Não lembro do meu nome.


Dizem que fui famoso.
Será?
Será mesmo que fui famoso?

–Acorda! Ta na hora de levantar.
–Tudo bem, Bill, já estou acordado e preparado.

Aqui estou. Caminhando lentamente em direção ao nada.
Um gênio, melhor que qualquer poeta, fui perfeito.

E sabe por quê?
Por que odeio crianças.
Aquelas malditas.
Não, não são todas as crianças.

Ok, acho que o que falei foi confuso demais.
Melhor abrir o jogo.

Sou um assassino.
Mas não sou qualquer assassino.
Matei crianças velhas.
E matei sonhos.
Hey hey, estou confuso.

Lembra-se da época do colégio?
Sempre tinha aquele grupo de garotos que batiam em um bundão da sala.
Escolhiam um que não fosse do grupo e todo dia esse era castigado por nada.
Bem, acho que escolheram o bundão errado.

Matei todos, sem pena.
É muito bom quando temos a facilidade em notar as fraquezas das pessoas.
Arranquei dentes, arranquei unhas.
Quebrei joelhos e matei pai e mãe.
Nem sempre precisa matar para ser um assassino.
O pequeno João, por exemplo.
Essa hora está em uma cama sem se mexer.
Como ele jogava bem futebol, foi contratado por um time italiano e estava se preparando para ser famoso.
Isso foi pior que a morte para o pobrezinho.


Muitos acham que sou doente, você acha isso?
Somos um bando de animais que vivem se controlando para simplesmente se encaixar em um padrão perfeito para a sociedade.