Pai, mãe, eu sou lésbica!
1 Eu sou lésbica! - Capitulo Único
Notas iniciais
Eu sou lésbica! Nossa que libertador, pena que não tenho essa coragem para contar a meus pais, eles nunca me pareceram o tipo conversadores, mas ainda tenho medo. Tenho 17 anos e namoro a dois anos escondida.
Meu nome é Morgana Arnecker e o nome da minha namorada é Kate, ela é a pessoa que eu mais amo no mundo, passei anos negando quem eu era e namorando caras mas nunca estive feliz como estou com ela. Beija-la é uma grande sensação, mas sempre, sempre com medo que meus pais ou algum familiar veja, minhas amigas e amigos sabem e me ajudam a esconder, Kate entende, mas seus pais sabem e super apoiam.
Mas finalmente tomei coragem, jantar de sábado, tinha tudo para dar errado, mas não iria desisti, sentamos a mesa. Há minha frente, como sempre, meu pai Logan Arnecker, um grande advogado, muito bem vestido, serio, em vários momentos divertidos, mas sempre sério, sempre vi meus pais muito felizes juntos, meu pai nunca desrespeitou minha mãe. Ela, Pandora Arnecker, estava ao lado dele também a minha frente, também muito bem vestida, como sempre, era uma grande engenheira ela é a melhor mãe do mundo, sempre carinhosa, sorria o tempo todo, sempre me fez muito feliz.
— O que foi, Morgana? Está estranha – minha mãe percebe.
— Eu gostaria de contar uma coisa a vocês – digo devolvendo o garfo do lado do prato, tremo um pouco e chego a engasgar na primeira tentativa.
— O que seria? – meu pai pergunta, serio.
— Eu não sei como contar, escondi isso por muito tempo por medo da reação de vocês... – faço uma pausa, minha mãe com o olhar me incentiva a continuar. – Eu tenho uma namorada, sou lésbica! — solto de uma vez sem ar e logo quando respiro prendo a respiração.
Meu pai fica vermelho minha mãe estática, mas vejo pelo olhar uma coisa diferente.
— Isso é uma pegadinha? Certo, Morgana? – ele pergunta furioso, mas com a voz baixa.
— Não, pai. Essa é a verdade – falo mais baixo ainda.
— COMO OUSA SER ASSIM? EU NÃO TENHO FILHA LÉSBICA! – ele grita se levantando, a cadeira cai e minha mãe se assusta com o barulho. – NÃO VOU PERMITIR. NÃO ME IMPORTA O QUE VCÊ QUER MORGANA, VOCÊ VAI TERMINAR COM QUEM QUER QUE SEJA E NUNCA MAIS TOCAR NESSE ASSUNTO!
— NÃO POSSO FAZER ISSO. EU AMO KATE, E EU NUNCA VOU AMAR NENHUM GAROTO – eu grito me levantando. – NUNCA AMEI, NENHUM DOS MEUS NAMORADOS QUE TROUXE AQUI!
— NÃO ME IMPORTO. EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ESTRAGAR O NOME DA MINHA FAMILIA DESSE JEITO – ele grita e vem para cima, para me bater, fico sem reação, fecho os olhos mas o tapa não vem.
Abro os olhos e vejo minha mãe segurando o braço do meu pai, agora de pé.
— Você não vai bater na minha filha – ela fala firme, não grita, mas firme.
— Vai ficar do lado dela? Você concorda com isso? Com essa nojeira? – ele pergunta olhando para ela, nos olhos dela.
— A única coisa nojenta aqui é esse seu preconceito – ela fala cuspindo as palavras, meu pai puxa o braço da mão dela e ela fica na minha frente, entre mim e meu pai.
— Eu não tenho filha homossexual – ele fala. – Aqui ela não fica!
— Você não pode expulsa sua própria filha apenas por ser homossexual – ela se espanta.
— Eu não vou expulsa uma filha homossexual por que eu não tenho mais filha. FORA DA MINHA CASA MORGANA! – ele grita.
— Não acredito que me casei com um homofóbico – minha mãe fala e mesmo não vendo seu rosto pela voz percebo que está chorando. – Como eu não percebi antes! Se Morgana sair dessa casa, eu saio junto! – ela impõe, eu estou destruindo o casamento dos meus pais.
— Não, mãe, não faça isso, não destrua seu casamento – eu choro por ela. Ela se vira para mim.
— Não é você que está destruindo, é o seu pai – ela me abraça e logo se vira.
— Vai ficar do lado dela? – ele acusa.
— Para com isso Logan, aceite sua filha, não me faça ir em bora e pedir o divórcio – ela fala.
— Vai pedir o divórcio? – ele pergunta.
— Não posso ficar casada com um homofóbico, que não aceita a própria filha, que queria bater nela e expulsa-la de casa – ele fala desesperada.
— Não vou aceitar, e ela pode ir imediatamente para fora dessa casa – ele responde.
— Vamos Morgana, pegue algumas roupas e objetos pessoais – ela fala para mim firme. – Amanhã mesmo eu peço para um advogado entrar em contado para iniciarmos o divórcio – ela fala e me impura devagar para subirmos para o segundo andar. – Pegue logo Morgana – ela fala indo para o quarto dela.
Pego uma bolsa grande ponho várias roupas e saio do quarto, minha mãe também já está pronta. Ela desce na frente. Meu pai estava parado na sala bebendo uma alguma bebida alcoólica.
— Depois não procure quando descobrir que não valeu apena defende-la – ele fala secamente.
— Você não olhe mais na minha casa – ela fala com raiva. — Vamos Morgana – ela me puxa, entramos no carro e até o hotel que ela escolheu não falou nada nem eu. Mamãe alugou um quarto e subimos, quando ela fecha a porta jogo a mala no chão e começo a chorar por tudo que fiz com a vida dos meus pais.
Ela me abraça o mais forte que pode.
— Não chore Morg, não se culpe... – ela fala calma e com a voz baixa e doce, fazendo carinho nos meus cabelos ruivos. – Eu sempre vi como você nunca ficou confortável com nenhum garoto, eu sempre soube, mas queria que você se abrisse. – ela me solta e segura minha cabeça e dá um sorriso. – Sinto muito orgulho de você, nunca baixe a cabeça, Morgana, não importa quem você ame, homem ou mulher, eu sempre vou te amar, fui muito burra para não reparar que ele pensava assim. – ela me abraçar novamente. – Nunca poderia deixar ele te bater, te julgar. E eu nunca poderia continuar casada com ele, vendo você sair por aquela porta sozinha e indefessa por uma coisa que não é sua culpa e todo mundo deveria aceitar! Agora não chore por ele, ele não merece. – ela fala novamente me soltando, ela arruma a própria roupa e sorri. – Amanhã, vou arrumar tudo, até o final da semana já vamos estar em uma nova casa, em uma nova vida e quero muito conhecer Kate!
— Obrigada por apoiar, mamãe – digo a abraçando.
[...]
E assim foi feita no próprio sábado, já fomos direto para a casa que ela avisa comprado. Era linda, mamãe tem muito dinheiro, ela nunca dependeu do meu pai.
— Não é linda? – ela pergunta animada.
— Claro, mãe – respondo. Minha mãe se recuperou mais rápido do que eu.
— Uma nova casa para uma nova vida – ela fala entrando, ela já estava mobilhada. – Trouxe todas as suas roupas e tudo mais da casa de Logan está lá em cima! – ela fala indo para a cozinha, eu acho. – Não se esqueça de chamar Kate hoje! – ela me lembra da promessa, falei que chamaria Kate no dia em que a gente se mudasse.
[...]
Pandora P.O.V.
Pedir o divórcio para a pessoa que eu sempre vou amar doeu e muito, mas não posso dormir ao lado de uma pessoa como Logan, não mais. Sempre disse a minha mãe para respeitar qualquer decisão que Morgana tomasse, tanto como futuro em um emprego, faculdade, gostos e até mesmo na opção sexual.
Quando ela trazia um garoto para casa eu via no seu olhar algo que não era ela, era como se Morgana fizesse aquilo para realmente mostra tipo “olhem pais estou com um menino” mas não por que queria.
Quando ela contou senti medo por ela, por esse mundo cruel que anda não aceita essas coisas, que já devia ser normal, e ver Logan daquele jeito me deixa surpresa, nunca pensei que ele não apoiaria a própria filha.
Enfim já iniciei o divórcio já comprei uma casa nova e quero muito conhecer Kate.
Comida pronta, tudo pronto só falta Kate que logo a campainha toca. Eu me levanto do sofá e Morgana vai até a porta atender.
— Oi – escuto Morgana fala.
— Morg! – escuto a voz da outra menina e um barulho para um abraço. – Nunca mais me proíba de ir te visitar para te ajudar, quando contou tudo aquilo fiquei muito preocupada – escutei aquilo e pude perceber a preocupação na voz da menina, da Kate.
— Desculpe – Morgana fala. – Vem vamos! – ela fala.
— Espera – Kate fala e não sou boba, elas estavam se beijando.
Logo as duas parecem, Kate era loira, cabelo comprido, Morgana era ruiva, as duas tinham a mesma altura, mas Kate tinha uma personalidade mais rosa e Morgana um pouco mais para o preto. As duas estão de mãos dadas e quando olha para Morgana, vejo o que nunca vi quando ela estava ao lado de um menino, vejo um brilho nos olhos que era de pura paixão, de alegria era liberdade de estar ao lado da pessoa que amava.
Kate sorri animada.
— Mãe, essa é Kate – ela fala.
— É um prazer conhece-la, Senhora Twigger – ela fala soltando da mão de Morgana. E sim tinha voltado a usar meu nome de solteira.
Ela me abraça e eu retribuo.
— O prazer é meu, conhecer a menina que faz minha filha tão feliz – digo sorrindo. As duas ficam com as bochechas vermelhas. – Não se envergonhem! – digo andando até Morgana e a abraço. – E tão bom ver você feliz assim!
E assim que todos os pais deveria agir, agir pela felicidade dos filhos. Não importa quem eles amem, se eles estão felizes você também deviria estar!
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