Pai por acaso
2 Capítulo 01
Notas iniciais
— ELA VAI O QUE?! — A voz estridente de Naruto fez Sasuke fazer uma careta, notavelmente incomodado.
— Para de gritar, baka! — Chamou atenção do loiro, que pareceu não se importar, pois ainda estava incrédulo com a bomba que o Uchiha acabara de soltar. — É isso mesmo que você ouviu, ela disse que vai fazer uma inseminação. — Repetiu com amargura as palavras. — Ela só pode estar louca. — Concluiu por fim.
Passou mais um tempo conversando com Naruto, mas o mesmo não se demorou, afinal, tinha que voltar para casa pois sua recém esposa, Hinata, o aguardava para o jantar. Suspirou pesadamente quando o silêncio tomou conta do local. Sempre gostou de ficar sozinho, ter sua liberdade, mas às vezes, só às vezes, sentia falta de um pouco de animação, alguma alegria dentro de casa, e por mais que detestasse admitir, Sakura costumava trazer a alegria que faltava para casa quando estavam juntos.
Eram amigos desde o ensino fundamental, e já estava acostumado a passar a maior parte do seu tempo tanto com Sakura quanto Naruto. Porém, acabou afastando-se da rosada quando terminaram o colegial e foram para faculdade, trilhando caminhos completamente diferentes. Naruto, pra variar, não sabia o que fazer, e acabou optando pelo mesmo curso que o moreno, e então trabalhando na empresa de seu pai também, quase um encosto, estando sempre por perto.
Lembrou-se da conversa — que acabou virando uma discussão — que teve com a Haruno mais cedo, e no fundo, sabia que havia sido um pouco rude. E detestava ficar com a sensação de que estava errado. Esticou-se preguiçosamente até alcançar o aparelho celular que estava na mesa de centro, segurou na canhota, e pensou por alguns instantes se deveria mesmo falar com ela. Respirou fundo e achou que algumas mensagens de texto não matariam ninguém. Selecionou o contato “Sakura” em sua agenda e então digitou rapidamente. “Gomen.” Largou o celular em cima da mesa de centro novamente, e se jogou no sofá fitando o teto momentaneamente. Não demorou muito para o celular tocar de volta, e assim que apanhou novamente o aparelho, viu que era a resposta de Sakura. “Até que enfim… Não consegui te contar tudo… Depois conversamos. Boa noite.”
Leu pelo menos uma cinco vezes a mensagem, e a cada vez que lia, pensava em uma situação diferente. O que ela poderia ainda não ter contado. Soltou o ar, levemente irritado e esfregou as mãos no rosto, como se isso fosse afastar o mau humor. Decidiu que a melhor coisa a fazer seria dormir, quem sabe assim não acordaria e veria que aquilo era só um pesadelo.
Acordou no dia seguinte um pouco mais cedo do que de costume, se colocou de preguiçosamente e foi direto até o banheiro onde poderia ter suas devidas higienes matinais. Tomou um longo banho e se vestiu para ir para o trabalho, mas antes mesmo de pegar suas chaves, ouviu seu telefone tocar. Atendeu apenas porque viu que era Sakura, trocaram poucas palavras, e a única coisa que a rosada pediu foi que o jovem a encontrasse em um café que ficava no caminho para o seu trabalho. O Uchiha cedeu, e então como já estava de saída, foi diretamente para o local.
Não demorou muito para chegar lá, e ao adentrar conseguiu identificar a cabeleira rosada ao fundo do estabelecimento, já sentada em uma das mesas. Caminhou até elas com ambas as mãos no bolso, e se sentiu na cadeira vaga a sua frente. Quando a lanchonete chegou, pediu apenas um café preto e voltou sua direção para Sakura, esperando que ela começasse a falar.
— Eu vou me mudar… — Ela disse, sem mais nem menos.
— Como assim você vai se mudar? — Indagou revoltado, porém, dessa vez tentou conter-se para não ser rude como no dia anterior.
— É, Sasuke. Quando o bebê nascer vou ter que me afastar por um tempo do trabalho... — Iniciou tranquilamente, como quem já tinha planejado toda sua vida por uns dez anos. — E então Tsunade pediu para que eu a visitasse em Londres, e disse que poderia ficar lá por um tempo. — Concluiu com uma animação que para o Uchiha não fazia sentido algum.
— Hn. — Murmurou, cruzando os braços.
— Isso é tudo que tem pra me dizer?! — Exclamou, contrariada.
— Se eu disser, o que eu tenho pra dizer, você vai sair batendo às portas de novo. — O mau humor era evidente em suas palavras. — Então a única coisa que você precisa saber é que eu sou contra, mas a decisão é sua. — Deu de ombros.
— Exatamente, a decisão é minha. — Confirmou, cruzando os braços, imponente.
— Já sabe quando vai fazer isso? — Deu um breve ênfase no “isso”, e direcionou a cabeça para a barriga da rosada.
— Isso será meu filho, Sasuke. — Explicou como se fosse óbvio, revirando os olhos. — E sim, será semana que vem. Shizune-san já está preparando tudo para mim, selecionando os melhores pretendentes! — A Haruno dizia em uma animação que não fazia sentido para o Uchiha.
— Melhores pretendentes?! — Repetiu, na esperança que ela explicasse.
— Oras, preciso escolher um bom “doador”, você sabe. — Balançou a cabeça. — Sem nenhum tipo de doença genética na família, ou coisas assim.
— Minha família sempre foi muito saudável… — Disse em um tom baixo, na verdade, estava pensando alto, e logo se arrependeu.
— O que disse? — Questionou a rosada, que não entendeu bem o que ele tinha dito anteriormente.
— Ahn, nada. — Sentiu que estava corando, então virou-se, fitando o lado de fora da cafeteria. Pegou a xícara de café preto que havia pedido, e levou aos lábios, tentando disfarçar e tomou um bom gole de seu café.
— Bom, agora preciso ir. — Disse ela tomando seu último gole do cappuccino e se levantando. — Ah, antes que eu me esqueça, sábado vou fazer um “chá de inseminação”.. — Suas bochechas coraram aos anunciar, e o moreno ficou sem entender. — Bom, foi idéia da Ino, você sabe como ela é. — Revirou os olhos, e soltou um riso breve e constrangido. — Espero você lá. Chame o Naruto! — Foi a última coisa que disse antes de se retirar do local, deixando um Uchiha sozinho e confuso.
— Chá de inseminação… — Debochou balançando a cabeça negativamente.
———
A semana havia passado se arrastando. Não havia falado muito com Sakura desde seu comunicado sobre a inseminação, primeiro porque estava cheio de trabalho no escritório, e segundo porque… Não havia muito o que falar.
O tão esperado sábado do chá havia chego. Praticamente obrigou Naruto a ir junto, por mais que ele dissesse que não estava muito afim, o convenceu quando disse para ele chamar Hinata também, e ele acabou por ceder. Ainda não estava muito satisfeito com toda aquela história, mas no fundo não sabia exatamente o porque aquilo lhe incomodava tanto, afinal Sakura já era uma mulher, sabia muito bem o que estava fazendo, e aquilo certamente não lhe dizia ao respeito. Mas ainda assim, por mais que tentasse de uma vez por todas, colocar em sua cabeça, algo lá no fundo lhe deixava inconformado e dizia que estava errado.
Respirou fundo e balançou a cabeça negativamente diversas vezes. Como se aquilo fosse capaz de afastar seus pensamentos. Quando viu que estava se aproximando da hora da “festa”, resolveu fazer suas higienes necessárias. Despiu suas roupas e foi direto para debaixo do chuveiro, deixando a água quente cair sobre seu corpo, na tentativa de relaxar. Demorou mais do que havia planejado ensino eu banho, já que na maior parte dele, ficou fitando o box, apenas imaginando como seria a filha de Sakura. Talvez ela tivesse seus olhos verdes, intensos. Ou talvez fosse até um garoto... “Seria engraçado se ele saísse com seus cabelos rosados.”
Findou seu banho bom tempo depois, e saiu enrolado em sua a toalha até seu quarto. Procurou em seu guarda roupa por uma vestimenta apropriada, e optou por uma calça jeans escura e uma camisa preta manga longa. Seus cabelos estavam, como sempre, em um charmosamente bagunçados. Assim que terminou de se vestir, ouviu o barulho da campainha e sabia que era Naruto. Não se demorou a atender a porta, e na mesma hora já saíram.
— Konbanwa, Sasuke-san. — Hinata cumprimentou assim que o mesmo abriu a porta, e o mesmo apenas acenou com a cabeça em resposta.
— Vamos logo, Teme. — Apressou Naruto, já saindo na frente.
O trajeto até a casa de Sakura foi silencioso e talvez até um pouco tenso. Naruto um pouco contrariado por perder seu sábado a noite com uma “festa idiota” como ele mesmo se referia. Hinata, permanecia calada e quase imóvel, como já era de se esperar, devido a sua timidez. E Sasuke estava com a cabeça longe dali, que nem percebeu quando Naruto estacionou frente a casa da rosada.
— Oe! Chegamos. — Anunciou saindo do carro e indo até Hinata, abrindo a porta para ela.
O moreno saiu do carro, mas demorou alguns instantes até decidir finalmente entrar. Ao tocarem a campainha, deparou-se com Ino ao abrir a porta. A loira estava extremamente sorridente, talvez até um pouco alterada, mas jamais ia saber, afinal, ela já tinha um comportamento fora do normal até sóbria.
— ATÉ QUE ENFIM VOCÊS CHEGARAM! — Ela falava alto devido a música que vinha do interior. Cumprimentou todos, e abriu um pouco mais a porta, dando passagem à todos. — Sakura está na cozinha, esperando vocês. — Afirmou em nossas costas, quando já havíamos entrado, e fechou a porta.
A festa estava mais cheia do que o moreno havia imaginado, e teve certeza que aquilo era coisa da Yamanaka, já que Sakura não era tão extravagante a esse ponto. Toda a sala da rosada estava decorada, cheia de balões, glitters, e tudo que se pudesse imaginar. Os três foram até a cozinha, e se deparam com a Haruno que terminava de reabastecer os aperitivos. Assim que ela os viu, seus lábios se repuxaram em um enorme sorriso.
— Por um momento, achei que não viessem mais… — Confessou enquanto cumprimentava cada um com um beijo no rosto.
— O teme não queria vir mesmo, quase tive que obrigá-lo… — Dizia Naruto coçando a cabeça, sem jeito. Sasuke deu uma cotovelada em sua costela assim que ele terminou a frase. — Ai! — Reclamou o Uzumaki. Hipócrita, ele quem havia implorado para Naruto ir. Mas também não queria dizer isso e deixar que Sakura achasse que ele se importava tanto assim, então apenas deu de ombros. — Hum… Sakura-chan. É… — Naruto começou meio sem graça. — Não precisava de presentes, não é mesmo?! — Perguntou, incerto. — Porque… não é como se você já estivesse grávida ou… — Foi interrompido.
— Anata! — Hinata o repreendeu, corada como sempre. — Gomennasai, Sakura-san. — Pediu a morena com uma breve reverência.
— Não se preocupe, Hina. Já estou acostumada com esse, baka! — Proferiu a rosada, soltando uma breve gargalhada em seguida.
Sasuke já começava a ficar incomodado, pensou por um momento que talvez não devesse ter vindo. Suas mãos permaneciam em seus bolsos, na tentativa de esquentá-las. Naruto e Hinata se retiraram, pois Hinata arrastou Naruto ao encontro de seu primo, Neji, que estava na festa acompanhando Tenten. O Uchiha olhava cada canto da cozinha, e decidiu pegar um dos copos em cima da bancada que já estavam servidos com algum tipo de bebida alcoólica.
— Fico feliz que tenha vindo. — A voz da rosada lhe tirou de seu transe. Por um momento, havia se esquecido que ela estava ali.
— Hn. — Murmurou apenas, como de costume. Sempre foi de poucas palavras, e quando algo não lhe agradava, era pior ainda.
— Bom, tenho mais alguns convidados para cumprimentar, fique à vontade. — Ao findar a frase, deu as costas ao moreno, indo em direção a sala.
— Sakura. — A chamou, fazendo com que a mesma o olhasse por cima do ombro.
— Ahn... Parabéns, eu acho. — Disse em uma expressão de confusão. Não sabia exatamente o que desejar a ela, mas não queria estragar o clima de festa.
— Arigatou, Sasuke-kun. — O sorriso se fez presente nos lábios da rosada mais uma vez, e ela por fim se retirou de lá.
O moreno levou o copo descartável aos lábios, tomando de uma vez só o liquido do copo, que desceu rasgando por sua garganta. Talvez não devesse ter bebido tão rápido, nem tanto assim, afinal, só havia tomado café da manhã naquele dia, e com o estomago vazio a bebida iria fazer efeito bem mais rápido, mas decidiu ignorar o fato. Não sabia exatamente o porque, mas só sabia que queria beber o máximo que pudesse enquanto estivesse ali.
Caminhou até a sala de estar, sentando-se em um dos pufs, este perto de um casal de amigos, Shikamaru e Temari. Shikamaru também trabalhava na empresa de sua família,e Temari, esposa do Nara, era irmã de um dos melhores sócios da Uchiha's Technology. Iniciaram uma conversa sobre um novo experimento dentro da empresa, e continuaram no assunto por longos minutos. O Uchiha continuou tomando copos atrás de copos, do que descobriu ser doses de whisky. E quando viu, Temari já falava sobre sua vontade de ser mãe, e Shikamaru reclamava que aquilo seria problemático.
Foi empilhando os copos descartáveis a medida que os findava, e mesmo com a vista turva, pensou ter contado aproximadamente meia dúzia deles, e se perguntou se eram realmente todos seus. Pediu licença ao casal, e foi até o banheiro da rosada. Mas teve que perguntar para Ino onde era, porque nas condições que estava, realmente não se lembrava. Quando finalmente achou o cômodo, teve uma certa dificuldade para trancar a porta, mas por fim, conseguiu. Soltou um suspiro de alívio quando conseguiu finalmente se livrar do aperto de seu cinto, e de sua bexiga também. Foi até a pia, lavando suas mãos, e se deparou com um pequeno pote transparente com um líquido viscoso, em uma tonalidade branca. Imediatamente se deu conta do que se tratava, e brevemente se assustou. Sua expressão ficou pensativa por alguns instantes, enquanto ele fitava o objeto, e por fim, seus lábios se repuxaram em um sorriso.
———
Acordou no dia seguinte, com a cabeça latejando, o menor resquício de sol no quarto lhe causava um enorme mau-humor. Levantou-se ainda cambaleando, e viu tudo girando ao seu redor. Só tinha certeza de duas coisas. Uma, havia bebido mais do que devia na noite anterior. E a outra, é que não se lembrava de nada sobre aquele chá de inseminação. Só esperava que não tivesse passado nenhum vexame.
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