Pain Of Love

17 Capítulo 17 - Talvez seja melhor assim


Notas iniciais
E ai pessoal, tudo beleza? q
Bom, o processo criativo aqui ta complicado, mas tô me esforçando KK lol
Demorei um pouco mas tem capítulo novo aqui, espero que gostem.
Boa leitura!

Tom POV

Ouvi a voz de minha mãe mas não tive forças para olhá-la, eu temia sua reação, que havia sido ruim tantas vezes antes. Senti então algo desabar ao meu lado, em seguida gentis braços envolveram meu corpo. Encarei os marejados olhos da minha mãe antes de sentar-me e abraçá-la de volta, encaixando meu rosto na curva de seu pescoço. Deixei minhas lágrimas correrem soltas enquanto ouvia o pranto de Simone, abafado pelos meus dreads. Guardar a ligação pra mim, como um segredo, só me deixaria mais culpado, então decidi falar.

– Mãe, preciso te contar algo. – quebrei o silêncio enquanto separava o abraço e encostava as costas na cama.

– Então conte, seja o que for. – respondeu me olhando nos olhos.

– Primeiro, quero confessar que ouvi sua ligação para o meu irmão, no mês passado. – disse de uma vez.

– Tom... – era claro o tom de reprovação em sua voz – Você sabe que não foi isso que te ensinei, por que fez isso?

– Porque eu precisava ouvir a voz do Bill!

– Mas Tom...

– Tem mais. – eu a interrompi, buscando forças para continuar – Eu também liguei pra ele minutos atrás.

– O que você estava pensando!? Tom, ele está chateado com você, ter uma conversa seria complicado, você deveria ter pensado nisso.

– Mas mãe, eu não consegui agüentar. Eu sinto falta dele, queria que estivesse aqui, mas sei que é tudo culpa minha. Você não sabe o quanto estou arrependido do que fiz. – baixei a cabeça, chorando ainda mais.

– Não fique assim, vamos dar um jeito nisso.

Ela levantou meus olhos até que seus castanhos orbes encararam os meus, e com um sorriso doce e lágrimas, voltou a falar.

– Você não sabe como esperei ansiosa para ouvi-lo dizendo essas palavras, finalmente está criando juízo.

– Só estou, finalmente, percebendo o quão errado eu estava um tempo atrás. – fui sincero.

– Espero que realmente esteja. – ela fez uma breve pausa para então continuar – Sei que foi impensado, mas não é BM que você fique ligando pro seu irmão. É que o Bill precisa de um tempo pra pensar na vida, acertar as coisas... E, quem sabe, voltar pra Alemanha.

– Me desculpe, sei que fiz o que não devia. Aliás, quero pedir perdão por tudo de errado que tenho feito, não tem sido muito fácil pra mim ultimamente, mas juro que estou fazendo meu melhor pra evoluir...

– Ai meu filho, eu sei, eu sei. – ela respondeu me puxando para um abraço apertado – Saiba que você pode contar comigo pra qualquer coisa, ok? Eu sou sua mãe e estou aqui pra te ajudar no que for preciso.

– Obrigado, mãe. – disse contra o ombro dela, mas depois olhei-a nos olhos novamente – Obrigado mesmo, você tem sido uma ótima mãe apesar dos meus erros.

– É meu dever fazer isso, além do mais, eu quero o seu bem. Só me prometa que não vai ligar pro seu irmão novamente, ok?

– Tudo bem, eu tenho que aprender a conviver com a saudade.

– Não sei se sou só eu, mas estou um pouco cansada de tristezas... Por que você não toma um banho pra relaxar? – ela sugeriu.

– É uma boa idéia.

Com um sorriso aliviado, ela andou até a porta e, antes de sair, virou-se e propôs algo.

– Quando terminar, vá até a cozinha me ajudar com o café da manhã.

Ela fechou a porta e um enorme peso tinha sido tirado de meus ombros. Eu estava incrivelmente aliviado por ter contado tudo a ela e agora eu já não me sentia mais como a mesma pessoa. Eu parecia estar crescendo, amadurecendo, e me tornando, finalmente, um homem de verdade.


Bill POV

– É claro que podemos conversar, Bill. – ela respondeu gentilmente à minha pergunta enquanto me olhava nos olhos – Fique a vontade para começar.

– Bom... – comecei a falar, ajeitando a comida no prato com a ponta do garfo – Tom me ligou pra se desculpar, e também pra bagunçar ainda mais a minha cabeça. – sorri fraco, nervoso.

– Como assim? – ela me incentivou a continuar.

– Ele me disse umas coisas... Não pude evitar que meu coração batesse mais forte com aquelas palavras, mesmo com toda a mágoa que sinto por ele. É meu irmão, sabe? E disse que sente minha falta, pediu que eu voltasse...

– Isso é um grande avanço! – ela disse surpresa e com um sorriso no rosto – Agora me conte os detalhes. – se aproximou, debruçando sobre a mesa, mas depois recuou – Só se quiser, claro.

– Que isso, claro que conto. – falei, despreocupando-a – É ótimo poder falar dessas coisas com você.

Contei a conversa a ela com todos os detalhes, quase reproduzindo as falas. Ela tinha um olhar sonhador e interessado, prestava mais atenção no que eu dizia do que na macarronada que esfriava em seu prato. Desabafar me deixou, sem dúvida, mais leve e calmo, ouvir o que ela tinha a dizer também ajudava, e muito.

O assunto durou todo o jantar (esse que, por sua vez, não durou muito tempo já que nós dois estávamos com fome). Talvez eu tenha me empolgado um pouco e falado demais, porém, ela só parecia curiosa, nem um pouco incomodada. Com o fim da conversa se aproximando, Mia resolveu falar um pouco.

– Ouvir isso me deixou muito feliz. É bom ele ter se arrependido, e espero mesmo que ele cresça como pessoa. Nem preciso dizer que torço pra vocês dois ficarem juntos, não é? – ela disse dando uma piscadela com um dos olhos e virando de costas, levantou a louça suja até a pia – Se lavo, não cozinho; se cozinho, não lavo. Ou seja, a louça te espera ansiosamente na pia.

– Engraçadinha. – respondi dando língua e ela fez o mesmo entre risadas.

Fui até a pia e comecei a lavar os pratos, com o intuito de içar livre de qualquer tarefa. Comecei a cantarolar baixo, Mia nem percebeu, estava distraída no sofá, vendo TV. Enxagüei os pratos mas lembrei-me que tinha esquecido de tirar as louças limpas do escorredor.

– Mia, esqueci de guardar a louça, me faz esse favor! Minhas mãos estão com sabão. – falei alto para que ela ouvisse.

– Tô com preguiça, Bill... – ela respondeu fazendo bico.

– Preguiça, é?

Terminei a frase e joguei a esponja cheia de espuma em sua direção. Por sorte, acertei onde eu queria, agora sua testa estava repleta de espuma.

Depois do gritinho agudo de surpresa, ela levantou-se rindo e com a esponja nas mãos. Saltitando, parou ao meu lado e espremeu a esponja sobre minha cabeça, jogando espuma no meu cabelo que tinha sido tão bem lavado pouco tempo antes. Indignado, revidei, derrubando um copo cheio de água com sabão sobre ela.

Ficamos nesse joguinho de brincadeiras e provocações, gargalhadas ecoando pelo ambiente. Quando tentei alcançar o pote de açúcar ao meu lado, escorreguei em uma poça d’água e caí sentado sobre a mesma, puxando Mia pela barra da blusa e levando-a comigo. Agora éramos dois idiotas, completamente molhados e sentados no meio da cozinha rindo um da cara do outro.

– Olha essa bagunça! Bill, é culpa sua! – ela me acusou sem conseguir parar de rir.

– Mas foi legal, vai.

– Foi, mas está tarde e amanhã temos que trabalhar, vamos limpar essa sujeira. – disse enquanto se levantava e pegava um pano de chão.

**********

Mais um dia de trabalho havia começado no restaurante. Eu terminava de limpar e arrumar as últimas mesas antes do horário de almoço. Como hoje é sábado, o movimento de clientes é maior, assim como o expediente dos garçons. Todos estavam desanimados, com exceção de Max, um dos outros garçons.

– Eu queria ter só metade do seu entusiasmo, Max. – observei e ele riu.

– É, estou um pouco animado hoje... É que minha mãe vai ter alta do hospital hoje. – ele sorriu mostrando todos os dentes brancos, seus olhos castanhos brilhavam.

– Que ótima notícia; que tudo volte ao normal logo. – desejei, sincero.

– Obrigado. Opa, minha vez de atender. – anunciou e saiu apressado até uma com o bloco de anotações em mãos.

Distraído, acompanhei-o com os olhos até que parou em frente a um cliente que não me parecia estranho. Não demorei a reconhecer aqueles olhos verdes penetrantes e o rosto harmônico daquele rapaz que não parecia muito mais velho que eu. O cabelo curto e castanho estava cuidadosamente bagunçado como na primeira e última vez que o vi no restaurante. Ele falava com Max sem desviar o olhar, dessa vez eu não sentia o peso de seus olhos sobre mim.

Poucos minutos depois, Max voltou em minha direção passando os dedos por entre os fios de seu cabelo negro e curto.

– Ele disse que quer ser atendido por você, Bill. – ele comunicou e se afastou antes que eu pudesse responder algo.

– O que!? – exclamei baixo, confuso.

Sem opções, andei em passos lentos em direção à mesa, o rapaz estava distraído com a tela do celular. Parei em frente a ele, de pé e com um bloco de anotações nas mãos.

– Posso anotar seu pedido? – eu disse chamando sua atenção.

Seu olhar encontrou o meu quando levantou o rosto, sorriu em seguida, me fazendo reparar que ele era mais bonito de perto.

– Na verdade, eu gostaria de conversar com você, não sendo de garçom para cliente. – sua voz rouca me lembrou, de imediato, Tom. Mesmo com suas vozes sendo completamente diferentes.

– Bom... – comecei, desconfiado. Aquilo não me parecia algo bom – Só se for rápido, estou no meio do meu expediente.

– Tudo bem, não pretendo demorar. – fez uma pequena pausa para então continuar – Eu estive aqui no restaurante outras vezes, e tenho te observado, você me chamou a atenção, mas você só parece ter me visto da última vez que vim. Então, foi uma ótima coincidência e hoje estou aqui pra te fazer uma proposta.

Notas finais
E aí, tão gostando da fanfic até aqui? E o que acharam desse capítulo? Qualquer sugestão, crítica, elogio, observação, ideia... são todos muito bem vindos ^.^