Pain Of Love
19 Capítulo 19 - Aos poucos a tempestade se dissipa
Notas iniciais
Queria também agradecer a todos que leem, mandam review... aos que não mandam também, a todos os leitores. Obrigada pelo apoio de vocês, pelas recomendações, os favoritos... Vocês não tem noção de como eu fico feliz com essas coisas, até com o mínimo comentário! São essas coisas que me dão cada vez mais vontade de escrever *-*
Achei que, por estar demorando, vocês mereciam um capítulo um pouquinho maior, então tá aí.
Enjoy! (:
Bill POV
- Sim, eu aceito o emprego. – respondi com um sorriso no rosto.
- Ótimo! Vai ser muito bom para ambas as partes. – Peter também sorria.
- E quando eu começo no trabalho?
- Amanhã mesmo você poderá passar na agência, o endereço é esse aqui. – pegou um papel no bolso e entregou-me – Não vai ser difícil de achar.
- Ok, e que horas...?
- A agência abre as 8:30, mas você pode chegar a partir das 9.
- Tudo certo então... Desculpe, mas mesmo sendo meu último dia aqui, ainda tenho que trabalhar. – sorri fraco, meio sem graça por falar assim com meu novo chefe.
Despedimos-nos e voltei ao trabalho, como objetivo pessoal, queria fazer do último o melhor dia. Era difícil não perceber minha alegria já que um sorriso sincero e esperançoso permaneceu em meu rosto boa parte do dia sem que eu ao menos percebesse.
Nem precisei conta à Mia o porquê daquilo, ela já me conhecia o suficiente para saber. Apesar de cansativo, o dia foi produtivo e estranhamente agradável.
- Mia, pode me esperar por alguns minutos? – pedi.
- Mas é claro, vai lá.
Um pouco receoso, fui em direção à sala de George, era a hora de pedir demissão. Dei leves batidas na porta e esperei que meu chefe me convidasse a entrar. Sentei-me em uma das cadeiras em frente a ele e, mesmo sendo necessária, aquela situação me deixava nervoso.
- Boa noite, Bill. – ele quebrou o silêncio – O que o traz aqui?
- Bom, vou direto ao ponto. – respirei fundo – Vim pedir minha demissão.
- Demissão? – sua expressão tornou-se repentinamente séria – Mas por quê? O regime do restaurante não vem lhe agradando...?
- Não, não é isso. – apressei-me em dizer – Pelo contrário, sempre adorei esse trabalho, mas é que surgiu uma nova oportunidade e eu não poderia deixá-la passar.
- Entendo. É uma pena que isso esteja acontecendo, você era um de nossos melhores funcionários; mas por outro lado estou feliz por você, espero que seja bem sucedida. – seu sorriso era sincero.
Expliquei-lhe uma pequena parcela da situação, apenas o necessário, e organizamos as coisas em pratos limpos. Os detalhes, a papelada e questões financeiras foram quase completamente resolvidas em um tempo menor do que eu esperava.
Sai do restaurante com Mia, como o habitual, e também tinha tirado um peso dos ombros. Agora, ma nova oportunidade fazia florescer uma nova esperança.
**********
- E então, o que acha? – dei uma volta no lugar para que Mia pudesse ver minha roupa.
- Está ótimo. – respondeu ela, batendo palmas – Pra ser sincera, nunca o vi tão bonito.
- Também não exagera né, assim fico sem graça. – senti minhas bochechas ardendo levemente.
Minha roupa não era das mais extravagantes, mas me senti livre para expor meu estilo. Uma calça jeans não muito justa; um tênis não muito usado, mas que serviu bem; blusa preta com estampas diferenciadas e jaqueta de couro vermelha me pareceram adequados. Como eu gostava, o cabelo estava armado e espetado, minha tão usada maquiagem preta nos olhos. Eu me sentia bem desse jeito, confiante.
Na noite anterior, Mia me explicou como chegar à agência e não era difícil, portanto, cheguei em pouco tempo. Não foi difícil encontrar o grande prédio, único naquela rua, — talvez eu tenha exagerando quando disse “grande”, não era tanto assim, mas também não era um qualquer – então entrei no mesmo, estranhamente quieto.
O salão de entrada era amplo e poucas pessoas circulavam por ali, a decoração era sutil e sofisticada, com cores claras. No meio do lugar um balcão grande e redondo chamava a atenção, andei calmamente até lá.
- Erm... Bom dia? – eu disse meio sem jeito.
- Bom dia. – disse uma das aparentes recepcionistas atrás do balcão. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque e tinha um simpático sorriso no rosto – Em que posso ajudá-lo?
- Eu vim falar com Peter Tinsley, ele se encontra?
- Ah sim, você deve ser... – procurou rapidamente um papel na bancada e, após ler, voltou a palavra a mim – Bill Kaulitz, estou certa?
- Isso mesmo. – respondi.
- Sr. Tinsley avisou que viria, vou chamá-lo, um momento. – disse e virou-se levando o telefona ao ouvido.
Eu estava nervoso, sim. Muito.
Aquele lugar tinha uma energia diferente, não sei explicar como. E eu não parecia me encaixar ali... Era tudo tão aparentemente requintado que me senti deslocado, nunca fui elegante. Por um breve momento me arrependi de ter aceitado a oferta de trabalho, mas essa idéia logo foi afastada pela vontade de melhorar e me superar cada vez mais.
A mulher me comunicou que ele estava indo à meu encontro e voltou a seu trabalho. Observei que o movimento de pessoas parecia sempre pequeno, tudo era bem calmo.
- Bom dia, Bill! – ouvi a voz de Peter e então percebi que eu estava tão distraído que não o vi se aproximando.
- Hã? Ah, bom dia Peter. – respondi momentaneamente confuso.
- Que bom que veio. – ele parecia mais feliz por minha presença do que achei que fosse ficar – Vamos indo, temos alguns assuntos a resolver. – disse ele, saindo em direção a um dos vários corredores ali, eu o segui.
Primeiro fomos a um escritório, bem decorado, diga-se de passagem, onde resolvemos questões do contrato, salário e esse tipo de coisa. Ele fez questão de me explicar tudo detalhadamente, foi bem atencioso.
Saindo dali, Peter me levou para conhecer algumas partes do prédio e, principalmente, meu local de trabalho. Em uma ampla e movimentada sala, me apresentou o setor de publicidade. Pessoas perambulavam de um lado para o outro, atarefadas, mas não parecia um ambiente ao todo estressante.
Em seguida, perto da parte publicitária, ficava a parte econômica, onde os gastos e despesas eram controlados. Também era um local movimentado.
Andando por aqueles corredores tão parecidos, me vi momentaneamente perdido e confuso algumas vezes. Nunca tive um senso de direção muito bom, e essa situação era o suficiente para provar.
- E, por último, virando aqui nesse corredor, temos um dos estúdios fotográficos. – a voz grave de Peter me tirou de meus devaneios causando um estranho arrepio.
Observei o local e a primeira coisa que percebi foi uma mulher parada, parecia conversar com alguém, mas sua altura avantajada cobria quem quer que fosse, seus loiros cabelos brilhavam com as luzes dos holofotes ligados. Peter se aproximou e eu o segui.
- Bill, essa é Alice, uma de nossas modelos. Alice, esse é Bill, nosso novo contratado. – nos apresentou sorrindo.
- Prazer. – falamos ao mesmo tempo e nos cumprimentamos com um aperto de mãos.
- É possível que vocês trabalhem juntos, eu diria até provável. – comentou.
Fiquei um pouco sem jeito e sem saber o que dizer, mas ,por sorte, o fotógrafo – com quem Alice falava quando chegamos – nos interrompeu para que continuasse suas fotos.
Em pouco tempo ele me mostrou as partes mais importantes do prédio e, em seguida voltamos para sua sala. Estava definitivamente tudo resolvido e, como eu não trabalharia logo hoje, resolvi que era hora de ir embora.
- Então é isso, já resolvemos tudo, já lhe mostrei a agência... Se quiser ir embora, fique a vontade. – Peter avisou – Amanhã é, formalmente, seu primeiro dia e faremos alguns testes para saber como você se comporta sob os flashes.
- Ótimo, então vou indo logo, tenho alguns detalhes do antigo emprego pendentes.
Despedimos-nos e saí do prédio ainda mais feliz do que estava quando entrei. Também mal podia esperar para contar as novidades à Mia, mas isso terá que esperar, preciso passar no restaurante antes.
A cada dia me sinto mais próximo de uma felicidade que ninguém poderá estragar.
Tom POV
- Eu gosto de desafios. – Simone respondeu.
- Ótimo. Então o meu vai ser bem simples, te desafio a me ganhar no vídeo game.
- Desafio aceito. – disse sorrindo.
Escolhi um clássico de Street Fighter. Além de interessante, ela não precisaria de tanta experiência para se divertir, só não garanto que ela consiga ganhar de mim.
Mesmo com todas as risadas e trocando de personagem a cada luta, minha mãe não conseguiu me vencer, então decidi deixá-la ganhar pelo menos uma vez. Eu só queria ver aqueles olhos brilhando mais uma vez depois de todo esse tempo.
- Viu, não sou tão ruim assim. – ela disse mostrando a língua como uma criança.
- É, acho que eu estava errado. – respondi sorrindo.
Minha mãe preparou um rápido almoço e logo já estávamos à mesa comendo. Um estranho, mas não incomodo silêncio predominava, provavelmente era a fome a culpada daquilo.
O alto barulho da campainha nos despertou e Simone foi atender. Me distraí com a comida mas quando voltei a olhar para a porta, vi Andreas entrando pela mesma. Tinha a expressão séria e seus olhos varreram o cômodo até pousarem sobre mim. Caminhou devagar e sentou em uma das cadeiras vazias, minha mãe fez o mesmo.
- Olá, Tom. – ele disse – Como vai?
- Bem, obrigado. – respondi sem olhá-lo.
Não era novidade alguma que eu não morria de amores por Andreas, mas também não chegava a odiá-lo.
- A que devo sua presença aqui, Andy? – Simone tentou amenizar o clima um tanto pesado que surgiu.
- Vim ver como você estava, mas tive uma surpresa agradável ao encontrar Tom aqui...
- Não é ótimo? – ela interrompeu-o sorrindo – É um alívio ver que ele está mudando, e dessa vez para melhor, muito melhor.
- É ótimo mesmo. – concordou ele – Seria bom um pouco de juízo, ainda mais depois de tudo que aconteceu.
- Já chega. – interrompi com um sorriso sem graça – Assim eu me sinto como uma criança malcriada.
- Bom, não estava muito longe disso... – minha mãe disse, sarcástica, mas pude perceber o fundo de verdade em seu comentário.
- Bom, não tenho muito que fazer aqui, apenas vim ver se estava tudo bem e oferecer um apoio em que podem confiar. – falou Andreas.
- Não, fique. Passe o resto da tarde aqui conosco, ou almoce, tenho certeza que Tom não se incomodaria, tampouco eu.
- Obrigado pelo convite, eu adoraria, mas minha namorada está me esperando.
Após os devidos cumprimentos de despedida, ele se foi e me vi só com minha mãe novamente. Durante a tarde comemos doces, conversamos, rimos e nos divertimos sozinhos, em dia de mãe e filho.
O fim da tarde caiu e logo Gordon chegou ao trabalho. Aparentava cansaço, mas eu sabia muito que ele não descansaria antes da prometida conversa.
Dito e feito.
Assim que terminamos o jantar, ouvi leves batidas na porta do meu quarto enquanto eu relaxava em frente a TV.
- Tom? Podemos conversar?
POV Autora
Preciso e rápido, Gordon foi direto ao ponto que queria. Claro que não pode deixar de notar e comentar sobre o novo Tom que parecia surgir de uma escuridão aparentemente inalcançável, mas não era exatamente esse o seu objetivo.
Focou em saber sobre a opinião do garoto sobre seus próprios atos tão covardemente executados contra o próprio gêmeo. O mais novo, por sua vez, parecia arrependido e incrédulo da própria capacidade de fazer algo cruel a esse ponto, o que, gradualmente, parecia aliviar Gordon.
Sua última observação – que mais via-se como uma ordem – era que Tom voltasse a freqüentar a escola, independente se era ou não sua vontade. Sem escolha, o garoto apenas concordou.
**********
Uma das outras muitas bolinhas de papel que já lhe haviam acertado, dessa vez bateu-lhe em seu ombro, irritando-o ainda mais. Foi estranho ser tão mal aceito na escola apenas por ter mudado seu comportamento. Tom controlou-se para ignorar completamente os garotos que já chamou de “amigos” e que agora tentavam ridicularizá-lo em pró da própria e estúpida diversão.
O sinal tocando foi um grande alívio para o alemão, e agora seria sua primeira aula de música. Havia sido uma sugestão de Gordon e Tom a recebeu de braços abertos. Finalmente aprenderia a tocar violão.
Adentrou a pequena sala um tanto apreensivo, mas logo fez o possível para não demonstrar. Passou os olhos pelo local e percebeu que o número de alunos era menor do que o que ele esperava, contando com ele formavam um total de cinco. Num dos cantos da sala, o professor, com seus cabelos grisalhos, revirava uma pilha de papéis antes de começar a aula. As duas únicas garotas dali cochichavam enquanto um garoto asiático que Tom nunca havia visto na escola afinava seu violino. Atrás de uma bateria um outro garoto brincava com as baquetas, esse parecia um pouquinho mais gordinho que os outros, usava óculos e tinha os cabelos loiros, e um outro – que Tom tinha quase certeza ser do 2º ano – estava distraído com os fones de ouvido e bagunçava o cabelo castanho constantemente.
Sentou-se em uma cadeira e pousou o próprio violão sobre os joelhos apenas esperando o começo da aula. Pode ter quase certeza que as duas garotas comentavam sobre ele e também podia sentir os olhares o incomodando.
Alguns poucos minutos depois, o professor deu início à aula tirando o de dreads de seus devaneios. Era sua primeira vez em uma aula assim e Tom não se arrependeu de ter seguido o conselho de seu padrasto.
**********
Quando todas as suas atividades na escola já tinham terminado, ele caminhava sozinho e pensativo até o portão principal. Surpreendeu-se ao sentir alguém lhe tocando o ombro, ao se virar, viu que era um dos garotos da sua aula de música, o da bateria.
- Oi, com licença. – o garoto começou a falar um tanto inseguro quanto a reação de Tom.
- Oi. – respondeu amigável.
- Percebi que você é aluno novo na aula e música... Sou Gustav, prazer. – sorriu e estendeu uma das mãos.
- Prazer, Tom. – cumprimentou-o.
Foi então que outro aluno da escola apareceu, este não estava na aula de música. Cumprimentando ambos, chegou sorrindo com seus olhos verdes evidentes e o cabelo castanho claro e liso na altura dos ombros que mexia com a leve brisa.
- Oi Tom, sou Georg. – sorriu e voltou-se para Gustav – Tudo certo para o fim de semana?
- Sim, tudo certo. Tom, nós e uns amigos vamos até um shopping aqui perto, se estiver afim de ir... – o loiro convidou.
- Acho que seria legal.
- Ótimo, então depois te falo tudo certinho, agora preciso ir. Até mais. – despediu-se assim como Georg e saiu.
Tom mantinha um sorriso leve no rosto, lhe dizia que aqueles dois garotos eram diferentes dos demais, só não sabia no quê.
Poderia esse ser o início de uma nova amizade?
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