Paily: Winter and Pool
20 Fazendo a coisa certa
Notas iniciais
A primeira coisa que Paige fez ao chegar em casa, foi procurar o celular.
Provavelmente havia deixado o aparelho sobre a cama, e foi lá que o encontrou ao entrar no quarto.
Odiava se apressar para sair de casa por causa daquilo, sempre acabava deixando alguma coisa pra trás.
Havia ficado internada no hospital praticamente o dia todo, e não conseguira avisar Emily por causa daquilo.
Pensara em pedir o aparelho da mãe emprestado para ligar pra ela, mas sabia que aquele simples gesto implicaria em justificações para a mãe e Paige não podia dizer muito sobre Emily, ainda mais para a mãe.
Se começasse a falar dela para Sarah, ela provavelmente perceberia alguma coisa, e não estava em condições de ficar se explicando.
Quando finalmente desbloqueou o aparelho constatou que Emily havia lhe mandado uma mensagem de texto.
Oi meu anjo,
Te procurei no intervalo, mas não te encontrei...
Está tudo bem?
Bjss
Ler aquela mensagem fizera o corpo de Paige se contrair, e a culpa se espalhar em seu interior por ter esquecido aquele maldito aparelho em casa. A dor lhe havia abandonado, e não tinha mais febre, mas por outro lado estava com o nariz congestionado e sua voz um pouco mais que o rouca que o normal.
Já se passava das seis da tarde e provavelmente Emily estaria saindo do treino.
Paige decidiu então ligar para a morena.
– Emily?!? – pronunciou a nadadora ao perceber que Em estava do outro lado da linha.
– Paige, como você está? Estava preocupada... – escutou a morena questionar logo após atender a ligação, sua voz parecia calma.
– Oi Emily, me desculpe por não ter respondido, meu celular ficou em casa – justificou Paige, tentando não se sentir culpada por deixa-la preocupada durante todo aquele período.
– A treinadora me disse que está doente – completou Emily.
– O médico disse que é apenas um resfriado – justificou Paige, sua voz se mantinha rouca — Como você está? – perguntou a nadadora querendo mudar o foco da conversa.
– Estou bem – Emily fez uma pequena pausa antes de completar — Melhor agora com noticias suas.
– Vou acabar me apaixonando se sempre se mostrar tão preocupada – brincou Paige se sentindo inebriada pela declaração da morena.
– Se apaixonar por mim, seria um problema para você? – questionou Emily curiosa.
Paige escutou as palavras dela tentando organizar suas ideias. Se apaixonar por Emily com certeza era um problema, e dos grandes. Mas sabia que havia chegado a um ponto que não tinha mais saída. Estava morrendo de amores pela morena. Seus dias não eram mais os mesmos desde o dia que a vira.
Já estava apaixonada por Emily, esse era o seu grande problema no momento!
Apaixonara-se desde a primeira que vira aquela morena com o maiô rosa shocking atravessar a piscina de sua escola, e aquela proximidade entre elas só estava servindo para fazer com que aquele sentimento que no começo a atormentara se transformasse na melhor coisa que lhe poderia acontecer.
– Em... As coisas são complicadas – murmurou Paige, sentindo um aperto lhe atingir, por aquela simples menção.
Não queria magoar Emily, muito menos perder o que elas tinham.
Sim, era um problema estar apaixonada por Em. Mais faria o possível para que elas ficassem juntas, e a primeira coisa que teria que fazer era se abrir com seus pais, antes que eles ficassem sabendo por outras pessoas.
– Algumas vezes somos nós que complicamos as coisas Paige – informou Emily sabendo o que a declaração de Paige implicava.
Emily sabia que Paige não teria coragem tão cedo de assumir que era gay, mas tinha esperança de poder ter um relacionamento normal com dela. Sim, estava pensando em ter um relacionamento com Paige.
Sabia que as coisas entre elas eram muito recentes, mas era inevitável aquela vontade de cuidar de Paige que ela tinha.
Paige parecia tão frágil, ainda mais depois da noite anterior, quando ela praticamente desabara em seus braços. Não iria deixa-la desabar. Queria mostrar que estava com ela para o que viesse, mas primeiramente precisava que Paige permitisse se deixar envolver.
Por que a cada dia que passava, Emily se apaixonava cada vez mais.
– Queria ter certeza de que você ficará bem... – murmurou Emily após o silencio que Paige não quebrou.
– Acho que está querendo matar a saudade – brincou Paige com um sorriso malicioso no rosto – Mas se for para que você se sinta melhor, poderia me fazer uma visita hoje – completou a nadadora, tentando disfarçar a felicidade que seria poder ver Emily naquela noite.
– Sei que também está com saudade – informou Emily – Só que fica aí se fazendo de durona. Quero ver você toda durona assim, quando eu... – Emily interrompeu a frase com medo de passar para um ponto ao qual Paige não estivesse preparada.
Não iria expor seus sentimentos antes do momento. Esperaria a hora certa.
– Quando você o que? – perguntou Paige curiosa.
– Nada não... – desconversou Emily — Estou saindo da escola, daqui a pouco estou aí. Beijo Paige – se despediu Emily.
– Beijo Em – respondeu a nadadora desligando o aparelho em seguida.
Paige ficara tão compenetrada com a conversa que não vira o momento que Jasmine entrara em seu quarto.
A nadadora esbravejou um palavrão ao ver a pequena ruiva aparentemente muito concentrada em ver as fotos que havia sobre a estante de livros do quarto, próxima a porta.
– Quer me matar de susto Jass – brigou Paige.
Estava preocupada com o fato de Jasmine ter escutado a conversa que tivera com Emily.
Não sabia até que ponto a irmã havia escutado a conversa, ou o que poderia estar se passando na cabeça da criança, que tinha muita imaginação diga-se de passagem.
– Vim ver como você estava, não queria te assustar – choramingou a criança chegando próxima da irmã – Estava falando com a Emily – perguntou Jass.
– Estou melhor – informou Paige – e sim Jass, estava falando com a Emily.
– Ela vai vir aqui em casa? – perguntou a menina curiosa e animada em ver Emily.
Paige ainda não entendia como Jass se dera tão bem com Emily. Ela era uma criança que não socializava muito.
– Sim – confirmou Paige, tentando não dar muito assunto, já que Jass era sempre muito curiosa em saber das coisas.
– Vou avisar o papai – informou a criança indo em direção à porta do quarto.
Paige sentiu o desespero lhe invadir e correu para a porta e a fechou com violência antes que a irmã saísse.
Jass a olhou assustada, tentando entender o que se passava com Paige.
– Jass, não! – advertiu Paige com a voz rouca em um tom mais alto que o normal — Ela não vai ficar muito, por isso não precisa falar nada pro papai.
– Mas Paige, papai queria conhecer ela, e ele vai gostar dela, ela é legal! – a irmã falava tão maravilhada, que parecia desconhecer toda a problemática que aquela animação dela para com Emily poderia gerar.
– Jass, me escuta – Paige se abaixara e estava de joelhos sobre o tapete do quarto, adquirindo assim a mesma estatura da criança — Sei que você gosta da Emily... – informou a irmã, tentando buscar as palavras certas para explicar a ela o que estava acontecendo — Lembra quando falou que ficaria feliz se eu namorasse com Emily – proferiu Paige atenta a face da menina
– Sim, lembro – afirmou Jass fazendo um sinal de positivo com a cabeça.
– Jass, eu gosto muito da Emily – por fim declarou a nadadora – Mas o papai não iria querer que eu namorasse com ela,
– Por que ela é menina também – informou a criança sabendo finalmente ao que a irmã se referia.
– Sim, por isso preciso que guarde meu segredo – suplicou Paige com os olhos marejados.
– Mas você tem que fazer o que o seu coração quer... – falou a criança se aproximando de Paige e lhe dando um abraço terno.
– Algumas vezes, nem sempre o que o coração quer é certo – desabafou a nadadora erguendo a criança no colo e lhe dando um beijo na face — Só guarde meu segredo até eu fazer o papai mudar de ideia. Posso confiar em você?
– Pode sim Paige! — garantiu a criança.
Logo em seguida Paige pode escutar a campainha tocando. Seu coração rapidamente começou a bater mais forte. Provavelmente era Emily.
Desceu a irmã no chão e respirou fundo.
Não havia sido tão difícil revelar a verdade a Jass. Talvez com seus pais também não fossem.
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