Pain Of Love
12 Capítulo 12 - Todas as tristezas
Notas iniciais
Também quero agradecer a todos vocês que leem, mandam review... Obrigada mesmo gente, vocês não sabem como isso me anima e me motiva a continuar escrevendo!
Agora chega de falação KKK
Enjoy! (:
Ficou ali, parado, esperando que o silêncio o respondesse de volta. Tom realmente havia exagerado na bebida e nos medicamentos, tanto que chegou ao ponto de ter alucinações. Mas isso não se passava por sua cabeça, a saudade apenas consumia o seu ser a ajudava a torná-lo cada vez mais irracional.
Encarou a escada à sua frente por longos minutos, na esperança de que a ilusão de Bill descesse por elas. Mas nada acontecia, ninguém pisava sobre os degraus. Aos poucos, foi percebendo que tudo aquilo se passou apenas na sua cabeça, que, para sua tristeza, seu irmão não havia retornado, nem parecia que o faria logo.
Seu corpo agora parecia pesar toneladas. Os joelhos se dobraram e bateram com força no chão, causando uma forte dor, mas ele não se importava mais. A dor psicológica machucava muito mais do que a física. Não demorou até Tom sentar-se sobre seus pés, os braços jogados. Uma lágrima escorreu por seu rosto, suado por toda a agitação anterior. Veio acompanhada de outras e da vontade de jogar tudo pro ar.
Desabou no chão, as costas sobre o tapete, as mãos no rosto. Não impedia as lágrimas de fluírem, e esperava que elas ajudassem a desabafar seu coração. Ele passou os dedos por entre os dreads loiros, enquanto encarava o teto.
Não havia escutado passos se aproximando e assustou-se com Gordon. Seu padrasto o encarava sério, uma espécie de mistura entre reprovação e pena visível em seus olhos.
- Tom, o que está fazendo aqui? – perguntou com calma, abaixando-se ao lado do enteado.
- E-Eu não sei... pensei ter visto Bill entrar... e... o se-segui. – ele falava com dificuldade, tanto por causa da confusão mental causada pela bebida, quanto pelas lágrimas que o sufocavam.
- Tom... Você precisa tomar juízo na vida. Mas não adianta lição de moral agora, vou te levar pro seu quarto, pra você poder descansar. Mas quando acordar, precisamos ter uma conversa muito séria. – Gordon avisou, a expressão séria.
Ele pôs um dos braços do enteado por cima de seus ombros e ajudou-o a subir os degraus. Agora, mais do que nunca, Tom precisava de ajuda.
Bill POV
Mia me encarava um tanto perplexa. Após saber de toda a história – toda mesmo, inclusive meu sentimento proibido por Tom – ela não havia dito uma palavra sequer. O olhar era vazio, parecia perdida em pensamentos, a boca entreaberta.
- Ainda não consigo acreditar em como ele pôde fazer isso! É repugnante! – ela cuspia as palavras, e então, parou o que dizia subitamente. – Bill... Me desculpa, eu sei que ele é seu irmão e que não deve ser legal ter alguém condenando-o bem a sua frente, mas é que eu sou assim, sabe? Não consigo fingir pensar o que não concordo, não sei ser falsa...
- Hey, não se condene. Concordo plenamente com você... Eu já não reconheço mais o meu irmão, sinto falta do antigo Tom. – baixei a cabeça, o assunto não era dos mais animados pra mim.
- Tenta esquecer um pouco o que aconteceu, só por alguns dias, ok? Pra você conseguir pensar bem em tudo que está acontecendo...
- Eu sei, prometo fazer isso, mas só depois de saber da minha mãe, quando o Andy ligar.
- Claro, claro. – ela sorriu com ternura. – Vou falar com meu chefe amanhã, é possível que ele te entreviste no mesmo dia. – seu sorriso aumentou, ela estava feliz por ajudar.
- Agora, podemos ir dormir? Hoje o dia me esgotou. – pedi, esfregando o canto dos olhos com a ponta dos dedos.
- Nem me fale. – ela deitou-se em sua cama e eu fui para o sofá. – Prepare-se para acordar cedo amanhã, sem folga! – riu baixinho, brincando. – Boa noite, Bill. – por fim, apagou o abajur.
- Boa noite, Mia.
Cobri-me e fechei os olhos, relaxando para dormir. Era o começo de uma nova vida.
Andreas POV
Um grande peso se esvaiu da minha mente quando desliguei o telefone, era ótimo saber que Bill esta bem. Seu pedido caiu como uma luva, já que vontade para ver como Simone está, não me falta.
Tomei um banho rápido e vesti qualquer coisa. Como havia acabado de acordar, peguei uma maçã na cozinha e fui para a casa dos Kaulitz. O sol não era forte, mas ajudava a aquecer aquela manhã gelada. Quase não passavam pessoas pela rua, mas não era tão estranho, já que estou em uma pequena cidade da Alemanha. Poucos minutos de caminhada e cheguei à casa, onde teria uma séria conversa com a mãe do meu melhor amigo.
Toquei a campainha e esperei ansioso. Não sabia ao certo o porquê de tanto nervosismo, na verdade, não fazia a mínima ideia.
Foi Gordon quem abriu a porta. Sua expressão parecia cansada, e também um pouco triste. Tentei não ser inconveniente, então apenas fui educado, procurei não sorrir, mesmo estando triste, isso é um habito meu.
- Bom dia, posso falar com a Simone?
- Bom dia Andreas, só um minuto que vou chamá-la, entre.
Aceitei o convite e entrei na sala, sentando-me no sofá enquanto o padrasto de Bill subia as escadas. A casa parecia vazia, sem vida, bem diferente do habitual. Havia se tornado um ambiente triste, e até um pouco obscuro.
Ouvi passos descendo as escadas e virei-me para ver quem era. Simone tinha a cabeça baixa, as roupas eram desleixadas, o cabelo desarrumado preso com um elástico.
- Olá Andreas. – ela disse, timidamente olhando para o chão, respondi igualmente.
Sentou-se no sofá à minha frente, distraída, brincando com uma linha solta de sua blusa. Como ela permanecia em silêncio, resolvi puxar um assunto qualquer.
- Há quanto tempo eu não via a senhora! E então, o que tem feito?
- Andreas... Eu sei que você não veio até aqui para conversar sobre assuntos aleatórios, por favor diga logo o que você quer.
É estranho como, mesmo não tão próximos, Simone me conhecia. Foram necessárias apenas poucas palavras para ela perceber que eu não havia ido lá apenas por ir, sem motivo.
- Bom... – comecei, já tinha me dado por vencido. – eu vim ver como você está. Não te vejo desde que... – parei, inseguro do que poderia acontecer se tocasse no assunto.
- Desde que Bill sumiu. – ela completou, não parecia ligar muito para o que havia dito. – É, eu mudei um pouco desde aquele dia, não sei ao certo como me sinto.
- Você sabe que pode confiar em mim. – estiquei-me e segurei suas mãos com as minhas, tentando fazê-la relaxar. – Se precisar falar, estou aqui.
Ela respirou fundo, olhando para o teto. Parecia tomar coragem para falar, se concentrar. Por fim, o olhou em meus olhos e se expressou.
- Eu não sei o que está acontecendo comigo, parece que algo dentro de mim está morto, tem um vazio. – ela começou a chorar. – Tudo está diferente...
- Imagino como deve estar sendo difícil pra você, também não é fácil pra mim, Bill é meu melhor amigo, e a dor de uma mãe... É sem explicação.
Por u momento, fiquei sem saber o que dizer, não encontrava palavras. Mas antes que eu pudesse dizer algo, ela continuou com seu desabafo.
- Eu estou com medo, Andreas. – ela enxugava suas lágrimas mas isso não era suficiente para contê-las definitivamente.
- Medo de quê?
- Medo de perder meu filho definitivamente. E do jeito que as coisas estão, posso perder Tom também. – ela parecia ainda mais triste com a possibilidade que havia acabado de levantar. – Ele parece estar começando a se arrepender do que fez, há algumas poucas horas ele chegou em casa completamente bêbado.
Isso me pegou de surpresa. Nunca imaginei que Tom mudaria, tem esse comportamento machista e intolerante há anos! Mas talvez eu o tenha julgado mal, tenha sido precipitado demais. Obviamente desejo o melhor a ele, mas não sei se tenho fé que ele mudará definitivamente.
O estado mental de Simone não é dos melhores, não é preciso muito esforço para perceber isso. Mas algo dentro de mim afirma que eu sabia de uma coisa que a faria melhorar, que, de algum jeito, lhe daria segurança. Lembro claramente que Bill havia me pedido para manter seu telefonema em sigilo, mas ver Simone naquele estado me feriu inesperadamente.
- Tem uma coisa que você precisa saber. – fiz uma breve pausa, continuando logo em seguida. – Hoje mais cedo o Bill me ligou.
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