Paily: Winter and Pool
16 Ressaca
Notas iniciais
Paige sabia que não precisava estar ali.
Acabara de chegar ao restaurante com Lucy, e se sentia uma criança obrigada a ir a um lugar que não queria. Algumas vezes a vida lhe obrigava aquilo. Ser sociável.
O problema não era a companhia, Paige tentava se convencer.
O problema era que o único lugar que queria estar era onde uma certa morena estava.
– Você deve estar de brincadeira com a minha cara – bufou Paige ao entrar no restaurante e ver quem era o amigo que David havia levado. Sean Ackard.
– Relaxa Paige – pediu Lucy, sabendo que seu pedido não seria tão facilmente obedecido. — Sean é um cara legal.
– Que me deixou plantada sexta-feira – cortou Paige secamente.
– Esquece isso, hoje é um novo dia.
– Eu já te disse que não preciso de um namorado – murmurou a nadadora antes de cumprimentar David e Sean que haviam se levantado ao vê-las se aproximando.
Paige se sentou ao lado de Sean, e tentou prestar atenção no que ele falava.
Sean falava sobre a festa de aniversário de seu irmão que havia sido na sexta.
Se aquela situação houvesse ocorrido há dois dias atrás, a reação de Paige seria totalmente diferente. No entanto aquilo não era uma certeza.
No fundo ainda tinha esperança de que Sean fosse capaz de fazê-la sentir o que nenhum garoto conseguira. Fazê-la sentir o que somente Emily Fields conseguira.
Naquela altura sabia que o problema não era os garotos, e sim ela.
Lucy a encarava como se tentasse entender o porque de ela não estar se deslumbrando por Sean, como era esperado.
Sean era o capitão do time de futebol, atlético e extremamente simpático. O que não combinava muito bem com o fato de ele ser capitão, e talvez esse fosse o motivo de onze a cada dez garotas de Rosewood High babarem por ele.
– Como está a eleição para capitã dos Sharks? – perguntou Sean tirando-a de suas divagações.
– Acredito que nessa semana a treinadora irá selecionar os candidatos – explicou Paige, querendo conversar sobre qualquer coisa que não fosse natação.
– Não se candidata David.
– Não sou louco – se justificou o namorado de Lucy – McCullers representará muito bem a equipe.
Paige escutou aquele comentário como uma advertência de que David representava o que a maioria dos nadadores queriam. Ela como capitã.
O almoço foi tranquilo, e Paige já estava se conformando com o fato de que Emily a havia esquecido quando seu celular apitou. Era uma mensagem de texto.
Sinto sua falta
Emily
Paige retirou o celular da bolsa e após olhar algumas vezes para a tela, chegara a conclusão de que não estava alucinando.
Realmente fora Emily que lhe enviara aquela mensagem.
Paige levantou os olhos do aparelho e se viu observada por Lucy que a repreendia com os olhos.
Paige sorriu ainda não acreditando que as coisas entre elas estavam tomando aquele rumo.
Emily era o tipo de garota que gostava de visitas familiares.
Ainda mais quando se tratava dos avós que convivera boa parte de sua infância.
– Em não está se alimentando direito – pode ouvir a avó falando com Pam – Já disse que não pode deixar essa menina fazer tanto exercício, daqui uns dias ela some.
– Exercício nunca é demais mãe, e é bom Emily se distrair, antes que se envolva com coisas erradas – completou sua mãe.
Emily escutou as falas da mãe e tentou não se abalar, ainda procurava o momento certo para revelar sobre sua sexualidade para os avós.
Eles já eram de idade, e a realidade com a qual eles estavam acostumados era totalmente diferente. Sem contar com a devoção à religião que ambos possuíam.
Emily tentara não pensar na ligação minutos atrás com Paige.
Estava tentando não se alegrar com o fato de a garota que havia atendido a ligação, ser a amiga dela que estava no Grill.
Emily adorava a maneira como Paige tentava a todo o momento se explicar. Pensando a todo instante o que poderia se passar na cabeça dela.
A noite anterior havia sido uma boa antecipação do que aquela tensão entre elas estava gerando. E Emily sabia que se não fosse pelo autocontrole de Paige haveria se entregado e ido para o próximo nível sem nem ao menos pensar.
Estava evitando escutar a conversa entre sua avó e sua mãe e por isso se levantara do sofá e fora até a sacada.
O único problema em ficar sozinha naqueles últimos dias, era aquela vontade de ver Paige, por isso lhe enviara uma mensagem.
Sentia a falta dela. Emily pensara algumas vezes antes de apertar enviar, e não se arrependia.
Aguardara ansiosa uma resposta. O que não aconteceu.
O dia entardeceu e após uma tarde agradável ao lado dos avós Em e sua mãe embarcaram de volta a Rosewood.
Após duas horas e vinte Emily chegara em casa. Tudo havia ocorrido bem na estrada e estava realmente feliz por ter visto os avós.
No entanto ainda esperava uma resposta de Paige.
Todo o dia havia se passado, e por mais que não quisesse acabara se preocupando com a nadadora, mas Em tinha ciência que se fosse interesse de Paige, ela responderia, por isso não mandara mais nada.
A noite estava fria, e quando começou a chover Emily soube que o melhor plano para finalizar aquele dia seria assistir um filme, tomar um chocolate quente para em seguida ir dormir.
Paige olhou para o garoto sem camisa ao seu lado e quando piscou para ter certeza do que via sentiu uma leve tontura, para logo em seguida sua cabeça latejar.
Estava de ressaca.
Puxou o edredom por sobre seu corpo e como que não acreditando no que via levantou os braços tentando observar se estava de roupas.
Estava, e isso foi um alívio. O garoto ao seu lado era Sean, e parecia induzido em um sono profundo.
A nadadora olhou ao redor e confirmou que estavam na casa de Lucy, mais precisamente em sua sala.
A televisão estava ligada e o que quer estivessem assistindo já havia acabado, pois a tela estava toda preta.
Paige fugiu do sofá e caminhou até a cozinha procurando água para aplacar aquela secura que lhe invadia a garganta.
– Como você está? – pode escutar alguém perguntar ao longe, parecia Lucy.
– Que diabos aconteceu comigo Lucy?
– Eu que te pergunto McCullers, desde que te conheço nunca te vi beber tanto.
– Preciso ir para casa, como cheguei a esse estado ... – lamentou Paige mais afirmando do que fazendo qualquer tipo de pergunta.
– Se você for para casa nesse estado sua mãe vai me matar – interrompeu Lucy — fica aqui e quando você estiver melhor você vai.
– O que aconteceu? – perguntou Paige tentando se recordar do que ocorrera durante todo o seu dia para ter terminado naquele estado.
A última coisa que lembrava era de estar almoçando com Lucy, David e Sean e que depois disso haviam ido a casa de Lucy assistir algum filme.
– Almoçamos, e depois viemos aqui pra casa, tinha algumas garrafas de vinho que minha mãe deixou antes de ir viajar, e você quis beber – explanou a amiga analisando as feições da nadadora que parecia desconhecer totalmente aqueles fatos — Só faltou eu te bater para que você não bebesse. Sean também tentou te impedir, antes de você agarrá-lo para logo depois dar um fora nele.
– Eu achei que tinha dormido com ele quando acordei – murmurou Paige tentando buscar algumas informações em sua memória que não estava colaborando.
– Antes fosse isso Paige, você falou para ele que não iria dormir com ele porque você é gay – informou a amiga contrariada.
– Eu não fiz isso – lamentou Paige tentando esconder a decepção por ter chegado aquele ponto.
Pelo menos não havia dormido com o garoto.
– Depois eu e David subimos para o quarto e vocês ficaram conversando, agora não me pergunte o que – justificou a loira.
– Preciso falar com Emily, ela já deve ter voltado – sussurrou Paige como que para si mesma, mas Lucy acabou ouvindo.
– Acho que nesse seu estado isso não é uma boa ideia.
– Eu estraguei tudo Lucy – lamentou Paige sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto.
– Sim estragou – a amiga a abraçou – mas se não estragasse não seria Paige McCullers – corrigiu Lucy.
Tentando conter as lágrimas que rolavam no rosto da amiga.
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