Pai...
1 01 - Único
Notas iniciais
A foto na estante mostrava o quão bonito Uchiha Sasuke era. A beleza dele era notável e Sarada a via toda vez que se olhava no espelho. Os traços do homem com quem compartilhava sangue, mágoas e distâncias.
O homem que sua mãe amava e que a amava também, mas de longe. O homem que não sabia lidar com tudo o que causara, com os traumas que vivera.
O homem que sempre desejou a família de volta. O mesmo homem que se mantinha afastado da sua.
Uchiha Sasuke, colecionador de títulos. Vingador, sobrevivente do clã Uchiha, criminoso Rank-s, herói de guerra, pai e marido ausente.
Após o acontecimento no antigo esconderijo de Orochimaru, Sasuke passou a aparecer de vez em quando. Ficava um dia ou dois, jantava em silêncio, esboçava alguns sorrisos e fazia alguns comentários. As vezes treinavam juntos. E depois ele saía novamente, com o destino incerto.
Sarada não fazia ideia do quão quebrado o pai ainda era. Assim como Sasuke também não conseguia compreender o quão quebrada a família dele se tornava a cada dia, pela sua incapacidade de perceber que aquela autopunição já tinha durado tempo demais. Não era mais um sacrifício pró-mundo ninja, uma ameaça incalculável. Era uma penitência eterna, que ele sem querer depositara sobre os seus ombros e os de sua família.
Uma família que Sakura manteve a todo custo, cultivando o amor por Sasuke mesmo nos momentos mais difíceis e criando Sarada com tudo de bom que ela possuía dentro de si, mesmo sendo mãe de primeira viagem e totalmente sozinha com um bebê.
Apenas Sakura, uma promessa de que Sasuke um dia voltaria e a filha. Uma vila em reconstrução, os traumas que a guerra causou, a saudade.
E enquanto Sarada crescia, Sakura sempre esteve lá. Ferida por dentro, mas ainda assim ali. Acompanhando cada tombo que a filha dava, no sentido literal e figurado. Cultivando na garota o amor e as lembranças por um homem que Sarada sequer conseguia se lembrar direito.
Uchiha Sakura. A pupila que superou sua mestra. Excelente médica. Mãe e pai. Esposa infeliz.
E toda vez que Sarada olhava para Sasuke dentro de casa, tudo aquilo vinha em sua mente. Ela o amava demais, mas não conseguia compreende-lo.
Não queria, na realidade.
Sarada só ansiava pelo dia em que Sasuke finalmente perceberia que nem ele e nem ninguém ali deveria ficar sozinho. E que ele fazia parte daquele caminho que Sakura e Sarada já trilhavam há anos, só precisava querer seguir.
Ela não fazia questão de ser tudo. Bastaria tê-lo ali.
Pai,
pode ser que daqui algum tempo
haja tempo pra gente ser mais
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