Painting Love

2 Parte 2 - Em que Deidara sonda o território


Notas iniciais
Olá pipou, vamos ler mais um pouco? eohqofnwkndjk

Parte 2 – Em que Deidara sonda o território

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— Como assim você gostou da aula? – Ino perguntou, sem entender.

— Foi boa. Tá, foi ruim, mas teve momentos que pareceram promissores. Talvez eu finalmente possa aprender a fazer um círculo. – dei uma ênfase no círculo que ela não entendeu. Pus a fatia de pizza na minha bandeja junto com o suco de limão e ela continuava me encarando. – Vai comer nada não? Anorexia ou bulimia? – sorri de forma irônica.

— Mas você gostou. – inferno, Ino tinha regredido à idade mental de criança de 5 anos? – E não foi expulso.

— Ele não foi expulso? – Naruto passou por nós, com a bandeja carregada e macarrão. – Uau, o que você fez? – ele pareceu admirado.

— Droga, eu estava apostando 100 ienes que ele seria expulso antes da primeira aula acabar. – Shikamaru resmungou, sem bandeja na mão.

— Sorte que eu apostei que ele duraria mais tempo. – Kiba se aproximou, sorridente.

— Obrigado pelo voto de confiança. – quase rosnei. – Ele é um saco, realmente, mas posso entender a paixão. – entreguei o dinheiro para pagar a comida do almoço.

— Paixão?! – Sakura e Ino falaram ao mesmo tempo.

— Pela arte, desgraça. – arrastei a bandeja para a mesa, com o comboio atrás.

— Como, em nome de Jesus, vocês podem compartilhar algo? – Kiba ficou confuso.

— Ele é tarado por estátuas. – Ino esclareceu.

— Esculpir. – corrigi.

— Mas a aula estava lotada. – ela continuou, pouco ligando para mim, o objeto da conversa. Tão Ino. – Daí só tem vaga na de pintura, né.

— Fazia igual a mim, falta a aula. – Shikamaru deu de ombros.

— Espera, é você que é um dos alunos que mata a aula? – perguntei surpreso.

— Aham. Eu e o Sasuke. – deu um sorrisinho cínico.

— Sasuke, oh, sim, ele faz essa aula também. – Sakura comentou ara si, perdida em penamentos.

— Ignora ela, tem uma paixão platônica pelo emo rebelde da outra turma. – Ino abanou a mão. Sakura parecia prestes a arrancar seus cabelos, um fio de cada vez.

— Acho isso meio exagerado. Vocês não tiram nota baixa por isso não? – mordi minha pizza.

— Se eu receber um C já fico contente. Cara, não nasci pra pintar. – Shikamaru declarou.

— Tenho que concordar com isso. – Ino alfinetou. Ele olhou feio para ela. – Enfim, Deidara, como assim você não foi expulso? – oh, beleza, vamos recomeçar.

— Simplesmente não o sendo. Mas já perdi uns 2 pontos. – falei mais baixo, contrariado.

— Ufa, pelo menos alguma coisa normal. – Sakura suspirou, calma.

— Ele sempre tem que castigar pelo menos uma vez a cada aula. No início do ano, logo quando ele recebeu a monitoria, eu tive aula com ele por duas semanas. Fiz um escândalo na secretaria para mudar. Quando consegui mudar para marcenaria já tinha perdido 7 pontos, eu nem tinha feito nada! – Ino se zangou.

— Duvido. – semicerrei os olhos.

— Quer perder os cabelos de novo, barbie punk? – ela apontou sua faca de plástico para mim.

— Pode vir que já tenho seu sangue e um pouco de cabelo em um pentagrama lá em casa. – as pessoas estavam nos olhando meio assustadas, o que me fez perceber que havia mais gente na mesa. Limpei a garganta, eliminando uma sujeira inexistente na minha bandeja.

— Por falar no demônio... – Chouji apontou, de boca cheia, para a fila do refeitório.

Sasori estava na fila, ainda com uma cara meio enfezada. Será que ele nunca relaxava? Pegou um sanduíche e quase 1L de refrigerante. Bom ver que ele era saudável como uma pessoa com futura arteriosclerose. Percebi o clima no refeitório voltar-se para mexericos e coisa assim. Pensei como deveria ser para ele, sendo odiado por metade do colégio. Ele era do mesmo ano que nós, mas qual turma será que ele era?

— De qual turma ele é? – perguntei para Ino.

— Acho que 1-D. – ela falou, sem interesse.

Quando voltei a olhar para ele, Sasori já rumava para fora, carregando seu almoço. Pelo visto a situação era grave mesmo.

— Ele almoça onde? – Ino me analisou.

— Quanto interesse, Dei-Dei. – usou sua voz conspiratória.

— Vou por fogo no seu quarto. – ameacei.

— E eu vou fazer bruxaria para se apaixonar por Sasori.

— Meu Deus, vocês são assim o tempo todo? – Sakura parecia horrorizada.

— Desde os 4 anos de idade. – afirmei.

— Desde o nascimento. – Ino piorou.

— Vocês possuem sérios problemas. – Shikamaru bocejou.

— Hey, alguém vai para a festa do Shino? – Naruto mudou de assunto.

— Shino vai fazer festa. Como assim? Isso não tem sentido. – Ino não acreditou. — Se tem alguém verdadeiramente desanimado, mais do que o Shikamaru, para essas coisas, é o Shino.

— Você tá me marcando, né garota-propaganda? – Shikamaru brigou.

— Na verdade foi eu que espalhei que ia ter festa lá. – Kiba sorriu, aparecendo de outra mesa.

— Você é terrível. Como ele está reagindo? – Ino começou a rir.

— Obviamente tentou desmentir, mas metade do colégio já prometeu estar lá nessa sexta. Então... – Kiba riu com ela. Hum, um outro companheiro para as sacanagens de Ino?

Me excluí da conversa, pensando sobre a aula. Talvez eu conseguisse lidar bem com o Sasori. Ele definitivamente tinha problemas com relacionamentos, então eu poderia muito bem tentar enturmá-lo. Talvez ele ficasse mais sociável e tratável. Talvez eu acabasse causando a Terceira Grande Guerra, mas seria uma tentativa. Era sempre bom tentar do que se lamentar por ter feito nada.

***

Cheguei na sala na sexta mais animado. Ele parecia ter ficado lá desde quarta, sem nem se mexer. Mesmo lugar. Roupas parecidas. Careta igual.

— Bom dia! – falei, arremessando minha mochila ao lado da sua. Ele apenas me olhou, não entendendo muito bem. Peguei minhas coisas e arrastei-as para ficar um metro mais próximo dele. Provavelmente ele estava estranhando mesmo.

Mal olhei para o quadro e vi que havia sido trocado. Havia uma compilação de folhas com dicas sobre desenho, além e exemplos desenhos. Tudo feito uma letra pequena e redonda, a dele. Nem precisei olhá-lo para perceber que o mesmo estava pintando com toda a concentração, pouco ligando para mim.

— Em relação à pontuação...

— Faça por onde. – disse, me interrompendo.

— Isso significa que...

— Desenhe. Pinte. Evolua. Para melhor, obvio. – diabos, ele não tirava a cara mesmo do quadro.

— E sobre avaliações...

— Vamos nos preocupar em aprender a fazer círculos primeiro, não? – finalmente ele deu aquele sorrisinho terrível. Se eu jogasse meu quadro nele perderia quantos pontos? Estava tentado a testar, só uma vez. Não iria custar nada, vai lá, Deidara.

Voltei a ler as folhas, tentando imitar o que estava desenhado ali. Que método de ensino esquisito e original. Minha franja ficava caindo na minha cara, o que me incomodava. Meu olho esquerdo ficava praticamente sem visão, então peguei todo o cabelo e prendi no alto. Eu deveria estar parecendo a versão masculina da Ino completa agora. Infernos, como éramos parecidos. Dava nem para negar quando perguntavam se éramos parentes. Belos genes familiares, tão fortes.

Logo fiquei enfarado de fazer aquilo. Fiquei encarando o teto branco. Contei duas aranhas passeando pelo teto. O silêncio era meio perturbador, principalmente para uma pessoa que o odiava, como eu. Só um barulho de mexer de tintas ocasional. Ouvi ele bufar, despertando minha curiosidade. Sasori parecia com raiva do que fazia e pegou o quadro, colocando-o no balcão. Eu estava prestes a levantar para ver o que ele desgostara.

— Ah-ah, fique aí. – ele apontou para mim, zangado. Me rendi novamente. Ele pegou outro em branco. Enquanto ele riscava algo na tela, eu mal podia controlar minha língua mais.

— O que você pinta tanto? – tentei. Ele me deixou no vácuo.

— Memórias. – finalmente respondeu, quando eu já estava em transe novamente, dessa vez encarando as tintas e tentando montar algum quebra cabeça cerebral com elas. Fiquei feliz, não querendo abusar do fato de ele ter conversado comigo em cortadas. Se eu... – Já terminou? – questionou.

— Hã, não. – voltei para o quadro e fui rabiscando – Posso ficar rabiscando isso sempre que quiser? Quero dizer, sinto que estou desperdiçando quadros. – fiquei sem graça.

— Só há você de ativo na turma. Pode usar todos os quadros que o colégio comprou, não é como se eles tivessem alta demanda. – olha o sarcasmo me dando oi de novo. – Agora pode ficar quieto? Estou tentando montar algo. – o lápis riscou com força o quadro e aquilo disse tudo.

— Uh, okay. – me levantei e fiquei fuçando na sala toda, sem muito interesse.

Apenas artigos de pintura. Mais artigos de pintura. Agora era para desenho. Hum. Eu iria morrer de tédio até o ano acabar. Será que se eu trouxesse minha argila ele se sentiria ofendido? Montar minha própria aula de Escultura ali, pelo menos ia deixa-lo em paz. Talvez.

— Memórias boas ou ruins? – ele simplesmente me olhou. Dei um sorriso amarelo.

— O que você está tentando fazer? – soou desconfiado.

— O que? – pus uma tinta de volta ao balcão, mas ela ficou torta, caiu e derrubou outras. – Droga.

— Isso. – fez um círculo com o lápis, englobando a sala toda.

— Hã? – eu ainda não tinha entendido muito bem.

— Achar que vai conseguir alguma coisa se associando a mim. – agora foi o tom de voz “explicando para uma criança de 5 anos”.

— O que você já passou que te faz pensar isso? – tentei não soar repressor.

Ele voltou a olhar o quadro, mas não tocou o lápis nele. Parecia perdido em pensamentos. Resolvi deixa-lo tranquilo por enquanto.

Fiquei meio fascinado pela situação. Obviamente ele havia tido problemas. Isso pode ter levando-o a se fechar daquele jeito. De qualquer forma, eu estava apenas supondo. Cruzei os braços, analisando-o, tentando agir como um psicólogo. Seu cabelo não tinha um corte muito evidente, parecendo bem bagunçado. Havia um padrão de cores que ele vestia, sempre tons escuros, mas ainda não vi preto ali. Não dava para classifica-lo como gótico de cara. E ele não combinava com isso, no fundo.

— Se continuar a fazer isso vai perder 2 pontos. – avisou.

— Mas que diabos. – fechei a cara e fui sentar, voltando para meus desenhos.

Quando a última e única aula acabou, continuei sentado ali. Ainda demorou cinco minutos para ele perceber. Eu estava me jogando sobre o quadro, tentando com todas as minhas forças fazer uma cadeira que parecesse uma cadeira. Ele, com aquele jeito de fantasma, apenas materializou atrás de mim.

— Estou fechando a sala. – disse, com a mochila pendurando no ombro.

— Ah, espera. – larguei tudo ali e fui pegar minha mochila.

Ele ficou observando os desenhos que eu havia feito. Podia jurar ver um pequeno brilho em seu olhar. Me entregou as folhas que ele havia feito.

— Estude e talvez a cadeira parecerá uma cadeira daqui uma semana. – claro que ele não podia me poupar, não é?

— Você sempre é tão agradável assim? Até em casa? – eu não ia sair de perto enquanto eu não descobrisse o que ele fazia depois da aula. Digo, não como um stalker. Droga. Isso soou tão errado, nem pude disfarçar minha cara ficando vermelha. Ele ficou confuso com a minha cara.

— Não sei porque isso poderia ser interessante para você.

— Tem algum momento em que você não esteja na defensiva? – esbravejei.

— Hum. Sim. – ele deu um sorriso esquisito, enquanto trancava a porta e olhava para o vazio.

— Isso soou tão errado, Sasori. – o repreendi. Ele piscou, pego de surpresa quando o chamei pelo nome.

Fui andando atrás dele, observando seu andar rápido. Porque diabos eu me interessei mesmo? Ele estava certo. Mas talvez seja a revolta interna, aquela que estou enfiando a sete chaves dentro de mim, por ter mudado de casa e escola. Minha mãe tinha a mania de se meter em merda e aí mudar. Eu sempre era arrastado para o olho do furacão. O que custava buscar um pouco de estabilidade e segurança para a sua vida? Ela parecia fugir disso como diabo foge da cruz, e eu tinha que aguentar. Aí ficava todo esse globo de raiva dentro de mim e eu queria chatear alguém. Talvez fosse isso ou coisa parecida. Só Satanás sabia o quanto eu queria por o nome de Ino num pentagrama para irritá-la e dar um pouco de ação para essa minha vida tenebrosa.

Saímos do prédio ao mesmo tempo, dessa vez comigo acelerando o passo também. Ele franziu as sobrancelhas ao me ver passa-lo. Foi um acordo silencioso estranho, ele aceitou o desafio. Apertou o passo e me passou. Eu comecei a literalmente correr para chegar ao estacionamento antes dele, já que era para lá que ele rumava. Logo ele também corria do meu lado, parecendo enfezado pela minha ousadia. Só paramos quando ele alcançou um aglomerado de bicicletas primeiro.

— Desgraça. – rosnei, ofegante. Escutei um barulho que me fez ficar horrorizado. Sasori gargalhou. Infernos. Ele podia rir. Eu não poderia estar mais chocado.

E sua risada era daquelas hilárias, que se misturavam com um ronco. Depois que passou o choque, deixei escapar um sorriso. Foi aí que ele se tocou e ficou sério de novo. Parecia constrangido por ter deixado aquilo escapar. Destrancou sua bicicleta em silêncio, evitando me olhar.

— Tchau. – instiguei.

— Hum. – ele resmungou, concordando. E então saiu velozmente pedalando.

Foi um momento tão curioso que me deixou distraído em pensamentos. Só percebi a leve comoção quando topei com Ino ao lado de seu carro, me esperando. Ela estava junto de Sakura e Shikamaru. Ele estava blasé como sempre, Sakura estava observando ainda o pátio de bicicletas e Ino parecia estar com dor.

— Eu ainda não tô entendendo. – ela falou.

— É porque pensar dói, você só tem um neurônio. – dei de ombros. Aquilo a fez parecer uma louca prestes a voar em meu pescoço.

— Sua barbie punk maldita do caralho. – rosnou. Aprendi a “rosnar” com minha doce prima. Apenas sorri para ela. – Como diabos você conseguiu apostar corrida com o Sasori? Justo o Demônio Vermelho?! – ela parecia tentar juntar 1+1 e não conseguia.

— Uau, nunca pensei que isso poderia acontecer. – Sakura estava admirada. – Você conseguiu fazer amizade com ele.

— Amizade é um eufemismo. – franzi a testa. Agora estava aprendendo a fechar a cara com Sasori, nossa. Deidara-vai-com-os-outros.

— Mas pelo menos ele não te expulsou da turma. – Shikamaru finalmente expressou sua opinião, também sem acreditar.

— Ninguém nunca conseguiu se aproximar dele? – perguntei, curioso.

— Pelo menos não a ponto de conseguir uma corrida com ele. – os olhos de Ino iam pular do tanto que ela os arregalou.

— Me inveje então. Vai, me dá uma carona. – entrei no passageiro de seu carro.

— Deus, isso é tão nada a ver. – ela sussurrou para seu volante.

— Ino. – a chamei. Ela me olhou, ansiosa, como se esperasse por uma solução para aquilo tudo. – Apenas dirija. – suas cabelos quase foram para cima tamanha a raiva que ela exalou.

— Eu ainda vou ficar rica dando sua alma ao Diabo. – ameaçou.

Será que eu conseguiria uma amizade com Sasori?