Pain Of Love

14 Capítulo 14 - Por aqueles que amamos


Notas iniciais
E ai, gente?
Demorei um pouquinho mas foi por uma boa causa ^.^
Fiquei bem satisfeita com esse capítulo, espero que gostem!
Boa leitura (:

POV Autora

Assim que ouviu a voz de Bill, lágrimas jorraram pelos olhos de Simone, que encarava o telefone sem acreditar que era mesmo seu filho do outro lado da linha. Ela abriu a boca, mas não conseguia dizer uma única palavra.

- Oi Bill, é o Andreas. – ele quebrou o silêncio.

- Oi Andy. – ele parou por um segundo, e então se lembrou da última conversa que tivera com ele. – E então, você conseguiu falar com a minha mãe?

- Sim, eu falei com ela...

- E como ela está? – Bill interrompeu-o, curioso e interessado.

- Bom... – ele olhou para Simone antes de continuar. – Acho que tem alguém que pode te explicar melhor.

- Bill? Filho? – Simone chamou, a voz um pouco abafada pelas lágrimas.

Na Califórnia, o garoto andrógino encarava o chão, o telefone encostado na orelha. No momento em que ouviu a voz de sua mãe, as lágrimas começaram a descer sem controle por seu rosto.

- M-Mãe? – tentava falar, um nó se formando em sua garganta. – C-Como você está?

- Melhor agora sabendo que você está bem. – respondeu aliviada. – Onde você está?

- Acho melhor não falar, mãe... Você já teve sustos demais ultimamente, não quero que se preocupe...

- Fale. – ela o interrompeu, o tom de voz ligeiramente mais ríspido deixou claro que era uma ordem. – Eu sou sua mãe, você me deve explicações.

- Na Califórnia. – ele fechou os olhos ao pronunciar a frase.

- O QUE!? – ela se exaltou, mas logo se recompôs, respirando fundo. – Por que, Bill? Eu estou mal, sinto sua falta, — as lágrimas voltaram a escapar. – assim como o Gordon e seu irmão...

- Eu não tenho irmão. – Bill a interrompeu, a voz repleta de mágoa. – Não mais.

- Então foi por isso que foi embora... – ela disse mais para si mesma.

- E por que pensou que fosse? Praticamente tudo era perfeito, muito mais do que eu poderia pedir, com exceção desse detalhe.

- Mas filho, porque você não volta? Nós podemos conversar com ele, qualquer coisa... Eu sinto saudades de você. Do seu jeito, das suas frases sem sentido, das suas risadas, do seu sorriso lindo, dos abraços... – ela mal conseguia falar, o choro a abafava.

Ao lado de Simone, com a cabeça baixa, Andreas chorava silenciosamente enquanto o telefone no viva voz emitia a conversa.

- Eu também sinto sua falta, sinto saudades do Gordon, do Andy, mas não posso voltar, não tem condições. – Bill fez uma pausa, organizando seus pensamentos. – Não há como resolver as coisas tão rápido. Além disso, eu quero tentar algo novo, me virar sozinho, construir uma vida nova com o meu próprio suor. Vai ser bom pra mim, não se preocupe.

- Tem certeza?

- Tenho. Só me prometa que você vai ficar bem.

- Eu prometo. Por você, eu prometo. – ela disse, os olhos fechados.

- Ótimo. – ele sorriu aliviado. – Agora preciso ir, vou manter contato. Um beijo, até.

- Beijos, se cuida e tenha juízo. – Simone respondeu antes de desligar.

Imediatamente, Andreas a abraçou, confortando-a e também se acalmando. Mas o que nenhum dos dois percebeu foi uma terceira pessoa ouvindo a conversa. No canto da escada, escondido e quieto, Tom encarava o vazio sem conter o choro.

Bill POV

Desliguei o telefone e Mia, que tinha ido para outro cômodo, andou um tanto devagar até sentar-se ao meu lado no sofá.

- E então? – ela perguntou.

- Eu consegui falar com a aminha mãe. – respondeu sem conter o sorriso de alegria.

- E como ela está? – Mia parecia estar se animando.

- Um pouco chateada comigo, principalmente por eu não voltar para casa, mas vai ficar tudo certo, fora isso ela está bem.

- Espero que vocês se acertem logo e que essa sua felicidade toda se repita mais vezes. – ela disse sorrindo e olhando em seus olhos. – Seu sorriso é bonito demais pra ser escondido atrás de lágrimas.

Pude sentir minhas bochechas ardendo e baixei a cabeça um pouco envergonhado, pude vê-la rir de leve da minha reação.

- Não exagere, sim? – ansioso para mudar o rumo da conversa, lembrei-me do assunto que fora interrompido pelo telefone. – Antes de o telefone tocar, acho que você ia começar a contar algo... Se quiser continuar agora, fique a vontade.

Ela respirou fundo e então começou.

- Bom, você disse que acho estranho eu não comentar sobre você sentir algo a mais por seu irmão e, bom, é porque eu entendo isso. Entendo como é um amor proibido, errado, quase impossível de dar certo.

- Sério? Nossa, mas o que aconteceu?

- Eu era apaixonada pelo meu primo, que morou comigo por um tempo. O pai dele era muito violento e por puro ciúmes, matou a esposa. Não muito tempo depois ele foi preso e meu primo, Jared, foi morar lá em casa, já que era filho da irmã da minha mãe.

Ela contava a história de forma madura, parecia já ter superado tudo aquilo.

- Nós éramos como irmãos, muito próximos. Ele sempre foi um doce de pessoa comigo. – ela sorriu ao se lembrar. – Um ótimo irmão mais velho, sem dúvida, e então eu me apaixonei. Sempre tive medo e vergonha de contar, escondia o sentimento, e isso me machucava. Quando eu resolvi contar, era tarde demais. Jared iria viajar para longe por causa da faculdade. Mas acho que foi melhor assim, pra mim pelo menos, foi.

- Que ruim deve ter sido... Eu sempre me senti mal guardando o que sinto apenas pra mim, mas talvez não tenha sido muito bom contar. Mas foi como é com todas as coisas, teve seus prós e contras. – baixei a cabeça, cabisbaixo.

- O que você acha de esquecermos um pouco o passado? – ela sugeriu com um sorriso no rosto. – Quer um chocolate quente?

- Claro que quero, que pergunta!

POV Autora

Uma semana já havia se passado desde o telefonema entre Bill e Simone, mas Tom ainda não conseguia esquecer aquela conversa. Ficara um pouco chateado pelo irmão guardar tanto rancor, mas sabia muito bem que a culpa daquilo era exclusivamente sua. O arrependimento agora era um sentimento de convívio diário.

Na escola, as pessoas nem pareciam notar a falta de Bill, para outras, não fazia diferença, mas para Tom, era como um vazio. Ele sentia que faltava algo.

Saiu da sala depois de mais uma aula, a última do dia, e andou pelo corredor que levava ao pátio, sem muito entusiasmo. Logo a frente, duas garotas conversavam animadamente, mas pararam assim que viram Tom se aproximando. Ele simplesmente as ignorou quando acenaram enquanto ele passava. E foi assim durante todo o caminho até em casa, Tom perdido em pensamentos.

Em seu quarto, jogou a mochila dentro do armário e foi para o banheiro. Demorou no banho mais tempo do que o habitual, se sentia um pouco estranho. Não conseguia evitar a nostalgia e os pensamentos voltados ao irmão enquanto fechava os olhos e sentia a água morna escorrer por seu corpo.

Enxugou-se e vestiu apenas uma calça de moletom cinza, jogando-se sobre a cama logo em seguida. Assim que fechou os olhos, dormiu.

Um leve carinho no rosto e em seguida um beijo suavemente depositado sobre seus lábios o acordou. Tom abriu os olhos lentamente e encontrou a figura de Bill encarando-o sorridente.

- Bom dia, dorminhoco. – Bill falou. – Já passou da hora do café.

- Não estou com fome, vamos ficar mais um pouco aqui... – Tom respondeu manhoso, puxando Bill para mais perto de si.

Mas o mais novo recusou-se a deitar, e pôs-se sentado de frente para o irmão.

- Deixa de ser vagabundo, Tom, vamos...

Antes que pudesse terminar a frase, Bill foi interrompido por um beijo repentino. O de dreads puxou o irmão, novamente, para mais perto, colocando-o sentado em seu colo. Bill passou as pernas ao redor da cintura do irmão, as mãos em sua nuca, ficando abraçados sentados em cima da cama.

O beijo que começou suave, agora se acelerava, fazendo ambos precisarem se afastar para respirarem. Nisso, Tom tirou a camisa de Bill, logo depois deitando-o na cama e debruçando-se por cima. Bill não precisou ter esse trabalho, já que o irmão não usava uma camisa, deixando o caminho livre para as mãos do moreno percorrerem.

O mais velho mordeu de leve o lábio de Bill, logo depositando beijos sobre o irmão até chegar ao pescoço. Tom beijava, mordia e puxava com a boca a pele do pescoço do mais novo, que mantinha a mão em sua nuca, incentivando-o a continuar.

As mãos de Tom desceram até os botões da calça jeans que Bill usava, baixando-a lentamente. Bill o encarava com um sorriso malicioso.

O vento frio que entrava pela janela acordou Tom, que pulou da cama ao perceber o estado em que se encontrava. Pequenas gotas de suor eram notáveis em sua testa, a respiração ofegante, o coração acelerado e um volume inusitado e indiscreto aparecia em sua calça.

Ele desceu o olhar pelo próprio corpo e, ao perceber o quão excitado se encontrava, saiu em disparada para o banheiro. Abriu a torneira da pia e molhou o rosto inúmeras vezes. Agora mais calmo, olhou novamente para as próprias calças e percebeu que o volume se mantinha ali.

“Então não estou vendo coisas.” pensou.

Mais uma vezes, jogou a água gelada no rosto, levantando a cabeça e olhando-se no espelho acima da pia logo em seguida.

- O que está acontecendo comigo!?

Notas finais
E então, o que acharam?
Eu ficaria muito feliz que comentassem, por mais simples que seja, eu fico feliz. Críticas, elogios, comentários, sugestões e tudo são muito bem vindos (: