Painting Flowers
11 Dia 6 - You Shook Me All Night Long
Arthur não tinha certeza do que tinha feito de errado. Mas ele devia ter feito alguma coisa.
Estava tudo ótimo no dia anterior. Havia sido uma tarde agradável. A limpeza tinha durado muito menos do que o esperado e conversas com Matthew faziam o tempo voar. Depois, quando começaram a pendurar os enfeites que percebeu algo diferente.
Era com muita vergonha que admitia que esperava que Alfred arranjasse desculpas para tocá-lo e falar com ele enquanto decoravam. Afinal, o americano tinha a passado a semana inteira fazendo isso. Contudo, nada aconteceu. E não foi por falta de oportunidades, mais de uma vez Alfred e Arthur tiveram que se enrolar e esbarrar para grudarem adesivos e fitas nas paredes. E Arthur esperou, com o coração acelerado, uma mão roçando em suas costas, quadril, ou só um sorrisinho, qualquer coisa! Mas… não.
Alfred nem o encarou direito à tarde. Muito menos de noite. Foi o britânico que tentou iniciar uma conversa quando entraram no táxi, diversas vezes, tendo só monossílabas como resposta. Chegando no apartamento, comeram em silêncio e na primeira oportunidade Alfred foi embora para seu quarto. Sem boa noite, sem toques.
Aquilo não só havia feito o sangue de Arthur ferver, e a vontade de gritar com o americano aumentar, como também o deixou mais nervoso e… Sim, admitia, chateado.
Alfred era sem dúvida imprevisível, mas aquela não podia ser a resposta para o comportamento frio. Arthur passou horas deitado na cama, encarando o teto, tentando encontrar qualquer coisa que havia dito ou feito que pudesse tê-lo ofendido. Só que nada lhe vinha à mente.
Não sabia que horas eram, mas não poderia ser muito cedo. Mesmo assim, não havia nenhum barulho no apartamento. E até agora a voz de Alfred o chamando para acordar ou coisa parecida tinha soado.
Olhou para si mesmo, deitado na cama abraçado a um travesseiro e esperando que aquele maldito americano idiota o chamasse! Que droga estava fazendo? Uma onda de raiva o preencheu e sentou-se, jogando o travesseiro contra a parede com força.
Não. Não ele não precisava de Alfred para aproveitar seu dia como um idiota apaixonado. Alfred não era tudo na sua vida e se ele queria agir como um babaca, que seja.
Trocou o pijama pela primeira roupa que achou e saiu pisando duro do quarto. A sala estava vazia. Óbvio, americano não estava ali, mas duas sacolas repousavam em cima da mesa, próximas ao jarro de flores. Arthur não estava com paciência para sentir pena delas por estarem mais murchas ainda, e muito menos para sentir ciúmes, então só agarrou uma das sacolas e espiou o que tinha dentro.
Era sua fantasia.
— Puta merda.
Sábado. Já era sábado, a festa seria aquela noite. Ele tinha esquecido.
Para ser sincero, Arhtur não estava tão preocupado com a festa. Seria só mais uma como em todos os anos. Nações bêbadas, dançando, brigando e berrando. Não muito diferente de uma reunião qualquer – o que não tornava a situação menos estressante.
O dia seguinte era o que o assombrava. Havia passado os últimos dias tão preocupado em ir embora, que não havia reparado que… bem, não queria ir! Francamente, era embaraçoso.
Contudo, ainda estava sem paciência para aturar Alfred depois do comportamento ridículo do dia anterior. Então jogou a bolsa de volta na mesa e voltou para o corredor. Precisava de um banho. Precisava sair dali por um tempo. Uma caminhada faria bem, porque aquela seria uma noite longa.
Alfred – se é que ele estava em casa – sequer notaria sua falta, voltaria a tempo de se arrumar pra festa e não iria muito longe.
Sim, estava tudo sob controle.
Francis não tinha a mínima ideia de quem havia sido o imbecil que havia decidido que seria divertido hospedar a maioria das nações no mesmo hotel, mas ele tinha certeza de que os países que haviam concordado eram tão idiotas quanto. Ele, ainda bem, tinha escutado Canadá e feito reserva em outro hotel, bem afastado e relativamente vazio.
As nações haviam começado a chegar desde o meio da noite. E algumas de madrugada ou de manhã. A maioria, no entanto, estava ali perto da hora do almoço. E era por isso que agora, meio dia, o saguão do hotel era a imagem viva do caos.
O lobby espaçoso estava inundado com cerca de cem países gritando e conversando uns com os outros. Francis quase sentiu pena do gerente, o coitado tinha um olhar de pânico estampado no rosto. Bem, se ele desmaiasse não faltariam pessoas para ajudar.
Dali, conseguia ver – e ouvir – Dinamarca perturbando Noruega e Suécia, que tentava se afastar junto com Finlândia. Alemanha falando com um atendente e segurando Itália. Rússia, China e Ucrânia juntos e, graças a deus, Bielorrússia não estava a vista. Egito também estava ali, parado ao lado de Japão, os mais calmos no meio da confusão. E bem no canto, ele conseguia ver Grécia e Turquia a ponto de começarem uma briga.
O francês tinha decidido ir ver se Espanha ou Prússia haviam chegado e nunca havia se arrependido tão rápido de uma decisão. Estava pronto para dar meia volta e sair daquela loucura, Antônio e Gil que se virassem, quando uma mão agarrou seu pulso e duas pessoas o abraçaram.
Bélgica e Seychelles. E como sempre Holanda um pouco mais atrás observando.
— Francis, querido! — exclamou Anri. — Como você está?
— Muito bem, ma chérie. Michelle, não sabia que viria para a festa.
Foi claramente a coisa errada a se dizer, pois Seychelles disparou a falar no seu dialeto que misturava inglês e francês com um forte sotaque. Francis, acostumado, conseguiu pelo menos captar a mensagem principal de por que ela tinha decidido vir e como tinha sido sua viagem e sobre como as passagens eram caras.
Bélgica então decidiu que seria uma ótima ideia comentar sobre sua fantasia – Chapeuzinho Vermelho – e a que tinha escolhido para Michelle uma linda roupa de pirata. O problema era que quando Anri estava muito – muito – animada e começava a falar, não era fácil fazê-la parar.
— Isso é magnífico, minhas queridas. Mas combinei de almoçar com Canadá, então deveríamos continuar na festa, que tal?
— Quem é Canadá mesmo? — perguntou Anri distraída.
— Ah, é aquele cara loiro, com óculos e aquele cacho estranho na cabeça – respondeu Michelle.
— Não, não, esse é o América!
— Eles são muito parecidos, Anri, tenho certeza.
Francis aproveitou a mudança de rumo e foi até Holanda.
— Abel, você viu Antônio ou Gilbert por aí?
— Não, mas eu vi Alfred.
— Alfred… do tipo, América?
Holanda deu de ombros desinteressado.
— Ele estava aqui há pouco tempo, segurando um daqueles buquês medíocres de rosas nova iorquinas. Ninguém sabe cuidar de flores aqui, na minha casa nem minhas ervas daninhas são tão sem graça. Não que eu tenha ervas daninhas – acrescentou orgulhoso. E, assim como sua irmã, iniciou um longo monólogo, só que dessa vez sobre flores holandesas.
Deus, a sorte de Francis não parava. Ele aguardou uma brecha para interromper Abel, não ouvindo nem uma palavra. Só conseguia pensar:
O que aquele maldito idiota esta fazendo?
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