Pain
1 One-Shot
A garota preparava seu café da manhã como todos os dias. Seu dia seria como outro normal, escola, trabalho, e finalmente, voltar para casa no final do dia. Mesmo com seus 17 anos, teria que trabalhar para sustentar a si própria e a criança que carregava em seu ventre a 3 meses.
Terminou seu café da manhã, penteou seus longos cabelos pretos. Pegou sua mochila e saiu, trancando a porta do apartamento, no qual morava sozinha, e partiu para sua escola.
Apesar do enjoo, das dores fortes em seus seios e a vontade enorme de comer pizza, seu dia passou muito rápido. Já em seu trabalho, as pessoas notavam que seus olhos azuis já não brilhavam como antes. Ela realmente não estava bem.
Chegou em casa praticamente morta de cansaço. Seu corpo doía, sua cabeça latejava. Tomou um comprimido e foi deitar-se, talvez dormir um pouco ajudasse a esquecer do que tanto lhe atormentava. Mas aquela noite, aquelas palavras, não saía da sua mente.
- Desculpe-me Amanda. – Respirou fundo – Eu não a amo mais. Eu vou partir, e não vou mais voltar.
Fechou os olhos com força e abraçou o travesseiro, deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto. Ele era seu porto seguro, aquele que mais lhe ajudou quando seus pais morreram naquele acidente, que lhe ajudou a levantar forças para continuar. E agora, ela estava sozinha novamente.
Sentado no escuro, não posso esquecer
Até mesmo agora, percebo o tempo que eu nunca terei
Uma outra história das Amargas Pílulas do Destino
Não posso voltar de novo
Tateou o criado-mudo ao lado da cabeceira da sua cama, buscando o controle remoto. Não tinha nada interessante passando, então resolveu deixar na MTV, onde passava um trecho do clipe de Dead Memories. Desviou sua atenção da TV, voltando-se para seu celular, mas logo voltou a prestar atenção no que a Marimoon falava.
- Você ficou sabendo que triste, Titi?
- O que? – Perguntou a Titi. O coração de Amanda já acelerou, quando ouvir o nome "Corey", ajeitando-se melhor na cama e aumentando o volume da televisão.
- O Corey Taylor anunciou o fim do Slipknot. – Parecia que o coração de Amanda parou uns segundos, onde ela sentiu tudo rodar. – Isso é triste para banda, mas Corey está com leucemia e infelizmente, será o fim da banda.
Marimoon falava aquilo como se fosse comum.
Mas para Amanda era o fim. Levou suas mãos para seu ventre, chorando desconsoladamente. Era como se uma faca perfurasse seu peito, causando-lhe uma dor horrível. E em meio a tantas lágrimas e a dor enorme que sentia em seu peito, acabou adormecendo.
Você me disse para te amar, e eu o fiz
Amarrei a minha alma dentro de um laço e tive que me submeter
Então quando fui embora, apenas mantive minhas cicatrizes
O meu outro "eu" se foi
Agora eu não sei à qual lugar eu pertenço
Nós nunca estávamos vivos, e nós não nasceremos de novo
Mas eu nunca sobreviverei com memórias mortas em meu coração
Eram quase 3h da manhã, quando Amanda despertou. Alguém tocava a campainha insistentemente. Ainda um pouco tonta, enrolou-se em seu roupão de cetim e foi ver quem era àquela hora da madrugada. Ao abrir a porta, sentiu seu coração falhar e sua respiração parar.
- Posso entrar? – O rapaz pediu. Em sua voz, podia se notar que ele chorava.
- Claro. – Ainda receosa, o deixou entrar – O que você quer Corey? – Falou firme, encarando o dono daqueles olhos azuis.
- Queria te pedir desculpas. – Abaixou o olhar.
- Depois de tudo que você me falou? – Alterou-se um pouco, mas logo se recompôs, lembrando-se do estado em que ele se encontrava. – Você podia ter me contado.
- Eu não queria te fazer sofrer.
- Você me fez sofrer mais, acredite, quando me deixou do que se me falasse o que tinha.
- Eu me sinto culpado. Por favor, perdoa-me. – Aproximou-se e abraçou-a.
Ela não falou nada, apenas retribuiu o abraço do qual sentiu tanta falta.
- Eu senti sua falta. – Ela falou, em meio as lágrimas.
- Eu também, senti muito a sua falta. – Ele afagou seus cabelos. – Eu nunca mais vou te deixar.
Afastou-se um pouco e tocou seu queixo, fazendo-a encarar seus olhos tão azuis quanto os dela. Seus lábios se tocaram, dando inicio a um beijo calmo, mas cheio de amor e de saudades.
- Eu te amo, Amanda. – Sussurrou.
- Eu também te amo, Corey. – Abraçou-o novamente.
Alguns anos depois...
Amanda desenhava algumas coisas para seu projeto, quando Corey apareceu na sala, usando pijama que havia ganhado do pai. Bocejou e foi de encontro com a mãe, dando-lhe um beijo demorado em sua testa.
- Bom dia mamãe. – Sorriu.
- Bom dia meu amor. – Sorriu de volta. Não cansava de dizer a si mesma que ele era idêntico ao pai.
- Mamãe... – O garoto hesitou, pensando no que ia falar. – Já faz três meses... O papai vai demorar muito pra voltar?
Ela sentiu um enorme aperto no coração, aquilo era algo que lhe doía demais.
- Eu não sei... – Abraçou-lhe com força e deu um beijo em seus cabelos.
Preferiu não contar, não agora. Ele só tinha cinco anos, era algo muito forte para uma criança dessa idade. A doença havia avançado e chegado ao estado terminal, causando a morte de Corey Taylor a pouco mais de três meses. A saudade era imensa, a dor era insuportável. Mas com a ajuda do seu filho, Amanda ia conseguindo se recuperar da dor da perda aos poucos. Iria se formar na faculdade de design em breve, e começar uma nova vida. Mesmo com a dor de perder a pessoa que mais amou.
FIM
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