Painting Flowers

5 Parte 2 - Everthing Has Changed


Notas iniciais
Eu nem sei como me desculpar, sério. Por isso mesmo vou ficar quieta esperando que ninguém me mate

Espero que todos tenham tido ótimas festas, de qualquer forma ^^

O resto do café da manhã passou animado e sem mais – grandes – discussões. Não falaram mais sobre política, chefes ou toda a maldita economia. Se concentraram em decidir o que poderiam fazer pelo resto do dia. Eram tantas opções que deixavam os jovens dentro deles desnorteados. E mesmo quando já tinham terminado de comer e arrumado tudo, ou mesmo quando já tinham tomado banho e estavam saindo do prédio bem vestidos para o frio – e graças a Deus a chuva havia parado — ainda não tinham escolhido.

– Eu odeio esse tempo. – reclamou Alfred apertando o casaco em volta do próprio corpo.

– Com você isso só dura duas estações, eu que devia reclamar, suporto isso quase o ano todo.

– Achei que você gostasse. – confessou surpreso. Arthur, em resposta, deu de ombros.

– Depois de tanto tempo, eu não ligo mais, já que também não gosto do calor. Mas a chuva... me irrita às vezes.

– Woa, isso é estranho vindo de você. — riu.

– Right?

Toda a ansiedade que sentia de manhã ou no dia anterior parecia ter se diluído, ou uma grande parte dela. Arthur não queria mais ir embora correndo, torcendo para não ter que ver a cara de Alfred na sua frente – o que era muito vergonhoso, já que ele não era nenhuma garotinha idiota para ficar fugindo da pessoa que... Bem... O fato, é que ele se sentia mais confortável.

Mas isso só até América, sem nenhum aviso, agarrar sua mão enquanto andavam. Ele enroscou os dedos gelados e segurou firme. Exatamente como na noite anterior, um arrepio percorreu o corpo do britânico e parou em seu rosto, que instantaneamente esquentou, ignorando o ar frio do ambiente.

– O-o que diabos você pensa que está fazendo? – perguntou, apesar de não fazer menção de que iria descruzar os dedos.

– Não quero correr o risco de você se perder de novo. – Alfred brincou. – E também... A sua mão está quentinha. – explicou como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Arthur recusou-se a encará-lo, preferia a visão das ruas do que ser obrigado a olhar aqueles malditos olhos azuis de novo. Pois ele sabia que estava sendo encarado, ele tinha certeza de que aquela mesma expressão estaria estampada no rosto do Americano. E era assustador, porque ele não sabia o que Alfred queria. Nem ele mesmo sabia o que queria, oras!

– Você também ficaria perdido se ficasse sozinho em Londres. – balbuciou, tentando retomar a conversa.

– Yeah... Sabe o que isso significa? – Inglaterra negou. – Que precisamos nos visitar mais. Se você vier mais em Nova York, eu irei mais para Londres ou onde mais você quiser. O que acha?

O britânico pensou por alguns segundos, sério, o que diabos estava acontecendo ali? Primeiro, Alfred o convidava para passar a semana hospedado em sua casa, depois ele preparava um café da manhã gigante para os dois, e agora aquilo. Desde quando América era tão... Complacente?

– Soa bem. — respondeu afinal, um sorriso se formando em seus lábios.

– Claro que soa, foi uma ideia minha! — Arthur finalmente se virou para olhá-lo e retrucou num tom que mesclava desdém e humor:

– Ah, cale a boca. — E após mais um tempo de uma caminhada silenciosa, acrescentou: — Sabe que ainda não decidimos o que vamos fazer e estamos só andando a toa no frio, não é?

– Eu consigo imaginar muitas coisas para fazermos e nem precisaríamos sair de casa.

Aquele não era um tom chateado por terem saído de qualquer forma, e muito menos um inocente. Alfred estava com um maldito sorriso sacana no rosto e cada palavra viera cheia de malícia. O britânico sequer podia negar, era tão obvio que chegava a ser ridículo! Mas sem dúvida devia ser algum tipo de brincadeira. Por isso Arthur lutou bravamente contra a vontade de responder à altura – e ele com seus muitos anos de prática, sabia muito bem como — e preferiu se fazer de inocente – seria muito melhor assim, tinha certeza.

– Bom... Podíamos alugar alguns filmes, que tal? Nenhum de nós quer ficar aqui fora no frio e é melhor descansarmos para amanhã, já que vamos ter que arrumar a festa e essas coisas.

O sorriso de Alfred se desmanchou em um passe de mágica, e após alguns segundos de incerteza, ele formou outro – o que Arthur estava acostumado, o brilhante e simples – e concordou. Claro, filmes. Era uma boa ideia, certo?

Mais tarde, foram até uma locadora que ficava no mesmo quarteirão e – depois de muitas discussões – alugarem Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado, Capitão América e um filme aleatório de zumbis – em honra ao Halloween, de acordo com Alfred. O americano agora se ocupava em colocar o primeiro filme, enquanto Arthur enchia algumas vasilhas com pipoca e os doces que tinham comprado no caminho. Aquela era certamente uma das coisas que ele nunca imaginou que faria com América. Era por demais caseiro e pacífico. Eles não faziam nada tão sútil desde quando Alfred ainda era uma colônia. E Inglaterra admitiu para si mesmo que, apesar de toda a... Estranheza, se sentia muito bem ali.

– Qual vamos ver primeiro? — perguntou enquanto se jogava no sofá, deixando uma vasilha de pipoca no colo e os outros doces ao lado.

– Capitão América! — Arthur resmungou emburrado enquanto Alfred se jogava ao seu lado no sofá, pegando um punhado de doces e enfiando na boca. — Minha casa, minhas regras. — retrucou de boca cheia.

– Cale a boca e dê play logo!

Os cobertores – que Arthur ainda queria muito saber como diabos chegaram no sofá – continuavam ali e em alguma hora que nenhum dos dois prestou muita atenção, começaram a se enrolar neles apesar de não estar frio no apartamento. E é claro que não foi uma surpresa quando mais ou menos no meio do filme Arthur e Alfred começaram a falar – que nação além de Japão, Grécia e Noruega conseguia ficar quieta por muito tempo?

– Isso definitivamente não aconteceu. — apontou Arthur jogando um gummy bear na boca.

– Não seja chato, é um filme! — Alfred respondeu. — Que parte de Monty Python é real, também?

– É diferente. Estamos falando de uma comédia. — O americano se esticou, apanhando o copo de refrigerante no chão e tomando um gole. — Você vai ficar tão gordo... — implicou.

– Shut up! Eu sou puro músculo, okay?! Puro. Músculo. — Arthur riu, ele sabia que não tinha nada de gordo no moletom que Alfred usava. — Eu devia muito ir de Capitão América na festa.

O britânico fez uma careta. Claro, fazia todo o sentido. E Alfred era realmente parecido com o ator que fazia o filme – Chris Evans, se não se engava. Além de ser a versão irritante e mais infantil do Capitão América, mas não, não soava bem América ir para o Halloween vestido naquela roupa colorida apertada – não que Arthur fosse reclamar caso isso acontecesse. Lançou um olhar para o super-herói na televisão que agora vestia uma jaqueta esfarrapada de couro por cima do uniforme.

– Onde está seu casaco? — Inglaterra perguntou de repente.

Alfred desviou sua atenção da TV e o encarou em dúvida, logo depois olhou para o próprio corpo, confuso.

– Well... Da ultima vez que eu o vi, estava usando. Deve estar no meu quarto. — deu de ombros.

Arthur repetiu o gesto, e voltou ao assunto anterior:

– Não, você não devia ir de Capitão América. Pensou no quão ridículo vai ser passar a festa inteira naquele collant?

América soltou uma exclamação insultada e replicou:

– É um uniforme!

– Claro que é.

O resto do filme eles passaram discutindo o que deveriam usar no Halloween, e Arthur chegou a conclusão de que Alfred sem dúvida deveria ir de Batman ou qualquer outro super-herói que não vestisse uma roupa tão justa quanto um bailarino, e aos olhos do americano Arthur deveria ir de Robin nesse caso. O britânico descartou a ideia com a maior educação que pôde (“Se você acha que eu vou vestir uma fucking cueca verde nesse frio e na frente do Francis, você está muito enganado”). No final, Alfred parou a conversa para observar, emocionado, o avião em que o Capitão América estava se enterrar no gelo – sim, emocionado mesmo depois de ter visto o filme no mínimo doze vezes, Arthur sabia disso.

Em Monty Python as coisas foram diferentes. Alfred e Arthur passaram a maior parte rindo – o que só piorou quando o primeiro francês apareceu — e, por parte do americano, reclamando de como o filme era ridículo. Quando a comida finalmente acabou, eles decidiram pedir uma pizza (“Não, Artie, você não vai embora de New York sem comer uma pizza.”).

– Yeah, grande de calabresa. — Alfred falou ao telefone.

– Não decida tudo sozinho, idiot! — Arthur reclamou jogando uma das vasilhas vazias no mais novo, enquanto se esticava para arrancar o telefone das mãos dele. — É uma pizza grande de mussarela. — disse para o atendente.

O homem ou mulher do outro lado da linha nem teve tempo de responder, pois América tomou o telefone de volta.

– Tem mussarela na pizza de calabresa! — E então disse ao atendente: — Grande, calabresa.

– What the fuck? Pare com isso eu tenho direito de escolher! Você não vai comer sozinho! — Com muito esforço, Arthur conseguiu agarrar o telefone novamente, quase derrubando Alfred do sofá no processo. — Grande de mussarela, ok?

– NÃO! — Alfred gritou em protesto, pronto para começar novamente a briga pelo telefone. Pizza é um assunto muito sério, okay? Entretanto, Arthur afastou o aparelho do ouvido, arqueando uma sobrancelha. — O que foi agora?

– Ele, er... Desligou.

– Well...

– Que tal meio a meio?

– Justo.

Arthur jogou o telefone de volta para Alfred, se endireitando mais uma vez no sofá enquanto o americano discava o número de outra pizzaria.

A tarde tinha passado surpreendentemente rápido e quando Monty Python acabou e chegou a vez do filme aleatório de zumbis, nenhum dos dois prestou muita atenção. Pois assim que o primeiro zumbi apareceu, o assunto das fantasias voltou à tona.

– Acha que alguém vai de zumbi? — indagou Alfred.

– Praticamente 200 países, pelo menos UM tem que ir. — Arthur respondeu incerto.

– Pode tirar o Francis da lista. Ou você realmente acha que ele pintar feridas falsas e estragar o 'lindo cabelo'? — Os dois riram.

– Se o Sealand viesse talvez se vestisse de zumbi. Você não chamou ele, não é? — o britânico perguntou receoso após alguns segundos. — Ele ainda é muito pequeno pra esse tipo de festa!

– Claro que não! — interrompeu. — Ele é... Ótimo, mas eu não sou um idiota, Artie.

Arthur realmente segurou sua língua para não dizer o óbvio, e por sorte não precisou por muito tempo, pois a pizza tinha chegado. E com ela, a chuva também voltou. Pode-se dizer que ambos acabaram por esquecer do filme e dos zumbis. Eles só colocaram a caixa da pizza aberta na mesa da sala, pegaram alguns guardanapos e comeram, conversando sobre o que viesse a mente. E diabos, Arthur nunca comeu uma pizza tão boa antes – ou nunca comeu tanto em um dia. O sorriso que Alfred deu quando ele verbalizou aquilo foi recompensador, de fato.

– Talvez eu vá de pirata. — arriscou o britânico terminando sua ultima fatia.

– Gilbert deve ir. — respondeu Alfred, já se levantando para recolher as vasilhas restantes que foram esquecidas no sofá.

– Quem liga? Eu serei um pirata muito melhor que aquele megalomaníaco.

Alfred soltou um riso baixo enquanto ia na direção da cozinha.

– Eu lavo. — interrompeu Inglaterra, tirando todas aquelas vasilhas e copos das mãos do americano antes que ele tivesse chance de negar. — Sério, você hum... Já fez demais.

– ...Okay. — assentiu surpreso.

Arthur virou as costas para o mais novo e terminou o percurso, depositando toda a louça na pia. Não era tanta coisa assim, então não deveria tomar muito seu tempo. Ele até teve vontade de sorrir porque nunca imaginou que algum dia, além de estar se hospedando na casa de Alfred por uma semana, lavaria a louça dele por livre e espontânea vontade.

Ele já estava com as mangas dobradas e as mãos pegando a esponja e a primeira vasilha quando seus pensamentos foram interrompidos por um súbito calor às suas costas. Próximo demais. O britânico segurou o susto e a surpresa, enquanto virava o pescoço somente o suficiente para ver Alfred parado atrás de si. O peito quase colado às suas costas e, para coroar, ele estendeu os braços para colocar mais algumas coisas na pia – coisas que Arthur não deu a mínima atenção, poisaqueles mesmos braços estavam praticamente colados em seus flancos e fizeram o favor de arrastarem as mãos o mais próximo possível de seu quadril quando se recolheram.

Arthur sequer teve tempo de se sentir perturbado ou de reclamar, pois no segundo seguinte Alfred não estava mais ali, e sua voz vinha da sala, o tom descontraído e animado de sempre:

– Woah, já são oito horas! O tempo voou, hoje.

Inglaterra voltou a se concentrar na louça, mas sua mente voltou a voar para longe em pouquíssimo tempo. Em maior parte ele refletiu sobre como tinha sido o seu dia, que sem dúvida foi ótimo, satisfatório no mínimo. Foi realmente um dia bem 'casual', do tipo que não costumava ter com outras pessoas. Porém o surpreendente não tinha sido isso, e sim que havia sido com Alfred, logo com ele. E não tinham discutido – muito – ou brigado, nem tinham se irritado com a presença um do outro após um tempo – pelo menos não no caso do britânico. Na verdade, tudo tinha acontecido de forma pacífica demais. América foi até educado demais, calmo demais. Nem parecia a pessoa com que Arthur estava acostumado a lidar nas reuniões.

Talvez, uma vozinha disse no canto de sua mente, talvez esse seja outro Alfred, que você não está acostumado. Talvez até esse seja o Alfred certo.

– Talvez. — murmurou para si mesmo, concordando.

Ele ainda tinha muito tempo para descobrir. A semana tinha mais cinco dias.



I just wanna know you better know you better
Know you better now


Notas finais
EU SINCERAMENTE ESPERO QUE TENHAM GOSTADO SINTO MUITO PELO CAPS LOCK AQUI!!!