadas somente pela lua, barcos estavam atracados nos cais feitos de tábuas e o cheiro de maresia que dominava a cidade portuária era mais forte ali. Sulli não sabia nadar para poder continuar a avançar, ainda que tivera bastante contato com a vida marítima, mas uma doença a impedia até de andar de bicicleta. Chorava num desespero e desejou, sem querer, voar alto para as sombras más não a pegarem.

E como um passe de mágica, ela começou a voar.

Seus pés se desgrudavam cada vez mais do concreto e um vento forte a fez dar uma cambalhota no ar, mas não caiu, apenas deu uma gargalhada gostosa. Estava feliz por voar, porque diria a todos que sabia fazer algo com aquelas pernas finas e frágeis, algo que ninguém sabia fazer. Sulli teve a ideia de voar sobre o mar e banhar-se também com a luz prateada da lua. Dava piruetas no ar ainda sorrindo, enquanto via o mar escuro lá embaixo.

Não via a hora de contar a seus amigos que voava! Amigos que zombavam da sua incapacidade de correr e trepar sem que caísse no chão. Pensou em ir na casa de um só para se mostrar, mas um ventilador de teto pairava no ar.

A garota ficou confusa e quando deu por si, percebeu que não parava de avançar até o objeto misterioso pendido no céu. Sendo atraída como um imã, seus cabelos negros se enrolaram nas asas do ventilador e seu corpo foi sugado em espiral até travá-lo.

Um sangue vermelho fora jorrado da sua carne como um espremedor tirando suco do limão.

Quem imaginaria um ventilador de teto pairando no ar?

Notas finais
Baseado em sonhos que eu tive uma época.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!