Paint Of Blood.
1 Prólogo
Notas iniciais
Era uma manhã quente. Mesmo às sete e quarenta da manhã, o horário que Jennifer foi acordada por suas duas melhores amigas, Madeline e Trinity, o sol já brilhava alto, em um agosto escaldante. A loira sentia-se estranha de não acordar no quarto do 221B, porém, naquele dia, era importante que não o fizesse. Provavelmente teria um ataque cardíaco se visse Sherlock antes da hora.
Afinal, hoje era o dia de seu casamento.
- Mars, está na hora! — Mad a puxou da cama do quarto de hóspedes de Trinity. Depois que a morena se casou com Luiz, o casal morava em uma mansão, na área mais nobre de Londres e era onde Mad e Jennifer haviam dormido na noite passada.
- Mais cinco minutos. — A loira gritou, fechando os olhos com força para impedir que a claridade a atrapalhasse. Porém era impossível e, em menos de cinco segundos o sono insuportável havia sumido e ela já se sentia ansiosa, como se possuísse milhares de borboletas no estômago. E como se elas não ficassem quietas nem por meio segundo.
- Eu vou acabar tendo um ataque de nervos antes de chegar ao local. — Disse Jennifer, levantando-se da cama e indo ao banheiro para tomar um relaxante banho.
- Você tem dez minutos! — Disse Trinity, que surgiu com o equipamento para transformar a juba de Mars em um penteado digno de noiva. Jen revirou os olhos, trancando a porta atrás de si e ligando o chuveiro. O barulho da água lhe acalmou por algum tempo. Tanto quanto quando ela deixou a água morna do chuveiro cair na pele alva. Aquilo era relaxante.
- Poderia ficar aqui pelo resto da vida. — Ela disse para si mesma. Contudo, não havia tempo para ficar enrolando. A loira terminou o banho e desligou o chuveiro, saindo e sacando o corpo com uma felpuda toalha branca. Então, depois de enrolar os cabelos molhados em uma toalha azul e colocar um robe, saiu do banheiro para o quarto que, em menos de dez minutos, havia se tornado o ponto de encontro de Mary, Irene, Madeline e Trinity.
- Atrasada! — Disse Mary, puxando a loira pelo braço e colocando-a sentada na cadeira a frente da penteadeira.
- Oi pra você também Mary. — Jen disse, rindo. — Ah, olá Irene. — Irene sorriu, cúmplice da garota. Todas ali sabiam que, se preparam para um casamento, era um trabalho muito mais psicológico que físico. Ainda mais quando os pais do noivo não estão lá muito felizes com a ideia.
- Você já os viu? — Perguntou Jen para Irene enquanto Trinity, a única que possuía os dons para arrumar um cabelo, começava a fazer o coque que Jen havia escolhido em uma revista.
- Sim. — A morena responde. Desde que Adler se casará com Mycroft, as coisas entre ela e Jennifer haviam mudado bastante. Era quase como se fossem irmãs. Eram confidentes e, ironicamente, até parecia que eram família. O que, em algumas horas, iria se tornar verdade.
- O quão ruim está? Numa escala de 5 a 10? — Jen pediu, mordendo o lábio inferior de angústia. Irene abriu um sorriso cúmplice.
- Acho que uns 9, porém, com os Holmes, nunca há como ter certeza. — Jennifer sabia muito bem disse, a última vez que achará que estava indo bem, acabou que a sogra a odiou completamente, dizendo ao filho que seria a pior escolha da vida dele se casar com um tipinho como essa. Claro, Jen sabia que Sherlock não escutava muito a mãe, mas ela desejava, e muito, conquistar a sogra.
- Bem, obrigada. — Ela disse. Sentia o corpo todo tremer agora que a hora estava chegando. A ideia de reunir todas na casa de Trinity havia sido da mesma, porém, Jennifer se sentiria muito melhor dentro de um vestido simples, com o cabelo solto e apenas alguns poucos convidados.
Porém, por algum motivo, a festa que deveria ser simples, se tornou algo absurdamente grande e, agora, Jennifer Mars estava com medo de acabar pisando na bola.
- Ai! — Gritou a loira quando Trinity puxou o cabelo um pouco mais forte. — Agradeceria se, quando a milady terminar eu ainda tiver cabelos! — As outras riram, porém, a mulata respondeu:
- Do jeito que ele está, eu não sei não... — Jen revirou os olhos e tentou se acalmar, afinal, era apenas um casamento. Ela sabia que, se caísse ou falasse alguma bobagem, mesmo assim, Sherlock ainda iria amá-la e desejá-la como sua esposa.
Ou era o que ela ficava repetindo para si mesma.
Meia hora depois, o cabelo estava pronto e Madeline começava a maquiagem. Enquanto isso, Jennifer repetia as palavras que deveria dizer a Sherlock, quando fosse a hora dos votos. Quando pensou no noivo, um sorriso sapeca surgiu nos lábios. Sherlock Holmes. Quem diria que, o grande detetive consultor o qual Mars passou anos apenas lendo o blog seria aquele que a levaria até ao altar. Ela jurou por tantos anos que não desejava sofrer e agora, está se entregando totalmente ao homem que lhe tirou a própria razão.
No último ano, depois de todos os acontecimentos com o clã Moriarty, a vida do casal tornou-se pacata. Ou o mais pacata que poderia ser. Obtiveram várias vitórias em inúmeros casos. Jen havia continuado com a faculdade por um tempo, porém, percebeu que aquilo apenas lhe roubava tempo. Ela poderia trabalhar tendo ou não aquele diploma e, no final do ano letivo, congelou a matriculo para, se um dia desejasse, retornar as aulas de Direto.
Passou-se mais meia hora para que a maquiagem ficasse como todas desejavam. Uma dizia mais brilho e então a outra falava que era brilho de mais e a loira apenas ficava quieta enquanto suas amigas diziam o que lhe deixava perfeita.
- Agora, vamos colocar o vestido. — Disse Irene, indo buscar o tão grandioso vestido.
Grandioso porque nenhuma de suas amigas deixou Jen escolher um que ela pudesse colocar all star ao invés do par das mais belas sandálias que ela já vira na vida. Era um vestido branco, contra gosto de Jennifer, que se achava pálida de mais para um vestido branco, de um ombro só. O espartilho era justo, com um trançado atrás e totalmente drapiado. Em um lado, tomara que caia e, no outro, puxava uma linda alça que parecia enfeitada por várias borboletas pequenininhas e brancas. O mesmo se dizia da saia. Começando um pouco mais acima de um lado, e descendo em diagonal, a saia não era muito armada e parecia enfeitada por milhares de borboletas brancas. Era mais comprida, não chegando a ter uma cauda, porém, arrastando no chão. Depois que Irene terminou de apertar o trançado da parte de trás, Mary ajudou Jen a colocar as lindas sandálias prateadas que tinham o salto totalmente revestido em strass.
- E agora... — Irene foi até a bolsa e tirou uma caixa de veludo. — Esse é meu presente, Mycroft tem um especial para o irmão. — E abriu a vermelha caixinha. Pela primeira vez, pelo menos que a loira se lembre, ela abriu um sorriso enorme ao ver uma jóia. Era um lindo colar de brilhantes que possuía como conjunto um par de brincos simples, apenas uma pedra média de brilhante, porém, por algum motivo, era magnífico.
- Meus deuses... — Jen disse, sorrindo, e deixando que a morena colocasse o colar enquanto Mars colocava o par de brincos. — Irene, você não precisava... — Irene Adler Holmes, como era chamada agora, disse que não era importuno algum e sorriu, dizendo o quão linda a jovem estava.
Logo que Jen percebeu, Trinity e Madeline já estavam de saída, indo em direção a uma casa de campo dos Holmes, o lugar que fora escolhido para se fazer o casamento. Sobrara apenas Mary e Irene junto de Jen, que, cada segundo que ela via passar no majestoso relógio da sala de Trinity, sentia a barriga se encher de borboletas.
- Está na hora. — Disse Mary, pegando uma bolsa de mão e olhando para Jennifer que, sem se mover, apenas levantou o olhar para a loira que estava de pé. — Vamos garota, é seu grande dia! — Irene riu, sabendo que Jennifer devia estar apavorada pela primeira vez na vida.
Não importando quantas vezes ela já havia quase morrido e todos os males que já haviam lhe atingido. Um casamento finalmente a paralisou.
Jennifer olhou a morena ao lado da loira e viu um sorriso cúmplice surgir. Um sorriso que dizia: vamos, está na hora. Que mostrava que a felicidade que estava para alcançar era real sim. Que não era tudo uma fantasia maluca. Ela se levantou. Ficando mais alguns segundos parada e então acompanhou Irene e Mary até a limusine que as esperava.
E por todos os Deus do mundo, que tudo dê certo.
- Ela esta atrasada. — Sherlock disse baixinho para John, que apenas pode rir. John era o padrinho de casamento de Sherlock e estava parado ao lado do amigo, perto da entrada, quase na hora de ambos irem ao altar. Mas é claro, Jennifer ainda não havia chegado. E estava atrasada para o normal atraso de uma noiva.
- Calma Sherlock. Madeline e Trinity já chegaram e disseram que está tudo bem. Logo Jennifer estará chegando... — Sherlock apenas olhou o amigo, revirou os olhos e voltou a dizer:
- Ela está atrasada! — John limitou-se a rir e olhar para o horizonte, esperando que a esposa chegasse e desse o aval para o inicio da cerimônia. Era uma belíssima e quente manhã de agosto aquele dia. Sua filha estava sentada em um banco na frente, junto de Mrs. Hudson. A pequena Jennifer, que tinha longos cabelos loiro escuro e olhos cor de mel iguais ao da mãe, abanava para o pai na porta, que abria um sorriso e mandava um beijo.
- Ela está linda. — Disse a voz de Mary, atrás de si. Sherlock estava quieto e pálido, mais ainda do que o normal.
- Como a mãe. — Disse John, virando-se para a esposa que usava um lindo vestido amarelo tomara que caia. Mary sorriu e deu um selinho no marido e então virou-se para Holmes.
- Irene está com ela Sherlock. Está na hora. — E então passou pela dupla de amigos e foi em direção ao local que a filha se encontrava, afinal, a pequena Jennifer seria a daminha de honra.
- Boa sorte. — Disse John e então Sherlock entrou, afinal, John seria aquele a conduzir a noiva até o altar.
- Ai meus deuses, ai meus deuses, eu vou cair! — Disse Jennifer, quando escutou a música de entrada do noivo. Aquilo estava a deixando cada vez mais enjoada. Foi quando Mary apareceu com a afilhada de Jen, que estava vestindo um lindo vestidinho rosa. Jen sorriu para a xará que abriu um sorriso maior ainda e disse:
- Dida Ien! — Jennifer riu, e disse:
- Você está muito linda Jenny, muito linda mesmo! — A menina se preparou para entrar e então a música começou. Jennifer caminhou até onde John a esperava. O ex soldado abriu um sorriso quando viu a amiga, a praticamente irmã, vindo em sua direção ao lado de sua filha. Mary disse um boa sorte baixinho e foi sentar-se. Irene ficou com Jenny, porque além de tudo, era a madrinha da noiva. E iria ajudar a pequenina na entrada. Adler usava um longo vestido vermelho sangue, com um decote em V que ia até o umbigo. Seus cabelos negros estavam presos em um coque e ela sorria, tendo em seus lábios um batom do mesmo tom que o que vestia.
- Agora é sua hora de brilhar Jennifer! — E então tudo se tornou muito complicado. A loira pegou os braços do amigo, abrindo um sorriso aliviado e sabendo que John nunca a deixaria cair.
- Você está... Eu nem tenho palavras Jen, está magnífica! — Mars riu.
- Obrigada John... — E a música começou. Todos os presentes levantaram-se de pé. O estomago de Jennifer virou em apenas borboletas e ela estava louca para que aquilo passasse logo.
- Só... Não me deixe cair ou eu juro que te mato! — John deu uma risada e então eles começaram a caminhar em direção a um sorridente Sherlock Holmes.
- E agora, você pode beijar a noiva! — Disse o Padre Leo, o velho padre do orfanato de Jennifer, quando a cerimônia havia acabado. A partir daquele momento em diante, Jennifer Mars agora era Jennifer Mars Holmes, ou no caso, apenas Holmes, porque o nome ficava realmente estranho. Sherlock virou a, agora, esposa e sorriu:
- Você está belíssima. — Jen riu baixinho.
- Obrigada Holmes. — E ele a beijou, quase como a primeira vez, na frente de todos. Eles riram quando os convidados começaram a aplaudir e ele pegou firma na mão da loira para eles poderem sair e ir em direção a recepção.
- Você está gelada, Mrs. Holmes. — Disse Sherlock, dando ênfase no Holmes. Jen riu, agarrando o braço do homem ao seu lado. Que agora era seu, somente seu.
- Está na hora da festa! — E ele riu.
O local havia sido decorado com lindas mesas brancas e flores vermelhas; tulipas e rosas eram o centro de tudo. Havia uma cabana, o local onde as mesas haviam sido colocadas e a pista de dança que, encontrava-se no meio.
Os primeiros que vieram parabenizá-los foram, é claro, John e Mary, juntos da pequena Jenny. Então Irene e Mycroft, Trinity e Luiz, Madeline e Peter, um dos novos namorados da garota... A fila era enorme, mas não tão grande para afastar os pais de Holmes.
Quando o casal se aproximou, Sherlock apertou a mão de Jen com mais força, como se desse confiança para a esposa. A garota rolou os olhos e respirou fundo, eles não iriam estragar o dia perfeito.
- Bom, acredito que devemos dizer parabéns... — Começou a mulher. Ela vestia-se de preto, quase como se gritasse a indireta que tentava demonstrar: que aquele era um dia de Luto.
- Mãe... — Sherlock começou, mas antes mesmo que ele pudesse falar algo, Jennifer disse.
- Sra. Holmes... Eu não sei o que fiz para a senhora e muito menos o que você tem contra a minha pessoa. A única coisa que posso dizer é que, de todas as coisas no mundo, Sherlock tornou-se a mais importante em minha vida. Não sei o que faria sem ele, e acredite, tive um ano para pensar sobre isso. E seria muito agradável que, agora que somos família, as coisas começassem a mudar. Que a senhora pudesse aceitar-me como sou. — Sherlock olhou pasmo para a noiva. Abrindo um sorrisinho de canto. Igualmente pasmos estavam os pais de Holmes. Enquanto a mulher tinha um olhar fino, quase mortal, Jennifer parecia ter finalmente conquistado o homem. Um a menos.
- Parabéns filho. — Disse o pai de Sherlock. Os Holmes têm essa mania de não expressar os sentimentos e, com isso, os dois apenas balançaram a cabeça em cumprimento. Sra. Holmes não disse mais nada e logo, o casal se retirou.
- Isso foi... Muito ruim! Como é que eu fui falar aquilo? Porque você não me impediu Sherlock? Está louco é?
- Jennifer... — Sherlock a puxou para um abraço, — Eu te amo tanto. — Aquilo não fazia sentido algum, mas ela apenas se deixou ser levada até a mesa.
- Eu te amo Holmes, agora, ainda não explica o porquê falei tudo aquilo! — Holmes apenas riu e os dois sentaram-se, querendo apenas que a festa acabasse.
Depois da dança, de comer, de beber e de cumprimentar a todos, o casal finalmente pode ir até a casa, trocar de roupa e pegar as malas, afinal, eles tinham um avião para pegar.
Jennifer foi correndo ao quarto, tirando o longo e justo vestido e colocando um short jeans, uma rasteirinha e uma blusa de ombro caído. Soltou o coque de seus cabelos e viu que parecia ter saído de um salão, do mesmo jeito. Graças a Merlin, a maquiagem era simples então se limitou a retocar o batom, o substituindo por um gloss.
Quando havia terminado de olhar-se no espelho alguém bateu na porta. Jen a abriu e encontrou Sherlock vestido com uma camisa branca e uma calça jeans. As malas, sobre a cama, estavam prontas. Holmes sorriu ao ver a noiva e puxou-a para um beijo.
- Não podemos nos atrasar, Holmes! — Sherlock deu uma risada suave e a girou nos braços, no ritmo da música que podia se escutar ao fundo. Jennifer limitou-se a sorrir, maravilhada com o romance em que ela estava envolvida.
- Vamos. — Disse o moreno, pegando as duas malas grandes enquanto Jennifer pegava a bolsa e as bagagens de mão.
Na porta de saída encontrava-se quase todos os convidados. Todos esperando o casal para despedirem-se. Jennifer abraçou forte suas duas melhores amigas do mundo, Trinity e Madeline e depois foi em direção de Mary e a pequena Jenny que abriu um sorriso enquanto abraçava a dinda. Então caminhou em direção a Irene. As duas se olharam, sem dizer grandes coisas, Irene a abraçou dizendo para a loira aproveitar a felicidade. Jennifer nada disse. Lestrade e a família também vieram para um abraço, afinal, Jennifer havia se tornado parte da família também.
Ainda, antes de encontrar-se com Sherlock ao lado do carro que os esperava, Jen acenou para, o agora cunhado, Mycroft que parecia estar sorrindo, mesmo que, tratando-se do Holmes mais velho nunca se sabe e então terminou de descer a escadaria. Na porta, ao lado do carro, encontrava-se John Watson. O amigo abraçou Jennifer, que quase começou a chorar ali mesmo.
- E agora, escutem bem vocês dois. — Começou o velho doutor. — Eu não quero saber de confusões. Não precisamos de mais um problema em nossas vidas. Eu quero que vocês aproveitem o lugar e a companhia um do outro e deixem o trabalho para quando estiverem em Londres. — Jen e Sher se entreolharam, abrindo um sorrisinho. — E não façam essas caras!
- John, vai dar tudo certo ok? Prometo cuidar dele. — Jennifer disse, rindo.
- Oh, agora é você que vai me cuidar é? — Sherlock perguntou, fingindo indignação. Jen riu, concordando com a cabeça, sem conseguir falar.
- Vocês dois não têm jeito mesmo... — John disse, rindo também. — Divirtam-se sim? Depois de tudo, vocês merecem. — O casal parou de rir e concordou com o amigo. Sherlock abriu a porta do táxi e entrou, Jen deu uma última olhada no amigo e, sorrindo, entrou no carro.
- Sou só eu que tenho 100% de certeza que iremos quebrar a promessa de John e nos metermos em alguma confusão ou você também, Sher? — Holmes concordou, beijando a mulher nos lábios. Jen limitou-se a aproveitar o momento e parar de pensar no que poderia ser. Aquilo era bom de mais para simplesmente não se aproveitar.
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